Epístolas de Inácio

Inácio de Antioquia (?35-117?) teria sido o segundo ou talvez o terceiro bispo de Antioquia na Síria.

Intimado a comparecer e ser executado em Roma, durante sua jornada teria escrito cartas a igrejas e conhecidos cristãos. Muito pouco se sabe sobre ele além das informações contidas nas cartas. Um total de quinze cartas foram supostamente escritas por Inácio, mas somente sete poderiam conter material legítimo. Mesmo assim, essas sete cartas existem em recensões curtas e em versões maiores, indicando que houve interpolações acrescidas durante a transmissão textual.

As sete epístolas seriam destinadas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Tralles, Roma, Filadélfia e Esmirna. A última seria destinada a Policarpo, o bispo de Esmirna, o responsável pela difusão do conjunto.

Contém advertências contra falsos ensinos e apelos à unidade. O autor encoraja a continuarem na caminhada cristã, reconhecerem a autoridade dos bispos e a manter-se longe da heresia.

Outra obra da córpora ignaciana é o Martyrium Ignatii. Sobrevive em manuscritos tardios. Relata os eventos da morte de Inácio. A autoria reivindicada é de um diácono de Tarso.

YHWH

Yahweh, YHWH, Jeová, Tetragrammaton, Javé, Iavé, em hebraico יהוה, um nome é encontrado 6828 vezes nas Escrituras Hebraicas ou o Antigo Testamento para referir-se a Deus.

De acordo com Êxodo 6:2-4, sob este nome foi revelado pela primeira vez a Moisés na sarça ardente. Entretanto, aparece na interação com humanos desde o tempo de Enos antes do dilúvio (Gn 4:26).

Uma teoria é que YHWH deriva-se do verbo hebraico hayah, “ser” implicando que Yahweh seja o criador e senhor da história.

O nome e o culto a Yahweh ocorre de forma ocasional em vestígios arqueológicos e em nomes teofóricos de vários povos semitas no Levante, especialmente na região sul do Mar Morto.

A pronúncia desse nome virou um tabu entre os judeus no período helenista. A pronúncia Yāhū é provável através da pronúncia de nomes pessoais compostos como Ēliyyāhū (Elias) e Zəkharyāhū (Zacarias). Como a forma consonatal recebe as vogais “Adonai”, passou-se a ser lido como “Jehovah” ou Jeová em muitas línguas europeias.

BIBLIOGRAFIA

Fleming, Daniel E. Yahweh before Israel: Glimpses of history in a divine name. Cambridge University Press, 2020.

Gray, John ‘The god Yaw in the Religion of Canaan,’ in Journal of Near Eastern Studies. Chicacgo. Vol. 12. 1953. pp. 278-283.

Frevel, Christian. “When and from where did YHWH emerge? Some reflections on early Yahwism in Israel and Judah.” UNISA 2021.

Römer, Thomas. “The revelation of the Divine Name to Moses and the Construction of a Memory About the origins of the Encounter Between YHWH and Israel.” Israel’s Exodus in Transdisciplinary Perspective: Text, Archaeology, Culture, and Geoscience (2015): 305-315.

Smith, Mark S. The Early History of God: Yahweh and the Other Deities in Ancient Israel. Grand Rapids, MI; Cambridge, U.K.; Dearborn, MI: Eerdmans; Dove Booksellers, 2002.

Inscrição de Tel es-Safi

A inscrição de Tel es-Safi foi encontrada em 2005 na possível cidade bíblica de Gate, em território filisteu. A data da inscrição é da Idade do Ferro IIA (1000–925 aC). Fragmentos cerâmicos contém sete caracteres proto-cananeus.

Os caracteres ‘LWT (אלות) e WLT (ולת) foram interpretados como possíveis alusões ao nome “Golias”.

BIBLIOGRAFIA

FINKELSTEIN, Israel, Benjamin SASS, and Lily SINGER-AVITZ. “Writing in Iron IIA Philistia in the Light of the Tel Zayit/Zētā Abecedary.” Zeitschrift Des Deutschen Palästina-Vereins (1953) 124, no. 1 (2008): 1-14. 

Maeir, A.M., Wimmer, S.J., Zukerman, A. et Demsky, A. 2008, A Late Iron Age I/Early Iron Age II Old Canaanite Inscription from Tell es-Safi/Gath, Israel: Palaeography, Dating, and Historical-Cultural Significance, Bulletin of the American Schools of Oriental Research, 351, 39-71.

Irmãos do Senhor

As palavras para parentesco em grego e hebraico tinham conotações mais amplas. Em João 19:25, Maria, esposa de Clopas, é chamada também de “irmã”. Pode significar uma pessoa próxima, um amigo, um compatriota. Em Mateus 12:46-50,Lucas 8:19-21 a mãe e os irmãos de Jesus vieram a ter com ele, mas Jesus considera — de modo figurado, ou seja, com amplitude semântica maior — irmãos e irmãs todos que fazem a vontade de Deus. Assim, os contextos ditam o significado.

No texto bíblico não há dúvida que Jesus tinha irmãos. Mas quando em Mateus se diz que Jesus era filho do Carpinteiro e Maria e tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Judas (Mateus 13:55-56) e irmãs, está falando da mesma família, excluindo assim o gama semática de primos ou outro significado vaga para “irmãos”.

Em João 7:1-10, seus irmãos vão para o festival enquanto Jesus fica para trás. Em Atos 1:14, Seus irmãos e sua mãe são descritos orando com os discípulos. Gálatas 1:19 menciona que Tiago como irmão de Jesus. Mateus 12:46, Lucas 8:19 e Marcos 3:31 dizem que a mãe e os irmãos de Jesus vieram vê-lo.

Todas essas passagens não têm indicação de que possam ser lidas como ‘primo’ ou ‘parente’.

Evidências externas (historiadores como Josefo, Hegesipo e Sexto Júlio Africano) indicam que Jesus teve irmãos e alguns desses irmãos tiveram descedências registradas no século II.