Tabuletas de Murashu

As tabuletas de Murashu ou de Murašû são uma coleção de documentos comerciais da grande casa bancária de Murashu and Filhos em Nippur, datados de cerca de 530 aC.

Descobertos em 1893, são 879 servindo cerca de uma centena de famílias judias e quase 2500 nomes. Registra as atividades dos exilados israelitas na Babilônia.

Estas tabuletas de argila em escrita cuneiforme fornecem informações valiosas sobre a história económica e social do período, incluindo detalhes sobre as atividades empresariais da família Murashu durante o reinado de Dario II.

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Método de Correlação

O método de correlação, desenvolvido pelo teólogo Paul Tillich, é uma metodologia de produzir análises e raciocínios teológicos. Em suma, esse método busca explicar os conteúdos da fé cristã explorando a interdependência entre perguntas existenciais e respostas teológicas.

A abordagem de Tillich foi fundamentada na necessidade de um método teológico que permanecesse fiel à essência da mensagem cristã enquanto dialogava com expressões contemporâneas e questionamentos existenciais. Esse método, frequentemente considerado uma marca da teologia sistemática de Tillich, visava estabelecer uma ponte entre a fé cristã atemporal e as preocupações sempre presentes da humanidade.

As pressuposições de Tillich o levaram a propor o método de correlação, que determinou toda a estrutura e forma de sua abordagem teológica. A importância dessa abordagem reside em sua rejeição consciente de três alternativas inadequadas, conforme percebidas por Tillich.

A primeira alternativa, denominada “supranaturalista” ou “sobrenaturalista” seria sinônimo de uma teologia do alto e é comumente seguida por muitos teólogos protestantes. Segundo Tillich, essa abordagem é inadequada porque negligencia as perguntas e preocupações prementes dos seres humanos, a “situação” em que se encontram. A perspectiva supranaturalista espera que a Palavra de Deus crie a possibilidade de compreender e aceitar sua verdade sem considerar suficientemente o contexto existencial dos destinatários.

Para Tillich, a inadequação dessa abordagem reside em seu desrespeito pelas perguntas que os seres humanos realmente fazem. Enfatiza que “o homem não pode receber respostas para perguntas que ele nunca fez”. Essa rejeição da postura supranaturalista desafia tanto o fundamentalismo quanto a neo-ortodoxia de Barth. O argumento de Tillich sustenta que as perguntas certas, cruciais para compreender e aceitar a mensagem cristã, estão inherentemente presentes na experiência humana.

O teólogo também rejeita métodos humanistas ou naturalistas, fundados na confiança da razão. Ademais, rejeita os métodos dualistas ou dialéticos, como o tomismo.

Tillich ilustra o método de correlação usando o exemplo de “Deus”. Deus, neste contexto, representa a resposta à questão implícita na finitude humana. Dentro da teologia sistemática, Deus é retratado como o poder infinito do ser resistindo à ameaça do não-ser, correlacionando-se com os desafios existenciais inerentes à existência humana.

A teologia sistemática, seguindo este método, analisa a natureza da razão humana sob condições existenciais, revelando uma busca pela revelação. A revelação divina é então interpretada como a resposta às questões levantadas pela razão. Este padrão continua por toda a teologia, onde cada resposta deriva sua forma da pergunta e seu conteúdo da revelação. O método de correlação de Tillich permanece, portanto, uma contribuição profunda e duradoura para a teologia, unindo a mensagem cristã atemporal às preocupações existenciais contemporâneas da humanidade.

Portanto, o método de correlação serve como uma ponte entre as verdades eternas do cristianismo e a realidade vivida pelos indivíduos. A ênfase de Tillich em se envolver com perguntas existenciais reflete um compromisso com uma teologia que não está desconectada das preocupações da humanidade. Ao rejeitar alternativas inadequadas, buscou desenvolver um método que ressoasse com a profundidade da experiência humana, mantendo-se fiel aos princípios fundamentais da fé cristã.

Milagre

A Bíblia utiliza termos como “sinal” (אות, ‘wt), “maravilha” (מופת, mwpt) e “poder” (δύναμις, dynamis) para se referir a milagres. No Novo Testamento, “sinal” (σημεῖον, sēmeion) frequentemente indica um milagre com significado simbólico, enquanto “maravilha” (τέρας, teras) destaca o caráter extraordinário do evento. O termo moderno “milagre” deriva do latim miraculum, e sua formulação teológica se deve a Agostinho.

Um milagre pode ser definido como um evento que desafia as expectativas comuns de comportamento e é atribuído a um agente sobrenatural, demonstrando a intervenção divina nos assuntos humanos. A Bíblia registra diversos tipos de milagres, como eventos celestiais, curas instantâneas, controle da natureza e ações inesperadas de objetos e animais.

Deus é frequentemente retratado como o agente direto dos milagres no Antigo Testamento, embora muitas vezes utilize intermediários humanos, como Moisés e Elias. As respostas aos milagres variam de acordo com o contexto pessoal, sociopolítico e teológico de cada observador. Os milagres também afetam a reputação do agente, como a fama dos deuses hebreus que precede a chegada dos israelitas em 1 Samuel 4:8.

Os milagres ocupam um lugar central nos Evangelhos, em Atos e no Apocalipse. Jesus é o principal agente de milagres, realizando curas, multiplicação de alimentos e controle da natureza. Seus milagres servem para confirmar Sua identidade e missão, e para validar a mensagem do Evangelho. Os apóstolos também realizam milagres, confirmando sua autoridade e o poder do Espírito Santo.

O Novo Testamento reconhece a possibilidade de falsos milagres realizados por agentes malignos, como falsos profetas e o “homem da lei” em 2 Tessalonicenses 2:9. Em Apocalipse, os milagres são tanto visões celestiais quanto instrumentos das forças de Satanás.

Os milagres bíblicos desempenham diversas funções, sendo classificados como instrumentais (provisão de maná), comunicativos (escrita na parede em Daniel 5), punitivos (tumores nos filisteus em 1 Samuel 5), sociopolíticos (fogo do céu em 1 Reis 18) e teológicos. As funções teológicas incluem a validação de Deus, de Sua mensagem, a sinalização de Sua atividade e a realização de atos de salvação.

As sociedades do antigo Oriente Próximo e da Grécia Antiga viam os milagres como evidência da participação de seres divinos nos assuntos terrenos. Curas, oráculos, portentos celestiais, eventos naturais extraordinários e feitos de “pessoas santas” eram considerados milagres. A distinção entre “milagre” e “magia” dependia da perspectiva do observador, e a crescente suspeita em relação à magia levou muitos curadores e fazedores de maravilhas a serem rotulados como mágicos.

A definição e a compreensão dos milagres têm sido objeto de debate entre teólogos e cientistas. Agostinho argumentava que os milagres não violam a natureza, mas sim as expectativas humanas sobre a natureza. Tomás de Aquino elaborou uma teoria mais complexa, distinguindo entre causas primárias (Deus) e secundárias (naturais). No entanto, a identificação de um milagre permanece um desafio, especialmente diante do avanço do conhecimento científico.

Manuscrito de Shapira

O Manuscrito de Shapira era um conjunto de tiras de couro com inscrições em grafia paleo-hebraica trazida a público pelo comerciante de antiguidades Moses Wilhelm Shapira em 1883. Seria uma versão distinta de Deuteronômio, mas na época foi considerado uma falsificação pela comunidade acadêmica. Shapira suicidou-se e o manuscrito desapareceu.

O manuscrito eram quinze tiras de couro provenientes em Wadi Mujib, região do Arnon, na Transjordânia, perto do Mar Morto.

Possuía uma variante nos Dez Mandamentos: “Não odiarás teu irmão em teu coração: Eu sou Deus, teu Deus.” Exceto no decálogo, as leis são ditas em terceira pessoa.

Depois da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto foram feitas análises posteriores dos fac-símiles sobreviventes. Biblistas como Menahem Mansoor (1959) e Idan Dershowitz (2021) argumentam que seria uma versão anterior ao Deuterônimo na versão massorética que chegou ao presente. Dershowitz argumenta que seria um discurso de despedida de Moisés, correspondente a Deuteronômio 1-11; 27-32.

BIBLIOGRAFIA

Dershowitz, Idan. The Valediction of Moses: New Evidence on the Shapira Deuteronomy Fragments. ZAW 133, 2021.

Mansoor, Menahem. The case of Shapira’s Dead Sea (Deuteronomy) scroll of 1883. Madison: University of Wisconsin, 1959.

Rollston, Christopher. “Deja Vu all over Again: The Antiquities Market, the Shapira Strips, Menahem Mansoor, and Idan Dershowitz” Rollston Epigraphy – 10 March, 2021.

Tigay, Chanan. The Lost Book of Moses: The Hunt for the World’s Oldest Bible. New York: Ecco, 2016.

Tigay, Chanan. O livro perdido de Moisés: a procura da Bíblia mais antiga do mundo. Lisboa: Temas e Debates, 2017.

Molinismo

O molinismo é um sistema teológico dentro do pensamento cristão que busca reconciliar a soberania divina e o livre arbítrio humano.

A vertente recebe o nome do teólogo jesuíta espanhol do século XVI, Luis de Molina. Originalmente, era uma posição filosófica compatibilista, conciliando aspectos de determinismo e livre-arbítrio. Foi recepcionado na teologia, sobretudo protestante, como uma alternativa soteriológica.

Os molinistas argumentam que Deus realiza Sua vontade por meio de Sua onisciência, respeitando a liberdade genuína das criaturas.

Os molinistas postulam três momentos lógicos no conhecimento de Deus: conhecimento natural (incluindo todas as possibilidades lógicas), conhecimento médio (conhecimento do que as criaturas livres escolheriam em várias circunstâncias) e conhecimento livre (conhecimento de eventos reais).

Princípios-chave

Em contraste com o calvinismo dordtiano e o arminianismo, o molinismo pode ser resumido usando o acróstico “ROSES”:

  1. Radical Depravation (Depravação Radical): A humanidade é profundamente afetada pela queda.
  2. Overcoming Grace (Graça superadora): A graça de Deus pode superar a depravação humana, mas os indivíduos podem responder livremente.
  3. Sovereign Election (Eleição Soberana): A eleição de Deus é baseada em Seu conhecimento médio, sabendo quem responderia com fé, ao invés de ser incondicional.
  4. Eternal Life (Vida Eterna): Os crentes regenerados não perderão a sua justificação.
  5. Singular Redemption (Redenção Singular): Embora a redenção de Cristo seja suficiente para todos, ela só é aplicável aos eleitos.

O Molinismo se distingue do calvinismo dordtiano ao afirmar que os indivíduos podem escolher aceitar ou rejeitar a salvação, ao contrário da doutrina da graça irresistível. Também difere do arminianismo ao enfatizar que Deus sabe como os indivíduos reagiriam em circunstâncias específicas.

Fundamentos Bíblicos

Os molinistas apoiam a sua posição com passagens bíblicas que acreditam demonstrar o conhecimento médio de Deus. Os textos principais incluem 1 Samuel 23:8–14, Provérbios 4:11 e Mateus 11:23, juntamente com outras passagens como Ezequiel 3:6–7 e Lucas 22:67–68.

Defensores proeminentes

Proponentes proeminentes do Molinismo incluem Luis de Molina, William Lane Craig, Alvin Plantinga, Thomas Flint e Kenneth Keathley.

É uma posição popular entre batistas sulistas americanos, onde uma variante recebe a designação de providencialismo.

Em suma, enquanto o calvinismo (dordtiano) enfatiza a soberania, o arminianismo a justiça, o amiraldismo a misericórdia, o molinismo enfatiza a onisciência de Deus.