Menno Simons

Menno Simons (1492?-1561) foi o principal articulador — tanto organizacional quanto teológico — dos anabatistas holandeses.

Filho a um casal camponês holandês da vila de Witmarsum, na província da Frísia. (Simons não é sobrenome, mas seu patronímico). Tornou-se padre, mas começou a duvidar da validade do batismo infantil e passou a simpatizar com as ideias de Lutero. Juntou-se aos anabatistas, então sofrendo perseguição. Viajou por 25 anos entre os Países-Baixos e norte da Alemanha. Viveu seus últimos anos em Holstein.

Sua eclesiologia era intimamente conectada com a soteriologia. O cristianismo não coincidia com a cristandade nominal, mas existina na comunidade de crentes. As novas criaturas regeneradas após a ressurreição espiritual seguiam em novidade de vida dentro da Igreja.

Os mennonitas, o maior grupo atual de denominações anabatistas, remonta à missão realizada por ele.

Pilgram Marpeck 

Pilgram Marpeck (morte em 1556) foi um teólogo e líder anabatista do sul da Alemanha.

Sua obra teológica maior foi a Verantwortung (Apologia ou Defesa). Explica o batismo e a santa ceia.

Um escritor influente em sua época, mas esquecido mesmo entre os anabatistas posteriores, recebeu um renovado interesse no século XX como um expoente do pensamento teológico da Reforma anabatista. Stephen Boyd resume sua avaliação:

Pesquisas recentes se concentraram na importância e implicações da encarnação para a cristologia, soteriologia (salvação), eclesiologia, ética, teologia sacramental (comunhão) e hermenêutica de Marpeck. (…) Em seus argumentos com Schwenckfeld, Entfelder e Bünderlin, Marpeck afirmou a divindade de Cristo, mas enfatizou a humanidade física e histórica de Cristo. O “Espírito irrestrito”, derramado na morte de Cristo, reuniu aqueles que voluntariamente o receberam no “corpo não glorificado” de Cristo na terra, que esperava a união com seu “corpo glorificado” no céu. A recepção do Espírito, justificação, que é selada pelo batismo, a “aliança da boa consciência” (Sebastian Franck, Bernhard Rothmann, Schiemer e Schlaffer), reordena progressivamente a vida (Schwenckfeld, Theologie Deutsch), afeta a santificação e leva à um compromisso com a justiça, não apenas internamente perante Deus, mas também externamente perante a humanidade. Por causa da natureza irrestrita do Espírito de Cristo, Marpeck criticou a busca dessa justiça por meio da espada civil (por exemplo, seus argumentos contra teólogos protestantes e católicos) ou legalismo coercitivo (por exemplo, sua objeção a essas tendências entre os huteritas e irmãos suíços). Devido ao caráter decisivo da encarnação, ele insiste que a Antiga e a Nova Aliança devem ser distinguidas (Schwenckfeld) e que a Bíblia é compreendida adequadamente apenas no contexto de e por toda a comunidade de crentes. — Stephen B. Boyd

BIBLIOGRAFIA

Boyd, Stephen B. Pilgram Marpeck: His life and social theology. Duke University Press, 1992.

Marbeck, Pilgram, and William Klassen. “The Writings of Pilgram Marpeck.” Classics of the radical reformation 2 (1978).

Loserth, Johann, John C. Wenger, Harold S. Bender and Stephen B. Boyd. “Marpeck, Pilgram (d. 1556).” Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. 1987. Web. 1 Sep 2022. https://gameo.org/index.php?title=Marpeck,_Pilgram_(d._1556)&oldid=166258.

Montanismo

O montanismo designa um avivamento de fervor entre cristãos na Frígia, atual Turquia, no século II, quanto vários movimentos posteriores que mantiveram as práticas de profecias ou manisfestações carismáticas nas igrejas.

Uma das únicas fontes históricas dos próprios montanistas é Tertuliano, adepto de uma de suas vertentes. Segundo Tertuliano, para os montanistas o Espírito Santo através da profecia esclarecia dificuldades em entender as Escrituras. As profecias montanistas não continham novo conteúdo doutrinário, mas impunham rígidos padrões comportamentais em busca de santificação.

Como em todos movimentos espirituais, surgiram excessos e também falsos profetas. O montanismo não era um só movimento, mas várias vertentes, as quais sobreviveram até o século IV.

No século IV, ou seja, duzentos anos depois do avivamento, surgiu um movimento aliado ao estado romano antimontanista. Quase tudo que sabemos sobre o montanismo vem dessa época e por autores antimontanistas (Jerônimo, Epifânio, Agostinho, Eusébio). Dada a distância temporal e o viés antimontanista, é muito pouco o valor histórico desses autores sobre esse tema.

O uso do termo ‘montanista’ para referir-se à atitude de considerar revelações extáticas superior às Escrituras não reflete o movimento histórico, tal como suas evidências permitem conhecer.

Milla Clemensdotter

Milla Clemensdotter (1812–1892) ou Maria da Lapônia foi uma renovadora da Igreja Luterana Sueca. Uma nativa sami, teve uma influência significativa na vida espiritual de Lars Levi Laestadius.

Quando nasceu, seu pai era alcoólatra e a família perdeu todas as suas propriedades. Após a morte de seu pai em 1817, sua mãe se casou novamente. Aos seis anos foi morar com diversas famílias, passando por vários sofrementos.

Mais tarde,Maria juntou-se a um movimento de avivamento marcado por influências pietistas e morávias, parte de um grupo conhecido como “Leitores”. Em 1840 casou-se. Quatro anos depois encontrou e influenciou Lars Levi Laestadius, dando origem ao laestadianismo.

Em 1865, o casal vivia em Halmøya em Flatanger (então parte de Fosnes) e em Namdalen como nômades pastores de renas.