Mari

Sítio arqueológico na Mesopotâmia (Tel-el-Harari), no oeste da atual Síria. Localizada próximo ao Eufrates (c. 25 km), a cidade de Mari floresceu como centro comercial e político entre 2900 aC e 1750 aC. As escavações começaram em 1925 e em 1933 foi anunciado a descoberta de cerca 25.000 tabuletas na biblioteca queimada de Zimri-Lim escrita em acadiano de um período de 50 anos entre cerca de 1800 – 1750 a.C.

Mari constitui um relevante testemunho histórico para a Idade do Bronze Médio. Apesar de não haver muitos paralelos diretos com a literatura bíblica, Mari informa muito sobre costumes, nomes e temas encontrados na Bíblia. Há estelas sagradas, revelações proféticas registrados por escrito, a ascensão do jovem herói à realeza, nomes como Naor, Harã, Hazor, Laís, os pastoralistas seminômades amoritas, dentre outros.

As profecias escritas em Mari constituem um gênero literário importante para compreender seu análogo bíblico. Junto de outras profecias assírias datadas dos reinados de Essaradom (680-669 a.C.) e Assurbanipal (668-627 a.C.), as profecias de Mari formam um corpus de 130 textos cuneiformes desse gênero, estranhamente restritos a essas duas instâncias. Obviamente, esses documentos separados dos escritos bíblicos por mais de um milênio não influenciaram diretamente a composição das Escrituras Hebraicas, mas providenciam dados valiosos sobre os contextos histórico, social e literário,

BIBLIOGRAFIA

Malamat, Abraham. Mari and the Bible. Leiden: Brill, 1998.

Crônica Weidner

Crônica Weidner (ABC 19) ou Crônica de Esagila é uma composição literária em formato de carta, mas com elementos que lembram uma crônica ou anais. Contudo, não se trata de um registro de eventos, mas uma peça de propaganda política e religiosa.

O rei Damiq-ilišu de Isin (reinado entre 1816 e 1794, a.C.) escreve ao rei Apil-Sin da Babilônia (1830-1813 a.C.) sobre as bênçãos que os deuses concederam aos reis anteriores. Argumenta que foram abençoados porque sacrificaram ao deus supremo Marduk no santuário de Esagila na Babilônia. A maioria desses reis são do terceiro milênio, quando a Babilônia e o santuário provavelmente sequer existiam.

O tema da fidelidade real a uma divindade como meio de receber bênção encontra paralelos na literatura hebraica, especialmente na História Deuteronomista (Josué a 2 Reis) e nos livros das Crônicas.

Ploni Almoni 

Os termos Ploni פלוני e Almoni אלמוני são usados em hebraico como pronomes indefinidos e genéricos para alguém ou algo que não se queira identificar. Equivalem ao jargão jurídico Caio, Mévio e Tício. É provável cognato com o árabe, “Fulan al-Fulani”, do qual veio o Fulano e Beltrano no português.

Em Rute 4:1 Boaz intercepta um transeunte com essa apelação, aparentemente um parente e responsável pela redenção de Rute.

O termo aparece em 1 Sm 21:3, quando Davi negocia com Abimeleque e se refere ao local onde as negociações acontecerão como Ploni Almoni. Em 2 Re 6:8 o rei da Síria está tramando guerra contra Israel e confidencia sobre o local de seu acampamento como Ploni Almoni.

Óstraco

“Caco de cerâmica” na Septuaginta é ostrakon (Jó 2:8; Sl 21:16 LXX [22:15])

Conchas, cacos de pedra ou fragmentos de cerâmica usados para a escrita com tinta ou riscos sobre a superfície lisa.

Na Grécia escrevia o nome do cidadão a ser banido, daí o ostracismo.

A abundância de cacos de cerâmica tornava-os um meio barato e fácil para a escrita.

Servia para documentos curtos, como cartas, quirógrafos, recibos, listas e notas. Embora inadequado para documentos mais longos, como os livros bíblicos, a óstraca pode ter sido usado para registrar oráculos proféticos e provérbios. Um bom número de óstracos coptas registram trechos bíblicos, interpretados como de função apotropaica.

Alguns sítios arqueológicos providenciaram abundantes óstracos, como Arad, Hesbon, Samaria e as cartas de Láquis.

Mais de 100 óstracos foram encontrados em um armazém em um dos palácios de Samaria. Maior parte eram para o controle de azeite e vinho pagos como impostos ao rei, datadas do início do século VIII a.C. (reinado de Jeroboão II).

Em 1935 e 1938, vinte e um óstracos foram encontrados nas escavações da antiga Láquis. A maioria delas são cartas escritas por um oficial, pouco antes da captura da cidade pelos babilônios em 589-588 a.C.

Côvado

O côvado é uma unidade de medida de comprimento. As partes do corpo humano eram usadas para medição entre povos do Antigo Oriente Próximo.

Existem dois côvados na Bíblia. (1) O côvado regular é a distância entre o dedo mais longo de um homem médio e seu cotovelo, cerca de 45 cm. Aparece em Gn 6:15; Êx 25: 10,17,23; 26: 2,8,13,16; 27 : 1,9,12,13,14,16,18; Nm 35: 4,5; Dt 3:11. (2) O cúbito real foi usado na construção de templos ou prédios públicos, com variantes do egípcio (21 dedos), sírio-cananeu (24 dedos) babilônico (30 dedos). Geralmente tinha cerca de 53 cm (cf. Ezequiel 40:5; 43:13; 2 Cr 3:3).

As partes do corpo humano eram usadas para medição entre povos do antigo Oriente Próximo.

  1. comprimento do cotovelo ao dedo médio (cúbito)
  2. largura do polegar estendido ao dedo mínimo (extensão, cf. Êxodo 28:16; 39: 9; I Sam. 17: 4)
  3. comprimento entre os quatro dedos de uma mão fechada (largura da mão, cf. Êxodo 25:25; 37:12; I Rs 7:26; II Cr. 4: 5)
  4. comprimento da junta média do dedo (largura do dedo, Jer. 52:21)