Didascalia

Didascalia apostolorum (ensino dos apóstolos) é um compilado normativo cristão.

É uma obra pseudoepígrafa, pois se apresenta como escrita pelos Doze Apóstolos na época do Concílio de Jerusalém. No entanto, a composição é do século III, possivelmente da Síria.

O Didascalia foi claramente modelado no Didaquê. Inspirou outros documentos como as Constituições Apostólicas, além de suas traduções para o latim e siríaco.

Registra tensões entre cristãos gentios e judeus cristãos. Aconselha sobre a vida cristã, martírio e cuidado dos órfãos. Normatiza as funções dos bispos e diáconos — indicando uma transição hierárquica para as igrejas, mas sem ainda distinguir claramente entre presbítero e bispo.

Faz a mais antiga menção de edifícios para culto. Admoestra a educação das crianças e alerta contra heresias. Doutrinariamente, demanda que os cristãos sejam trinitarianos, empreguem as Escrituras como dotadas de autoridade, creiam na ressurreição. Divide partes da lei a serem observadas (os dez mandamentos).

O autor aparenta desaprovar que as mulheres tenha liberdade para falar no culto, evangelizar, engajar-se no ministério e celebrar batismos. Isso permite inferir que nessa época tais papéis eram exercido por mulheres.

Siríaco

A língua siríaca é uma língua semítica, variante do aramaico falado no nordeste da Síria, desde o século III a.C.

A língua siríaca é relevante na história na cristandade, pois era a língua utilizada pelos primeiros cristãos para a liturgia e para a escrita de textos sagrados. Atualmente, algumas denominações cristãs, como a Igreja Ortodoxa Siríaca, a Igreja (Assíria) do Oriente, a Igreja Ortodoxa Sirian (Jacobita) e a Igreja Católica Caldeia, ainda utilizam a língua siríaca em suas liturgias e em textos religiosos.

Existem várias variantes da língua siríaca. As mais conhecidas variantes siríaco clássico e o siríaco ocidental. O siríaco clássico é a forma mais antiga da língua e é utilizada em textos religiosos. Já o siríaco ocidental é uma forma moderna da língua, preservada em algumas ilhas linguísticas e na diáspora siríaca.

Peshitta

A peshitta, peshita ou peshitto é conjunto de versões aramaicas da Bíblia na variante siríaca, conjunto de falares do norte da Síria e da Mesopotâmia. Peshitta significa “comum” ou “simples” denotando ser uma versão sem comentários ou aparatos para uso popular (semelhante ao termo vulgata aplicada para a versão latina), sendo empregado pela primeira vez pelo escritor jacobita Moisés bar Kefa (c.813-903/913).

A língua siríaca é um conjunto de variantes do aramaico oriental. Originalmente, judeus no norte da Síria traduziram sua Bíblia para o siríaco no século II d.C. com base em uma versão hebraica hoje perdida, mas possivelmente da família da qual emergeria o Texto Massorético. Depois, cristãos de língua siríaca adotaram a Peshitta e adicionaram uma versão siríaca do Novo Testamento.

Ainda no século II d.C. Taciano editou uma harmonia dos quatro Evangelhos gregos canônicos em siríaco, o Diatessaron. Embora a harmonização de Taciano fosse muito popular no Oriente até o século V d.C., Irineu e outros líderes preferiam manter todos os quatro evangelhos canônicos separados.

Por algum tempo vários eruditos bíblicos atribuíram a autoria ou revisão da Peshitta a Rabula, bispo de Edessa entre 411 e 435. Contudo, as variantes e a adoção da Peshitta por grupos que depois seriam as igrejas Jacobita e do Oriente demonstram a antiguidade da versão.

A Peshitta foi adotada como versão-padrão por várias denominações orientais, como a Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia, várias comunidades uniatas católicas, a Igreja Siríaca Ortodoxa (Jacobita) e a Igreja do Oriente.

O cânon da Peshitta varia conforme as famílias dos manuscritos. Uma forma tradicional contém o Pentateuco, Jó, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Rute, Cântico dos Cânticos, Ester, Esdras, Neemias, Isaías, os Doze Profetas Menores , Jeremias e Lamentações, Ezequiel e Daniel. Seguem os deuterocanônicos. O Novo Testamento varia, com recensões ocidentais com 27 livros e as orientais sem conter a antilegômena (2 Pedro, 2 e João, Judas e Apocalipse).

Jeú

Nome de cinco pessoas na Bíblia.

1. Jeú rei de Israel em Samaria entre c.841-c.814 a.C. e promoveu o culto a Yahweh.

Filho de Josafá e pertencente à família dos nimsitas, talvez fosse descendente de Omri, sendo assim referido no Obelisco Negro de Salmanaser III. Em seu longo reinado de vinte e oito anos restabelecu um pouco da hegemonia regional do Reino do Norte. Sua dinastia ainda durarira cinco gerações e noventa anos (2Rs 9-10; 2Rs 15:12).

Jeú subiu ao poder em um golpe sangrento quando matou Jeorão, rei de Israel, e ordenou a morte do aliado de Jeorão, o rei Acazias de Judá (843 v. 27), de Jezabel (vv. 30–37), de setenta filhos (2Rs 10: 1-10) e membros e associados da casa de Acabe (vv. 11, 17), quarenta e dois irmãos de Acazias (vv. 13-14) e todos os adoradores de Baal em Israel ( vv. 18-25). Jeú também ordenou a destruição do templo e dos ídolos de Baal (vv. 26–28).

Teria sido contemporâneo dos profetas Elias e Eliseu e adepto do culto de Yahweh conforme ensinado por esses profetas.

No Obelisco Negro um emissário (e possivelmente Jeú) aparece inclinando-se para Salmanaser III oferecendo prata, chumbo, ouro, caneca de ouro, taças de ouro, vasilhas de ouro, proteção para a mão do rei e dardos.

2 Jeú filho de Hanani e um profeta que profetizou contra Baasa (902–886 aC), rei de Israel (1Rs 16: 1-4; 1Rs 16: 7; 1Rs 16:12); ele repreendeu e elogiou Josafá (874–850 aC), rei de Judá (2Cr 19: 2-3). O cronista em 2Cr 20:34 atribui a autoria da história de Josafá a ele.

3 Jeú filho de Josibias e príncipe da tribo de Simeão (1Cr 4:35).

4 Jeú, um dos valentes de Davi de Anatote (1Cr 12: 3).

5 Jeú da tribo de Judá e descendente de Jará, um escravo egípcio (1Cr 2:38).

BIBLIOGRAFIA

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Hobbs, T.R. 2 Kings. Word Biblical Commentary 13. Edited by David A. Hubbard and Glenn W. Barker. Dallas Word, 1989.

Matemática e numerais

A matemática na Bíblia revela um sistema numérico complexo, com influências do antigo Oriente Próximo. Os israelitas antigos utilizavam uma combinação de sistemas numéricos de base 10 e 6, com a base 6 exemplificada na estátua de Daniel 3:1. Os números eram geralmente escritos por extenso, embora o uso do alfabeto hebraico para numerais tenha surgido por volta de 140 a.C. em moedas macabeias, evoluindo para um sistema alfabético quase decimal. Este sistema contrastava com os sistemas anteriores derivados dos hieráticos egípcios e dos aramaicos e fenícios.

As operações aritméticas básicas, como adição, subtração e multiplicação, são atestadas em várias passagens, embora o Novo Testamento não mencione explicitamente tais processos. O uso frequente de frações, como metade, um quarto, um quinto e um décimo, demonstra uma compreensão básica da divisão. Números redondos, como cem e mil, eram frequentemente usados de forma figurativa, precedidos pela palavra “cerca de” em algumas instâncias. Os números mais altos registrados incluem um milhão, dez mil vezes dez mil, milhares de milhares e duzentos milhões.

Números como 1, 3, 5, 7, 10, 12 e 40 receberam significados simbólicos. Apenas o número 666 seja explicitamente identificado como simbólico em Apocalipse 13:18. A interpretação simbólica de números na Bíblia muitas vezes segue o sistema proposto por Pitágoras, embora autores como Irineu tenham advertido contra a busca de significados ocultos em números. Por vezes, o número não expressa uma quantidade literal, mas sua conotação simbólica.

ATRIBUIÇÕES SIMBÓLICA

1: Representa unidade e singularidade, muitas vezes associado a Deus como o único.
3: Simboliza totalidade e completude. em contextos cristãos, está fortemente ligado à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
5: Pode representar graça e favor.
7: É um número altamente significativo, representando perfeição, completude e totalidade divina. Está presente em diversos eventos importantes, como os sete dias da criação.
10: Simboliza totalidade e lei, como nos Dez Mandamentos.
12: Representa completude divina e ordem, como nas doze tribos de Israel e nos doze apóstolos de Jesus.
40: Frequentemente simboliza um período de provação, teste ou transição, como os quarenta anos de peregrinação de Israel no deserto e os quarenta dias de Jesus no deserto.
70: Representa totalidade e integralidade, como os 70 anciãos de Israel, os setenta tradutores da LXX, o setenta anos de exílio.

O sistema numérico hebraico-aramaico, com seus numerais alfabéticos, começou a aparecer em moedas hasmoneanas por volta de 139 a.C. A gematria, a atribuição de valores numéricos a letras, aparece em obras literárias do século II d.C. As tentativas de encontrar referências a ideias de Aristóbulo e Filo nos números bíblicos também foram feitas.

Números como dois, três, quatro, sete, dez, doze e quarenta são usados tanto simbolicamente quanto como números redondos. O número três, por exemplo, pode ter derivado sua sacralidade da divisão primitiva do universo em três regiões. O número sete, considerado o mais sagrado, aparece em várias passagens relacionadas à criação e ao ritual. O número quarenta é frequentemente usado para representar um período de tempo indefinido.

Grandes números eram frequentemente descritos como incontáveis, refletindo a falta de familiaridade com grandes quantidades. A enumeração ascendente, usando pares de números como “um ou dois” e “três ou quatro”, era usada para indicar números aproximados. A agrupação numérica era usada como auxílio à memória, com temas agrupados de acordo com números específicos, como no Abot V.