Sábado

O sábado, dia de descanso semanal ordenado por Deus. Aparece como instituído como um sinal da aliança entre Deus e seu povo (Êx 31:13), o sábado comemora a obra da criação (Gn 2:2-3) e a libertação do Egito (Dt 5:15).

A observância do sábado implicava em abster-se de trabalhos rotineiros (Êx 20:10), dedicando o dia à adoração, ao repouso e à convivência familiar. Além do sábado semanal, o sistema sabático incluía outros tipos de sábado, como o sábado anual (Lv 25:4), o ano sabático (Lv 25:1-7), o ano do jubileu (Lv 25:8-17) e vários dias santos associados às festas religiosas (Lv 23).

A transgressão do sábado era considerada uma ofensa grave, punida com a morte (Nm 15:32-36).

A recepção do ciclo sabático no cristianismo também varia. Alguns grupos o veem como uma prática cerimonial que foi abolida com a vinda de Cristo. Outros consideram que seja apenas vinculantes aos isrealitas. Enquanto outros o consideram um princípio a ser aplicado de forma adaptada ao contexto atual.

A observância do sábado semanal é mantida por muitos cristãos, mas a aplicação do ciclo sabático de sete anos e do jubileu é menos comum. Alguns cristãos propõem uma interpretação espiritual do ciclo sabático, como um tempo de descanso e renovação para a alma, enquanto outros o veem como um modelo para a justiça social e a sustentabilidade ambiental.

Sulamita

Sulamita, termo que designa uma habitante ou natural de Sulém (ou Suném), evoca a figura feminina central do Cântico dos Cânticos, um livro poético que celebra o amor e o desejo.

Embora o nome da Sulamita não seja explicitamente mencionado no texto, ela é apresentada como uma jovem bela e apaixonada, que expressa seus sentimentos pelo amado em linguagem poética e sensual.

Alguns intérpretes associam a Sulamita a uma pastora ou camponesa. O nome “Sulamita” ainda pode ser uma variação de “Salomão”, o que sugere uma possível conexão entre a personagem e o rei.

Sunamitas

Os sunamitas eram os habitantes de Suném, uma cidade localizada no norte de Canaã, no fértil vale de Jezreel. Mencionada diversas vezes no Antigo Testamento, Suném é lembrada como o local onde o exército filisteu se acampou antes da batalha do Monte Gilboa, na qual Saul e seus filhos morreram (1Sm 28:4).

Suném também é conhecida como a cidade da mulher sunamita que acolheu o profeta Eliseu em sua casa (2Rs 4:8-10). Essa mulher, cujo nome não é revelado na Bíblia, demonstrou grande hospitalidade e fé, sendo recompensada com o nascimento de um filho e, posteriormente, com a ressurreição desse filho por Eliseu (2Rs 4:

Tofete

Tofete, localizado no Vale do Filho de Hinom, ao sul de Jerusalém, era um lugar infame na história de Judá, associado ao sacrifício de crianças. O nome “Tofete” deriva de uma paranomásia, um jogo de palavras que combina as consoantes da palavra aramaica para “lareira” com as vogais da palavra hebraica para “vergonha”.

Reis como Acaz e Manassés teriam oferecidos seus filhos como holocaustos a Baal em Tofete (2Cr 28:3; 33:6), uma prática condenada pelos profetas como uma abominação (Jr 7:31; 19:5). O rei Josias tentou acabar com essa prática, profanando o altar em Tofete (2Rs 23:10), mas foi retomada após sua morte.

Evidências arqueológicas em colônias fenícias, como Cartago, revelaram possíveis prática do sacrifício de crianças. Na região foram encontrados restos mortais de milhares de bebês dedicados a Baal e Tanit. Inscrições dedicatórias nesses locais usam o termo “moloch” (moloque) para descrever a oferenda, o mesmo termo usado na Bíblia para proibir o sacrifício infantil (Lv 18:21). Ainda é inconclusivo se seria sacrifícios ou mortalidade infantil por outras causas.

Em contraste com a visão do sacrifício infantil, uma corrente crescente de estudiosos questiona a narrativa de sacrifícios de crianças como prática regular e sancionada em Israel. Essa perspectiva se baseia na reinterpretação de termos bíblicos, na natureza polêmica dos textos, na falta de evidências arqueológicas conclusivas e na inconsistência com a teologia de Javé. Estudiosos como Moshe Weinfeld, Francesca Stavrakopoulou, John Day e Benjamin Beit-Hallahmi argumentam que as descrições de sacrifícios infantis podem ser metafóricas, hiperbólicas, exageradas para fins polêmicos ou representativas de desvios da norma religiosa, e não da prática normal.

Belial

Belial, termo hebraico que pode ser traduzido como “inútil”, “perverso” ou “sem valor”, é usado no Antigo Testamento para descrever indivíduos ímpios e ações malignas. Em Juízes 19:22, homens descritos como “filhos de Belial” tentam abusar de um levita, demonstrando sua depravação moral. Em 1 Samuel 30:22, “homens de Belial” são excluídos do despojo de guerra por sua covardia e deslealdade.

O termo “Belial” também pode ser usado como um nome próprio para uma entidade maligna, como em 2 Coríntios 6:15, onde Paulo o associa a Satanás, representando a oposição entre a luz e as trevas, o bem e o mal.

A figura de Belial evoluiu ao longo da história bíblica e da tradição judaica, passando de um termo genérico para a maldade à personificação do mal, um arquétipo do adversário de Deus e da humanidade, tal como aparece na literatura do Segundo Templo e Antiguidade Tardia como Beliar.