Peter Riedemann

Peter Riedemann (c. 1506-1556) foi um líder e teólogo anabatista alemão que cria na importância da comunidade, do discipulado e da não violência.

Profissionalmente um sapateiro, converteu-se ao ler um planfeto dos reformadores. Foi à Áustria onde foi batizado por Hans Hut. Foi testemunha dos ocorridos de Münster e, letrado, dedicou-se a registrar o episódio, bem como a escrever panfletos em linguagem popular acerca da fé protestante. Preso, escreveu na prisão o Grande Relato, um documento apologético e confessional que deu base para os hutteritas.

Em 1540-1542 estava na prisão quando escreveu uma confissão de fé, a qual foi adotada pelos huteritas.

BIBLIOGRAFIA

Riedemann, Peter. Peter Riedemann’s Hutterite Confession of Faith. Edited and translated by John Friesen. Walden, New York: Plough, 2019.

Redorno Maurutto

Redorno Maurutto (1914-1975) foi ministro da Congregação Cristã no Brasil.

Nascido em uma colônia italiana, Dobrada, próximo a Araraquara, em 1931 — junto de seu pai Ricardo — recebeu o evangelho pregado por Atílio Santello. Batizaram-se em Itápolis e deram início a uma obra de evangelização entre italianos em Pindorama. Ainda novo, em 1933 já era o responsável pelos cultos e seria ordenado em 1937.

Maurutto foi pioneiro de várias igrejas no interior paulista, na região central do estado.

Casou-se com Luiza Zittelli, de Itápolis, uma violinista na igreja.

Foi homenageado com ruas em seu nome em São José do Rio Preto, Pindorama e Taquaritinga.

BIBLIOGRAFIA
Alves, Leandro Alexandrino. “Origem Da Congregação Cristã No Brasil de Araraquara-SP (1932-1964).” Trabalho de Conclusão de Curso de graduação em História, Centro Universitário Central Paulista – UNICEP, 2011.

Câmara Municipal de Taquaritinga. Projeto de lei que denomina a rua com nome Redorno Maurutto. 2017

Teologia Liberal

A teologia liberal ou o liberalismo teológico é uma vertente e sistema teológico cristão que rejeita argumentos de autoridade e da tradição e busca compreender a fé em diálogo moc fontes avaliativas externas à revelação, notoriamente a razão, a ética e a experiência religiosa.

Surgida com bases e em reação ao racionalismo do século XVII, valoriza a consciência histórica, a liberdade individual e o progresso. Influenciada pelo Iluminismo e pelo Romantismo, essa abordagem encontrou expoentes como Friedrich Schleiermacher, que situava a consciência de dependência absoluta como essência da experiência religiosa, e Albrecht Ritschl, que enfatizava a dimensão ética da teologia.

Durante o Modernismo, entre meados do século XIX e os anos 1920, a teologia liberal buscou harmonizar a fé cristã com as descobertas científicas e as transformações culturais. Essa perspectiva deu origem a abordagens sociológicas e psicológicas da religião, representadas por teólogos como Walter Rauschenbusch, defensor do Evangelho Social.

O declínio da teologia liberal após a Primeira Guerra Mundial pode ser atribuído a uma crise de confiança nas ideias de progresso, racionalidade e otimismo humano que sustentavam esse movimento teológico. Antes da guerra, a teologia liberal enfatizava a capacidade humana de alcançar progresso moral e social, frequentemente associando o reino de Deus a uma evolução natural da humanidade em direção à justiça e à paz. No entanto, a destruição em massa, as atrocidades e o caos político provocados pela guerra expuseram as limitações dessa visão otimista.

Teólogos como Karl Barth, influenciados pelas experiências devastadoras da guerra, criticaram a teologia liberal por sua dependência excessiva da razão humana e sua tendência a minimizar a transcendência de Deus. Barth argumentou que a crise moral e espiritual evidenciada pela guerra demandava um retorno à soberania de Deus e à centralidade da revelação bíblica.

Apesar de seu compromisso com a justiça e o progresso, críticos como Roger Olson argumentam que a teologia liberal, ao enfatizar a razão e a experiência em detrimento da autoridade bíblica, abandona doutrinas essenciais, como a ressurreição de Cristo e o caráter sobrenatural da fé cristã. Douglas Ottati, defensor contemporâneo dessa tradição, destaca que ela não rejeita a crença tradicional, mas a reengaja à luz do pensamento moderno. Ele afirma que a teologia liberal, ao promover o questionamento crítico e a consciência histórica, busca tornar a fé cristã relevante e significativa no mundo atual.

Passagens bíblicas, como Romanos 12:2, que exorta à renovação da mente, e Miqueias 6:8, que enfatiza a justiça e a humildade, são frequentemente reinterpretadas por teólogos liberais em sua defesa de uma fé que dialoga com a modernidade. Contudo, a tensão entre adaptar-se ao presente e preservar a tradição continua sendo o desafio central desse movimento teológico.

Teoria do resgate

A teoria do resgate é uma perspectiva sobre obra de rendenção de Jesus Cristo.

A teoria do resgate ensina que Jesus Cristo morreu como sacrifício de resgate, o qual teria sido pago a Satanás (a visão mais dominante) ou a Deus Pai. A ênfase é sobre a morte de Jesus Cristo, o que ela significa e seu efeito na humanidade. O foco do resgate é libertar da escravidão do pecado. A morte de Jesus seria um pagamento para pagar a dívida da humanidade herdada a partir de Adão.

O resgate ou a redenção era o preço pago pela libertação de escravos ou da alforria. As bases bíblicas principais são Mateus 20:28, Romanos 6:17-18, e 1 Pedro 1:18-19.

Pressupostos de escravidão e cativeiro na Bíblia aparecem como nossa escravidão sendo pecado, culpa, maldição (Gl 3:13), sujeição sob um domínio (1 Co 15:56). O resgate bíblico teria vários aspectos, como a libertação da escravidão, restauração à liberdade e ao privilégio de filhos de Deus, pagamento da redenção, preço pago a alguém com alguma reivindicação anterior.

Outros trechos para fundamentar essa teoria seriam Gl 5:2; 1 Tm 2:6, Tt2:14, Hb 9:12, Ef 1:7, Rm 3:24-25. Enquanto algumas passagens empregadas para embasar o resgate pago a Satanás são Cl 2:15 João 12:31; Hb 2:14-15, 9:12 .

Frequentemente o resgate é explicado ao lado da Teoria da Influência Moral. A teoria de Christus Victor é semelhante, com Cristo resgatando os pecadores, porém sem o pagamento. Ficando a humanidade cativa desde Adão, a justiça exigia que Deus pagasse um resgate a Satanás. Entrentanto, Satanás não percebeu que Cristo não poderia ser mantido nos grilhões de morte. Uma vez que a morte de Cristo foi feita como resgate, a justiça foi satisfeita e Deus providenciou a libertação completa.

Esta teoria encontra suas raízes na Igreja Primitiva, particularmente em Orígenes do século III. Seu maior expoente na Antiguidade foi Gregório de Nissa.

Gregório fez uma analogia com um anzol em sua Oração Catequética. Uma vez que a humanidade estava sob o poder do diabo (ou morte) depois da Queda no Éden, a justiça de Deus exigia que Deus reconquistasse a humanidade através do pagamento de um resgate (Cristo) em vez de tomá-la de volta à força. Após a queda, ao invés de a humanidade retornar a um estado imutável e animal, o ser humano passou a ansiar em tornar-se cada vez mais perfeito, mais parecido com Deus, mesmo que a humanidade nunca entenda, muito menos alcance, a transcendência de Deus. A vinda de Cristo atendeu esse anseio enquanto o Diabo foi enganado em aceitar como resgate um pagamento que ele não poderia reter: a morte de Cristo. Portanto, o triunfo de Cristo removeu a barreira de acesso a Deus.

No dizer de Máximo, o Confessor:

O Senhor preparou Sua carne no anzol de Sua divindade como isca para o engano do Diabo, para que, como a serpente insaciável, o Diabo tomasse Sua carne em sua boca (já que sua natureza é facilmente superada) e estremeceria convulsivamente no gancho da divindade do Senhor e, em virtude da carne sagrada do Logos, vomitar completamente a natureza humana do Senhor, uma vez que ele a engoliu. Como resultado, assim como o diabo anteriormente atraiu o homem com a esperança da divindade e o engoliu, também o próprio diabo seria atraído precisamente com as vestes carnais da humanidade; e depois vomitaria o homem, que havia sido enganado pela expectativa de tornar-se divino, tendo o próprio diabo sido enganado pela expectativa de tornar-se humano. A transcendência do poder de Deus se manifestaria então através da fraqueza de nossa natureza humana inferior, que venceria a força de seu conquistador. Além disso, seria mostrado que é Deus quem, usando a carne como isca, vence o diabo, e não o diabo conquistando o homem, prometendo-lhe uma natureza divina.

Ad Thalassium 64

Em tempos recentes, C.S. Lewis usou a cena da morte do leão Aslan em suas Crônicas de Nárnia, algo que poderia ser visto como teoria do resgate conforme a analogia do azol de Gregório de Nissa. No entanto, em seus outros escritos teológicos, Lewis apresenta versões de uma teoria da recapitulação.

A principal controvérsia com esta teoria é o ato de pagar ao Diabo. Entretanto, nem todos os adeptos da teoria do resgate acreditam que quem foi pago foi o Diabo, mas neste ato de resgate Cristo liberta a humanidade da escravidão do pecado e da morte.

BIBLIOGRAFIA

Boaheng, Isaac. “A Theological Appraisal of the Recapitulation and Ransom Theories of Atonement.” E-Journal of Religious and Theological Studies 8, no. 4 (2022): 98-108. 

Gregório de Nissa. Oração Catequética.

Ray, Darby Kathleen. Deceiving the devil: Atonement, abuse, and ransom. Pilgrim Press, 1998.