Estela de Rimah

Estela de Rimah ou Estela de Adad-nirari III (810-782 aC), é um monumento monolítico descoberto em Tell er-Rimah, Iraque.

(filho de Hazael), rei da Síria, narrada em 2 Reis 13:5. Lista “Joás, o Samaritano” entre os reis estrangeiros que prestaram homenagem ao rei assírio.

Revelação

Revelação são os atos de autocomunicação de Deus que sejam humanamente compreensíveis. No cristianismo, a revelação é a fonte e norma irredutível, insuperável e suprema da teologia.

A palavra vem do latim revelatio para traduzir a palavra grega apokalypsis ou a remoção de um véu para que algo possa ser visto. A revelação, segundo as Escrituras, ocorre pela consciência moral, na criação, na história, nas manifestações proféticas e carismáticas, na comunhão da Igreja pelo Espírito Santo, por teofanias, pelo próprio conteúdo da Bíblia e na vida terra de Jesus Cristo (o Jesus histórico).

A revelação não corresponde de modo idêntica a qualquer realidade histórica finita, contingente e humana. Em vista disso, qualquer forma de revelação sempre será limitada pelo fato de ser apreendidas pela experiência humana. Por mais que seja algo sempre mediato, a revelação abrange formas manifestacionais e proposicionais, manifestando-se como eventos históricos ou experiências internas.

Na revelação manifestacional, os atos ou aparições divinas transmitem conhecimento, enquanto a revelação proposicional envolve a comunicação de verdades divinas através da linguagem ou cognição.

Os modelos de revelação, adaptado dos propostos por Dulles, oferecem quadros teóricos para a compreensão da revelação, desde feitos históricos até transformações internas.

  • Revelação como História: eventos reveladores do caráter divino como a libertação por Ester, ressurreição de Jesus, a história de salvação, testemunhos pessoais.
  • Revelação como experiência interior: são vários tipos de experiências internas, o conceito de luz interior do Espírito Santo, elementos pré-conceituais e perceptivos.
  • A Revelação como presença dialética: A perspectiva de Karl Barth, com o papel da Bíblia e da Igreja na mediação da revelação plena em Cristo.
  • Revelação como nova consciência: a transformação da subjetividade humana na relação entre revelação e autopercepção

BIBLIOGRAFIA

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O’Collins, Gerald, Revelation: Toward a Christian Theology of God’s Self-Revelation. Oxford, 2016.

Schwöbel, Christoph. “The Concept of Revelation in Christianity.” The Concept of Revelation in Judaism, Christianity and Islam 1 (2020): 57.

Van Beeck, Frans Jozef. “Divine revelation: Intervention or self-communication?.” Theological studies 52.2 (1991): 199-226.

Reino de Deus

O Reino de Deus (βασιλεία τοῦ θεοῦ Basileia tou theou) é reino sobre o qual Deus governa e a vontade de Deus é cumprida. No Evangelho de Mateus, aparece o evidente sinônimo “reino dos céus”, aparentemente uma circunlocução para “reino de Deus” e contraste entre o reino celestial de Deus e os reinos humanos terrestres. Aparece proeminente na proclamação de João Batista, Jesus e apóstolos.

Várias passagens do Antigo Testamento contenham expressões correlatas, nenhuma explicitamente diz “reino de Deus”. Deus é descrito como o rei de todo o mundo (Salmos 22:8; 47; 1 Crônicas 29:11) e do povo de Israel (Êx 19:6; Sl 114:2). Era forte a expectativa escatológica de um Reino de Deus que não haveria fim (Daniel 2:44).

Os Evangelhos sinópticos referem-se à vinda do reino como um evento dramático. O reino, às vezes, é mencionado como uma bênção futura (Mt 7:21; 8:11), às vezes como uma realidade presente (Lc 16:16; 17:20; Jo 3: 3-5). Há indicações que aconteceria durante a vida dos ouvintes da mensagem de Jesus (Mt 4:17; 6:10; 10:7; Mc 1: 14-15; 9:1; Lc 10:8-12; 11:2; 21:31). Outras passagens falam da “vinda” do reino, sem indicar se Jesus quis dizer que já havia chegado ou que viria no futuro (Lc 4:43; Lc 9:11). Outras passagens mencionam pessoas “entrando” no reino, mas não fica claro se no presente ou apenas uma possibilidade futura. Uma expressão tipicamente interpretada com equívoco é “o Reino de Deus está entre vós” (ou “em vós”), a qual se refere-se ensino de Jesus (Lucas 17:21). Uma leitura popular entende essa passagem como o “Reino DENTRO de vós”, mas o texto grego transmite a ideia de que o Reino de Deus não é um domínio político distante, mas uma realidade espiritual presente no meio (ENTRE) das pessoas que creram nele e vivem em seus ensinos. O perícope do jovem rico (Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31; Lucas 18:18-30) apresenta termos com sobreposição entre “salvação” e “reino”, embora não sejam estritamente idênticos.

Em João, Jesus fala do reino de Deus em apenas uma passagem (Jo 3: 3-5), ambas associando o novo nascimento salvífico com o Reino.

Fora dos Evangelhos, é mencionado em Atos (Atos 1:3; 6-8: 3; 3: 17-21; 28:23; 28:30-31) e algumas vezes nas cartas de Paulo (1Co 6: 9; Gl 5:21; 1Ts 5: 1-2; 1Ts 5:23; 2Ts 1:5). Em Apocalipse 12:10, o Reino é descrito como parte da vitória final de Deus sobre o mal. Esta perspectiva escatológica contrasta com os poderes terrenos perecíveis.

O reino de Deus ultrapassa as questões de adesão à Lei veterotestamentária ou da busca pelo domínio material, pois o reino consiste na justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Quando Jesus disse que o reino de Deus estava próximo (Mc 1:15), anunciou que Deus governaria as vidas humanas pelo perdão dos pecados. Não seria um reino externo como o de Davi ou o Império Romano, mas para algo espiritual e universal. Nesse reino, há o mandado de cristãos cumprirem seu decreto de cuidado com os pobres e necessitados (Mt 25:35; Tg 1:27), perdão e reconciliação (Mt 18: 21-35; Ef 4: 1-6), trazer vida e luz a todas as nações (Mt 5: 13-16).

O cristianismo ocidental tende a enfatizar Jesus como o servo sofredor, enquanto o cristianismo oriental destaca Jesus como rei — o Pantocrator.

Diferentes teologias bíblicas acerca do Reino

O conceito de “Reino de Deus” ou “Reino dos Céus” é multivocal em todo o Novo Testamento, embora esteja unificado como uma “família de semelhanças”, com ênfases e contextos variados em diferentes livros.

Mateus frequentemente utiliza o termo “Reino dos Céus”, enfatizando sua natureza escatológica e sua relação com as expectativas judaicas de um reino messiânico. Contudo, ao invés de propor uma solução política temporária, oferece um Reino moral com alcance eterno da justiça divina.

Marcos refere-se ao Reino de maneira mais direta e orientada para a ação. Este evangelho frequentemente o apresenta como uma realidade presente que está irrompendo no mundo por meio do ministério de Jesus (Marcos 1:15). O Reino é retratado como uma realidade tanto presente quanto futura.

Lucas oferece uma visão inclusiva, concentrando-se na acessibilidade do Reino para grupos marginalizados. Suas parábolas frequentemente ilustram a graça e misericórdia de Deus, como em Lucas 14:15-24, onde o convite para o banquete remete à inclusão no Reino. Lucas também enfatiza temas de justiça, alinhando-se com a missão de Jesus de elevar os pobres e oprimidos (Lucas 4:18-19).

No Evangelho de João, embora o termo “Reino de Deus” apareça apenas duas vezes, está relacionado à vida eterna e ao renascimento espiritual (João 3:3, 5), refletindo temas semelhantes.

Atos dos Apóstolos: otermo aparece em Atos como uma continuação da missão de Jesus por meio dos apóstolos (Atos 1:3). Ele enfatiza o aspecto comunitário dos crentes, que compartilham desse Reino através de suas ações e ensinamentos.

Epístolas Paulinas: Paulo usa “Reino de Deus” para descrever tanto realidades espirituais presentes quanto uma esperança futura (por exemplo, Romanos 14:17). Suas cartas frequentemente abordam a vida ética dentro do contexto do Reino, instando os crentes a incorporarem seus valores, como justiça e paz.

Apocalipse: no Apocalipse (12:10), o Reino é retratado como parte da vitória final de Deus sobre o mal.

Diferentes Ênfases Teológicas:

  • Sinóticos vs. outras fontes: nos Sinóticos, o Reino é tratado mais como uma realidade relacional e social. Nas Epístolas Paulinas e em Apocalipse, é mais associado à vitória sobre os reinos do mal. Em João, destaca-se a transformação regenerativa.
  • Escatologia vs. realidade presente: Mateus tende a uma interpretação escatológica, enquanto Marcos e Lucas destacam as implicações presentes de viver sob o reinado de Deus.
  • Temas de justiça social: o enfoque de Lucas na inclusão e na justiça social é visto como uma resposta às desigualdades sociais do mundo do Mediterrâneo sob Roma, alinhando-se a debates contemporâneos sobre o papel da fé em abordar questões sociais.
  • Transformação vs. institucionalização: os contextos diversos sugerem que os primeiros cristãos viam o Reino não apenas como uma instituição, mas como uma força transformadora que desafia as normas sociais existentes.
  • Reino vs. Igreja: A relação entre Reino e Igreja é interpretada de modo diverso. Uma perspectiva agostiniana no cristianismo constantiniano identifica o Reino com a Igreja. Já teologias em contraste com o mundo, enfatizam a Igreja como agente, porém distinta do Reino.
  • Salvação como pertencimento ao Reino vs. Salvação distinta do Reino: A distinção entre salvação e reino, proposta por uma vertente dispensacionalista norteamericana como Michael Vlach e John MacArthur, separa a experiência espiritual individual da realização literal, política e nacional do Reino de Deus em Israel, de modo que é possível ser salvo sem pertencer ao reino prometido. Nessa perspectiva, a Igreja seria um “parêntese” no plano divino, enquanto o Reino será plenamente estabelecido na Segunda Vinda de Cristo. Em contraste, a tradição cristã histórica — católica, ortodoxa, luterana, anabatista, wesleyana e reformada — entende salvação e Reino como facetas de uma única realidade redentora: a salvação insere o crente na soberania de Deus inaugurada por Cristo, manifestada na Igreja e já presente, mas ainda não consumada, aguardando sua plena realização escatológica.

Período dos reis de Israel e Judá

O período dos reis compreende entre a monarquia dividida (928 a.C.) e a queda de Jerusalém (586 a.C.).

É o período com maior atestação histórica do Antigo Testamento. É registrado nos livros de 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas e 2 Crônicas, bem como em informações esparsas nos livros dos profetas. Diversas fontes literárias e arqueológicas desse período também corroboram para uma reconstrução de sua história.

Esse período coincide com um relativo declínio do Egito e a emergência da Assíria e mais tarde da Babilônia como poderes políticos. A Idade do Ferro IIB (c.920-722 a.C.) foi o apogeu do reino de Israel enquanto a Idade do Ferro IIC (c.720-586 a.C.) seria a vez do reino de Judá.

Todos os reis israelitas e todos, exceto três reis da Judá (Asa, Ezequias e Josias) foram denunciados por infidelidade no culto a Deus.