Algot Svensson

Algot Svensson (1894-1959) nasceu em Bälaryd, Jönköpings, na Suécia. Foi missionário e pastor da Assembleia de Deus em Belo Horizonte, Minas Gerais, tendo chegado ao Brasil em 26 de setembro de 1928, acompanhado de sua esposa, Rosa. O trabalho missionário de Svensson começou em Belém do Pará e, posteriormente, foi para Maceió, onde liderou a Assembleia de Deus na capital alagoana de 1930 a 1933, contribuindo para o crescimento da igreja na região.

Em 1933, Svensson se mudou para Belo Horizonte, onde assumiu o pastoreado e foi responsável pela construção de vários templos, incluindo o templo-sede, inaugurado em 1956. Sua liderança incluiu uma preocupação com a área social da igreja, além de sua participação nas convenções gerais da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

Junto com Rosa, ele teve um papel importante na expansão da missão pentecostal sueca no Brasil, no início do século XX. Enfrentando desafios como as diferenças culturais e o clima tropical, o casal trabalhou para estabelecer a igreja pentecostal no país, realizando cultos, ensinando e interagindo com as comunidades locais.

Auguste Sabatier

Auguste Louis Sabatier (1839–1901) foi um teólogo protestante francês cuja obra contribuiu para o desenvolvimento da teologia liberal e da crítica bíblica. Nascido em Vallon, França, em uma família de pequenos comerciantes, foi influenciado pelo movimento de Avivamento Continental.

Sabatier estudou teologia na Faculdade de Teologia de Montauban e participou da fundação de uma associação cristã durante seus anos de ensino secundário. Continuou seus estudos na Alemanha, em Basel, Tübingen e Heidelberg, de 1863 a 1864. Após concluir seus estudos, serviu como pastor em Aubenas de 1864 a 1868 e, posteriormente, tornou-se professor de Dogmática Reformada na Faculdade de Teologia de Estrasburgo.

Em 1873, após a anexação da Alsácia-Lorena pela Alemanha, Sabatier deixou Estrasburgo e contribuiu para a criação da Faculdade Teológica Protestante de Paris em 1877. Atuou como professor nessa instituição e se tornou seu reitor em 1895. Sua abordagem teológica, chamada “simbolismo crítico“, enfatizava o papel das doutrinas religiosas como representações simbólicas de experiências espirituais. Ele defendia que o conhecimento religioso deveria estar enraizado na experiência pessoal e na consciência individual, desafiando as interpretações dogmáticas.

A perspectiva filosófica de Sabatier influenciou contemporâneos como Henri Bergson e William James e engajou liberais protestantes e modernistas católicos nas discussões teológicas. Seus principais trabalhos incluem Outlines of a Philosophy of Religion (1897), The Apostle Paul (1891) e Religions of Authority and the Religion of the Spirit (1904). Essas obras abordam temas como experiência religiosa, contexto histórico e crença pessoal.

O legado de Sabatier na teologia liberal moderna se estendeu pelo século XX, moldando o discurso sobre a relação dinâmica entre religião e espiritualidade individual. Seu conceito de uma “religião do espírito” buscou distinguir o protestantismo das estruturas autoritárias percebidas, ao mesmo tempo em que promovia o respeito mútuo entre as diferentes tradições.

Supim e Hupim

Shupim e Hupim são nomes que aparecem nos registros genealógicos dos descendentes de Benjamim nos livros de Gênesis, Números e Crônicas.

No livro de Gênesis 46:21, Supim e Hupim estão listados entre os filhos de Benjamim que migraram para o Egito com seu pai Jacó durante um período de fome. Seus nomes são traduzidos como “Muppim e Huppim” nesta passagem. O livro de Números 26:39 também os inclui como descendentes de Benjamim, referidos como “Shupham e Hupham”. Em 1 Crônicas 7:6-11, os nomes Shuppim e Huppim são mencionados como filhos de Ir. Essa variação na nomenclatura levou a debates e interpretações acadêmicas.

A inserção de Shuppim e Huppim, juntamente com a sua ligação ao Ir, suscitou discussões sobre as potenciais razões da sua inclusão. Uma interpretação sugere que esses nomes foram inseridos nos registros genealógicos para garantir o reconhecimento de dois clãs ou subtribos de Benjamim, pois seus nomes não seguem a sintaxe convencional das genealogias.

O próprio termo “Ir” é incerto. Embora possa significar “cidade” em hebraico, o seu significado neste contexto permanece obscuro. Há a hipótese de que “Ir” poderia ser uma corruptela de “Dã”, já que a ausência de uma genealogia para Dã na mesma passagem levanta a possibilidade de um erro textual. Esta especulação ganha força a partir das sequências genealógicas paralelas de Benjamim, Dã e Naftali encontradas em Gênesis 46:21-24 e Números 26:38-50.

Além disso, a presença do nome “Hushim” em relação a “Aher” na mesma passagem levantou outras questões. O nome “Hushim” está associado ao clã de Dã em outras passagens, enquanto “Aher” carece de uma identificação clara. Assim, “Aher” poderia ser uma variante ou corrupção de nomes como Ahiram ou Ahrah encontrados em outras genealogias.

Elisabeth Schüssler Fiorenza

Elizabeth Schüssler Fiorenza (1938-) é uma teóloga e biblista católica, proponente de exame crítico da Bíblia e suas interpretações sob uma perspectiva feminista.

Nascida em Viena, Áustria, Schüssler Fiorenzase mudou para os Estados Unidos, após seu doutorado pela Universidade de Würzburg, na Alemanha. Ocupou cargos acadêmicos em instituições como a Harvard Divinity School e a Universidade de Notre Dame. Seu trabalho influenciou profundamente os debates contemporâneos sobre gênero, poder e a interpretação de textos sagrados. Entre suas publicações, destaca-se “In Memory of Her: A Feminist Theological Reconstruction of Christian Origins”, obra na qual ela critica interpretações tradicionais dos textos cristãos que historicamente marginalizaram as vozes femininas.

Schüssler Fiorenza defende uma hermenêutica feminista, buscando revelar e amplificar as experiências e perspectivas das mulheres nas Escrituras. Argumenta que as interpretações dominantes geralmente refletem preconceitos patriarcais que distorcem ou obscurecem o papel das mulheres no cristianismo primitivo. Para descrever as hierarquias de poder complexas que vão além do gênero, incluindo questões de raça, classe, sexualidade e outras formas de estratificação social, Schüssler Fiorenza introduziu o termo “kiriarquia.” Esse conceito busca mostrar a natureza multifacetada das opressões e chama a atenção para uma compreensão das dinâmicas de poder nos textos religiosos.

Salienta o peso da interpretação comunitária e contextual dos textos bíblicos, defendendo que a leitura e análise das Escrituras devem estar enraizadas nas experiências vividas por comunidades, especialmente aquelas marginalizadas pelas abordagens teológicas dominantes. Um aspecto do trabalho de Schüssler Fiorenza é a recuperação das vozes e histórias de mulheres na Bíblia.

Sua teologia política integra justiça social e libertação como componentes essenciais da prática da fé. Através dessa abordagem, Schüssler Fiorenza propõe uma teologia que não apenas interpreta as Escrituras, mas que também atua em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.

As contribuições de Elizabeth Schüssler Fiorenza foram fundamentais para a teologia feminista, influenciando tanto o discurso acadêmico quanto a prática em comunidades de fé.