Shemá

O Shemá, em hebraico שמע, é uma declaração central de fé das religiões israelitas, com base em em Deuteronômio 6:4-5 e começa com as palavras “Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.” O Shema enfatiza a crença monoteísta na unicidade de Deus e o mandamento de amar a Deus de todo o coração, alma e força.

Em comparação, a Shahada do islã afirma: “Não há deus senão Alá, e Maomé é seu mensageiro”, afirmando a crença na unicidade de Alá e na missão profética de Maomé. Em contrapartida, no cristianismo Credo Apostólico declara a crença na Trindade, reconhecendo um Deus em três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo.

Sete pragas do Apocalipse

As sete pragas do fim dos tempos (ou os “cálices da ira”, também “taças da ira”) designam uma unidade temática no Apocalipse de João. Depois das visões dos sete selos (Ap 6) e das sete trombetas (Ap 8-9) seguem as sete pragas (Ap 15-16). As pragas emergem da sétima trombeta e fazem parte do julgamento de Deus no fim dos tempos.

As sete pragas do Apocalipse de João são:

  1. Primeiro cálice: uma praga de gafanhotos.
  2. Segundo cálice: a água do mar torna-se em sangue com a morte de toda a vida marinha.
  3. Terceiro cálice: os rios e nascentes se transformam em sangue.
  4. Quarto cálice: o sol queima as pessoas com grande calor.
  5. Quinto cálice: o reino da besta é obliterado com uma grande treva.
  6. Sexto cálice: a seca afeta o rio Eufrates enquanto os exércitos se preparam para uma guerra mundial.
  7. Sétimo cálice: um terremoto destrói todas as ilhas e montanhas;enquanto um grande granizo cai sobre a terra.

Essas não são as únicas pragas do Apocalipse Uma série de desastres seguriam ao toque das primeiras cinco trombetas, os quais também lembram as pragas do Êxodo, infligidas ao Egito enquanto Israel estava escravizado (Êxodo 7:14-12:32):

No Livro do Apocalipse, os primeiros cinco julgamentos da trombeta são descritos em Apocalipse 8:6-9:12. Cada toque de trombeta é seguido por um desastre ou praga específico. Aqui está um resumo dos desastres associados às primeiras cinco trombetas:

  1. Primeira Trombeta (Apocalipse 8:7): Granizo e fogo misturado com sangue são lançados à terra, queimando um terço das árvores e toda a a vegetação verde.
  2. Segunda Trombeta (Apocalipse 8:8-9): Uma grande montanha ardendo em fogo é lançada ao mar, fazendo com que um terço do mar se transforme em sangue, um terço das criaturas vivas no mar morram e um terço dos navios sejam destruídos.
  3. Terceira Trombeta (Apocalipse 8:10-11): Uma grande estrela, ardendo como uma tocha, cai do céu sobre um terço dos rios e fontes de água, tornando-os amargos e venenosos, resultando na morte de muitas pessoas que bebem deles.
  4. Quarta Trombeta (Apocalipse 8:12): Um terço do sol, da lua e das estrelas são atingidos, fazendo com que sejam escurecidos em um terço, reduzindo sua luz durante o dia e a noite.
  5. Quinta Trombeta (Apocalipse 9:1-12): Uma estrela cai do céu para a terra e recebe a chave do abismo. Ao abrir o poço, a fumaça sobe como a de uma grande fornalha, escurecendo o sol e o ar. Da fumaça emergem gafanhotos, atormentando por cinco meses aqueles que não têm o selo de Deus na testa.

Estes julgamentos de trombeta fazem parte da série de julgamentos divinos derramados sobre a terra durante o fim dos tempos, conduzindo ao julgamento final e ao estabelecimento do reino de Deus.

Tratado Asclépio

O Asclépio, sigla Ascl., é um tratado hermético encontrado no Codex VI de Nag Hammadi, especificamente seu oitavo tratado. É também chamado de  Logos teleios, o Perfeito Sermão, o Perfeito Discurso, Apocalipse de Asclépio, Apocalipse de Hermes Trimegisto.

Datando do intervalo estimado de 250-300 d.C., consiste em um diálogo entre Hermes Trismegisto e seu pupilo Asclépio. Ascl. 24. alude a uma perseguição movida pelos cristãos aos egípcios não cristãos, algo que pode ser datado entre 353 e 391, denotando ser essa uma interpolação tardia.

Embora apenas fragmentos do original grego, intitulado Discurso Perfeito, tenham sido preservados, existe uma versão completa em latim, muitas vezes atribuída a Apuleio. A versão copta, no entanto, é considerada uma tradução bastante precisa do grego, visto que a versão latina foi expandida quando da sua transmissão medieval.

Trismegisto inicia o tratado discorrendo sobre o sigilo do mistério hermético, destacando a compreensão das realidades profundas pela piedosa minoria. Ele afirma que aqueles que abraçam o conhecimento divino enviado por Deus tornam-se bons, imortais e até superam os próprios deuses.

Em resposta à pergunta de Asclépio sobre os ídolos, segue-se uma seção com ensinamentos apocalípticos (Asclépio 21-29), com influências das tradições egípcia e judaica. Trismegisto enfoca o Egito como a “imagem do céu”, o “templo do mundo” e a “escola de religião”. O Egito parece ser um paraíso – terra de deuses e belos templos. Mas de repente, o país se transforma em inferno com morte, sangue e dor. Por meio de imagens vívidas, descreve os horrores e males iminentes que acontecerão no Egito e no mundo, culminando na restauração do cosmos e no nascimento de um novo mundo.

O tratado termina com Trismegisto descrevendo o destino final do indivíduo. A alma se separará do corpo, enfrentará o Grande Daimon que supervisiona e julga as almas humanas e receberá sua recompensa ou punição apropriada.

BIBLIOGRAFIA

Corpus Hermeticum, t. II, Traités XII-XVIII, Asclepius, text établi par A.D. Nock, cinquième tirage revue, Paris, Les Belles Lettres, 1992.

Sowińska, Agata.  The meaning of Egypt in the apocalypse Λόγος Τέλειος /Asclepius (NHC VI, 8: 70, 3 – 76, 1; Ascl. 24-27). Vox Patrum57, 551–573. https://doi.org/10.31743/vp.4152

Ensinamentos de Silvano

Os Ensinamentos de Silvano é uma obra não canônica, encontrada na Biblioteca de Nag Hammadi contendo uma série de ditos de “sabedoria”. Os ensinamentos são atribuídos sob pseudônimo a certo “Silvano”, talvez uma sugestão que fosse Silas, companheiro de viagem de Paulo.

Os Ensinamentos de Silvano foram descobertos em 1945 em um manuscrito datado do século IV. Contudo, a composição do texto, compilado por vários autores remonta de 165 a 350 d.c. Menciona três evangelhos, o corpus paulino, 1 e 2 Pedro como Escrituras. Aparentemente são notas pessoais ou notas didáticas.

Apesar de alguns elementos e temas gnósticos, os Ensinamentos em sua totalidade não refletem uma doutrina gnóstica. Ainda mais, há elementos anti-gnósticos. São duas partes, reflentindo autorias diferentes. Na parte incial há influências judaicas, principalmente da Sabedoria de Salomão, filosofias estoicas e platônicas, além de paralelos com Clemente de Alexandria. Na parte tardia há elementos origenistas, discute a relação entre o Pai e o Filho, além de uma teologia do Logos.

Simeão, o Novo Teólogo

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949–1022) foi um monge, filósofo e místico bizantino, defensor da experiência mística e na iluminação divina.

Nascido na Galácia, na Paflagônia, destacou-se em um período de grande esplendor do Império Bizantino. Educado para uma carreira oficial em Constantinopla, abandonou a vida cortesã para se tornar monge, buscando uma conexão mais profunda com Deus sob a orientação de Simeão, o Piedoso.

Após ingressar no Mosteiro de Estúdio, dedicou-se intensamente à vida monástica. Como abade do Mosteiro de São Mamede, em Constantinopla, revitalizou a comunidade monástica e promoveu uma vida austera entre os monges. Sua liderança foi marcada pela busca pela união espiritual com Cristo e pela promoção da experiência direta de Deus, que considerava essencial para a verdadeira compreensão da fé cristã.

Simeão enfatizava que a teologia verdadeira não podia ser alcançada apenas pela razão, mas por meio da experiência mística direta de Deus, um conceito conhecido como theoria. Entre suas obras mais notáveis estão os Discursos Catequéticos, os Hinos do Amor Divino e os Três Discursos Teológicos, nos quais expressa sua visão sobre a espiritualidade cristã e a importância da iluminação divina. Ele criticou teólogos que se dedicavam à especulação sem uma experiência vivencial de Deus, defendendo que apenas aqueles iluminados pelo Espírito Santo poderiam realmente falar sobre o Divino.