Temã

Temã ou Teman, em hebraico תֵּימָן,, teiman, “sul”, é uma região e cidade em Edom (Jr 49: 7, 20; Ez 25:13; Amós 1:12; Obad 1:9; Habacuque 3:3).

Temã recebe o nome de um descendentes de Esaú. Temã seria neto de Esaú e filho de Elifaz (Gn 36:11; 1 Cr 1:36).

Em Ezequiel 25:13, a referência a Temã em contraste com Dedã, um oásis árabe a sudeste de Edom, pode implicar que Temã se localizava no norte de Edom. No entanto, a localização de Temã permanece incerta, talvez seja o mesmo oásis de Tayma, no noroeste da Arábia, referido como Temá em Jó 6:19.

A cidade era referida por metonímia a toda Edom (Jr 49:7, 20; Obadias 1:9; Habacuque 3:3), além de ser associada com a sabedoria.

Tiatira

Tiatira na Ásia Menor, agora a cidade turca de Akhisar, também é chamada em português de Tiátira.

Os gregos chamaram-na anteriormente de Pelopia e Semiramis. O nome Tiatira remonta do período selêucida, quando foi refundada por Seleuco Nicator. Situava-se no limite entre a Lídia e a Mísia, às margens do rio Lico, ficava à esquerda da estrada de Pérgamo a Sardes. Era um centro comercial e industrial têxtil.

Tiatira aparece ligada com Lídia, mercadora de púpura. (At 16:14). É também uma das sete igrejas do Apocalipse (Ap 2:18-29).

Troas

Troas ou Trôade, em grego Τρῳάς, era um porto na costa do mar Egeu da Ásia Menor, na foz do Dardanelos.

Cidada fundada em 300 a.C. no império selêucida, mas distante de sua capital Antioquia, logo ganhou sua independência como reino de Pérgamo.

No livro de Atos, Paulo passou por lá a caminho da Trácia e da Macedônia. Dez anos depois, após o tumulto em Éfeso, Paulo retornou e estabeleceu uma igreja cristã (2 Coríntios 2:12). Paulo teria deixado parte de seus pertences em Trôade (2 Timóteo 4:13).

Theios aner

Em grego theios aner significa homem divino. O termo aparece na filosofia grega referente a uma pessoa relacionada aos deuses e capaz e de realizar milagres e atos sobrenaturais.

BIBLIOGRAFIA

Betz, Hans-Dieter. “Jesus as Divine Man.” In Jesus and the Historian: Written in Honor of Ernest Cadman Colwell, edited by F. Thomas Trotter, 114–33. Philadelphia: Westminster, 1968.

Blackburn, B. Theios Aner and the Markan Miracle Traditions: A Critique of the Theios Anēr Concept as an Interpretative Background of the Miracle Traditions Used by Mark. Tübingen: Mohr, 1991.

Kingsbury, J. D. “The ‘Divine Man’ as the Key to Mark’s Christology: The End of an Era?” Interpretation 35 (1981): 243-57.

Holladay, Carl. Theios Aner in Hellenistic Judaism: A Critique of the Use of This Category in New Testament Christology. Missoula: Scholars, 1977.

Liefield, Walter L. “The Hellenistic ‘Divine Man’ and the Figure of Jesus in the Gospels.” Journal of the Evangelical Theological Society.

Tiede, David L. The Charismatic Figure as Miracle Worker. Missoula: SBL, 1972.

Dicionário Bíblico Tyndale

O Dicionário Bíblico Tyndale, em inglês Tyndale Biblical Dictionary, editado por Walter A. Elwell e Philip W. Comfort, é uma obra de referência voltada para o estudo bíblico a partir de uma perspectiva evangélica angloamericana da Tyndale House, de vertente evangélica que seria classificada como doutrinários. O nome tanto do dicionário quanto do centro de estudos que publicou originalmente esta obra homenageiam ao tradutor da Bíblia, William Tyndale.

Alinha-se mais com os compromissos de suas vertentes teológicas que com o consenso das ciências bíblicas ou de outras variantes teológicas evangélicas. Por exemplo, defendem teorias de autoria dos livros bíblicos em um ato único com textos produzido pelo autor em sua forma final, atribuindo principalmente a autoria a figuras bíblicas proeminentes. Essa posição, em descompasso com parte significativa da pesquisa acadêmica contemporânea, desconsidera a complexidade do processo de composição e transmissão dos textos bíblicos. A interpretação de profecias tende a privilegiar leituras preditivas, com foco em eventos futuros, em detrimento de perspectivas mais abrangentes que as entendem como promessas dentro da história da salvação. Também há o viés de leitura que considera a Bíblia com univocidade ao invés da pluridade harmônica do cânone bíblico. Desse modo, tende a desconsiderar os diversos gêneros textuais bíblicos para privilegiar uma leitura de toda a Bíblia como se fosse de gênero historiográfico com um tipo textual injuntivo.

O viés teológico é evidente em vários aspectos. Há menor ênfase em temas ligados às tradições católica, ortodoxa ou pentecostal como os sacramentos, o papel de Maria e as manifestações carismáticas. Em alguns verbetes, é possível identificar indícios de uma abordagem dispensacionalista, que divide a história em períodos distintos de interação divina com a humanidade. A soteriologia limita-se às perspectivas calvinistas e arminianas, com notável ausência de soteriologias anabatistas, luteranas, pentecostais clássicas, dentre outras posições evangélicas. Esses pressupostos moldam as definições teológicas, o foco temático e a interpretação de textos-chave.

Alinhado à teologia individualista do protestantismo angloamericano, o conceito de salvação é predominantemente abordado em termos individuais, enfatizando a fé pessoal e a vida eterna. A ausência relativa dos conceitos bíblicos de salvação, como a restauração cósmica, a nova criação e a transformação, é perceptível, assim como a menor ênfase na salvação como vida em aliança ou pacto com Deus. Além disso, há pouca atenção para as implicações sociais e éticas do evangelho.

No que diz respeito a questões de gênero, o dicionário tende a adotar uma perspectiva complementarista subordinacional, defendendo papéis distintos para homens e mulheres, especialmente na liderança e nas estruturas familiares. As interpretações da Bíblia no dicionário reforçam hierarquias de gênero. As contribuições de estudiosas mulheres, embora presentes, são numericamente inferiores. Esse desequilíbrio se reflete em menor ênfase às experiências femininas na narrativa bíblica.

O desenvolvimento histórico do Dicionário Bíblico Tyndale demonstra uma aceitação pelo seu público. A primeira edição foi publicada em 1986, por Elwell. Em 2001, uma edição revisada incorporou descobertas arqueológicas e bibliografias atualizadas até o final do século XX, mas manteve o mesmo arcabouço dos anos 1980. A edição atual, de 2011, introduziu novos artigos sobre temas como arqueologia bíblica, crítica textual e os Manuscritos do Mar Morto, mas não alterou substancialmente seu conteúdo. A edição brasileira, publicada em 2015 pela Geográfica Editora, ampliou o acesso a leitores de língua portuguesa. Apesar de suas atualizações, de modo geral, este dicionário permanece obsoleto quanto ao conhecimento proporcionado pelas ciências bíblicas e pela teologia contemporânea.

É uma obra de refência para saber pessoas, lugares e eventos bíblicos e para se informar sobre conceitos teológicos e temas sob a perspectiva dessa vertente teológica.