Roger Stronstad

Roger J Stronstad (1944-2022) teólogo e biblista pentecostal canadense.

Stronstad nasceu em uma família de ministros da Pentecostal Assemblies of Canada (PAOC Assembleias Pentecostais do Canadá). Estudou no Western Pentecostal Bible College e Regent College. Recebeu títulos honorários de Doutor em Divindade pelo Christian Bible College em Blue Springs, Missouri, e Seminário Teológico Pentecostal em Cleveland, Tennessee.

Ordenado na PAOC em 1975, tornou-se professor no Summit Pacific College em Abbotsford, Colúmbia Britânica.

Stronstad inaugurou os estudos lucanos sob uma perspectiva pentecostal. Valorizava a teologia narrativa e a pneumatologia.

Em português seus livros incluem A Teologia Carismática De Lucas (CPAD), Teologia Bíblica Pentecostal (Carisma) e Hermenêutica Pentecostal (Carisma).

Margret Hottinger

Margret Hottinger (?-1530) foi uma reformadora, pregadora, pioneira e mártir anabatista suíça.

Filha de um camponês alfabetizado, por volta de 1525 sua família esteve entre os organizadores da primeira congregação anabatista em Zollikon, a três quilômetros de Zurique. Em 30 de janeiro foram presos 31 anabatistas. Diante desssa perseguição, Margaret decidiu-se ser batizada.

Margret Hottinger começou a pregar e a profetizar na congregação de Zollikon, inclusive falando em línguas. A jovem foi presa pelas autoridades de Zurique em novembro de 1525, junto de outros líderes como Conrad Grebel, Félix Mantz, Jorge Cajakob, Miguel Sattler e Martín Linck.

No processo Margret Hottinger declarou que “o batismo infantil estava errado e o dos crentes estava correto. Também pediu às autoridades que provassem a validade do batismo infantil e que, se o fizessem, ela estaria disposta a renunciar [de suas crenças].” Depois de um longo período na prisão, foi solta na condição de abjurar ao anabatismo.

Em 1530, percebendo que as condições estavam piorando, a família de Margret e outros anabatistas decidiram migrar para a Morávia. Contudo, foram presos no caminho próximo a Ravensburg, já na Alemanha. Margret e seu pai foram condenados à morte, seu irmão Felix foi poupado devido ser jovem demais. Jakob Hottinger foi decapitado e Margret afogada.

BIBLIOGRAFIA

Snyder, C. Arnold, and Linda A. Huebert Hecht, eds. Profiles of Anabaptist Women: Sixteenth-Century Reforming Pioneers. Vol. 3. Wilfrid Laurier Univ. Press, 2010.

Gabriel Ascherham

Gabriel Ascherham (Kürschner) (morto em 1545) foi líder de um dos primeiros grupos anabatistas na Morávia e Silésia, os chamados gabrielitas.

Gabriel nasceu em Nürnberg, Baviera, e trabalhou em Schärding (Áustria), onde possivelmente envolveu-se com os anabatistas.

Defensor de uma vertente espiritual dos anabatistas, seus ensinos constrastam com o hutteritas, denominação cujos membros viviam na mesma região que os gabrielitas. Defensor da revelação direta do Espírito Santo, seus ensinos foram resumidos na seguinte forma:
(1) ninguém tem o direito de batizar e estabelecer ordenanças da igreja (regulamentos), a menos que esteja na igreja cristã;

(2) ninguém está na igreja cristã a menos que tenha o Espírito Santo;

(3) nem a fé nem o Espírito podem ser obtidos das Escrituras;

(4) nem é a fé o fundamento e a origem de nossa salvação.


Só quem tem o Espírito Santo pode distinguir entre o bem e o mal, e não quem tem apenas a letra da Bíblia. Aqueles que pregam sem o Espírito logo se tornam “literalistas”, e isso leva ao erro e à falsa aparência. O Reino de Deus é apenas interior. A organização externa e os regulamentos (ou ordenanças) não têm valor algum para a salvação.

“Todo batismo que ocorre fora do Espírito Santo não beneficia a ninguém. Como o batismo não pode trazer o Espírito Santo, ninguém na igreja cristã pode ser melhorado ou pior por ele (wird gebessert oder gebösert). Portanto, não é certo condenar alguém por causa do batismo. Como o batismo não pode produzir homens piedosos, as pessoas não devem ser obrigadas a se submeter a ele, a menos que tenham entendimento [divino]. O batismo não é uma lei, mas pressupõe liberdade, como todas as ordenanças cristãs (Ordnungen). Como a razão tem tal liberdade, seria muito melhor deixar que as criancinhas, que não podem nem falar, cheguem a essa liberdade. Como são batizadas, não têm nada encontrado nem perdido… mas se alguém me perguntar se o batismo infantil é pecado, a ele eu respondo que não. Mas para evitar desordem e superstição, é bom omitir o batismo infantil, já que tanto abuso surgiu dele.” “Onde há o Espírito Santo, há também o batismo, a lembrança de Cristo [Ceia do Senhor] e uma vida santa. Os irmãos autointitulados, no entanto, dizem: ‘Esta é a nossa ordem, insistimos nisso mesmo que seja machucar alguém.’ Isso eles chamam de zelo e testemunho cristão. Mas o Espírito Santo não precisa de tais provas externas”. “Não é possível morrer por causa do batismo, pois isso significa perder a graça de Deus em Cristo Jesus, por quem todos os homens são salvos pela morte de Cristo e não por sua própria morte.”

Com relação à Ceia do Senhor, Gabriel não aderia à corrente simbólica predominante entre os grupos anabatistas. Sua perspectiva era sacramental, semelhante a qual Calvino ensinou. Em uma celebração digna o crente realmente participa do corpo e sangue de Cristo de maneira espiritual.

BIBLIOGRAFIA

Friedmann, Robert. “Ascherham, Gabriel (d. 1545).” Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. 1953. Web. 1 Sep 2022. https://gameo.org/index.php?title=Ascherham,_Gabriel_(d._1545)&oldid=122341.

Petr Chelčický

Petr Chelčický (Chelcicky, Chelciki, Helchitsky)  (c. 1390-ca. 1460) foi um notável líder cristão tcheco dentro do movimento hussita.

Defensor da não resistência e do discipulado cristão, Chelčický foi antecessor das igrejas pacifistas. Foi autor de vários livros e panfletos, sendo o principal A rede da fé (Šít Víry) (1440).

Chelčický condenou a guerra e a pena capital, opôs-se a cidades, comércio e juramentos. Renunciou a todas as formas de poder e autoridade secular, defendendo um cristianismo primitivo e igualitário.

Ensinava que o cristão deve lutar pela justiça por sua própria vontade, mas não deve forçar os outros a serem bons e que a bondade deve ser voluntária. O cristão deve amar a Deus e ao próximo e essa é a maneira de converter as pessoas e não por compulsão. Afirmava que qualquer tipo de compulsão seria intrinsicamente má e que os cristãos não devem participar de lutas políticas.