Jonas

A aventura do profeta mostra que os erros humanos são passíveis de arrependimento.

Jonas foge da ordem de Deus de ir pregar o arrependimento ao povo de Nínive e é lançado ao mar (1). No ventre do grande peixe Jonas ora e é lançado na terra, indo pregar a Nínive (2-3). Após o arrependimento do povo, Jonas se frustra, mas Deus exige compaixão.

Diferente dos outros livros proféticos, o Livro de Jonas apresenta uma sátira. O profeta é teimoso, desobediente e falta compaixão humana.

A narrativa é situada nos tempos do reino de Israel e antes da queda de Nínive (612 aC). Jonas é tradicionalmente identificado com o profeta desse nome mencionado em 2 Re 14:25. A composição é geralmente datada do período persa.

A compaixão de Deus aparece como tema central do livro (Jo 4,2). Esta fórmula referente à compaixão divina ocorre em outras passagens (Êx 34:6-7, Nm 14:18; Sl 86:15; 103:8; 145:8; Joel 2:13; Ne 9:17).

Notoriamente, o Livro de Jonas apresenta animais como personagens centrais. É um grande peixe (baleia, ou keta, na Seputaginta) que engole o profeta, os animais jejuam na cidade arrependida, Deus tem compaixão dos animais e é um pequeno bicho quem come a aboboreira que abriga Jonas.

BIBLIOGRAFIA

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Sofonias

Sofonias é o nome de alguns personagens bíblicos:

  1. Sofonias e o Livro de Sofonias. Sofonias é um dos profetas menores. Teria sido um descendente de Ezequias. É chamado de “filho de Cuxe”, o que indica uma possível ancestralidade estrangeira, talvez africana. A sobrescrição do livro de Sofonias situa suas atividades no reinado de Josias. Este curto livro é uma denúncia da corrupção e injustiça desenfreada combinada com o convite ao arrependimento em busca de perdão divino.

Alerta sobre o julgamento de Israel e das nações no “dia do Senhor” e exorta Israel a se arrepender (1-3:8). Conclui com a garantia de que, apesar do sofrimento, Deus acabará por restaurar Jerusalém e exercer o seu favor com bênçãos para as nações e Judá (3:9-20).

O seu ministério profético ocorreu no contexto da crise babilônica, durante um período de reforma religiosa e revolta social. O livro de Sofonias está incluído na coleção dos Doze Profetas Menores.

A visão mais amplamente aceita atribui a autoria do livro de Sofonias ao próprio profeta, com potencial edição pós-exílica. Sofonias provavelmente ministrou no século VII aC, coincidindo com o reinado do Rei Josias, provavelmente antes de suas reformas. O profeta denunciou a idolatria e a corrupção predominantes em Judá, apelando ao arrependimento e alertando sobre o julgamento divino iminente.

A mensagem de Sofonias reflete uma combinação de repreensão severa e expectativa esperançosa. Profetizou o julgamento iminente de Judá e das nações vizinhas devido à sua idolatria, injustiça social e decadência moral. O profeta alertou sobre um dia de ira divina, caracterizado pela destruição e desolação universais. Contudo, em meio às sombrias previsões, Sofonias ofereceu uma mensagem de esperança, enfatizando a eventual restauração de um remanescente fiel. Este remanescente, composto tanto por judeus como por gentios, encontraria refúgio em Deus e experimentaria a Sua libertação da opressão.

Vários aspectos do texto de Sofonias permanecem abertas, incluindo questões relativas ao seu desenvolvimento literário, a identidade dos invasores mencionados nos oráculos proféticos e a interpretação das imagens do “dia do Senhor”. Os temas abrangentes de julgamento e restauração de Sofonias permanecem centrais para o seu significado teológico.

O ministério profético de Sofonias serve como um lembrete da fidelidade de Deus em meio à rebelião humana e de Sua soberania final sobre todas as nações. As suas palavras exortam a atender ao chamado ao arrependimento e a abraçar a promessa de restauração através da fé na obra redentora de Deus.

2. Sofonias, um sacerdote que o Rei Zedequias enviou a Jeremias para pedir ao profeta que orasse pelo fim do cerco de Jerusalém (Jeremias 21:1).

3. Sofonias, pai de um Josias, um repatriado do exílio babilônico (Zacarias 6:10).

4. Sofonias, meembro da família levítica de cantores dos coratitas. Talvez o mesmo sacerdote de 2 Reis 25:18.

BIBLIOGRAFIA

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Vlaardingerbroek, Johannes. Zephaniah. Historical Commentary on the Old Testament. Leuven, Belgium: Peeters, 1999.

Livro de Zacarias

Este profeta pós-exílico argumenta que Deus opera, inclusive na reconstrução do Segundo Templo, “não por força nem por poder” mas por seu Espírito. Várias visões e símbolos projetam a renovação da presença de Deus com o povo de Israel mediante a restauração do Templo (1-8). Deus é o libertador e guerreiro em prol de Israel e que transformará radicalmente a ordem do mundo (9–14).

Ageu

Ageu, em hebraico חַגַּי, significa “festival” ou “bebê festivo” e provavelmente foi escolhido porque o profeta talvez tenha nascido em uma das três festas anuais de peregrinação em Jerusalém. Ageu foi um dos profetas pós-exílicos que depois do edito de Ciro atuava entre os retornados a Jerusalém. Ageu encorajou os israelitas reconstruirem o Segundo Templo, antecipando o retorno da glória de Deus.

Teria sido contemporâneo de Zacarias, Zorobabel e do sumo-sacerdote Josué (1:1).

A única informação que temos sobre o próprio Ageu vem do livro e de Esdras 5:1 e 6:14. Ageu e Zacarias podem ter operado dentro de círculos separados, e Ageu pode ter pertencido a uma das famílias governantes tradicionais em Yehud, em vez das fileiras sacerdotais.

O Livro de Ageu é uma coleção de oráculos proféticos e pequenas narrativas em prosa. Ageu acreditava que a reconstrução do Templo resultaria na presença de Deus entre o povo e uma nova era de transformação espiritual e o governo de um descendente de Davi. O Livro de Ageu é o primeiro de três trabalhos pós-exílicos na coleção dos Profetas Menores e está intimamente ligado ao livro de Zacarias.

Um dos raros livros com datas, as profecias foram anunciadas no segundo ano de Dario I Histaspes (521-486 aC), portanto, de agosto a dezembro de 520 a.C., quatro anos antes da conclusão do segundo Templo em 516 a.C. Foi um período de paz internacional e um governo persa generoso. Nesse período, a estabilidade sob Dario e o retorno dos exilados da Babilônia sugeriram novas possibilidades para a reconstrução do Templo, que estava parado há 16 anos.

A formação literária do Livro Ageu parece ter sido direta. Isso implica que o livro tenha alcançando sua forma atual em apenas uma grande redação. A edição de Ageu compartilha a perspectiva da Escola de Santidade e foca na esperança da presença de Deus em um Templo restaurado.

ESBOÇO ESTRUTURADO

Primeira Profecia (1: 1-15a)

  1. Nota introdutória (1:1)
  2. Construção do Templo (1:2-11)
    1. Desinteresses em construir o Templo (1:2)
    2. O povo melhora sua própria casa (1:3)
    3. Desrespeito a Deus e ao Templo e e seu efeito na pobreza do povo (1:4-11)
    4. O povo começa a trabalhar no Templo (1:12-15a)

Segunda Profecia (1: 15b-2: 9)

  1. Nota introdutória (1: 15b-2: 1)
  2. Deus sacudirá o mundo (2:2-9)
    1. Encorajamento (2:2-3)
    2. Deus está com o povo (2:4-5)
    3. Deus trará riqueza para o novo Templo (2:6-9)

Terceira Profecia (2: 10-19)

  1. Nota introdutória (2:10)
  2. As bênçãos vêm como resultado da santidade (2.11-19)
    1. Ageu questiona os sacerdotes sobre a santidade (2.11-13)
    2. Adoração impura do povo (2:14)
    3. Pobreza do passado (2: 15-17)
    4. Bênçãos futuras (2: 18-19)

Quarta Profecia (2:20-23)

  1. Nota introdutória (2:20)
  2. Deus sacudirá o mundo (2:21-23)
    1. Deus destruirá reinos (2:21-22)
    2. Zorobabel será como um anel de sinete (2:23)

BIBLIOGRAFIA

de Castro Lopes, Shara Lylian, and João Benvindo de Moura. “Análise discursiva do profeta Ageu: uma visão retórica a partir da enunciação profética.” Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação (2014): 185-199.

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