Pedro Abelardo

Pedro Abelardo (em francês Pierre Abélard; Latim: Petrus Abaelardus ou Abailardus) (c. 1079 – 1142) foi um filósofo escolástico francês medieval.

Pedro Abelardo (em francês Pierre Abélard; em latim Petrus Abaelardus ou Abailardus) (c. 1079–1142) foi um teólogo, filósofo e lógico escolástico francês da Baixa Idade Média. Nascido na Bretanha, destacou-se como mestre em Paris, onde contribuiu decisivamente para a transição da teologia de um ambiente predominantemente monástico para o nascente contexto urbano e escolar que daria origem às universidades medievais.

Formado na tradição das escolas catedrais — especialmente na órbita da Catedral de Notre Dame de Paris — Abelardo tornou-se um dos professores mais célebres de seu tempo. Sua clareza expositiva, sua habilidade dialética e sua disposição para submeter as autoridades à análise racional atraíram numerosos discípulos. Em uma época de forte autoridade eclesiástica, notabilizou-se por tratar os autores da Antiguidade clássica com respeito intelectual, mesmo quando considerados “pagãos”, e por defender o exame crítico das Escrituras à luz da razão, sustentando a capacidade da mente humana de alcançar o conhecimento verdadeiro.

No plano filosófico, destacou-se por sua contribuição ao problema dos universais. Entre o realismo extremo e o nominalismo, Abelardo propôs uma forma de conceitualismo, segundo a qual os universais não existem como entidades independentes, mas como conceitos formados pela mente a partir da experiência. Sua reflexão lógica e linguística, desenvolvida sobretudo na Dialética, inclui a distinção entre o significante (o aspecto sonoro ou gráfico das palavras) e o significado (os conceitos universais), entendendo que na articulação entre ambos reside a especificidade da linguagem humana.

Sua obra mais conhecida, Sic et Non (c. 1121–1122), reúne afirmações aparentemente contraditórias de autoridades cristãs sobre questões teológicas centrais. O objetivo não era resolver imediatamente as tensões, mas exercitar a análise crítica e o método dialético, estimulando o discernimento intelectual. Esse procedimento influenciaria profundamente o método escolástico posterior, sendo retomado, por exemplo, por Tomás de Aquino na Suma Teológica.

No campo da ética, Abelardo formulou uma teoria frequentemente descrita como intencionalismo moral: o valor moral de uma ação depende primariamente da intenção do agente, e não apenas do ato externo ou de suas consequências. Entre as doutrinas a ele associadas figuram ainda a reflexão sobre o limbo e a chamada teoria da influência moral da expiação, segundo a qual a obra de Cristo atua sobretudo como exemplo supremo de amor capaz de transformar interiormente o ser humano.

A notoriedade de Abelardo ultrapassou o âmbito estritamente acadêmico em virtude de sua relação com Héloïse d’Argenteuil, sua aluna brilhante e posteriormente esposa. Sobrinha do cônego Fulbert, Heloísa distinguiu-se por sua cultura e erudição. O relacionamento entre mestre e discípula, iniciado em Paris no começo do século XII, culminou em casamento secreto e em um filho. Ao descobrir o caso, Fulbert ordenou a castração de Abelardo, episódio que marcou profundamente a vida de ambos.

Após a violência sofrida, Abelardo ingressou na vida monástica, enquanto Heloísa tornou-se religiosa e mais tarde abadessa. Embora tenham vivido separados, mantiveram intensa correspondência, posteriormente reunida e celebrada como uma das mais notáveis trocas epistolares da Idade Média. Nessas cartas, discutem não apenas o passado amoroso, mas também questões teológicas, morais e espirituais, revelando a profundidade intelectual e afetiva de sua relação.

Abelardo faleceu em 1142. Heloísa, que lhe sobreviveu, teria promovido a reunião de seus restos mortais, tradição que alimentou a recepção literária do casal como símbolo da paixão trágica medieval. A história de Abelardo e Heloísa tornou-se paradigma do conflito entre amor individual e normas sociais. É evocada ao lado de outras narrativas de paixão fatal na cultura ocidental.

Como pensador, Pedro Abelardo permanece figura central da escolástica do século XII. Sua confiança na razão, sua ênfase na análise lógica e sua abordagem crítica das autoridades contribuíram decisivamente para a consolidação do método universitário medieval e para o desenvolvimento da teologia e da filosofia ocidentais.

SAIBA MAIS

Abelardo, Pedro. Ética de Pedro Abelardo. Traduzido, editado e anotado por Marcio Chaves-Tannús. Edufu, 2015.

Elizabeth Baxter

Mary Elizabeth Foster Baxter (1837-1926) escritora, missionária e biblista britânica.

Nasceu em uma família de quakers em Worcestershire, na Inglaterra. Converteu-se aos 21 anos e dedicou-se ao ministério evangelístico. Juntou-se à Mildmay Mission, centro de diaconia e de treinamento de diaconisa, entre 1866 e 1868.

Casada com Michael P. Baxter em 1868, foram pais de Michael Paget Baxter. O casal fundou a Casa Bethshan em 1880 para cuidar da cura do corpo e da alma. Foram influenciados por Andrew Murray, D. L. Moody e Ira Sankey. Em razão disso, participaram ativamente do movimento “Higher Christian Life”, promovido por William E. Boardman e difundido pela Convenção de Keswick.

O casal apoiava as campanhas de Moody na Inglaterra, publicando um pequeno jornal chamado “Signs of Our Times”. O jornal expandiu-se e adotou um novo nome, “The Christian Herald”.

Em viagem em férias à Suíça, o casal começou a realizar reuniões evangelísticas. Durante uma viagem na Alemanha, Elizabeth teve a experiência de ser capaz de pregar em alemão o suficiente para ser entendida, embora ela soubesse apenas poucas palavras do idioma. Nesse período, Elizabeth conheceu o pastor Otto Stockmayer, Samuel Zeller e teve contato com as obras de Dorothea Trudel e Johann Blumhardt.

Em 1886, os Baxters abriram uma casa de treinamento missionário, formando centenas de missionários. Estabeleceram as Missões Gerais Kurku e Central Hills e Ceilão e Índia na Índia. Na década de 1890, Elizabeth viajou pelo Canadá e pelos Estados Unidos. Em 1894, também conheceu e tornou-se amiga de Carrie Judd (mais tarde Montgomery), que havia aberto sua própria casa de recuperação em Nova York. Mais tarde, viajaria para as missões na Índia.

Publicou mais de quarenta livros, além de tratados volantes e panfletos. Seu Women in the Word (1897) faz um panorama com vários perfis de mulheres nas Escrituras.

BIBLIOGRAFIA

“Baxter, Elizabeth (1837-1926).” Handbook of Women Biblical Interpreters, 2012, Handbook of Women Biblical Interpreters, 2012.

Marion Ann Taylor. “Anglican Women and the Bible in Nineteenth-century Britain.” Anglican and Episcopal History 75, no. 4 (2006): 527-52.

Narveson, Kate.  Bible Readers and Lay Writers in Early Modern England. Routledge, 2016.

Robins, Roger Glenn. “Evangelicalism before the Fall: The Christian Herald and Signs of Our Times.” Religions 12, no. 7 (2021): 504.

Taylor, Marion Ann, and Heather Weir. Women in the Story of Jesus. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing, 2016.

https://www.actsamerica.org/biographies/2014-01-Elizabeth-Baxter.html

https://healingandrevival.com/BioEMPBaxter.htm

Numênio

Numênio foi um filósofo grego nativo de Apamea, na Síria, e possivelmente lecionou em Roma durante a última metade do século II d.C. Talvez seja o único filósofo grego que tenha estudado explicitamente Moisés, os profetas e a vida de Jesus.

Familiarizado com as ideias dos gregos, egípcios, brâmanes e magos; Numênio tratou as Escrituras hebraicas e os ensinos cristãos com respeito. Ele se refere a Moisés simplesmente como “o profeta”, tal como Homero é “o poeta”. Descreve Platão como um Moisés grego.

Apesar do caráter eclético de Numênio, seus escritos o situam no médio-platonismo e no neo-pitagorismo. Seu impacto na filosofia foi considerável no platonismo posterior, mais notavelmente em Plotino (III d.C.) e Porfírio (III e IV d. C.). Sua obra só resta em fragmentos citados por outros filósofos e autores patrísticos.

A familiariedade de Numênio com as escrituras hebraicas e cristãs atesta a circulação e disponibilidade delas já nos meados do século II d.C. fora do âmbito cristão e judeu.

Antíoco, o Grande

Antíoco III, cognominado de o Grande, foi um rei da dinastia helenista selêucida. Baseado na Síria, governou desde a Ásia Menor até a Pérsia entre 223-187 a.C.

Vários dos eventos descritos em Dn 11 correspondem às ações de Antíoco III durante as guerras sírias, travadas entre os impérios ptolomaico e selêucida.

BIBLIOGRAFIA
Apiano de Alexandria, Guerra Síria, 1-44
Cássio Dio, História Romana, 19
Josefo, Antiguidades Judaicas, 12.129ff, 12.414
Lívio, História de Roma, 33-38
Diodoro da Sicília, Biblioteca de História Mundial, 28-29, 31.19
Políbio de Megalópole, História Mundial, 5.40, 10.28-31, 11.34/39, 15.20, 16.18-20, 21.6-24.

Rosina Balzano Francescon

Rosina Maria Antonieta Balzano Francescon (1875-1953) foi uma pioneira na obra pentecostal italiana em Chicago, além de ocupar da instrução bíblica infantil e secretariar as missões.

Rosina nasceu em Castellone Al Volturno, província de Isérnia, Molise e próxima aos Abruzzos, no centro-sul da Itália. De família muito pobre, migraram por terra, trabalhando na estrada, até chegarem a La Havre e partirem para os Estados Unidos.

Em 1892 ela estava morando em Chicago, onde se tornou membro e supervisora ​​da Escola Dominical da Primeira Igreja Presbiteriana Italiana. Casou-se com Louis Francescon em 1895. Buscando aprimorar seus conhecimentos bíblicos, frequentava as aulas abertas do Instituto Bíblico Moody, depois com sua filha Helen e seu genro Joseph Carrieri.

Rosina foi uma das primeiras italianas a experimentar o batismo no Espírito Santo ao falar em línguas em Chicago em 1907. Depois, esteve em missões em Los Angeles e Syracuse (NY), além de ter viajado ao Brasil em 1948.

BIBLIOGRAFIA

Toppi, Francesco. Madri in Israele. Roma: ADI-Media, 2003.

Obituário: Rosina Balzano Francescon

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