Christus medicus (“Cristo, o Médico”) é um título para Jesus Cristo.
A função de Cristo como o curador divino e médico (grego ἰατρός iatrós) é combinada com a do salvador e redentor. O termo salvação em grego, sozo, também denota saúde.
Christus medicus (“Cristo, o Médico”) é um título para Jesus Cristo.
A função de Cristo como o curador divino e médico (grego ἰατρός iatrós) é combinada com a do salvador e redentor. O termo salvação em grego, sozo, também denota saúde.
A communicatio idiomatum (em português, “comunicação de idiomas”) é um conceito da cristologia qu se refere à interação entre as naturezas divina e humana de Jesus Cristo, afirmando que, em Cristo, as propriedades e características de ambas as naturezas podem ser compartilhadas e atribuídas mutuamente, sem confusão ou alteração. Essa doutrina é fundamental para a compreensão da união hipostática — a união das duas naturezas em uma única pessoa.
O conceito tem suas origens nos escritos patrísticos, especialmente em Cirilo de Alexandria no século V. Cirilo empregou essa ideia para combater o nestorianismo, uma heresia que negava a união plena das naturezas divina e humana em Cristo. Para Cirilo, essa união é tão profunda que se pode afirmar que propriedades divinas se aplicam à humanidade de Cristo e vice-versa. Sua formulação foi essencial para as decisões teológicas do Concílio de Éfeso (431) e do Concílio de Calcedônia (451), que consolidaram a compreensão ortodoxa da pessoa de Cristo.
Teólogos posteriores refinaram o conceito, distinguindo diferentes aspectos ou “tipos” de communicatio idiomatum. O primeiro é a atribuição genérica de propriedades de uma natureza à outra, como quando se afirma que “Deus morreu na cruz”, reconhecendo que a morte, própria da natureza humana, é atribuída à pessoa divina por meio da união hipostática. O segundo é a atribuição específica de propriedades, como no caso de dizer que “o Filho de Deus foi crucificado”, atribuindo o sofrimento humano à segunda pessoa da Trindade. Por fim, há a atribuição idiopática, que se refere à possibilidade de afirmar, por exemplo, que “Maria é a Mãe de Deus”, reconhecendo que a maternidade se refere à pessoa divina encarnada, embora Maria seja plenamente humana.
A communicatio idiomatum tem um papel crucial na teologia cristã, especialmente para a compreensão da pessoa de Cristo e sua obra salvífica. Essa doutrina permite afirmar que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, sem divisão, separação, confusão ou mudança. Ela também fundamenta declarações como a de que “Deus sofreu na cruz”, sem implicar que a natureza divina, em si mesma, seja passível de sofrimento.
Ao longo da história, a communicatio idiomatum tem sido objeto de debates teológicos. Algumas controvérsias giram em torno dos limites da comunicação entre as naturezas de Cristo, especialmente quanto à possibilidade de atribuir características de uma natureza à outra. Outros debates se relacionam à kenosis, a ideia do auto-esvaziamento de Cristo na encarnação, e às suas implicações para a mariologia, em particular o papel de Maria como a “Theotokos” (Mãe de Deus).
Príncipe deste Mundo ou o Arcon deste Cosmos, em grego pode simplesmente se referir a autoridades políticas humanas, mas também tinha um significado especial acerca de entidades espirituais.
Este sentido de poder espiritual aparece nos últimos textos da Septuaginta, como em Daniel 10:13.
O conceito de arcon ou arconte te pertence às perspectivas da Antiguidade Tardia. Muitos persas zoroastrianos, judeus enoquiano, pessoas helenizadas gnósticas acreditavam que o cosmos tinha sido escravizado — demonstrado pela morte — tanto por nosso pecado quanto pelo governo maligno dessas entidades espirituais que reinariam sobre a terra desde os céus e que mantêm espíritos escravizados abaixo da terra.
Esses arcontes teriam domínio sobre as nações — convencionalmente contados como as 70 nações sob os céus. Sejam caídos, amotinados ou meramente incompetentes, esses seres permanecem como um abismo de separação entre a humanidade e o Deus bom.
O cristianismo apresenta Cristo como conquistador e vitorioso sobre esses arcontes. (Apocalipse 1:5).
Paulo se refere a eles como principados e potestades. Em Mateus 4:8, Lucas 4:6, João 12:31, 14:30 e 16:11, 1 João 5:19 mencionam os arcons no controle do mundo e dos demônios. O Evangelho de João chama esse ser de “o arconte deste mundo” a ser derrotado e julgado, retratando a morte de Jesus como uma missão principal nesta batalha cósmica (João 12:20-36).
BIBLIOGRAFIA
Heiser, Michael S. The unseen realm: Recovering the supernatural worldview of the bible. Lexham Press, 2015.
Walton, John H. Demons and Spirits in Biblical Theology: Reading the Biblical Text in Its Cultural and Literary Context. Wipf and Stock Publishers, 2019.
Cordeiro, כֶּ֫בֶשׂ em hebraico para um ovino macho, o filhote da ovelha, embora outras palavras também apareçam na Bíblia Hebraica. Exceto em Apocalipse onde predomina ἀρνίον, cordeirinho, a principal palavra grega bíblica é ἀμνός.
Os cordeiros são proeminentes na literatura, arte e práticas de sacrifício do antigo Oriente Próximo. Simbolizavam inocência e vulnerabilidade, bem como o reino ideal.
No Antigo Testamento, os cordeiros aparecem em contextos de sacrifício, especialmente durante a Páscoa. Era a oferta todas as manhãs e todas as tardes no sistema sacrificial mosaico (Êxodo 29:38-42), além de dias especiais como o primeiro dia do novo mês (Nm 28:11), cada dia da Festa da Páscoa (Nm 28:16-19), na Festa de Pentecostes (Nm 28 :26), a Festa das Trombetas (Nm 29:1, 2), o Grande Dia da Expiação (Nm 29:7, 8) e a Festa dos Tabernáculos (Nm 29:12-16). Sacrifícios com ofertas pessoais também usavam o cordeiro, como na purificação de uma mulher após o parto (Lv 12:6) e de um leproso após a cura (Lv 14:10-18).
Os profetas retratam a compaixão de Deus sob a figura do pastor e do cordeiro (Is 40:11), tal como no Salmo 23. O cordeiro simbollizou o sofrimento do povo de Deus e o servo sofredor (Is 53:7; Atos 8:32).
O evangelho de João registra João Batista chamando Jesus de “o Cordeiro de Deus” em João 1:29. Enquanto que o animal usado nos rituais do Dia da Expiação para purificar o Santuário e o povo não era um cordeiro, mas uma cabra, João alude ao Cordeiro Pascal. Um cordeiro era morto e comido na refeição da Páscoa, reminisciente da renovação da aliança do povo com Deus à saída de exílio subsequente aos pecados de Israel.
Similar imagens do Cordeiro sacrificado aparecem em 1 Pedro 1:19 e Apocalipse 5:6-13; 13:8. Essa imagem de vitória pelo sacrifício (1 Coríntios 5:7; livro de Hebreus) é análogo ao cordeiro pascal morto, cujo sangue marcou as ombreiras de Israel para espantar (efeito apotropaico) o destruidor que matou os primogênitos do Egito. Em uma paradoxal vitória humilde, no Novo Testamento o sacrifício de Cristo aparece não como derrota, mas como vencedor sobre o poder do pecado, o mal e da morte.
A figura do cordeiro também foi aplicada aos discípulos de Jesus. Setenta discípulos foram enviados como “cordeiros no meio de lobos” (Lucas 10:3). Da mesma forma, o Cristo ressurreto encarregou o apóstolo Pedro de alimentar Seus cordeiros (João 21).
Adopcianismo ou adocionismo espanhol foi uma controvérsia cristológica nos séculos VIII-IX na Península Ibérica.
No século VIII na Espanha, aparentemente de modo independente da antiga heresia adocionista, o arcebispo de Toledo Elipando e o bispo Félix de Urgel levantaram a questão da dupla natureza Deus-Homem. Argumentavam que somente por sua natureza divina de Cristo o verdadeiro Deus, mas em sua natureza humana seria adotado por Deus. A essa natureza humana faltava atributos divinos, especialmente a onisciência, similar aos ensinamentos dos agnoitas.
Em 792, Félix foi intimado para um sínodo em Regensburg, renunciou ao seu ensino, etiquetado como heresia nestoriana. Confirmou a sua renúncia em Roma perante o papa Adriano. Mas voltando a Urgel, Félix voltou aos seus antigos pontos de vista. A controvérsia seguiu até que Félix abdicou ao seu bispando, vivendo em Lyon até sua morte em 818. A posição foi condenada por um sínodo de Frankfurt em 794.
Além da questão cristológica, havia tensões sobre o status das igrejas espanholas desde a conversão do rei ariano Recaredo ao catolicismo em 589. Havia resistência do clero espanhol em submeter-se à autoridade carolíngia e papal.
BIBLIOGRAFIA
Cavadini, John C. The Last Christology of the West. Adoptionism in Spain and Gaul, 785-820. Philadelphia, 1993.
Freedman, Paul “L’influence wisigothique sur l’eglise catalane,” in L’Europe héretière de l’Espagne wisigothique (Coll. dela casa de Velázquez, vol. 35), ed. Jacques Fontaine et al. Madrid, 1992, 69-79, 75f.
Firey, Abigail “Carolingian Ecclesiology and Heresy. A Southern Gallic Juridical TractAgainst Adoptionism” Sacris Erudiri 39 (2000): 253-316.