Naram-Sin

Naram-Sin (c2254–2218 a.C.), rei de Acade. Autoproclamado deus de Acade e rei dos quatro cantos do mundo era neto de Sargão, o Grande (reinado de 2334 a 2279 aC). Vários artefatos arqueológicos e obras literárias registram sua belicolosidade e atitude desafiadora ante os deuses, o que levaram a muitos verem paralelos com Ninrode (Gn 10:8-9) e com Jó.

A Estela da Vitória de Naram-Sin (c2254–2218), esculpida em um bloco de quase 2 m de calcário rosa, retrata o rei Naram-Sin de Akkad liderando o exército acadiano para a vitória sobre Lullubi, um povo montanhês das Montanhas Zagros.

A inscrição de Naram-Sin aparece no pedestal de uma estátua de cobre, representando uma figura masculina agachada de um monstro lahmu sem a parte superior do corpo. A estátua foi encontrada em 1975 perto de Bāṣetkī.

A Madição de Acade conta a história da destruição dessa cidade pelos deuses devido à impiedade de Naram-Sin. Discorre sobre problema do sofrimento sem sentido. O rei Naram-Sin tenta de arrancar dos deuses uma razão para sua miséria.

Enuma Elish

O Enuma Elish é um épico da criação de deuses e do mundo registrado. Teria sido grande épico nacional da cidade de Babel ou Babilônia, com uso em cerimônias cívico-religiosas.

O poema retrata a criação pela batalha cósmica contra o caos (Chaoskampf), criação por comando divino e pela ação divina.

As tabuletas da versão-padrão remontam do século VII a.C., encontradas na biblioteca do rei assírio Assurbanipal (668-627 a.C.). Contudo, supõe-se que o texto fora fixado na segunda dinastia acadiana de Isin, na época de Nabucodonosor I (1124-1103 a.C.). As sete tabuletas corresponderiam a sete cantos que originalmente teriam 1.100 versos. A primeira versão contemporânea do texto foi publicada em 1876 pelo célebre estudioso das literaturas cuneiformes, George Smith.

Epopeia de Gilgamesh

A epopeia de Gilgamesh é uma obra épica poética mesopotâmica que retrata a busca pela imortalidade por Gilgamesh, lendário rei de Uruk.

Compostos como contos orais dos sumérios, mais tarde foram fixados em textos cuneiformes em tabuletas de argila. A versão mais conhecida foi produzida pelo escriba Sin-Leqi-Unninni entre os séculos XIII e X a.C. em acádio.

O épico de Gilgamesh fazia parte do treinamento dos escribas. Talvez por essa razão haja tantas cópias e variações. Essas tabuletas foram encontradas nas bibliotecas e escritórios de copistas em Emar, Ugarit, Megiddo e Bogazkoy, cidades antigas da Crescente Fértil e da atual Turquia. O exemplar de Megido, datado do século XIV a.C., possibilita que os hebreus tivessem conhecimento desse épico há muito tempo antes do exílio babilônico.

Alguns paralelos bíblicos famosos são a versão do dilúvio de Ut-Napishtim, uma planta da vida e uma serpente astuta.

BIBLIOGRAFIA
Alves, Leonardo M. A Epopeia de Gilgamesh, Ensaios e Notas, 2018.

Sin-léqi-unnínni. Ele que o abismo viu: a epopeia de Gilgámesh. Tradução de Jacyntho Lins Brandão. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.