Abba é a transliteração grega (ἀββα, abba) do aramaico אַבָּא (‘abbā), literalmente “meu pai”, entendido simplesmente como “pai”. O termo aparece nas porções aramaicas de Daniel 5:2, 11, 13 e 18. No Novo Testamento, ocorre três vezes na expressão bilíngue aramaica e grega “Abba, Pai”. Jesus a emprega no Getsêmani ao dirigir-se a Deus Pai (Marcos 14:36), e ela reaparece em Romanos 8:15 e Gálatas 4:6. Em todas as ocorrências, o vocábulo aramaico é transliterado e seguido de seu equivalente grego.
O termo transmite conotação de intimidade, afeto e confiança familiar. A interpretação de que se trataria de uma forma carinhosa equivalente a “papai” é, porém, errônea (Barr, 1988; Chilton, 1993). O vocábulo também é reverente, podendo ser empregado por discípulos ao dirigirem-se a um mestre de alta estima, fora do círculo familiar.
Referências
BARR, James. Abba isn’t daddy. Journal of Theological Studies, Oxford, v. 39, p. 28-47, 1988.
CHILTON, Bruce. God as ‘Father’ in the Targumim, in non-canonical literatures of early Judaism and primitive Christianity, and in Matthew. In: CHARLESWORTH, James; EVANS, Craig (ed.). Pseudepigrapha and early biblical interpretation. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1993. p. 151-169. (Journal for the Study of the Pseudepigrapha Supplement Series, 14; Studies in Scripture in Early Judaism and Christianity, 2).
