Simul iustus et peccator

Em latim, “simultaneamente justo e pecador” descreve o paradoxo de como uma pessoa pode estar plenamente justificada diante de Deus e ainda assim enfrentar o pecado continuante. É um conceito desenvolvido principalmente na teologia luterana.

BASES BÍBLICAS

Os salmos penitenciais, os escritos paulino (Rm 6:18, 22) e joanino (1 Jo 3:9) afirmam que o justo não está sob o domínio do pecado, mas descrevem também a falibilidade humana.

Paulo descreve a existência humana como um conflito entre a vontade de fazer o bem e a incapacidade de realizá-lo (Rm 7:7-25), mas também como um conflito entre a vida antiga e a nova alcançada pela fé (Rm 6:1-4). Além disso, Paulo levanta a questão sobre as consequências dos efeitos contínuos do pecado sobre aqueles que já foram justificados, embora sem oferecer qualquer solução para esse conflito exceto a exclusão temporária do pecador da comunidade (1 Cor 5). Em Gálatas, é dito que o cristão ainda deve resistir aos “desejos da carne” que ainda permanecem na pessoa justificadoa (Gal. 5: 16-17). Na epístola de 1 João diz “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos” (1:8).

Várias tentativas teológicas e exegéticas foram feitas para contornar essa dificuldade. Uma tentativa, por exemplo, entendia que Paulo estava falando de si mesmo (Rm 7:17-19) e não dos crentes em geral. Outra interpretação entende que Paulo estava falando de sua vida pré-conversão em Romanos 7. Por fim, há exegetas que consideram Rm 7:14-25 seja não sobre a vida cristã, mas a vida sob a Lei.

SIMULTANEIDADE DE JUSTO E PECADOR NO PROTESTANTISMO

A teologia escolástica sustentava que o batismo lavava o pecado original, mas permaneceria uma inclinação para o pecado, a chamada “concupiscência”. Porém, os pecados só seriam imputados quando praticados, mas não a concupiscência em si uma pessoa seria julgada.

Lutero rejeitou essa associação de que pecado somente seria quando houvesse uma trangressão, considerando a concupiscência como o próprio pecado. O crente é ao mesmo tempo justo e pecador. Justo porque a graça é eficaz e o sacrifício de Cristo foi suficiente, pecador porque o ser humano na prática não tem a capacidade plena de viver em justiça. Assim, há uma existência dialética até glorificação.

Diante disso, duas perspectivas tentam explicar essa relação simultânea:

  1. O ser humano é totalmente pecador e totalmente justificado por Cristo.
  2. O ser humano é parcialmente pecador e parcialmente justificado.

Na teologia luterana, essa condição simultânea de pecador e justificado não é leniente com o pecado. Antes é o reconhecimento da necessidade da graça para se santificar. Essa mesma condição se estende à Igreja e é intimamente ligada à santificação e agência do Espírito Santo.

55 Tudo, portanto, na Igreja Cristã é ordenado para que não obtenhamos diariamente nada além do perdão dos pecados através da Palavra e dos sinais, para confortar e encorajar nossas consciências enquanto vivermos aqui. Assim, embora tenhamos pecados, a [graça do] Espírito Santo não permite que eles nos prejudiquem, porque estamos na Igreja Cristã, onde não há nada além de [contínuo, ininterrupto] perdão dos pecados, tanto em que Deus perdoa nós, e nisso perdoamos, suportamos e ajudamos uns aos outros.

56 Mas fora desta Igreja Cristã, onde não há Evangelho, não há perdão, como também não pode haver santidade [santificação]. Portanto, todos os que buscam e desejam merecer a santidade [santificação], não pelo Evangelho e perdão dos pecados, mas por suas obras, se expulsaram e se separaram [desta Igreja].

Catecismo Maior

A perspectiva luterana de “pecador e justificado” difere de outras perspectivas protestantes. Por exemplo, na tradição reformada esta fórmula seria resumida em “pecador ainda que justificado”. Na tradição wesleyana seria “pecador, porém já justificado”. No novo calvinismo seria “pecador instrisicamente, ainda que extrinsicamente (judicialmente) justificado”. Já na teologia folk do protestantismo persiste o “pecador ainda, depois justificado”, ou seja, a ideia de que o crente será sempre pecador até que seja vindicado no tribunal de Cristo. Bem ilustra essa posição o seguinte trecho:

Alguns anos atrás, no estudo bíblico, liderei uma discussão que, como cristãos, somos simul iustus et peccator. Os membros do estudos reconheceram pronta e sinceramente que eram pecadores. Mas o grupo lutou para se ver como santos e se recusava a se chamarem assim. Os santos, eles raciocinaram, eram puros, enquanto eram pecadores. Eles não conseguiam olhar além de seus pecados para ver a justiça de Cristo que é deles pela fé, a justiça pela qual eles são considerados santos. Ao confessar apenas metade da equação, eles demonstraram que não haviam internalizado o conceito de ser simul.

Moldenhauer, 2016

Dada a diversidade no pentecostalismo, bem como a utilização de diferentes origens teológicas por pentecostais, não há uma postura uniforme. No pentecotalismo da Obra Consumada ou do Evangelho Pleno há uma continuidade com o entendimento de Keswick. Como no luteranismo, a soteriologia de Keswick considera a simultânea a situação de justificado e pecador. Como considera a obra plena de salvação (justificação e santificação) consumada no calvário, a obra de salvação atua de forma que “uma vez justificado/santificado e uma vez pecador”. Essa postura pode ser explicada na seguinte maneira:

A abordagem em torno do movimento Keswick representa uma categoria própria, que não pode ser encaixada nas precedentes. Faz lembrar a primeira categoria pelo lugar central que atribui à pessoa de Cristo. E, no entanto, essa comparação falha assim que notamos o cristocentrismo de Keswick. Pois, não há movimento circular contínuo da lei para o evangelho, e mesmo o movimento único e vitalício da lei para o evangelho é ofuscado por uma passagem imediata da lei para o evangelho que exige que toda lembrança da lei e, junto com ela, uma mortificatio contínua seja descartada. Embora o Catecismo de Heidelberg tenha insistido que é importante tornar-se consciente da própria natureza pecaminosa por causa da salvação, e enquanto a Confissão de Westminster entende que a velha natureza enfraquece cada vez mais, Keswick insiste que a velha realidade do pecado não deve ser tomada muito a sério. Embora, por um lado, a teologia de Keswick não comece com o enfraquecimento da velha natureza e ainda reconheça plenamente a pecaminosidade dessa velha natureza, essa realidade deve, por outro lado, ser superada por nossa reivindicação de fé em nossa posição em Cristo. Em Keswick, a justificação e a santificação assumiram uma estrutura semelhante, de tal forma que o simul iustus et peccator de Lutero foi transformado em um simul sanctitus et peccator (‘uma vez santificado, uma vez pecador’).

van Vlastuin (2014, p. 152).

Tanto a conotação pneumatólogica de santificação do luteranismo e o entendimento de obra plena de salvação (justificação e santificação) no calvário do pentecostalismo apontam para uma soteriologia de revestimento do Espírito Santo. O ser humano é em Cristo morto para a velha natureza e caminha em novidade de vida. Nesse trajeto há simultaneamente a condição de justificado/santificado e pecador. Esse paradoxo é já remediado por um adiantamento (penhor) por obra do Espírito Santo. Pelo Espírito Santo vem o revestimento de poder para o crente a persistir nesse caminho, ainda que sob a égide desse paradoxo, em progressiva santificação até atingir a estatura de varão perfeito em Cristo.

BIBLIOGRAFIA

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Catecismo Maior. Credo dos Apóstolos, III, 55-56

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van Vlastuin, Willem. Be Renewed: A Theology of Personal Renewal. Reformed Historical Theology, vol. 26. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2014, p. 152.

Período Romano

Em termos de história e arqueologia bíblica, o período romano compreende de 64 a.C. a 324 d.C.

O Novo Testamento foi situado totalmente em espaço e período romanos. Entrentanto, a Bíblia não menciona especificamente o Império Romano, mas se refere a Roma, a capital (At 2:10; 18: 2; 19:21; 23:11; 28:14; 28:16; Rm 1: 7, 15; Gl 6:18; Ef 6:24; Fp 4:23; Cl 4:18; 2 Tm 1:17; 4:22; Fl 1:25) e aos imperadores como “César” (Mt 22:17, 21; Mc 12:14, 17; Lc 2: 1; 3: 1; 20:22, 25; 23: 2; Jo 19:12, 15; At 11:28; 17 : 7; 25: 8, 11, 12, 21; 26:32; 27:24; 28:19).

No ano 64 a.C. Pompeu venceu o helenista Império Selêucida, colocando os domínios dos Hasmoneus sob a influência romana como parte da província romana da Síria.

Otaviano Augusto César era filho adotivo de Júlio César, assassinado em 44 a.C. Primeiro imperador romano após derrotar Marco Antônio (que deu nome à Fortaleza Antônia em Jerusalém) e Cleópatra do Egit na batalha naval de Ácio em 31 a. C. Sua política de Pax Romana proporcionou prosperidade para o Império. Em seu reinado nasceu Jesus (Lc 2:1).

Nos turbulentos anos que antecederam o reinado de Augusto, Herodes, o Grande, ganhou as simpatias das lideranças romanas. Em sua política de construir cidades e prédios helenistas, Herodes construiu uma nova cidade portuária no local da Torre de Strato em c.21 a.C., nomeando-a Cesareia Marítima, em homenagem ao imperador.

De 4 a.C. a 6 d.C. a Judeia torna-se parte da Tetrarquia, uma das três províncias regionais autônomas na Síria Romana. Os conflitos sucessórios após a morte de Herodes levaram os romanos a diminuir o status da região como província procuratória (6-41 d.C.). Foi brevemente um reino novamente sob Herodes Agripa I (41-44 d.C.), novamente uma província (44-50), um reino (50-68) e, finalmente, uma província em guerra com o Império 66-74.

Nos séculos I a.C. e I d.C. o convívio com os dominadores não foi fácil. Resistência contra a tributação pesada, a presença de forças estrangeiras, o desprezo das autoridades pelos sentimentos religiosos tornavam o clima político constantemente tenso. Frequentemente revoltas explodiam. Em 70 d.C., o general romano Tito (filho do imperador Vespasiano) devastou Jerusalém.

Imperadores romanos

Sobreposição de datas indica corregência, reinado concorrente ou regional.

Dinastia Júlio-Claudiana
(Otaviano) Augusto César (27 aC-14 d.C.):  Lc 2:1.
Tibério (14-37): Lc 3:1-2.
Calígula (37-41)
Cláudio (41–54): At 11:27-30.
Nero (54-68): At 25:11. perseguição aos cristãos (?). Início da Primeira Guerra Romano-Judaica.
Ano dos quatro imperadores (68-69)
Galba (68–69); Oto (69); Vitélio (69)
Dinastia Flaviana
Vespasiano (69-79): destruição de Jerusalém.
Tito (79-81)
Domiciano (81-96)
Nerva (96-98)
Trajano (98-117)
Adriano (117-138): Guerra de Kitos (Segunda Guerra Romano-Judaica)
Antonino Pio (138-161): Revolta de Barcósiba (Terceira Guera Romano-Judaica)
Marco Aurélio (161-180): perseguição aos cristãos.
Lúcio Vero (161-169)
Cômodo (180-192)
Ano dos cinco imperadores (193)
Pertinax, Dídio Juliano, Pescênio Níger, Clódio Albino
Sétimo Severo (193-211)
Públio Sétimo Geta (209-211)
Caracala (198-217)
Marco Opélio Macrino (217-218)
Heliogábalo (218-222)
Severo Alexandre (222-235)
Dinastia Gordiana
Maximino I (235-238)
Gordiano I (238)
Gordiano II (238)
Pupieno e Balbino (238)
Gordiano III (238-244)
Quatro imperadores
Filipe, o Árabe (244-249)
Décio (249-251): perseguição aos cristãos.
Treboniano Galo (251-253): perseguição aos cristãos.
Emiliano (253)
Dinastia Valeriana
Valeriano I (253-260): perseguição aos cristãos.
Galiano (253-268
Declínio
Cláudio, o Gótico (268-270)
Quintilo (270)
Aureliano (270-275)
Tácito (275-276)
Floriano (276)
Probo (276-282)
Caro (282-283)
Numeriano (282-284)
Carino (282-285)
A tetrarquia de Diocleciano
Diocleciano (285-305): perseguição aos cristãos.
Maximiano (285-305)
Constâncio Cloro (305–306)
Galério (305-311)
Outros imperadores da tetrarquia
Flávio Severo (305-307)
Magêncio ou Maxêncio (306-312)
Maximino Daia ou Maximino II – 308-313)
Licínio (308-324)
Dinastia Constantiniana
Constantino, o Grande (306-337): Edito de Milão autoriza o culto cristão.
Constantino II (337-340)
Constante I (337-350)
Constâncio II (337-361)
Juliano, o Apóstata (360-363): perseguição aos cristãos.

Não dinástico
Joviano (363-364)
Dinastia Valentiniana
Valentiniano I (364-375)
Valente (364-378
Graciano (375-383 (378-379)
Valentiniano II (375-392)
Dinastia Teodosiana
Teodósio I (379-395)
Arcádio (395-408)
Honório (393–423)
Teodósio II (408-450): Edito de Tessalônica faz oficial no Império Romano o cristianismo niceno.
Valentiniano III (423–455)
Pulqueria (450-453)
Marciano (450-457)
Últimos imperadores do Império Romano do Ocidente
Petrônio Máximo (455)
Ávito (julho 455 – out 456)
Majoriano (457-461)
Líbio Severo (461-465)
Antêmio (467-472)
Flávio Olíbrio (472)
Glicério (473-474)
Júlio Nepos (474-480)
Rômulo Augusto (475-476)

Governadores romanos da Judeia

Copônio (6-8 ce)
M. Ambivius (9-12)
Annius Rufus (12-15)
Valerius Gratus (15-26)
Pôncio Pilatos (26-36)
Marcelo (36-37)
Marullus (37-41) 2
Cuspius Fadus (44-46)
Tibério Júlio Alexandre (46-48)
Ventidius Cumanus (48-52)
M. Antonius Felix (52-60?)
Pórcio Festo (60? –62)
Clodius Albinus (62-64)
Gessius Florus (64-66)

Sara

Sara, em hebraico שָׂרָ֖ה, grego Σαρρα, a primeira das quatro matriarcas hebraicas, esposa de Abraão. Sua história aparece primariamente no Ciclo de Abraão (Gn 11:26-25:12) em Gênesis.

O nome Sarai, e sua variante Sara, significa “princesa” ou “dama”. Possivelmente é cognato do acadiano Sharratu, o nome da esposa do deus da lua Sin.

De origem provavelmente mesopotâmica, acompanhou o marido em suas peregrinações para Canaã e Egito. (Gn 11:29-31; 12:5). Chamada de irmã de Abraão (Gn 12:10-20; 20:1-18) em incidências quando ela foi tomada por governantes contra sua vontade.

Por um longo período, Sara não teve filhos (Gn 11:29-30). Depois que sua serva Agar deu à luz Ismael (Gn 16:1-6; 21:9-14), Deus disse a Abraão, cujo nome até então era Abrão, para mudar o nome de “Sarai” para “Sara” (Gn 17:15). E anunciou que ela viria a ser mãe de um filho.

No nascimento de seu filho, Isaque (que significa risos ou gargalhadas) teria dito “Deus me fez rir, para que todos os que ouvem riam de mim” (Gn 21:1-7).

A morte de Sara é registrada com brevidade. Teria morrido em Quiriate-arba ou Hebrom à idade de 127 anos. Foi enterrada por Abraão na caverna de Macpela (Gn 23; 25:10; 24:67).

Nenhuma outra referência a Sara aparece nas Escrituras Hebraicas, exceto em Is 51:2. Lá, o profeta apela “Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz; porque, sendo ele só, eu o chamei, e o abençoei, e o multipliquei”.

No Novo Testamento Sara aparece no elenco dos heróis da fé de Hebreus 11: “Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido” (Hb 11:11). Paulo faz menções a ela (Rm 4:19; 9:9; Gl 4:21), utilizando-a como um tipo, principalmente em contraste com Agar.

Sara aparece citada em 1 Pe 3:6 como exemplo de obediência. Entretanto, não há parte em Gênesis em que Sara chama-o de Senhor, exceto Gn 18:12, onde não se refere a obediência. Ademais, Abraão é retratado obedecendo as vontades de Sara (Gn 16:2, 6; 21:12). Josefo (Contra Apião 2.25) e Filo (Hypothetica 7.3) retratam Sara como exemplo obediência, revelando ser esse o entendimento do século I d.C.

BIBLIOGRAFIA

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VER TAMBÉM

Tabuletas de Nuzi

Epístola aos Romanos

Paulo apresenta à igreja em Roma a doutrina que prega: que na justificação pela fé a confiança em Cristo Jesus seria suficiente para a salvação (10:9) do povo de Deus, a qual ocorre sem depender de adesão às normas ou de pertencimento a grupo religioso.

UM PANORAMA DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS

A mais teologicamente complexa epístola de Paulo revela um desacordo entre cristãos judeus e gentios que ameaçavam a unidade da igreja. O imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma (At 18:2) em alguma data entre 41 e 53 d.C. Com o retorno dos judeus, a Igreja em Roma passava agora contar com uma parte gentia mais estabelecida e um influxo migrante de cristãos judeus.

Essas diferenças teriam levado às tensões entre os dois grupos quanto às práticas cultuais e requisitos de salvação, tais como a observância da circuncisão e das restrições alimentares. A questão subjacente nessa tensão entre os dois grupos seria “o que é ser justo diante de Deus”?

A questão já havia sido tratada por Paulo na epístola aos Gálatas. Paulo, que na ocasião não tinha ainda estado em Roma, apresenta seu evangelho: ser justo diante de Deus não depende de adesão às normas rituais ou pertencimento a grupos. Isso porque a justiça para Deus foi obtida pela obra de Cristo.

Como é Deus quem proporciona essa justiça, Paulo defende a tolerância às diferença, especialmente aos “fracos” (15:1) que se apegavam às normas judaicas como segurança para salvação. Assim, deixando o cumprimento dessas normas à liberdade de consciência, cristãos judeus e gentios viveriam unidos pela fidelidade/confiança (pistis) comum em Jesus. Essa reconciliação proporcionada em Cristo Jesus implica em considerar uns aos outros fraternalmente.

A epístola serve de carta de apresentação de Paulo e de sua mensagem. Sendo a Igreja na cidade central do império, era importante o apoio dela para sua missão. Escrita durante sua estada em Corinto (c.57-58 d.C.), Paulo se hospedava na casa de Gaio (Rm 16:23) e empregou o trabalho de um redator ou amanuense, Tércio (Rm 16:22). De lá a carta seria levada pela diaconisa Febe (Rm 16:1).

A epístola aos Romanos constitui o mais detalhado tratamento da relação entre Israel e a Igreja no Novo Testamento. Também revela o caráter proeminente das mulheres na Igreja em Roma.

ESBOÇO ESTRUTURADO

  1. Introdução (1:1-17).
  2. Israel e os gentios compartilham a esperança de salvação (1:18-8:37)
    1. Condenação comum de Israel e dos gentios (1:18-3:19)
    2. Justificação em Cristo serve tanto a Israel quanto aos gentios (3:20-5:21)
    3. Santificação (6:1-7:25)
    4. Glorificação (8:1-37).
  3. O povo de Israel na obra de Jesus Cristo (9:1-11:32).
  4. Doxologia (11:33-36) – transição
  5. Efeitos da justiça de Deus na vida cotidiana dos crentes (12:1-15:13).
    1. A vida em Cristo é o sacrifício requerido (12)
    2. O amor recíproco (13)
    3. A coexistência tolerante (14)
  6. Conclusão
    1. Planos de viagem (15:14-29)
    2. Conclusão (15:30-33)
    3. Pós-escrito com recomendações, saudações, advertência contra falsos mestres (16:1-23)
    4. Encerramento (16:25-27).

BIBLIOGRAFIA

Barth, Karl. Carta aos Romanos. Fonte Editorial, 2019.

Haldane, Robert. Epistle to the Romans. London: The Banner of Truth, 1847.

Keener, Craig. Comentário de Romanos. Reflexão, 2019.

Stott, John. A mensagem de Romanos. ABU/Ultimato, 2007.