Martírio de Policarpo

O Martírio de Policarpo (Martyrium Polycarpi) é o mais antigo relato de martírio dos cristãos primitivos.

Policarpo, bispo de Esmirna de 86 anos, teria sido executado por volta de 155-160 d.C.

Durante a execução de um grupo de cristãos no circo, a turba exigiu que Policarpo fosse executado. O bispo enfrentou seus algozes com calma e gentileza, mas se recusou a sacrificar a César.

Na arena, o governador exortou-o a jurar a César e dizer “abaixo os ateus” (como o governador se referia aos cristãos). Policarpo olhou para a multidão, acenou com a mão e disse: “abaixo os ateus!”

“Você renuncia a Cristo”, instou o governador, mas Policarpo respondeu: “Por 86 anos o servi, como poderia caluniar meu rei e salvador?”

Policarpo foi acorrentado à estaca para ser queimado vivo. Como o fogo não parecia afetar Policarpo, também foi esfaqueado.

O relato foi preparado pela igreja de Policarpo em Esmirna a pedido da igreja de Filomélio, a 200 km de distância. Trata-se de um testemunho anônimo em forma de carta.

Quadrato

Quadrato de Atenas (- 129 d.C.) foi bispo de Atenas e um autor patrístico.

Pouco sabe sobre ele e o que nos chegou ao presente são fragmentos. Segundo Eusébio Quadrato teria sido discípulo dos apóstolos, eleito bispo após o martírio de seu predecessor Públio.

Escreveu Apologia, que aparentemente foi lida ao imperador Adriano para convencê-lo a simpatizar com os cristãos.

Baquiário

Baquiário (Bachiarius monachus) foi um monge itinerante que viveu entre o final do século IV e possivelmente falecido em 425. Algumas fontes indicam que ele poderia ter sido irlandês e discípulo de São Patrício, embora haja a hipótese de que tenha origem galega. É o primeiro monge conhecido pelo nome na história do cristianismo ocidental.

Junto à monja Egeria, é considerado um dos primeiros monásticos a estabelecer laços religiosos e culturais entre o Ocidente, a África e o Oriente Médio. Sua atuação e correspondência permitiram o intercâmbio de ideias entre essas regiões, num período em que o cristianismo ainda consolidava sua presença e identidade.

Entre as obras atribuídas a Baquiário estão a Epistula ad Ianuarium, também conhecida como De reparatione lapsi, e o Libellus de fide, ambos conservados no tomo XV da España Sagrada do padre Enrique Flórez. A Epistula ad Ianuarium é uma carta teológica onde Baquiário discute a recuperação espiritual daqueles que cometeram erros, um tema de grande importância para a prática ascética e a penitência da época. Já o Libellus de fide é um tratado breve sobre a fé, refletindo sua visão sobre doutrina e vida monástica.

Epístola de Policarpo aos filipenses

A epístola de Policarpo aos filipenses é uma carta aconselhando a Igreja em Filipos sobre um debate acerca de um presbítero. Associa sã doutrina com conduta reta.

Seu autor foi Policarpo, bispo de Esmirna que morreu como mártir nos meados do século II.

É possível datá-la entre 110 e 140 d.C.

Atesta a circulação de escritos paulinos. Por exemplo Policarpo cita Epístolas Pastorais Paulinas. Primeiro Timóteo 6:10 e 6:7 aparecem em Pol. Fil. 4.1. Segundo Timótemo. 4:10 aparece em Pol. Fil. 9.2.

Literatura Pseudoclementina

Literatura pseudoepígrafa (falsamente atribuída) ao presbítero romano Clemente (?-97?).

A literatura consiste em uma coleção de duas epístolas, as Homilias, pregações supostamente de Pedro, e os Reconhecimentos (Anagnorismoi, Reconsiderções) e os epítomes, fragmentos de dizeres.

As Homílias e os Reconhecimentos são derivados de um único original grego, provavelmente do século III, ou ainda do século II d.C. Teria sido citado duas vezes por Orígenes, embora tais citações poderiam ser interpolações de copistas posteriores Reconhecimentos, 1.27–71 teve uma possível fonte judaico-cristã, datada de c. 100–15 EC, em algum lugar na terra tradicional de Israel. Em sua forma atual, as Homilias datam de 325 a 380, e os Reconhecimentos de 360 a 380.

Os Reconhecimentos contém relatos das leis de diferentes nações, que seguem de perto o texto do “Livro da Lei dos Países”, incorporando os ensinamentos de Bardesanes, provavelmente escritos por um de seus discípulos.

As Homilias é um romance filosófico com 20 discursos proferidos por Clemente em Roma e dirigidos a Tiago, irmão de Jesus, em Jerusalém. Há também duas epístolas a Tiago, uma de Pedro e outra de Clemente. Na parte narrativa, Clemente é orientado por Barnabé e encontra Pedro em Cesareia. Clemente acompanha Pedro em suas viagens missionárias e testemunha o encontro com Simão, o Mago. Há conteúdo associado com o judaísmo e com os samaritanos.

Os Reconhecimentos provavelmente representam uma versão um tanto catolizada das Homilias traduzidas para o latim por Rufino no século IV (também existem epítomas posteriores).

Na literatura clementina Tiago, irmão do Senhor, aparece como “bispo dos bispos”. Até mesmo Pedro é retratado como pedindo aprovação de Tiago para que somente ministros qualificados leiam as Escrituras nos cultos. No entanto, também é uma das primeiras alusões a uma sucessão petrina em Roma.

BIBLIOGRAFIA

Bourgel, Jonathan. “The Holders of the “Word of Truth”: The Pharisees in Pseudo-Clementine Recognitions 1.27–71.” Journal of Early Christian Studies 25, no. 2 (2017): 171-200.

Cullmann, Oscar. Le problème littéraire et historique du roman pseudo-clémentin, Paris, 1930.

De Vos, Benjamin. “‘The Pseudo-Clementine Novel” : A Clash between Judeo-Christianity and Paganism for the ‘True Paideia’ (the Influence and Role of Greek Rhetorical Education).” 2018.

Frizzell, Lawrence. “An Ancient Jewish-Christian Source on the History of Christianity: Pseudo-Clementine Recognitions 1. 27-71 (review).” Journal of Early Christian Studies 5, no. 2 (1997): 288-89.

Touati, Charlotte. “Peter and Simon in the Pseudo-Clementine Novel.” Revue De L’histoire Des Religions 125, no. 1 (2008): 53-74.