Período Persa

O período persa foi a época entre 539 a.C. e 330 a.C. quando os persas dominavam em todo o Oriente Próximo. É também chamado de período aquemênida devido o nome da dinastia.

Os persas são um povo indoeuropeu e começaram seu império com a conquista do reino da Média, igualmente de origem iraniana, por Ciro II por volta de 550 a.C. Os persas conquistaram a Babilônia em 539 a.C e ganharam os territórios do antigo império Caldeu. A data convencionada para seu fim é 330 a.C com a morte de Dario III e a conquista de Alexandre da Macedônia.

Em sua maior extensão, o Império Persa se estendia da Líbia na África, do rio Danúbio na Europa até o rio Indo e Sogdiana, na Índia. O sátrapa (governador persa) de Eberi-Nari administrava a região além do Eufrantes (ou o sudoeste do rio Eufrates do ponto de vista persa), compreendendo a Síria, a Fenícia, a Transjordânia, Judá e Samaria. O governo persa criou várias instituições burocráticas, como correios permanentes. Pela política de dar autonomia aos povos conquistados, valorizavam a autogestão, o que acarretou no renovo de instituições literárias e religiosas dos judeus. A língua aramaica passou a ser adotada largamente por todo o Antigo Oriente Próximo, substituíndo o acadiano como língua literária e franca.

Nesse período, os israelitas tiveram a permissão de retornarem e reconstruírem suas instituições na terra de Judá (Yehud era o nome persa para a região), embora muitos continuaram a viver na Diáspora. Todo caso, seria o fim do exílio na Babilônia. O Segundo Templo foi construído em Jerusalém e outros pelo império persa. A guarnição judaica em Elefantina no Egito constitui uma fonte histórica importante para esse período.

Vários textos bíblicos estão situados nesse período, como Ageu, Zacarias, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester e Daniel. Adicionalmente, vários outros textos bíblicos passaram por substanciais edições nessa época.

CRONOLOGIA DO PERÍODO PERSA

538: Fim do exílio babilônico. Governo de Ciro II (550-530).
530-522: governo de Cambises II. Conquista do Egito e Jerusalém.
524-522: Zorobabel e o sumo-sacerdote Josué retornam a Jerusalém.
522: Governo de Smerdis.
533-486: Governo de Dário I.
515: Reconstrução do Templo.
485-465: Governo de Xerxes I.
480: Batalha de Salamina.
465-424: Governo de Ataxerxes I.
458: possível data do retorno de Esdras a Jerusalém (se sob Artaxerxes I).
c445-430: Neemias governador em Jerusalém (c445-430) A
450-400: Apogeu das colônias fenícias no Mediterrâneo e o papiro se populariza por todo o Mediterrâneo. Comércio tírio em Jerusalém (Ne 8:6), com um mercado escravo (Joel 3:6). Início da helenização, evidenciado pelo sarcófago do sátrapa em Sidom e pela colônia grega de Dor. Início de cunhagem de moedas em Yehud.
448-447: Revolta de Mebayzus.
424-423: Governo de Xerxes II.
424-423: Governo de Sogiano.
423-404: Governo de Dário II.
419: Dário II envia uma carta à guarnição judia de Elefantina, a mais antiga menção extrabíblica da páscoa.
404-358: Governo de Artarxerxes II.
398: possível retorno de Esdras a Jerusalém (se sob Artaxerxes II). Morte de Sócrates.
358-338: Governo de Artaxerxes III.
338-336: Governo de Artaxerxes IV.
336-330: Governo de Dário III.

BIBLIOGRAFIA

Briant, Pierre. From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire. Tradução de Peter T. Daniels. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2002.

Lipschits, Oded, Gary N. Knoppers, and Manfred Oeming, eds. Judah and the Judeans in the Achaemenid Period: Negotiating identity in an international context. Penn State Press, 2011.

Terra, Kenner. Judaísmo Antigo e Período Persa. Editora Recriar, 2021.

Magos

Em Mateus 2 relata que um grupo de homens do oriente — magoi — viajou para prestar adoração ao menino Jesus quando nasceu.

Gentios, apesar de utilizaram as estrelas como referências (Mt 2:28), desconheciam as profecias das Escrituras Hebraicas sobre o local do nascimento do Messias (Mt 2:2-6).

Mais tarde, tradições populares passram a contá-los em três e a atribuir o título de reis, em uma inferência do número de presentes (Mt 2:11) e aos reis que contemplariam a luz de Deus (Is 60:3).

TERMO

“Homens sábios” é uma tradução imprecisa. A origem do termo mago vem do antigo persa magu– (transmitido ao elamita, aramaico e caldeu maguš, grego mágos μάγος, latim magus) para a designação do sacerdotes dos iranianos nos períodos mediano, aquemênida, parta e sassânida. Sua primeira menção está na inscrição de Bisutum de Dario I, o Grande. A partir do século IV a.C., o uso do termo mago tornou-se ambíguo com a conotação desdenhosa para designar conjuradores, feiticeiros e adivinhos. Já durante os períodos parta e sassânida, esse termo foi usado para os sacerdotes zoroastrianos.

De acordo com Heródoto (Histórias 1.101), os magos seriam uma das seis tribos medas e formaram o clã sacerdotal hereditário, com membros influentes na corte como intérpretes e adivinhos de sonhos (1.107). Para os autores gregos e romanos os magos tinham funções rituais conectadas com astrologia e magia, daí o termo mágica e magia. Há também uma confusão das palavras “magos” e “caldeus” na literatura grega, sendo-as atribuídas tanto aos sacerdotes babilônios e quanto aos magos iranianos.

As porções preservadas da Avesta, no entanto, não contêm referências indiscutíveis aos magos, além de empregar o termo āθravan- para os sacerdotes. No entanto, os ensinos de Zoroastro tornaram-se conhecidos dos gregos e romanos principalmente durante o período helenístico como a religião dos magos. No Ocidente fora das fronteiras dos impérios persas havia adeptos na Ásia Menor e no Egito.

RECEPÇÃO DO PERÍCOPE DOS MAGOS DE MATEUS

Várias reinterpretações da passagem dos magos ocorreram nos primeiros séculos do cristianismo na bacia do Mediterrâneo, talvez pelo embaraço de sua associação ou com o concorrente império persa ou com as práticas divinatórias caldeias. Dentre os principais documentos a referirem-se a essa passagem de Mateus estão:

  1. Protevangelho de Tiago: simplifica e reconta a passagem sob o gênero de literatura parabíblica.
  2. Justin Mártir; chama os magos de “árabes” e os associa a uma profecia de Isaías 8:4,
  3. Irineu de Lyon: contrapõe a estrela de Balaão com o discernimento tido pelos magos (Haer. 3.9 , 16; Epid. 58).
  4. Tertuliano: denunciou as práticas de magia e sugeriu que os magos fossem reis (Idol. 9.3).
  5. Orígenes: interpreta os magos de Mateus pela profecia de Balaão (Nm 23).
  6. Hipólito: empregou os magos ‘caldeus’ de Mateus para interpretar Daniel (Dan. 2; Danielem 1.8-9, 2.1-9).
  7. Há uma tradição de que As Profecias de Hystapes, obra perdida dos meados do século IV a.C., supostamente teria profecias messiânicas, as quais os magos esperavam e a viram cumpridas no nascimento de Cristo. Posteriormente, vários autores cristãos citaram tal obra.

SIMÃO MAGO

O praticante de magia entre os samaritanos convertidos que se chamava Simão em Atos 8:9, 11 é tradicionalmente referido como Simão Mago, entretanto, o contexto indica o uso genérico do termo, sem conexão com os magoi persas.

BIBLIOGRAFIA
Alves, Leonardo M. Zoroastrismo: o louvor ao Bem. Ensaios e Notas, 2018.

Dandamayev, M. A. Magi. Encyclopaedia Iranica, 2012.

Pérsia

Os persas são um povo indoeuropeu do planalto do Irã. Inicialmente várias tribos pastoralistas uniram-se aos medos, um povo aparentado, para formar um império no século VI a.C.

O Império Persa surgiu com as vitórias de Ciro, o Grande, quando os medos e os babilônios foram conquistados. O império durou até as conquistas de Alexandre, o Grande (ca. 330 aC). Os persas permitiram o retorno dos exilados judeus na Babilônia e a reconstrução da vida religiosa e nacional com certa autonomia. No auge, o império persa se estendia do Danúbio na Europa à Índia, da Ásia Central até o sul do Egito.

Nessa fase, também chamado de período aquemênida, pelo nome da dinastia, surgiu a religião persa monoteísta, o zoroastrismo. Ela crê em um deus supremo, no céu e inferno, na existência de seres espirituais bons e maus (anjos e demônios), um estado prístino de natureza, na contaminação da Terra pelo Mal, na vinda de um messias, na batalha final entre o Bem e o Mal, na ressurreição, no dia de julgamento, na restauração da vida no Paraíso (uma palavra persa, por sinal).

Os cristãos do século II viram no zoroastrismo um predecessor de Jesus Cristo. Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Lactâncio e a Teosofia de Aristócrito mencionam as profecias de Hysthapes ou Oráculos de Vishtapas no qual teriam sido predito a vinda de Cristo, cujos sinais os magos interpretaram. No século XIII, o escritor cristão siríaco Salomão de Basra em seu Livro da Abelha 37 meciona certo livro chamado A profecia de Zaradosht concernente nosso Senhor. Nele, Zoroastro é identificado com Baruque, o escriba do profeta bíblico Jeremias e Vishtapas teria sido o pai de Dário. A profecia endereçada aos discípulos de Zoroastro — o rei Hystapes, Sasan e Mahamad — teria previsto o nascimento virginal, cruxificação, descida ao lugar dos mortos, ressurreição, ascenção e segunda vinda de Jesus Cristo.