Kerygma Petri

A Pregação de Pedro (Kerygma Petri, sigla KP) consiste em fragmentos citados por Clemente e Orígenes. Seria uma coleção de ensinos de Pedro, coletadas no Egito no início do século II.

Clemente cita KP como legítima, mas Orígenes não.

Apresenta similaridades temáticas com Atos e os Escritos Paulinos, mas com um teor transicional entre a pregação missionária inicial e a apologética comum a partir do século II.

Não deve ser confundido com outras literaturas apócrifas e pseudopígrafas atribuídas a Pedro: evangelho de Pedro, Apocalipse de Pedro e Kerygmata Petrou, as homílias petrinas na Literatura Pseudoclementina.

Epístola de Barnabé

A epístola de Barnabé é um tratado escrito do início do século II d.C. sobre como relacionar a vontade de Deus a partir de Cristo e discorre sobre a relação de Deus com os judeus.

Mais tarde falsamente atribuído (pseudoepígrafa) a Barnabé, companheiro de Paulo, emprega uma interpretação alegórica do Antigo Testamento, o qual apontaria para Cristo.

Há um tom antijudaico. As leis mosaicas nunca deveriam ter ser guardadas literalmente. Israel teria perdido sua aliança com Deus porque entendeu mal as leis, cometeu idolatria e ainda a desobedeceu.

A morte de Cristo na cruz teria sido um sacrifício que cumpre um plano traçado no Antigo Testamento. Somente os cristãos entendem o verdadeiro significado das Escrituras, sendo os herdeiros verdadeiros e pretendidos da aliança de Deus. Enfatiza a natureza urgente da tempo presente e a necessidade de os cristãos perseverarem e viverem corretamente para experimentar a salvação.

O autor emprega 1 Enoque, Sabedoria de Salomão, 4 Esdras, além de vários escritos desconhecidos como Escrituras. Aparece como canônico em Clemente de Alexandria e no Codex Sinaiticus.

É provável que tenha sido escrito em Alexandria, entre a destruição e reconstrução de Jerusalém, ou seja, entre 70 e 135 d.C.

BIBLIOGRAFIA

Foster, Paul. “Commentary on the Epistle of Barnabas.” Expository times 134, no. 1 (2022): 21-23. 

Rhodes, James N. “The Two Ways Tradition in the “Epistle of Barnabas”: Revisiting an Old Question.” The Catholic Biblical Quarterly 73, no. 4 (2011): 797-816.

Smith, Julien C.H. “The Epistle of Barnabas and the Two Ways of Teaching Authority.” Vigiliae Christianae 68, no. 5 (2014): 465-97.

Literatura Pseudoclementina

Literatura pseudoepígrafa (falsamente atribuída) ao presbítero romano Clemente (?-97?).

A literatura consiste em uma coleção de duas epístolas, as Homilias, pregações supostamente de Pedro, e os Reconhecimentos (Anagnorismoi, Reconsiderções) e os epítomes, fragmentos de dizeres.

As Homílias e os Reconhecimentos são derivados de um único original grego, provavelmente do século III, ou ainda do século II d.C. Teria sido citado duas vezes por Orígenes, embora tais citações poderiam ser interpolações de copistas posteriores Reconhecimentos, 1.27–71 teve uma possível fonte judaico-cristã, datada de c. 100–15 EC, em algum lugar na terra tradicional de Israel. Em sua forma atual, as Homilias datam de 325 a 380, e os Reconhecimentos de 360 a 380.

Os Reconhecimentos contém relatos das leis de diferentes nações, que seguem de perto o texto do “Livro da Lei dos Países”, incorporando os ensinamentos de Bardesanes, provavelmente escritos por um de seus discípulos.

As Homilias é um romance filosófico com 20 discursos proferidos por Clemente em Roma e dirigidos a Tiago, irmão de Jesus, em Jerusalém. Há também duas epístolas a Tiago, uma de Pedro e outra de Clemente. Na parte narrativa, Clemente é orientado por Barnabé e encontra Pedro em Cesareia. Clemente acompanha Pedro em suas viagens missionárias e testemunha o encontro com Simão, o Mago. Há conteúdo associado com o judaísmo e com os samaritanos.

Os Reconhecimentos provavelmente representam uma versão um tanto catolizada das Homilias traduzidas para o latim por Rufino no século IV (também existem epítomas posteriores).

Na literatura clementina Tiago, irmão do Senhor, aparece como “bispo dos bispos”. Até mesmo Pedro é retratado como pedindo aprovação de Tiago para que somente ministros qualificados leiam as Escrituras nos cultos. No entanto, também é uma das primeiras alusões a uma sucessão petrina em Roma.

BIBLIOGRAFIA

Bourgel, Jonathan. “The Holders of the “Word of Truth”: The Pharisees in Pseudo-Clementine Recognitions 1.27–71.” Journal of Early Christian Studies 25, no. 2 (2017): 171-200.

Cullmann, Oscar. Le problème littéraire et historique du roman pseudo-clémentin, Paris, 1930.

De Vos, Benjamin. “‘The Pseudo-Clementine Novel” : A Clash between Judeo-Christianity and Paganism for the ‘True Paideia’ (the Influence and Role of Greek Rhetorical Education).” 2018.

Frizzell, Lawrence. “An Ancient Jewish-Christian Source on the History of Christianity: Pseudo-Clementine Recognitions 1. 27-71 (review).” Journal of Early Christian Studies 5, no. 2 (1997): 288-89.

Touati, Charlotte. “Peter and Simon in the Pseudo-Clementine Novel.” Revue De L’histoire Des Religions 125, no. 1 (2008): 53-74.

Epístolas de Inácio

Inácio de Antioquia (?35-117?) teria sido o segundo ou talvez o terceiro bispo de Antioquia na Síria.

Intimado a comparecer e ser executado em Roma, durante sua jornada teria escrito cartas a igrejas e conhecidos cristãos. Muito pouco se sabe sobre ele além das informações contidas nas cartas. Um total de quinze cartas foram supostamente escritas por Inácio, mas somente sete poderiam conter material legítimo. Mesmo assim, essas sete cartas existem em recensões curtas e em versões maiores, indicando que houve interpolações acrescidas durante a transmissão textual.

As sete epístolas seriam destinadas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Tralles, Roma, Filadélfia e Esmirna. A última seria destinada a Policarpo, o bispo de Esmirna, o responsável pela difusão do conjunto.

Contém advertências contra falsos ensinos e apelos à unidade. O autor encoraja a continuarem na caminhada cristã, reconhecerem a autoridade dos bispos e a manter-se longe da heresia.

Outra obra da córpora ignaciana é o Martyrium Ignatii. Sobrevive em manuscritos tardios. Relata os eventos da morte de Inácio. A autoria reivindicada é de um diácono de Tarso.

Segundo Clemente

2 Clemente é um breve sermão sobre Is 54:1. É uma obra anônima, dos meados do século II d.C.

Uma tradição posterior atribui esse documento a Clemente de Roma. Encoraja os cristãos à perseverança e arrependimento para que possam desfrutar da vida eterna na ressurreição.