A eucaristia, derivada do grego eucharistia (ação de graças), refere-se à celebração da Última Ceia de Jesus, onde pão e vinho simbolizam seu corpo e sangue oferecidos pelo perdão dos pecados. Praticada inicialmente como parte da festa ágape, uma refeição comunitária dos primeiros cristãos, tornou-se um rito separado à medida que a Igreja crescia. Entre os séculos II e IV, a eucaristia foi formalizada com orações e liturgia, consolidando-se como um elemento central do culto cristão e meio de participação no sacrifício de Cristo.
Tag: santa ceia
Ordenanças
As ordenanças são práticas ritualísticas de obediência ao evangelho estabelecidas por Jesus Cristo durante Seu ministério terreno. São tradicionalmente compreendidas como o batismo em água e a Santa Ceia do Senhor. Em algumas tradições teológicas, as ordenanças são vistas como alternativas ou sinônimos dos meios de graça ou dos sacramentos, embora com implicações teológicas distintas.
Natureza e Propósito
As ordenanças são geralmente interpretadas como atos simbólicos que demonstram a fé do participante e sua aliança com Deus. Diferentemente de perspectivas sacramentais, que frequentemente atribuem uma eficácia espiritual direta a esses rituais, a compreensão das ordenanças nas tradições protestantes enfatiza seu caráter representativo e memorial, sem eficácia ex opere operato.
Meios de Graça
O conceito de meios de graça, próximo das ordenanças em certas tradições, refere-se aos instrumentos pelos quais os cristãos experimentam a atuação do Espírito Santo em suas vidas. Os meios de graça abrangem práticas como a pregação da Palavra, oração e os sacramentos. Na teologia reformada e luterana, o batismo e a Ceia do Senhor são considerados meios principais de graça, enquanto o metodismo, influenciado por John Wesley, inclui uma ampla gama de práticas individuais e comunitárias como meios de graça, como obras de piedade e misericórdia.
Ordenança versus Sacramento
O termo sacramento deriva do latim sacramentum, originalmente um juramento de fidelidade. Na teologia cristã, os sacramentos são compreendidos como rituais visíveis que manifestam a graça divina de forma tangível. Por outro lado, as tradições que preferem o termo “ordenança” destacam o caráter simbólico e memorial dos rituais. A escolha entre sacramento e ordenança frequentemente reflete divergências teológicas sobre o papel desses atos na vida cristã.
Enquanto a perspectiva sacramental atribui uma eficácia espiritual intrínseca aos rituais, a visão das ordenanças sublinha a resposta humana em fé e obediência. Contudo, ambas as abordagens reconhecem o papel central desses rituais na vida comunitária e espiritual dos cristãos.
Adeipnonismo
O adeipnonismo é uma posição que não considera a celebração dos sacramentos ou ordenanças como vinculante ou normativa para o presente. Em sentido estrito, a posição adeipnonista é um entendimento sobre a não celebração da Santa Ceia.
Os exemplos mais conhecidos de aderentes ao adeipnonismo são os Quakers e Exército de Salvação.
Os entendimentos para não celebração variam desde interpretações dos sacramentos como metáforas, espiritualização, compromisso somente para o período apostólico, ausência de um clero qualificado para oficiá-los, dentre outros.
Os principais grupos não sacramentais são os seguintes:
- Abecedarianos
- Ambrosianos
- Christ’s Sanctified Holy Church
- Collegiant
- Doukhbors
- Erik-jansarna
- Exército de Salvação
- Gichtlianos
- Gospel Assemblies
- Inspirationists
- Iveland-sekten
- Labadistas
- Molokans
- Nichollists
- Mukyōkai
- Ranters
- Religious Society of Friends – Quakers
- Rogerenes
- Schwenkenfelders
- Seekers
- Shakers
- Vários grupos chamados de “Antinominianos”
- White Quakers of Dublin
Azimitas
Azimitas era a designação nome dada à cristandade ocidental a época do cisma de 1054, devido o uso de pães ázimos na Eucaristia no rito latino.
Melito de Sardes
Melito de Sardes ou Militão de Sardes (?-180 d.C.) foi bispo de Sardes, na Anatólia, e escritor patrístico da era dos apologistas.
Sua obra foi quase toda perdida, mas é citada por Jerônimo (via Tertuliano), Polícrates de Éfeso (citado por Eusébio) Clememente de Alexandria, Orígenes e Eusébio.
Fora os fragmentos, duas obras suas foram redescobertas. Educado na retórica, é possível que teve educação estoica e utilizou suas habilidades para a apologética. Escreveu uma Apologia do Cristianismo para Marco Aurélio. Judeu de nascimento e parte da comunidade judaico-cristã, envolveu-se na discussão da data da Páscoa em seu Peri Pascha. Nessa obra defendia que fosse celebrada a páscoa a 14 de Nisan (Quartodecimanismo), pois a Antiga Aliança teria sido cumprida em Cristo. Aparentemente, seguia uma cronologia joanina e associa Cristo com a tipologia de cordeiro pascal.
Na Apologia a Marco Aurélio, Melito descreve o Cristianismo como uma filosofia que se originou entre os bárbaros, mas floriu sob o Império Romano. Pede ao imperador que repense as acusações contra os cristãos. Reclama da perseguição, com os cristãos abertamente roubados e saqueados por aqueles que se aproveitam das ordenanças imperiais.
A cristologia de Melito enfatiza que Cristo é ao mesmo tempo Deus e um homem perfeito.
Fez a primeira investigação registrada acerca do cânon, sua composição e ordem dos livros. Para tal, viajou às igrejas antigas. Esteve na biblioteca cristã de Cesaria Marítima. Seu cânon do Antigo Testamento é similar ao cânon hebraico, mas sem Ester e talvez incluísse o Livro da Sabedoria. O termo cânon ou cânone para referir-se aos livros aceitos pela Igreja é de sua lavra.
Foi pioneiro na associação entre psicologia e cristianismo, tendo escrito um livro sobre tema, ora perdido.
BIBLIOGRAFIA
Cohick, Lynn H. The Peri Pascha Attributed to Melito of Sardis. Providence: Brown Judaic Studies, 2000.
