Filocalia

Filocalia ou Filocália (em grego: φιλοκαλία, “amor ao belo, ao bom”) é uma antologia de textos monásticos da Igreja Ortodoxa Grega escritos entre os séculos IV e XV. A primeira edição foi publicada em Veneza em 1782; uma segunda edição em Atenas em 1893 popularizou o texto. Há oura recensão eslava além da edição grega.

São textos meditativos e espirituais de vários escritores místicos. Monges, eremitas, orações, poemas e meditações dos primeiros séculos do cristianismo. Alguns autores são João Crisóstomo, Macário e Nicéforo e outros autores patrísticos.

O teor varia entre uma contemplação mística a um manual na luta contra o ma e as tendências negativas pecaminosas.

É a principal fonte da teologia vivida do cristianismo ortodoxo grego. Ao contrário da sistematização teológica desenvolvida a partir da era escolástica, a tradição ortodoxa seguiu uma via contemplativa e cultual, cujo principal documento e fonte é a Filocalia.

Teologia credal

A teologia credal é o ramo da teologia sistemática que discorre sobre métodos e tópicos relacionados à formulação, interpretação e aplicação de credos e confissões de fé nas comunidades religiosas.

Enquanto a teológica dogmática discorre sobre as implicações das doutrinas formuladas pelos credos e confissões, a teologia credal preocupa-se com a elaboração e aplicação das declarações de fé. Entretanto, como se ocupam de proposições doutrinárias, há sobreposição entre as duas subdisciplinas.

Alguns dos principais tópicos abordados pela teologia do credo incluem:

  1. Natureza da declaração de fé: examina os papeis como norma normata e regra da doutrina (regula doctrinæ). Discorre sobre os limites e mutabilidade (ou não) das proposições doutrinárias. Compara as declarações de fé com o uso de textos litúrgicos como hinos, com textos normativos como cânones denominacionais, com as Escrituras na vida da igreja.
  2. Desenvolvimento histórico de credos e confissões: Examina as origens, as modificações e o contexto histórico de vários credos e confissões dentro de diferentes tradições religiosas.
  3. Interpretação da declaração de fé: analisa os significados e implicações teológicas de declarações de fé, incluindo a interpretação de conceitos e princípios doutrinários fundamentais.
  4. Teologia comparada: Compara e contrasta os credos e confissões de diferentes tradições ou denominações religiosas para identificar semelhanças, diferenças e pontos de convergência e divergência.
  5. Metodologia teológica: explora as metodologias empregadas na formulação, interpretação e aplicação de credos e confissões, incluindo abordagens exegéticas, históricas e sistemáticas.
  6. Teologia doutrinária e dogmática: investigar os ensinamentos doutrinários e afirmações dogmáticas contidas nos credos e confissões, e explorar suas implicações teológicas para a crença e a prática.
  7. Eclesiologia: Examina o papel dos credos e confissões na formação da identidade, unidade e limites das comunidades religiosas, incluindo o seu significado para a autoridade e governação eclesial. Também inclui os empregos das declarações de fé para fins apologéticos, respostas a desafios internos ou para questões sociais, bem como a utilização da declaração de fé para o exercício da disciplina.
  8. Hermenêutica: Reflete sobre os princípios e métodos de interpretação aplicados aos textos de credos, incluindo considerações de contexto, linguagem e tradição teológica. A crítica confessional aplica elementos hermenêuticos dos credos e confissões na leitura das Escrituras.
  9. Autoridade confessional: Também a teologia credal ocupa-se da questão hermenêutica e de autoridade do confessionalismo, na distinção entre quia e quatenus se adesão a um credo ou confissão deva ser “quia” (porque) ou “quatenus” (na medida em que) a declaração de fé expressa as verdades evangélicas oriundas das fontes teológicas.
  10. Relevância contemporânea: avalia o significado contínuo e a aplicação de credos e confissões no cenário religioso contemporâneo, incluindo o seu papel na abordagem de desafios teológicos e no envolvimento com questões culturais e sociais. Aqui entram as questões como os credos e confissões servem para a vida da Igreja, se prioriza o discipulado ou se prioriza seu uso como disciplina.
  11. Ecumenismo: explora o potencial de diálogo, reconciliação e cooperação entre diferentes tradições ou denominações religiosas através do estudo e interpretação de credos e confissões.
  12. Teologia prática: Investigar as implicações práticas da teologia de credo para evangelização, adoração, discipulado, cuidado pastoral e missão dentro de comunidades religiosas.

BIBLIOGRAFIA

Fairbairn, Donald; Reeves, Ryan M. The Story of Creeds and Confessions: Tracing the Development of the Christian Faith. Baker Academic, 2019.

Hahn, Georg L. Bibliothek der Symbole und Glaubensregeln der alten Kirche [Breslau: E. Morgenstern, 1897 (Hildesheim: G. Olms, 1962)].

Hahn, Scott. The Creed: Professing the Faith Through the Ages. Emmaus Road Publishing, 2016.

Kelly, John Norman Davidson. Early christian creeds. Routledge, 2014.

McGrath, Alister E. Faith and Creeds: A Guide for Study and Devotion. Vol. 1. Westminster John Knox Press, 2013.

Pelikan, Jaroslav. Credo: Historical and theological guide to creeds and confessions of faith in the Christian tradition. Yale University Press, 2005.

Radde-Gallwitz, Andrew. “Private Creeds and their Troubled Authors.” Journal of Early Christian Studies 25.1 (2017): 464-490.

Schaff, Philip. Creeds of Christendom, with a History and Critical notes. Volume I. The History of Creeds. CCEL, 1877.

Wilhite, David E. “The Baptists ‘and the Son’: The Filioque Clause and non-Creedal Theology”. Journal of Ecumenical Studies 44 (2 2009): 285-302.

VEJA TAMBÉM

Crítica confessional

Artigos de Fé

Teologúmena

Credos e confissões de fé

Testimonium Spiritus Sancti Internum

O Testimonium Spiritus Sancti Internum, ou o Testemunho Interno do Espírito Santo, refere-se à crença de que o Espírito Santo oferece uma garantia ou testemunho interno aos crentes sobre a verdade das Escrituras e seu relacionamento com Deus. Esse conceito está associado à obra do Espírito Santo ao afirmar a fé do crente e o entendimento das verdades divinas.

O testemunho interno é compreendido como uma experiência pessoal e subjetiva, em que o Espírito Santo confirma ao indivíduo que ele é, de fato, um filho de Deus. Essa garantia não se baseia em evidências externas ou argumentos racionais, mas é uma obra direta do Espírito no coração do crente.

Esse testemunho funciona como uma forma de autenticação das Escrituras, sugerindo que, embora as Escrituras possuam autoridade objetiva, sua aceitação e entendimento são profundamente influenciados por esse testemunho interno. O Espírito Santo permite que os crentes reconheçam as Escrituras como a verdadeira Palavra de Deus, superando quaisquer dúvidas ou equívocos oriundos da razão humana ou do pecado.

Embora evidências externas (históricas, textuais, etc.) possam apoiar a fé, os defensores dessa doutrina afirmam que a verdadeira crença depende, em última análise, do trabalho interno do Espírito Santo. Essa perspectiva enfatiza que a razão humana, sozinha, não pode levar a uma compreensão adequada das verdades espirituais; ao contrário, é necessário o esclarecimento divino.

Agostinho destacou a necessidade de iluminação divina para a compreensão das Escrituras, postulando que o verdadeiro conhecimento de Deus requer o testemunho interno do Espírito Santo. Essa ideia lançou as bases para teólogos posteriores, incluindo Calvino, que desenvolveram as ideias de Agostinho sobre o papel do Espírito na vida do crente. Sem um polo, os quakers levaram o conceito de testemunho interno como luz interior como permanente guia do Espírito Santo para a humanidade. Já Locke e Schleiermacher criticaram o subjetivismo de tal doutrina para validar argumentos. Há também a crítica circularidade ao afirmar que o Espírito Santo confirma a verdade das Escrituras para o crente, e que as Escrituras são verdadeiras porque o Espírito Santo as confirma. Essa tautologia não funciona compartilha da mesma pressuposição discutida.

Teologia sistemática: prolegômena

Prolegômena são as partes introdutórias da teologia como disciplina. Discorre seus fundamentos teóricos e metodológicos, bem como diferencia conceitos, fases e sistemas teológicos.

CONCEITOS BÁSICOS

Teologia (grego, theos = Deus; logia = discurso racional): o entendimento
humano sobre as coisas divinas já reveladas.
Teologia é tanto um fenômeno quanto uma disciplina acadêmica. Como um fenômeno, é um conjunto de crenças ou doutrina, toda pessoa possui uma
teologia, mesmo que não esteja consciente dela. Como uma disciplina acadêmica, é um estudo sistemático, com métodos definidos, desse entendimento humano.
Doutrina: instrução sobre algo específico. Distingue-se das práticas (usos e
costumes) humanas condicionadas às circunstâncias culturais, históricas e
denominacionais; as quais devem sempre serem fundadas em uma sã
doutrina para darem frutos em palavras e em obras (1 Jo 3:18).
Sã doutrina ou Ortodoxia: ensinamentos sobre Deus e sobre a conduta
como seus filhos que estejam em harmonia com a doutrina dos apóstolos
(At 2:42), a saber, a mensagem, ensino, vida, obra redentora de Jesus
Cristo. Os apóstolos foram testemunhas do cumprimento das profecias do
Antigo Testamento em Jesus Cristo e da efusão do Espírito Santo,
resultando no veraz e fidedigno registro do Novo Testamento.
Heresia: seu sentido original restringia-se à opinião, mas ganhou
conotações de doutrinas infundadas ou contrárias à base apostólica
encontrada nas Escrituras.
Adiáfora: doutrina que, dada às várias limitações, seja indiferente em
compromenter a fé e conduta cristãs.
Teologúmena: doutrina acessória sem base explícita nas Escrituras, mas útil para expressar coerentemente verdades reveladas.

ARQUITETURA DA TEOLOGIA

  1. Teologia Bíblica: inferência das doutrinas de um autor ou livro
    específicos da Bíblia, sem considerar sistemas dogmáticos ou
    confessionais.
  2. Teologia Filosófica, Sistemática ou Dogmática: a compreensão da
    totalidade do entendimento das coisas divinas, seus fundamentos
    e interrelação doutrinária.
  3. Teológica Histórica: desenvolvimento doutrinário.
  4. Teologia Prática ou Aplicada: ética e moral cristãs, liturgia,
    homilética, diaconia, missiologia, teologia política e pública.

SISTEMAS TEOLÓGICOS
Sistemas teológicos são formas de organizar proposições teológicas dentro de cada tradição teológica. Diferentes comunidades interpretativas, situações, ênfases, questionamentos específicos a cada comunidade, métodos de raciocínio levam à formação de sistemas de elaborar a teologia.

Cada sistema com seu próprio foco, terminologia, metodologia, modos de
produzir seu pensamento, configurações de doutrinas e ênfase em diferentes partes bíblicas.

Os principais sistemas teológicos são:

  • Teologia mística e via apofática
  • Teologia ortodoxa não calcedoniana
  • Teologia ortodoxa oriental
  • Teologias católicas (tomismo, neotomismo, nouvelle theologie)
  • Teologia liberal
  • Teologia do processo
  • Teologia evangelical (teologias wesleyana-holiness, avivalismo, keswickianismo, movimento de Lausanne, missão integral).
  • Teologias pentecostais e carismáticas
  • Teologias anglicanas
  • Teologia Reformada (calvinismo, arminianismo, edwardsianismo, neo-ortodoxia, novo calvinismo)
  • Teologia Luterana (escolástica luterana, pietismo, ne0-luteranismo, luteranismo confessional)
  • Teologias da libertação (latinoamericana, Latix, negra, womanista, mujerísta, dalit, minjung)
  • Teologias contextuais

TÓPICOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS

  • Ontologia da teologia
  • Epistemologia da teologia
  • Métodos teológicos
  • Problema da linguagem teológica

Pneumatologia

Pneumatologia é o ramo da teologia sistemática que se concentra no estudo do Espírito Santo.

Alguns dos tópicos estudados em pneumatologia incluem:

  • A pessoalidade e o caráter do Espírito Santo.
  • O papel do Espírito Santo na criação e na redenção.
  • Os dons e o fruto do Espírito Santo.
  • A relação entre o Espírito Santo e o Pai e o Filho.
  • A obra do Espírito Santo na Igreja e no mundo.


Diferentes tradições e sistemas teológicos possuem ênfases pneumatológicas distintas. Enquanto a pneumatologia tende a ser secundária no protestantismo magisterial, é saliente na teologia ortodoxa e pentecostal. A pneumatologia ortodoxa oriental enfatiza o papel do Espírito Santo na Igreja, particularmente nos sacramentos e na vida dos crentes. A pneumatologia pentecostal enfatiza a importância do Espírito Santo nas experiências pessoais de dons e manifestações espirituais, como falar em línguas e profetizar.