Argula von Grumbach

Argula von Grumbach (1490-1564) foi uma nobre alemã, autora e reformadora da Bavária.

Recebeu a típica educação das mulheres nobres da época, a qual não incluia latim — a língua da erudição — mas era leitora ávida da Bíblia em alemão.

Por volta de 1520 começou a ler e a corresponder com os reformadores, especialmente Lutero.

Em 1523, um jovem professor da Universidade de Ingolstadt, Arsacius Seehofer, foi perseguido por adotar as ideias luteranas. Argula escreveu cartas e poemas, recheados de citações bíblicas. O debate a fez conhecida na Alemanha e propagou a reforma na Bavária, onde os escritos de Lutero eram banidos.

Casada (e viúva) duas vezes. Depois dos incidentes de 1523 retirou-se para os cuidados de sua propriedade e família, mas mesmo antes de sua morte teve uma agitação a respeito de seus escritos.

Johann Philipp Gabler

Johann Philipp Gabler (1753 – 1826) foi um teólogo protestante alemão. Foi um notório professor de Antigo Testamento em Altdorf, apontado em 1785, e em Jena a partir de 1804.

Enquanto estudava teologia esteve a ponto de abandonar a carreira. Todavia, a chegada de Griesbach à universidade inspirou-lhe um novo entusiasmo. Influenciado por J.G. Eichhorn e J. J. Griesbach, fez parte da corrente da neologia teológica, porém não era um racionalista.

A palestra inaugural de Gabler na Universidade de Altdorf a 30 de março de 1787 foi um marco para os estudos bíblicos. A palestra, com o título “De iusto discriminate theologiae biblicae et dogmaticae regundisque recte utrisque finibus”, propunha a distinção entre teologia bíblica e teologia dogmática (teologia sistemática). Denuncia também a imposição de interpretações no texto bíblico (eisegese). Por fim, elencou as quatro lacunas que impediam uma hermenêutica apropriada:

1-Qualidade distinta dos textos bíblicos. Isto é, o texto bíblico é um gênero textual próprio;

2-Linguagem bíblica distinta da usual;

3-Distância temporal nos costumes do contexto bíblico;

4-Ignorância dos métodos interpretativos.

Citando outro erudito, Tittmann, Gabler argumenta que religião é diferente de teologia. A religião seria transmitida pela doutrina das Escrituras, ensinando o que cada cristão deve conhecer, crer e fazer para garantir a felicidade nesta vida e na vindoura. Religião, portanto, seria conhecimento transparente e claro vivido no cotidiano. De outro lado, teologia seria um conhecimento sutil e erudito, embasado em muitas disciplinas. Seria um conhecimento derivado não só das Sagrada Escrituras, mas também de outras fontes, especialmente do domínio da filosofia e história. Dessa forma, não só Gabler distingue entre teologia bíblica e teologia dogmática, mas também distingue entre teologia vivida e teologia sistematizada.

Gabler restringe a teologia bíblica ao que cada autor especificamente disse ou do qual de seus escritos bíblicos possam ser inferidos. A teologia bíblica deveria ser meramente descritiva, enquanto a teologia dogmática seria normativa. O exame da totalidade doutrinária caberia à teologia dogmática, a qual seria com métodos racionais, porém sempre condicionada à habilidade pessoal, circunstâncias, tempo, local, filiação religiosa, escola de pensamento e outros fatores.

Mais tarde, a distinção de Gabler fruiria em uma adicional diferenciação entre ciências bíblicas e teologia.

Essa curta palestra de Gabler serviu para separar a eisegese de um método circular de leitura bíblica. Eruditos e ministros obviamente criam que suas crenças correpondiam às da Bíblia e impunham suas doutrinas para reinterpretar os autores conforme os termos e interesses do leitor. A crítica de Gabler foi revolucionária em distinguir a teologia da ciência bíblica, mas também teve os efeitos colaterais de um renovado biblicismo e uma desconfiança acerca do polo do leitor e da recepção no processo hermenêutico.

A teologia bíblica permanece a mesma, a saber, porque ela considera apenas aquelas coisas que os homens santos percebiam sobre assuntos pertinentes à religião, e não é feita para acomodar nosso ponto de vista.

BIBLIOGRAFIA

Clique para acessar o Gabler-ProperDistinction-BiblicalTheology.pdf

Stuckenbruck, Loren T. “Johann Philipp Gabler and the delineation of biblical theology.” Scottish journal of theology 52.2 (1999): 139-157.

Wenz, Gunther. “Johann Philipp Gabler (1753-1826).” Kerygma und Dogma 59.3 (2013): 163-163.

Jonathan Paul

Jonathan Anton Alexander Paul (1853–1931) foi um ministro pentecostal, escritor, teólogo, estudioso da Bíblia e tradutor alemão.

Ao se formar na Universidade de Greifswald pastoreou igrejas luteranas na Pomerânia.

Após uma experiência espiritual, inspirada pelo revivalismo americano e pelo movimento de Keswick, em 1899 Paul começou seu ministério de viagens evangelísticas. Mudou-se para Berlin-Steglitz e tornou-se membro do Gnadauer Verband, um movimento evangélico dentro da Igreja Evangélica na Alemanha. Como evangelista, era um orador requisitado em tendas missionárias e conferências de avivamento.

Em 1896, Paul publicou um livro com o título Ihr weret die Kraft des Heiligen Geistes empfangen [“Sereis revestidos com o poder do Espírito Santo”], alertando contra a falta de plenitude do Espírito em sua época, como também a falta de poder espiritual e dos dons do Espírito.

Em 1906, Jonathan Paul visitou Thomas Ball Barratt em Oslo e tornou-se pentecostal. Em 15 de setembro de 1907, Paul experimentou o falar em línguas, aumentando as críticas contra o movimento pentecostal por parte do movimento evangélico alemão.

Com sua experiência organizacional, em dezembro de 1908 realizou uma conferência pentecostal em Hamburgo. Vieram representantes do movimento pentecostal da Inglaterra, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça. Durante a conferência decidiu-se publicar a revista Pfingstgrüsse, da qual Paul tornou-se editor-chefe. Em consequência, a liderança evangélica alemã condenou o pentecostalismo na Declaração de Berlim em 1909. Em razão disso, Paul ajudou a organizar a Mülheimer Verband Freikirchlich-Evangelischer Gemeinden (Associação Mülheim de Igrejas Livres e Comunidades Evangélicas), em 1914, uma fraternidade que reunia crentes pentecostais dentro das igrejas estatais e das igrejas livres.

Participou de conferências internacionais em Sundeland (Inglaterra) de 1908 e 1914 e Amsterdam em 1921, visando fomentar a comunhão entre pentecostais.

Era um hinista competente, tendo compilado o hinário Pfingst Jubel.

Sendo um biblista erudito, Paul publicou uma nova tradução do Novo Testamento em alemão, Das Neue Testament in der Sprache der Gegenwart (1914).

TEOLOGIA DE JONATHAN PAUL

A teologia de Paul do pentecostalismo alemão de Mülheim destaca-se por enfatizar mais as experiências transformadoras do espírito, sem preocupação de apontar eventos pontuais (novo nascimento, batismo do Espírito Santo, falar em línguas, santificação, etc.). Em contraste com muitos dos pentecostais europeus de sua época, aceitava o batismo infantil e não intencionava formar uma nova denominação, mas operar internamente como um renovo espiritual das denominações protestantes já existentes. Adicionalmente, sua bibliologia reflete a erudição acadêmica evangélica alemã, algo que contrapunha às atitudes do fundamentalismo norteamericano sobre as Escrituras.

O Batismo do Espírito Santo e Fogo consideramos ser a vinda sobre e dentro do Espírito Santo para habitar o crente em Sua plenitude, e é sempre testemunhado pelo fruto do Espírito e a manifestação exterior, para que possamos receber o mesmo dom que os discípulos no Dia de Pentecostes… Não ensinamos que todos os que foram batizados no Espírito Santo, mesmo que falem em línguas, já receberam a plenitude da bênção de Cristo implícita neste Batismo.

Concílio Consultivo Pentecostal Internacional, reunido em Amsterdam em 1912. Entre os signatários A.A. Boddy, Gerrit Polman, T.B. Barratt, Jonathan Paul.

BIBLIOGRAFIA

Giese, Ernest. Jonathan Paul, ein Knecht Jesu Christi Leben und Werk. Missionsbuchhandlung und Verlag, Altdorf bei Nürnberg, 1965.

Simpson, Carl. “Jonathan Paul and the German Pentecostal Movement: The First Seven Years, 1907-1914.” Journal of the European Pentecostal Theological Association 28, no. 2 (January 1, 2008): 169–82.

Veli-Matti Kärkkäinen

Veli-Matti Kärkkäinen (nascido em 1958) é um teólogo finlandês. Emigrado aos Estados Unidos, é professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, Califórnia.

Kärkkäinen atuou como ministro em congregações luteranas e pentecostais. Produziu uma das mais amplas teologias sistemáticas contemporâneas, A Constructive Christian Theology for the Church in the Pluralistic World, em cinco volumes. Apesar de seu ponto de vista pentecostal, utiliza questões e informações oriundas da ciência (sobretudo da ciência da religião), teologia global e comparativa para produzir uma teologia sistemática em diálogo.

Kärkkäinen enfatiza a importância de reconhecer a variedade de experiências do Espírito Santo em diferentes culturas e tradições. Nenhuma igreja ou tradição teológica pode reivindicar o monopólio da atividade do Espírito. Em vez disso, apela a uma abordagem mais aberta e inclusiva da pneumatologia que abranja a rica diversidade do pensamento cristão.

Faz várias perspectivas teológicas importantes sobre o Espírito Santo, incluindo o pentecostalismo, a renovação carismática, a teologia ortodoxa oriental e as pneumatologias africanas e asiáticas. Kärkkäinen também discute a relação entre o Espírito Santo e outras doutrinas cristãs, como cristologia, eclesiologia e escatologia.

Um dos temas centrais do trabalho de Kärkkäinen é a importância de contextualizar a pneumatologia. A compreensão do Espírito Santo deve estar enraizada nos contextos culturais e sociais específicos em que é vivenciada. Esta abordagem contextual permite uma aplicação mais significativa e relevante da pneumatologia na vida cotidiana.

BIBLIOGRAFIA

Heltzel, Peter; Oden, Patrick; Yong, Amos. The dialogic evangelical theology of Veli-Matti Kärkkäinen: exploring the work of God in a diverse church and a pluralistic world. Lexington Books/Fortress Academic, 2022.

Enderlein, Steven E., Michael S. Horton, Michael F. Bird, James DG Dunn, Veli-Matti Kärkkäinen, Gerald O’Collins, and Oliver Rafferty. Justification: Five Views. InterVarsity Press, 2011.

Kärkkäinen, Veli-Matti. “Pentecostal Hermeneutics in the Making: On the Way From Fundamentalism to Postmodernism.” Journal of the European Pentecostal Theological Association 18, no. 1 (April 1998): 76–115.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Pneumatology: The Holy Spirit in Ecumenical, International, and Contextual Perspective. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2002.

Kärkkäinen, Veli-Matti. The doctrine of God: A global introduction. Baker Academic, 2004.

Kärkkäinen, Veli-Matti (ed.). Holy Spirit and Salvation: The Sources of Christian Theology. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2010.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Christian Theology in the Pluralistic World: A Global Introduction. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2019.

Kärkkäinen, Veli‐Matti. “Salvation as Justification and Theosis: The Contribution of the New Finnish Luther Interpretation to Our Ecumenical Future 1.” Dialog 45.1 (2006): 74-82.

Kärkkäinen, Veli-Matti. “The Apostolicity of Free Churches.” Pro Ecclesia 10.4 (2001): 475-486.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Spiritus ubi vult spirat: Pneumatology in Roman Catholic-Pentecostal dialogue (1972-1989). Luther-Agricola-Society, 1998.

Martinho Lutero

Martinho Lutero (1483- 1546) foi um reformador protestante alemão. Anteriormente um monge e sacerdote católico, iniciou a Reforma luterana em 1517 com suas Noventa e Cinco Teses .

Era professor de teologia na Universidade de Wittenberg, Saxônia. Debateu com dominicano Johann Tetzel contra sua venda de indulgências. Sua rejeição à retratação exigida pelo papa Leão X em 1520 e pelo imperador Carlos V em 1521, causou sua excomunhão e perseguição.

Amparado pela nobreza alemã, Lutero prosseguiu com a Reforma.

Lutero ensinou que a salvação não é obtida por meio de mérito das obrass, mas apenas pelo dom gratuito da graça de Deus por meio da fé em Jesus. Sua teologia contrariava a autoridade do papa da Igreja Católica, ao ensinar que a Bíblia é a fonte primária para a doutrina cristã. Argumentava o sacerdócio universal do crentes em oposição a um papel privilegiado ao clero católico.

Sua tradução da Bíblia para a língua alemã marcou a padronização da língua alemã, a popularização da escrita e leitura, a propagação das ideias reformadoras e impulso para outras traduções em diversas línguas.