Acácio de Cesareia

Acácio de Cesareia (c. 310 – 366) foi um bispo e teólogo cristão envolvido nas disputas cristológicas do século IV, como expoente dos homeanos.

Nasceu na Palestina e tornou-se bispo de Cesareia no início dos anos 340. Acácio afirmava a divindade de Jesus Cristo e desempenhou um papel significativo na controvérsia ariana do século IV.

Era um forte oponente da teologia ariana, que atribuia uma divindade subordinada de Jesus Cristo. No entanto, Acácio também estava associado a um grupo de bispos conhecidos como homoeanos, para quem o credo de Niceia deveria ser corrigido.

Quanto ao credo niceno, os homoeanos rejeitaram o termo “consubstancial” (homoousios) que foi usado no Credo Niceno, argumentando que era muito preciso e potencialmente divisivo. Em vez disso, preferiram o termo “similar em substância” (homoiousios).

A doutrina dos homoeanos foi favorecida pelo imperador Constâncio II. Concílios em Esmira (22 de maio de 359), Rimini (outubro de 359) e Selêucia (inverno de 359) promulgaram a doutrina homoeana. Assim, foi posição dos bispos do cristianismo majoritário, exceto no Egito. Contudo, foi abandonada após a morte de Constâncio em 361. Renasceu no Oriente durante o reinado do imperador Valente (364-378), mas foi finalmente condenada pelo Concílio de Constantinopla em 381.

Mikael Agricola

Mikael Agricola (c. 1510-1557) foi um bispo finlandês, reformador e autor pai da literatura finlandesa.

Nascido na cidade de Pernå, onde hoje é a Finlândia, Agricola foi educado na Universidade de Turku e mais tarde estudou teologia em Wittenberg, Alemanha.

Inspirado pelos ensinamentos de Martinho Lutero, Agricola se tornou uma figura chave na Reforma Protestante na Finlândia e trabalhou para traduzir a Bíblia e outros textos religiosos para o finlandês.

Publicou sua tradução do Novo Testamento para o finlandês em 1548. Esse trabalho foi um marco na literatura finlandesa e desempenhou um papel importante no desenvolvimento da língua finlandesa. Agricola também escreveu uma série de outras obras, incluindo catecismos e hinos.

Adopcianismo

Adopcianismo ou adocionismo espanhol foi uma controvérsia cristológica nos séculos VIII-IX na Península Ibérica.

No século VIII na Espanha, aparentemente de modo independente da antiga heresia adocionista, o arcebispo de Toledo Elipando e o bispo Félix de Urgel levantaram a questão da dupla natureza Deus-Homem. Argumentavam que somente por sua natureza divina de Cristo o verdadeiro Deus, mas em sua natureza humana seria adotado por Deus. A essa natureza humana faltava atributos divinos, especialmente a onisciência, similar aos ensinamentos dos agnoitas.

Em 792, Félix foi intimado para um sínodo em Regensburg, renunciou ao seu ensino, etiquetado como heresia nestoriana. Confirmou a sua renúncia em Roma perante o papa Adriano. Mas voltando a Urgel, Félix voltou aos seus antigos pontos de vista. A controvérsia seguiu até que Félix abdicou ao seu bispando, vivendo em Lyon até sua morte em 818. A posição foi condenada por um sínodo de Frankfurt em 794.

Além da questão cristológica, havia tensões sobre o status das igrejas espanholas desde a conversão do rei ariano Recaredo ao catolicismo em 589. Havia resistência do clero espanhol em submeter-se à autoridade carolíngia e papal.

BIBLIOGRAFIA

Cavadini, John C. The Last Christology of the West. Adoptionism in Spain and Gaul, 785-820. Philadelphia, 1993.

Freedman, Paul “L’influence wisigothique sur l’eglise catalane,” in L’Europe héretière de l’Espagne wisigothique (Coll. dela casa de Velázquez, vol. 35), ed. Jacques Fontaine et al. Madrid, 1992, 69-79, 75f.

Firey, Abigail “Carolingian Ecclesiology and Heresy. A Southern Gallic Juridical TractAgainst Adoptionism” Sacris Erudiri 39 (2000): 253-316.

Agourar

Agourar, predizer ou anunciar geralmente efeitos ou eventos ruins. Agoureiro é o adivinhador, prognosticador ou vidente.

O termo e seus derivados aparecem 10 vezes na ARC, traduzindo termos como עָנַן prognosticar, adivinhar (Levítico 19:26) ou מְנַחֵ֖שׁ adivinho, agoureiro (Deuteronômio 18:10).

Aduanas celestes

A doutrina das adunas celestes ou pedágios celestes (τελωνία, telonia em grego) é uma das concepções de estado intermediário, juízo e do pós-vida entre os Ortodoxos Orientais, baseado na premissa de uma jornada. A referência bíblica frequentemente citada é a Escada de Jacó em Genesis 28:12; Jó 1; Apocalipse 7:9-17.

Essa jornada da alma após a morte não é um dogma oficial da Igreja Ortodoxa, mas sim uma opinião teológica (teolegúmena) sustentada por vários teólogos desde a era patrística. Foi sustentada por Cirilo de Alexandria, além de alusões no ocidente irlandês e anglo-saxão, como na Homília marginália encontrada em um manuscrito da História Eclesiástica do Honorável Beda.

De acordo com esta doutrina, depois que uma pessoa morre, sua alma passa por uma série de postos de pedágio no ar, cada uma representando um tipo diferente de pecado ou tentação que a alma pode ter encontrado durante sua vida. Em cada porta a alma é julgada por espíritos demoníacos que a acusam dos pecados que cometeu. A defesa da alma contra essas acusações são as boas ações que praticou em vida, bem como as orações e intercessões dos santos e crentes vivos.

Se a alma passa com sucesso por todas as casas de pedágio, ela alcança o céu e se une a Deus. No entanto, se a alma for considerada culpada de muitos pecados, ela será lançada no inferno ou demovida para outro nível inferior do lugar dos mortos.

Esta doutrina não é universalmente aceita dentro do cristianismo ortodoxo oriental e tem sido objeto de debate. Alguns argumentam que não é apoiado pela escritura ou tradição e pode promover uma compreensão legalista da salvação. Outros, no entanto, sustentam que é uma metáfora útil para entender a luta espiritual que continua após a morte e encoraja os crentes a lutar pela santidade na vida.

Normalmente são vinte pedágios, mas o número não é fixo e diferentes fontes fornecem números variados.

Mentiras
Calúnia
Gula
Preguiça
Roubo
Cobiça
Usura
Injustiça
Inveja
Orgulho
Raiva
Foco no mal
Assassinato
Magia
Luxúria
Adultério
Sodomia
Heresia
Falta de caridade

Essa doutrina tem três recepções entre os ortodoxos: aqueles que a consideram como real; os que a pensam como uma metáfora para a jornada espiritual; e o que a rejeitam como errônea.

A doutrina da aduana celeste encontra paralelos em outras tradições. No mandeísmo há diferentes estágios para a jornada pós-vida, as maṭarta.

O Apocalipse copta de Paulo descreve uma ascensão pelos sete céus inferiores, guardados por vários anjos que infligem punições aos pecadores. Os cobradores de pedágio celestiais aparecem no Primeiro Apocalipse de Tiago 33:2-27, e anjos torturadores da alma no Livro de Tomé, o Contendor (141,36-39) e na Pistis Sophia. Aparece no 2 Enoque 22, quando Enoque encontra populações de anjos atormentando os malfeitores em diferentes céus até o final de seu translado.

BIBLIOGRAFIA

Foxhall Forbes, Helen. “The theology of the afterlife in the Early Middle Ages, c. 400-c. 1100.” In R. Pollard (Ed.), Imagining the medieval afterlife. Cambridge University Press, 2020. 153-175.

Jacobs, Hendrick. Sete Céus, Terras e Infernos: a cosmovisão judaico-cristã esquecida. Vida Y Verdad, 2025.


Valmarin, Luisa. “Orthodoxy and Heterodoxy in the Mythologem of “Heavenly Customs”, between Rumanian Popular Books and Folklore.” Studia Ceranea. Journal of the Waldemar Ceran Research Centre for the History and Culture of the Mediterranean Area and South-East Europe 10 (2020): 445-471.