Anfilóquio de Icônio

Anfilóquio de Icônio: bispo e teólogo do século IV. Defendeu o credo Niceno e manteve oposição ao arianismo.

Anfilóquio era um jurista e pertencia às classes aristocráticas. Seria parente de Gregório de Nazianzo e amigo de Basílio de Cesareia. Foi bispo de Icônio na Galácia de 373 a 394 d.C. Sua obra, embora extensa, é conhecida hoje principalmente por fragmentos e poemas, tal como Iâmbicos para Seleuco, anteriormente atribuído a Gregório de Nazianzo.

Neste poema didático, Anfilóquio delineia um cânon bíblico que reflete o debate em curso na época. Reconhece o Antigo Testamento protocanônico, com a exceção de Ester, considerado antilegômena. No Novo Testamento, aceita 22 dos 27 livros, classificando 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse como antilegômena. A obra de Anfilóquio, portanto, oferece um vislumbre valioso da formação do cânon bíblico no século IV.

Epístola aos Alexandrinos

A Epístola aos Alexandrinos seria um suposta epístola de Paulo destinada aos cristãos de Alexandria. É mencionada somente no Cânon de Muratori. O autor do Cânone Muratoriano considerou esta epístola, juntamente com a Epístola aos Laodicenses, como espúria e forjada em nome de Paulo para promover a heresia de Marcião.

Theodor Zahn considera que o texto associado aos Colossenses, mas sem relação com a epístola canônica de mesmo nome, presente no manuscrito de Bobbio, seja tal epístola. Contudo, tal identificação não encontrou aval entre biblistas. Há ainda a hipótese de que seria o texto da Epístola aos Hebreus.

Assembly of God Missionary Fellowship

A Assembly of God Missionary Fellowship é um grupo pentecostal escandinavo-americano.

No final da década de 1890, uma série de reavivamentos varreu comunidades pietistas escandinavas em Minnesota e nas Dakotas. Esses avivamentos, enraizados em um despertar espiritual, lançaram as bases para a Assembly of God Missionary Fellowship, especialmente entre pietistas luteranos haugeanos noruegueses.

Por volta de 1905, uma rede distinta de congregações começou a se formar em Fosston, Minnesota, decorrente desses avivamentos. Esta rede eventualmente evoluiu para a Assembly of God Missionary Fellowship, compreendendo cerca de meia-dúzia de congregações independentes. Cada uma dessas congregações operava de forma independente, com autoridade compartilhada coletivamente entre todos os membros e guiada por anciãos leigos e não assalariados que se responsabilizavam pelo ensino e pelo cuidado pastoral. Essa rede de crentes e congregações tinha uma profunda desconfiança nas estruturas denominacionais formais e evitavam a formalidade litúrgica. Os cultos de adoração muitas vezes incluíam cantos, orações ajoelhadas e pregações improvisadas, guiadas pelo Espírito Santo.

Embora fosse não confessionais, geralmente aderiam a crenças pentecostais de cariz escandinava, mas mantendo-se abertos à discussões doutrinárias e inovações. Notavelmente, abraçaram a doutrina da restauração eterna ou restituição de todas as coisas, uma forma de universalismo evangélico.

A irmandade apoiava um casal missionário, Abraham e Lavinia Heidal, em seu trabalho missionário na China e em Taiwan. No entanto, após o falecimento da primeira geração que resistiu à organização formal, duas de suas congregações, Hillsboro (Dakota do Norte) e Nymore Assembly (Bemidji, Minnesota), foram incorporadas em 1944-1945.

Na década de 1970, mudanças geracionais e realocações de congregações levaram a um declínio na proeminência da rede. Muitos membros posteriormente juntaram-se a outras congregações pentecostais, particularmente as Assemblies of God as Independent Assemblies of God. Hoje, apenas uma congregação da Assembly of God Missionary Fellowship permanece ativa, a Nymore Assembly em Bemidji, Minnesota.

BIBLIOGRAFIA

Rodgers, Darrin J. “Pentecostal Origins in Scandinavian Pietism on the Great Plains”. In Burgess, Stanley M., Klaus, Byron D. (eds.) A light to the nations : explorations in ecumenism, missions, and Pentecostalism. Eugene, Oregon : Pickwick Publications, 2017.

João Ferreira de Almeida

João Ferreira Annes d’Almeida ou João Ferreira de Almeida (1628 -1691) foi um ministro pregador da Igreja Reformada nas Índias Orientais Holandesas e tradutor da Bíblia ao português.

VIDA

Originário de Torre de Tavares, Várzea de Tavares, concelho de Mangualde, Portugal, não sabe muitos detalhes sobre o início de sua vida. Ao longo da vida ganhou diversos graus de proficiência do latim, grego, italiano, espanhol, francês e holandês.

Em 1642, aos quatorze anos de idade, João Ferreira de Almeida estava na Ásia e converteu-se ao protestantismo ao ler um panfleto em espanhol. No ano anterior, forças holandesas tinham conquistado várias colônias portuguesas na Ásia.

Em 1645 traduziu Novo Testamento para o português a partir do latim da versão de Teodoro de Beza, consultando versões em castelhano, francês e italiano. Essa tradução circulou manuscrita e nunca foi impressa.

Em 1654 fez uma nova tradução do Novo Testamento, solicitada pela Igreja Reformada no Ceilão. Em 1676, já em Jacarta, terminou sua terceira revisão.

É posto no ministério de consolador ou visitador (referido com o título de “padre”) da Igreja Reformada. Exerceu seu ministério em Malaca, no Sul da Índia, em Ceilão e em Batávia, atual Jacarta.

Em 1681 saiu a primeira edição impressa do Novo Testamento. Foi revisada pelo holandês-brasileiro Bartholomeus Heynen e o holandês Joannes de Vooght. É possível um terceiro revisor anônimo, um judeu convertido. No entanto, veio com vários erros editoriais. As autoridades holandesas decretaram seu recolhimento. Almeida anotou uma revisão em um exemplar, hoje guardado na Biblioteca Nacional em Lisboa. Ainda há nessa mesma biblioteca outro exemplar dessa edição. Já na Biblioteca Real de Haia e a British Library guardam outros dois exemplares sobreviventes.

A segunda edição do Novo Testamento em português, revista pouco antes da morte de Almeida, veio a ser publicada postumamente em 1693. Teria sido revista por Jacobus op den Akker e Theodorus Zas, ambos ministros formados em teologia em Utrecht.

A Society for Promoting Christian Knowledge, de Londres, financiou a terceira edição do Novo Testamento de Almeida, em 1711, publicada em Amsterdam.

Ao morrer, Almeida tinha traduzido o Antigo Testamento até o livro de Ezequiel 48:21. Em 1694, Jacobus op den Akker, que era pastor da Igreja Reformada Holandesa, retomou o trabalho e terminou o Antigo Testamento.

O Antigo Testamento foi publicado em Tranquebar de forma seriada: iniciou em 1719 (Pentateuco), 1732 (Profetas Menores), 1738 (Livros Históricos), 1740 (Salmos), 1744 (Jó a Eclesiastes), 1751 (Profeta Maiores, com tradução de Daniel pelo missionário Christóvão Theodosio Walther) e 1757 (Pentateuco). Paralelamente, foi publicada em dois volumes na Batávia, entre 1748 (Gênesis-Ester) e 1753 (Salmos-Malaquias).

Em 1712 a missão luterana de Tranquebar reimprimiu a edição de 1681. A primeira edição revista substancialmente do Novo Testamento, feita em Tranquebar, apareceu em 1760 (quatro evangelhos) e 1765 (resto do Novo Testamento). A primeira edição da Bíblia completa, apenas em 1819 pela gráfica de R.E. A. Taylor em Londres, sob encomenda da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

O PROCESSO DE TRADUÇÃO

Para o Antigo Testamento Almeida não traduziu diretamente do hebraico, mas de outras versões. Teria utilizado como base principal versão espanhola de Cypriano de Valera de 1602 (a Biblia del Cántaro), a qual tinha sido a Bíblia del Oso (de Casiodoro de Reina) revisada com base na Bíblia de Ferrara e na versão de Pagnino. Outra fonte teria sido a Bíblia Diodati em italiano e a Olivetan em francês. Como controle, também empregou a versão holandesa Statenvertaling (1637), cujos autores reivindicaram ser a mais fiel tradução em línguas vernáculas da era da Reforma. Hoje é consenso que Almeida não se baseou na Vulgata (Fernandes 2021). É provável que tenha tido contato com a Bíblia Poliglota de Antuérpia (1572) de Benito Arias Montano e a versão latina de Sancte Pagnino.

A tradução do Novo Testamento começou a partir do espanhol. Consultou a versão latina de Teodoro de Beza, com auxílio de versões em espanhol, francês e italiano. Para a base grega, certamente a versão empregada foi o Textus Receptus de Jan Jansson, impresso em Amsterdam em 1639. (Cavalcante Filho, 2013). Teria também tido acesso a edições de Beza, Roberto e Henricus Stephanus, e Elzevier 1641.

Além da Bíblia também escreveu alguns panfletos: Diferença da Cristandade (1668); Duas Epístolas e Vinte Propostas (1672); um Apêndice à Diferença da Cristandade (1673); Diálogo Rústico e Pastoril (1680).

O biblista Herculano Alves chama Almeida de o autor de língua portuguesa que mais vendeu. No esteio de sua versão, várias revisões levam seu nome.

BIBLIOGRAFIA

Alves, Herculano. A Bíblia de João Ferreira Annes d’Almeida. Coimbra: Sociedade Bíblica de Portugal, Sociedade Bíblica do Brasil, Difusora Bíblica, 2006.

Cavalcante Filho, Jairo Paes. “O método de tradução de João Ferreira de Almeida: O caso do Evangelho de Mateus.” Mestrado em Ciências da Religião. Universidade Metodista de São Paulo, 2013.

Fernandes, Luis Henrique M. “Diferença da Cristandade: a controvérsia religiosa nas Índias Orientais holandesas e o significado histórico da primeira tradução da Bíblia em português (1642-1694)”. Tese de Doutorado em História Social, USP, 2016.

Fernandes, Luis Henrique Menezes. “As fontes textuais da Bíblia Almeida: Sistematização e esquadrinhamento do status quaestionis.” REVER: Revista de Estudos da Religião 21.2 (2021): 45-61.