Apostasia

Apostasia, do grego ἀφίστημι, “ficar afastado”, significando deserção, abandono, rebelião. No contexto bíblico refere-se ao abandono da fé enquanto em contextos teológicos adquiriu outros significados.

O termo parece como ato de infidelidade de Israel a Deus (Jr 2:19;Jr 5:6;Js 22:22;2Cr 29:19; 33:19) ou abandono da fé cristã (Hb 6:6). Em Atos 21:21, a raiz grega da palavra “apostasia” aparece no suposto abandono Moisés por Paulo. O termo em 2 Tessalonicenses 2:3 geralmente é interpretado como um abondono da fé generalizado entre crentes em um futuro escatológico.

Na epístola de Judas há um elenco de características dos apóstatas. Um apóstata seria ímpio, dissoluto e negador de Criso (v4), rejeita o domínio e autoridade divinas (v8), sem temor, carregado pela situação, infrutífero (v12), impetuoso e errante (v13), comete obras e palavras de impiedade (v15), murmurador, queixoso, imoral, arrogante, admirador por interesse (v16), escarnecedor (v18)  faccioso e seguidor de seus impulsos (v19).

Na história do cristianismo o termo apostasia ganhou outros sentidos. Virou o epíteto do imperador Juliano, o apóstata, (331-363), governante romano que, criado no cristianismo, voltou-se ao paganismo.

Várias fases históricas ou escatológicas são consideradas como uma apostasia da igreja. Nessa interpretação, ainda que sob forma e identidade cristã, instituições seriam tão corrompidas que figurativamente correponderiam a uma apostasia.

Apostasia não se confunde com cisma, dissidência, heresia ou corrupção eclesiástica generalizada.

Alfabeto hebraico

O alfabeto hebraico, conhecido como alef-beit, é um sistema de escrita composto por 22 letras, sendo um abjad – um tipo de escrita que registra apenas as consoantes, cabendo ao leitor inferir as vogais. O alef-beit é escrito da direita para a esquerda.

Cada letra do alfabeto hebraico possui um nome e um valor numérico, o que confere ao sistema uma dimensão simbólica e mística. As letras são usadas não apenas para registrar a língua hebraica, mas também em práticas religiosas, estudos cabalísticos e outras formas de expressão cultural.

Letra HebraicaNome TransliteradoLetra Equivalente em Português (Aproximado)
אAlef(Sem som, ou som de “a” fraco)
בBetB (com ponto) / V (sem ponto)
גGuímelG
דDáletD
הHeH (fraco)
וVavV / U
זZayinZ
חChet(Som gutural, como o “ch” em “Bach”)
טTetT
יYodY
כKafK (com ponto) / Kh (sem ponto)
לLamedL
מMemM
נNunN
סSamechS
עAyin(Som gutural, como uma pausa glotal)
פPeP (com ponto) / F (sem ponto)
צTzadiTz
קQofQ
רReshR (forte)
שShinSh
תTavT

A forma como conhecemos o alfabeto hebraico hoje é resultado de um longo processo de evolução. Esse alfabeto deriva-se das Inscrições proto-alfabéticas do Levante. Alguns abecedários atestam sua propagação na Idade do Ferro II. Durante o período do Segundo Templo, o alfabeto hebraico começou a assumir sua forma “quadrada”, “constrita” ou “assurith”, que é a forma mais comum usada atualmente.

Em várias versões vernáculas, o alfabeto hebraico aparece como subdivisão em textos com acrósticos. No Salmo 119, cada uma das 22 letras hebraicas encabeça um grupo de oito versículos. Semelhantemente, a seção final do Livro de Provérbios (31:10-31), um poema sobre a mulher virtuosa, utiliza as letras do alfabeto hebraico para cada versículo. O Livro de Lamentações emprega o alfabeto hebraico de maneira ainda mais elaborada: nos capítulos 1, 2 e 4, cada versículo se inicia com uma letra da sequência alfabética, enquanto o capítulo 3 apresenta três versículos por letra.

Codex de Aleppo

O Codex de Aleppo, também conhecido como “Coroa de Damasco” (כתר ארם צובה), é um manuscrito medieval da Bíblia Hebraica, concluído por volta de 930 d.C. em Tiberíades. Considerado o manuscrito massorético mais antigo e mais meticulosamente trabalhado, é amplamente reconhecido como o mais preciso e autorizado exemplar do Texto Massorético. Sua confecção foi realizada por Aaron ben Moses ben Asher, renomado escriba massorético, que aplicou com rigor seu sistema de vocalização e acentuação.

Originalmente, o códice continha a Bíblia Hebraica completa, possivelmente reunida em um único volume pela primeira vez em formato de códice (encadernado). No entanto, sofreu perdas significativas após o incêndio da sinagoga de Aleppo durante os tumultos antijudaicos de 1947. Durante décadas, acreditou-se que ele havia sido destruído, mas uma parte significativa foi recuperada e transportada para Israel. Dos 487 fólios originais, cerca de 295 sobrevivem, incluindo a maior parte da Torá.

O Codex de Aleppo foi reverenciado ao longo dos séculos e influenciou profundamente os estudos bíblicos. Maimônides, importante rabino e filósofo do século XII, utilizou-o como referência principal para codificar as leis de escrita de rolos da Torá em sua obra Mishneh Torah (Hilkhot Sefer Torah). Apesar de incompleto, ele continua sendo uma fonte inestimável para a compreensão da transmissão do texto bíblico e das práticas dos escribas medievais.

Comparado ao Codex de Leningrado, que é completo, mas ligeiramente posterior, o Codex de Aleppo se destaca pela precisão de seu texto consonantal e por sua meticulosa elaboração. Sua importância é tão grande que serviu como base para o texto do Hebrew University Bible Project, passado por uma digitalização dos fragmentos sobreviventes.

BIBLIOGRAFIA
http://www.aleppocodex.org
Hayim Tawil and Bernard Schneider. Crown of Aleppo: The Mystery of the Oldest Hebrew Bible Codex. Jewish Publication Society, 2010.

Agague

  1. Nome (ou talvez título) de reis amalequitas (cf. Ester 3:1) . Em hebraico Agag’ אגג possui derivação incerta. É interpretado como “superior”, mas seu significado mais comum seria “chama, flamejante ou violento”.
  2. Balaão predisse um rei de Israel “mais elevado do que Agague”. (Nm 24:17).
  3. Rei de Amaleque derrotado por Saul. (1Sm 15:1-7). Entretanto, Saul deixou de executar Agague e permitiu que o povo retivesse parte do despojo, provocando a rejeição divina de Saul como rei. (1Sm 15:8-29). Samuel executou Agague (1Sm 15:32, 33).