Papiros de Akhmim

Akhmim, Panópolis em grego, é uma cidade do Alto Egito onde houve vários monastérios. Foi local de descoberta de vários manuscritos em tumbas de monges.

A região teve residentes célebres, como Shenouda, o Arquimandrita (348-466) e Nestório, o ex-patriarca de Constantinopla. Outro notório residente, Nonnus, um poeta grecorromano, nasceu na cidade. Ele teria composto uma Dyonysica (c.470) e depois convertido ao cristianismo e composto uma versão poética do evangelho de João.

As escavações em Akhmim em 1886 por uma missão arqueológica francesa liderada Sylvain Grébant revelaram numerosos manuscritos cristãos. Entre os achados estão os fragmentos do Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro, Martírio de São Julião, os Atos do Concílio de Éfeso, bem como numerosas outras inscrições cristãs. A maior parte data dos séculos VIII ou IX d.C.

P. Cair. 1075 é o códice, hoje de local incerto, de 33 folhas que continha o Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro e o Martírio de São Julião.

Antíoco IV

Antíoco IV Epífanes (reinado de 175 a 164 a.C.) foi um governante selêucida que proibiu o judaísmo na tentativa de helenizar a Judeia.

A revolta dos Macabeus explodiu em reação ao sacrifício de Antíoco a Zeus no templo, o que foi chamado de “abominação da desolação” (Dn 11:31; 12:11; 1 Mac 1:54).

Antíoco, o Grande

Antíoco III, cognominado de o Grande, foi um rei da dinastia helenista selêucida. Baseado na Síria, governou desde a Ásia Menor até a Pérsia entre 223-187 a.C.

Vários dos eventos descritos em Dn 11 correspondem às ações de Antíoco III durante as guerras sírias, travadas entre os impérios ptolomaico e selêucida.

BIBLIOGRAFIA
Apiano de Alexandria, Guerra Síria, 1-44
Cássio Dio, História Romana, 19
Josefo, Antiguidades Judaicas, 12.129ff, 12.414
Lívio, História de Roma, 33-38
Diodoro da Sicília, Biblioteca de História Mundial, 28-29, 31.19
Políbio de Megalópole, História Mundial, 5.40, 10.28-31, 11.34/39, 15.20, 16.18-20, 21.6-24.

Arade

A cidade de Arade na borda do deserto do Negebe é mencionada três vezes em conexão com as peregrinação de Israel no deserto e com a conquista de Canaã. Esta cidade-estado com um rei cananeu não foi conquistada pelo povo de Israel (Nm 21:1; 33:40; Js 12:14).

Arade foi inicialmente fundada no Terceiro Milênio, depois de despovoada nos meados da Idade do Bronze até ser refundada no século X aC.

Por sua posição estratégica, Arade passou a ser um entreposto comercial e ponto de guarda de fronteira. Por essa razão, foi construído um forte.

Em Arade foram descobertos quase 200 óstracas de diversos períodos. Notavelmente importante são as óstracas do arquivo de Eliashib, datadas dos séculos VI-VII. As cartas desse destacamento militar atestam um letramento relativamente alto nessa época.

O Arquivo de Eliashib, encontrado em Arade, é uma coleção de óstracos descoberta em um cômodo específico, provavelmente um posto de guarda ou escritório administrativo, dentro da fortaleza judaíta nessa cidade. Datados do final do período monárquico, especificamente das últimas décadas do século VII ou do início do século VI a.C., pouco antes da conquista babilônica de Judá, esses documentos fornecem um vislumbre da vida cotidiana e da administração militar em uma fortaleza de fronteira. O nome Eliashib, filho de Eshiyahu, aparece recorrentemente, sugerindo fortemente que ele era o comandante ou intendente responsável pela fortaleza durante este período crítico. Os textos, escritos em escrita paleo-hebraica, consistem principalmente em correspondência administrativa curta, ordens militares e notas logísticas. Eles detalham a distribuição de suprimentos essenciais como vinho, farinha e azeite para soldados, mensageiros e, notavelmente, para grupos específicos como os Kittiyim, geralmente interpretados como mercenários possivelmente de origem cipriota ou egeia a serviço de Judá. Além das listas de nomes e das instruções de fornecimento, alguns óstracos contêm breves cartas ou memorandos dirigidos a Eliashib ou enviados por ele, tratando de assuntos da guarnição. Este arquivo é de valor inestimável por oferecer evidência direta sobre a administração militar judaíta, a economia local, as práticas de escrita e alfabetização fora da elite de Jerusalém, a composição das forças militares e a situação tensa na fronteira sul de Judá às vésperas de sua queda.

Em Arade havia um templo. Descoberto principalmente pelas expedições lideradas por Yohanan Aharoni a partir da década de 1960, o templo estava situado dentro da cidadela e funcionou aproximadamente entre os séculos IX e finais do VIII ou VII a.C. Sua arquitetura seguia um plano tripartido, reminiscente da descrição bíblica do Templo de Salomão, compreendendo um pátio aberto (ulam) que continha um altar sacrificial construído com pedras brutas, conforme prescrições bíblicas, uma sala principal (hekhal) e um santuário interno elevado, o Santo dos Santos (debir). Notavelmente, o debir não continha uma imagem antropomórfica, mas sim duas estelas de pedra verticais (massebot), uma maior que a outra, flanqueadas por dois pequenos altares de incenso. A presença destas massebot é interpretada como uma forma de culto anicônico, representando a presença divina, e tem gerado debate acadêmico sobre se simbolizavam apenas Yahweh ou Yahweh e uma divindade consorte, como Asherah, refletindo a complexidade da religião judaíta pré-exílica.

Entre as ôstracas encontradas em Arad, incluindo algumas que mencionam a “Casa de Yahweh”, reforçam a identificação do local como um centro de culto judaíta. O templo foi intencionalmente e cuidadosamente desativado – as massebot foram encontradas deitadas e o altar sacrificial coberto –, um ato frequentemente associado às reformas religiosas centralizadoras dos reis Ezequias ou Josias, que visavam confinar o culto sacrificial exclusivamente ao Templo de Jerusalém. Assim, o templo de Arade representa uma evidência arqueológica fundamental tanto da existência de culto oficial fora de Jerusalém quanto da subsequente imposição de medidas de centralização religiosa no reino de Judá.

Antioquia da Síria


Antioquia era uma das cidades mais proeminentes do Império Romano, com uma boa localização junto ao Rio Orontes e centro das rotas comerciais na então Síria.

Localiada na atual cidade turca de Antakya, Antioquia foi fundada no final do século IV a.C. por Seleuco I Nicator, um dos generais de Alexandre, o Grande. Como outras cidades com o mesmo nome, é uma homenagem ao pai de Seluco, Antígono.

Foi um centro do cristianismo primitivo, onde a palavra “cristão” foi aplicada pela primeira vez aos seguidores de Jesus (Atos 11:26)