Conto de Bagasraw

Manuscrito do Mar Morto 4Q550, Proto-Ester.

É um conjunto de seis fragmentos aramaicos encontrados em Qumran entre os Manuscritos do Mar Morto (c. 250 aC – 50 dC) publicado por J. T. Milik em 1992 e intitulado “4Q proto Aramaic Esther”.

Trata-se de uma “história da corte” que parece recontar as aventuras de um grupo de judeus na corte dos reis persas Dario e Xerxes. O protagonista é Bagasraw (Bagasro e Bagasrava), talvez filho de Patireza. Homem temente a Deus, Bagarasraw foi recompensado pelo rei persa por suas boas ações.

Outro membro da corte, Bagashe (ou Bagoshi) avisa Bagasraw sobre seus adversários.

No início do texto (conforme reconstrução), uma “princesa” também é mencionada.

A narrativa é ambientada na corte da Pérsia, com o final do texto menciona especificamente a Media, a Pérsia e a Assíria. O rei persa parece ser filho de Dario I, talvez mesmo rei em Ester, Assuero (Xerxes).

BIBLIOGRAFIA

https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q550-1?locale=en_US

Cook, Edward M. “The Tale of Bagasraw.” Pages 437–39 in The Dead Sea Scrolls: A New Translation. Translated by Michael O. Wise, Martin G. Abegg, Jr. and Edward M. Cook. San Francisco: HarperOne, 1996.

Collins, John J., Deborah A. Green. “The Tales from the Persian Court (4Q550a–e) in Antikes Judentum und Frühes Christentum, pp. 39–50. Berlin, 1999.

Crawford, Sidnie White. “Has Esther Been Found at Qumran? 4Qproto-Esther and the Esther Corpus.” Revue de Qumrân 17 (1996), 307–325.

Milik, J. T. “Les modeles arameens du livre d’Esther dans la Grotte 4 de Qumran.” Revue de Qumran 15 (1992): 321–406.

VanderKam, James C. and Peter Flint. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance for Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. New York: HarperCollins, 2002.

Wechsler, Michael G. “Two Para-Biblical Novellae from Qumran Cave 4: A Reevaluation of 4Q550.” Dead Sea Discoveries 7 (2000): 130–72.

Comunhão

Do grego κοινωνία, koinonia, comunhão, participação conjunta, cooperação, prática de intimidade.

O termo possui vários significados e matizes.

1. Koinonia: do grego κοινωνία, aparece em 43 lugares no Novo Testamento e nenhuma vez na Septuaginta para denotar comunhão em diversas nuances.

Em sentido amplo, koinonia é expressa na physis (natureza humana corpórea), a qual todos compartilham (Hb 2:14).

Outro sentido é o de cooperação ou colaboração (Lc 5:10; 2 Co 8:23); compartilhamento de recursos para a coexistência (At 2:42).

Há outros sentidos específicos em relação a divindade e fraternidade, com algumas detonações são relevantes salientar.

A koninonia denota a interrelação divina e seu caráter (2 Pe 1: 4), além de compartilhamento com Deus (1 Jo 1:6), entre Pai e Seu Filho (1 Jo 1:3), com Jesus (1 Co 1:9) e seus sofrimentos (Fp 3:10; 1 Pe 4:13), com sua glória futura (1 Pe 5: 1), com o Espírito Santo (2 Co 13:14; Fp 2:1).

O Novo Testamento menciona a possibilidade de koinonia com o sangue e o corpo de Cristo (1 Coríntios 10:16), bem como com sacrifícios a ídolos (1 Coríntios 10:18-20).

Há o mandado para haver koinonia com outros cristãos, seus sofrimentos, consolo e fé (At 2:42; 2 Co 1: 7; Fp 4:14; Gl 2: 9; 1 Jo 1: 3, 1: 7; Hb 10:33; Ap 1: 9; Fl 1:6, 17).

Em si, a koinoia uma dádiva espiritual (Rm 11:17), recebida com o evangelho (1 Co 9:23). Ainda que haja elementos incompatíveis (2 Co 6:14), mesmo as más obras podem ser efetualmente compartilhadas (Mt 23:30; Ef 5:11; 1 Tm 5:22; 2 Jo 1:11; Ap 18:4), de modo que afetam uns aos outros.

É ato de koinonia compartilhar o evangelho (1 Coríntios 9:23; Filipenses 1:5), suas graças (Rm 15:27; Fl 1: 7), atender as necessidades materiais (Rm 12:13, 15:26-27; 2 Co 8:4, 9:13; Gl 6:6; Fp 4:15; 1 Tm 6:18; Hb13:16).

2. Fé: nos escritos paulinos o termo pistis, fé, para incluem os sentidos de vnculo de confiança e comunidade. Mais que um estado subjetivo de emoção, crença ou cognição, fé nesse contexto paulino é relacional (1 Ts 1:8; 3:2; 1 Co 2:5; 2 Co 15:14; Gl 2; Gl 6:10).

3. Egrégora: ἐγρήγορος egrêgoros, estar em vigilância, estar desperto, o sentimento e atmosfera quando um grupo compartilha uma motivação, direção e propósito. Em contexto de culto, denota à presença de Jesus Cristo mediante o Espírito Santo na assembleia dos fiéis. (Mt 18:20; Jo 14:26; At 2:1-4; Ez 36:27; Cl 4:2).

Koinonia é central na mensagem de Cristo, a qual se resume estar em uma comunhão de amor com Deus e o próximo (Mt 22:37-39).

Caftoritas

Caftoritas ou caftorim seriam um povo originário de Caftor. Caftor, em hebraico כַּפְתּוֹר‎, é referido em Dt 2:23; Am 9:7 como região de origem dos filisteus. Jeremias se refere aos filisteus como “o remanescente das costas de Caftor” (Jr 47:4).

A localização de Caftor é incerta. Os locais possíveis seriam Creta, Chipre ou a costa da Cilícia. Menções provenientes de Ugarit, Mari e Egito indicam ser uma região conhecida e com recorrentes contatos na Idade do Bronze.

Os caftoritas (Gn 10: 13-14; 1 Cr 1: 11-12) seriam descendentes de Cam, filho de Noé, por meio de Mizraim (Egito), sendo identificados com os filisteus.

Os caftoritas migraram e desapropriaram a terra dos heveus, na costa sul de Canaã.

Cinco Solas

Sumários dos ideais da Reforma e do cristianismo protestante.

SOLA FIDE

Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. Rm 1:17

SOLA GRATIA

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Ef 2:8-9

SOLO CHRISTUS

Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo. 1 Tm 2:5-6

SOLA SCRIPTURA

Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra. 2 Tm 3:16-17

SOLI DEO GLORIA

Porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém! Rm 11:36

Os Cinco Solas foram um sumário elaborado progressivamente por Theodore Engelder (1916), Emil Brunner (1934, 1960) e Geoffrey R. Eldon (1958) para os ideais doutrinários da Reforma e do cristianismo protestante.

Originalmente, H. H. Walker criou os slogans em 1912 para sintetizar o pensamento do líder confessional luterano nos Estados Unidos, C. F. W. Walther.

Nas comemorações dos 400 anos da Reforma, Engelder (1865-1949), professor do Seminário Concordia, nos Estados Unidos, utilizou-os em uma tríade para resumir a doutrina de Lutero.

Depois em 1917, o teólogo holandês Bavinck propôs que toda a reforma foi orientada pela scriptura sola, gratia sola et fides sola.

Com base na teologia de Karl Barth, Brunner expandiu-os para cinco. Em sua análise da história da Reforma, Eldon utilizou esses princípios.

BIBLIOGRAFIA

Bavinck, Herman“De Hervorming en ons nationale leven,” in Ter herdenking der Hervorming, 1517–1917. Twee redevoeringen, uitgesproken in de openbare zitting van den senaat der Vrije Universiteit op 31 October 1917, ed. H. Bavinck and H. H. Kuyper. Kampen: Kok, 1917.

Brunner, Emil. Dogmatics III: The Christian Doctrine of the Church, Faith and the Consummation. Cambridge, England: James Clarke & Co., 1962, p. 221.

Brunner, Emil. The Mediator: A Study of the Central Doctrine of the Christian Faith. Cambridge, England: The Lutterworth Press, 1934, p. 295.

Corzine, Jacob “The  Source of the Solas: On the Question of Which are the Original Solas,” in Theology  is Eminently Practical: Essays in Honor of John T. Pless, ed. Jacob Corzine and Bryan  Wolfmueller. Fort Wayne: Lutheran Legacy, 2012, p. 67.

Eldon, Geoffrey. R. The New Cambridge Modern History. II. The Reformation: 1520-59. Cambridge, England: Cambridge University Press, 1958, p. 118.

Engelder, Theodore “The Three Principles of the Reformation: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides,” in Four Hundred Years: Commemorative Essays on the Reformation of Dr.  Martin Luther and its Blessed Results, in the Year of the Four-hundredth Anniversary of the Reformation, ed. W. H. T. Dau.St. Louis: Concordia, 1916, pp 97–109, 99.

Van den Belt, Henk. “Sola Scriptura: An Inadequate Slogan for the Authority of Scripture.” Calvin theological journal 51 (2016): 204-226.

Walker, H. H. “Carl Ferdinand Wilhelm Walther, D.D. The Luther of America,” Lutheran Quarterly 12 (1912): 358. 

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