Filosofia

A filosofia, em grego “o amor à sabedoria”, assume uma diversidade muito ampla de significados e conotações.

No mundo greco-romano, “a filosofia foi dividida em três ciências: física (lidando com o cosmológico e o mundo natural), ética e lógica (incluindo um pouco a dialética e outras atividades de fala).

Embora como disciplina, pensadores mesopotâmicos, egípcios, indianos e chineses tenham desenvolvido uma forma institucionalizada de busca da Sabedoria, os gregos a sistematizaram e transmitiram à civilização ocidental.

A literatura sapiencial no Antigo Testamento, a filosofia de Fílon de Alexandria, o corpus joanino e paulino no Novo Testamento. No entanto, em Cl 2:9, Paulo se refere a algo tão prejudicial ao cristianismo como “filosofia”. Isso está alinhado com a crítica que Paulo faz à sabedoria humana quando comparada com a revelação divina (cf. 1 Co 1:18-25; 2 Co 2:6-16; At 17:16-34).

Durante o período patrístico, a recepção cristã da filosofia era ambígua (Justino Mártir e Clemente de Alexandria viam o pensamento cristão como uma filosofia superior, Tertuliano o desprezava).

Durante a idade média, as igrejas foram responsáveis por preservar a filosofia greco-romana, que se confundiu com a teologia.

O Renascimento e a Reforma marcaram uma separação entre filosofia e teologia.

Atualmente, muitos filósofos discutem as implicações da doutrina cristã com um raciocínio filosófico.

Heber

Nome de nove personagens e um lugar bíblicos escritos com duas ortografias e sentidos distintos que se perdem em português.

Com a grafia עֵבֶר, Éber.

1. O bisneto de Sem, pai de Pelegue e Joctã (Gn 10: 24-25; Gn 11: 14-17; 1Cr 1: 18-19; 1Cr 1:25), ancestral de Abrão (Gn 11: 17-26 ) e Jesus (Lucas 3:35). Tradicionalmente apontado como ancestral epônimo dos hebreus ou habiru, embora hoje a etimologia e a semântica desse último refira-se não a uma etnia, mas às populações diversas que viviam em seminomadismo e, por vezes, atacando vilas e cidades.

2 Região ao lado da Assíria em (Nm 24:24), provavelmente a região e a população “além do rio” (Eufrates).

3 O chefe da família sacerdotal de Amoque na geração seguinte àquela daqueles que retornaram a Jerusalém com Josué e Zorobabel (Ne 12:20).

4 Um gadita (1Cr 5:13).

5 Um benjamita, filho de Elpaal (1Cr 8:12).

6 Um benjamita, filho de Sasaque (1Cr 8:22).

Com a grafia חבר existem quatro pessoas com o nome Heber:

1 Patriarca epônimo de uma linhagem da tribo de Aser (Gn 46:17; Nm 26:45; 1Cr 7: 31-32).

2 Pai ou fundador de Soco em Judá (1Cr 4:18).

3 família em Benjamin (1Cr 8:17).

4 O marido queneu (“ferreiro”) de Jael que matou Sísera em sua tenda (Juízes 4:21; Juízes 5:24). Heber havia migrado para o território de Naftali, que tinha uma fronteira comum com Aser, e se estabeleceu em paz com Jabim, rei de Canaã, em Hazor (Jz 4:11; Jz 4:17).

Moabe, Moabitas

Os moabitas, juntos dos amonitas, eram povos vizinhos, aparentados e ocasionais inimigos dos antigos israelitas. Viviam na região onde hoje é a Jordânia.

O território de Moabe localizava-se ao leste do Mar Morto, diante do deserto da Judeia. Trata-se de um plano árido até subir abruptamente cerca de 1.200 m de altitude em uma planície mais fértil que se estende por cerca de 24 quilômetros da escarpa até o deserto da Arábia. Seus vizinhos ao norte eram os amonitas e ao sul os edomitas, enquanto que a leste estava o deserto do Norte da Arábia.

Pouco se conhece dos moabitas. As fontes assírias, egípcias e a Bíblia constituem as principais peças para reconstruir sua história. Sua língua, o moabita, era um mero variante do contínuo linguístico cananeu do qual também se inclui o hebraico. A língua é atestada pela Estela de Mesa ou Pedra Moabita.

De acordo com a narrativa bíblica, a origem de Moabe seria o filho de Ló nascido de um relacionamento incestuoso com sua filha mais velha (Gn 19:30-38). Mais tarde, na fase final do êxodo, o rei moabita Balaque contratou o profeta Balaão para amaldiçoar os israelitas (Nm 22-24). Israel acampou nas planícies de Moabe antes de entrar na terra prometida (Nm 35:1; Dt 1:5), quando ocorreu o incidente de Baal-Peor (Nm 25).

Já no período dos juízes, o rei moabita Eglom oprimiu os israelitas, mas foi assassinado por Eúde (Jz 3:12-30). A moabita Rute, também ambientada no período dos juízes, é incorporada ao povo de Judá. Saul e Davi lutaram contra os moabitas, conquistando-os (1Sm 14:47; 2Sm 8:2). No período dos reis, os moabitas são mencionados apenas ocasionalmente (2 Re 3; 2 Re13:20; 2Re 24:2; Is 15-16; Jr 48; Sofonias 2:8-11).

Moabe é mencionado pela primeira vez no século XIII a.C. por Ramsés II, assim como referências a Dibom e Butartu.

Os dados arqueológicos identificam três fases da sociedade moabita.

A primeira, durante o período Ferro I, consistia em uma coleção de pequenos povoados do final do 2o Milênio, baseando em economias familiares e comunitárias de subsistência agro-pastoril. Com o controle do wadi de Árnom (Mujib), a região de Moabe viu um aumento dramático no povoamento tanto ao norte quanto ao sul do wadi devido à sedentarização dos povos nômades.

No final do século IX, já no começo da Idade do Ferro II, surge uma chefatura mais centralizada. Isso é condizente com a ameaça do expansionismo da monarquia israelita.

Como sugerem Is 15-16 e Jr 48, no final do século VIII a.C. ocorreu expansão da fronteira norte de Moabe até o estado amonita em Jalul. A Estela de Mesa, uma inscrição de um dos primeiros reis de Moabe, descreve como ele enfrentou os israelitas, aumentou seu território, estabeleceu uma nova capital e centro de culto em Dibom.

O Império Neo-Assírio passou a cobrar tributos dos moabitas e a dominar como suserano a partir do século VIII a.C. Mesmo assim, a produção pastoralista e têxtil cresceram. Já na fase final da Idade do Ferro (Império Babilônico), os moabitas desaparecem como sociedade distinta e sua região foi repovoada por nômades árabes.

Em geral, há um tom de hostilidade e rivalidade no Bíblia em relação aos moabitas e amonitas (Números 25:1–5; Deuteronômio 23:3; Juízes 3:12–13; Juízes 11:4; 1 Samuel 11–12; 2 Samuel 8; 10; 2 Reis 3; 2 Reis 24:2; Isaías 15:1–16:13; Jeremias 48:1–49:6; Ezequiel 25:2–9; Amós 1:13–2:3; Sofonias 2:8–9). Contudo, há conotações positivas em Deuteronômio 2:9, 18 e Rute 1–4.

Cosmogonia

Cosmogonia é um termo usado para descrever o estudo da origem, moldagem e evolução do universo ou do cosmos. Em contextos religiosos e mitológicos, refere-se à história ou mito da criação que explica como o mundo ou o universo surgiu.

A história da criação na Bíblia pode ser compreendida por meio de três diferentes processos de criação:

Criação por Fala Divina quando Deus cria o universo falando para que as coisas existam. Aparece descrito em Gênesis 1:3, onde Deus diz: “Haja luz”, e houve luz. Este processo de criação pelo discurso divino continua ao longo dos seis dias da criação, com Deus usando palavras para criar o céu, a terra, os mares e todas as criaturas vivas.

Criação por Artefato Divino: quando Deus trabalha em formar a criação. Este processo de criação é descrito como mais intencional e deliberado do que o primeiro, pois Deus forma os seres humanos do pó da terra e sopra vida neles. Este processo de criação por artefato divino enfatiza a relação especial entre Deus e os seres humanos. O relato de Gênesis 2 e Provérbios 8:22-31.

Criação por Batalha Cósmica ou Chaoskampf entre Deus e as forças do caos. Esta batalha representa a luta entre ordem e caos, luz e escuridão, bem e mal. Na história da criação, as forças do caos são representadas pelas águas primordiais, que Deus separa para criar o céu e o mar. São exemplos Jó 38 e 2 Pedro 3:5-6.

As Escrituras Hebraicas ou o Antigo Testamento cristão possuem um conjunto de cosmogonias ou narrativas de criação. Apesar de Gênesis 1 ser a cosmogonia mais conhecida, outras estão presentes na Bíblia. Estas são as mais notórias:

Em comum essas cosmogonias combinam diferentes motivos literários. São eles: a criação pela vitória na batalha contra o mal ou caos primevo representado pelas águas ou seus monstros; a criação por comando da palavra divina e a criação mediante a artesania.

BIBLIOGRAFIA

Alves, Leonardo M. “Criação: as cosmogonias bíblicas”. Ensaios e Notas, 2020.