Estela de Mesa

A Estela de Mesa (Messá ou Mesha) também chamada de Pedra Moabita.

Esta rocha de basalto com uma inscrição em moabita — uma variante da língua cananeia da qual o hebraico faz parte — registra a revolta do rei moabita Mesa contra o Reino de Israel da dinastia dos omritas depois da morte de Acabe.

A estela foi erigida na dedicação do templo do deus moabita, Quemós, na cidadela de Qeriḥo. Vale notar que descreve a destruição de templos israelitas em Atarote e Nebo bem como o saque de objetos de culto a Yahweh. A inscrição também atesta o costume de colocar toda a população de um território conquistado sob um intérdito (ḥērem) de uma divindade nacional.

A estela teria sido feita por volta de 840 a.C. e foi encontrada em Díbom, a antiga capital de Moabe. Hoje se encontra no Museu do Louvre, em Paris. A estela foi adquirida pelo missionário Frederick Augustus Klein (1827–1903) — alemão com cidadania francesa — da Sociedade Missionária da Igreja Britânica na Jordânia. Hoje se encontra no Museu do Louvre, em Paris.

Contexto de 2 Reis 3:4-27

Então, Mesa, rei dos moabitas, era contratador de gado e pagava ao rei de Israel cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã. Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, se revoltou o rei dos moabitas contra o rei de Israel. Por isso, Jorão, ao mesmo tempo, saiu de Samaria e fez revista de todo o Israel. E foi e enviou a Josafá, rei de Judá, dizendo: O rei dos moabitas se revoltou contra mim; irás tu comigo à guerra contra os moabitas? E disse ele: Subirei e eu serei como tu, o meu povo, como o teu povo, e os meus cavalos, como os teus cavalos. E ele disse: Por que caminho subiremos? Então disse ele: Pelo caminho do deserto de Edom.

E partiu o rei de Israel, e o rei de Judá, e o rei de Edom; e andaram rodeando com uma marcha de sete dias, e o exército e o gado que os seguia não tinham água. 10 Então, disse o rei de Israel: Ah! Que o Senhor chamou a estes três reis, para os entregar nas mãos dos moabitas. 11 E disse Josafá: Não  aqui algum profeta do Senhor, para que consultemos ao Senhor por ele? Então, respondeu um dos servos do rei de Israel e disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias. 12 E disse Josafá: Está com ele a palavra do Senhor. Então, o rei de Israel, e Josafá, e o rei de Edom desceram a ele.

13 Mas Eliseu disse ao rei de Israel: Que tenho eu contigo? Vai aos profetas de teu pai e aos profetas de tua mãe. Porém o rei de Israel lhe disse: Não, porque o Senhor chamou estes três reis para os entregar nas mãos dos moabitas. 14 E disse Eliseu: Vive o Senhor dos Exércitos, em cuja presença estou, que, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não olharia para ti nem te veria. 15 Ora, pois, trazei-me um tangedor.

E sucedeu que, tangendo o tangedor, veio sobre ele a mão do Senhor. 16 E disse: Assim diz o Senhor: Fazei neste vale muitas covas. 17 Porque assim diz o Senhor: Não vereis vento e não vereis chuva; todavia, este vale se encherá de tanta água, que bebereis vós e o vosso gado e os vossos animais. 18 ainda isto é pouco aos olhos do Senhor; também entregará ele os moabitas nas vossas mãos. 19 E ferireis todas as cidades fortes, e todas as cidades escolhidas, e todas as boas árvores cortareis, e tapareis todas as fontes de água, e danificareis com pedras todos os bons campos. 20 E sucedeu que, pela manhã, oferecendo-se a oferta de manjares, eis que vinham as águas pelo caminho de Edom; e a terra se encheu de água.

21 Ouvindo, pois, todos os moabitas que os reis tinham subido para pelejarem contra eles, convocaram a todos os que cingiam cinto e daí para cima e puseram-se às fronteiras. 22 E, levantando-se de madrugada, e saindo o sol sobre as águas, viram os moabitas defronte deles as águas vermelhas como sangue. 23 E disseram: Isto é sangue; certamente que os reis se destruíram à espada e se mataram um ao outro! Agora, pois, à presa, moabitas! 

24 Porém, chegando eles ao arraial de Israel, os israelitas se levantaram, e feriram os moabitas, os quais fugiram diante deles; e ainda os feriram nas suas terras, ferindo ali também os moabitas. 25 E arrasaram as cidades, e cada um lançou a sua pedra em todos os bons campos, e os entulharam, e taparam todas as fontes de águas, e cortaram todas as boas árvores, até que  em Quir-Haresete deixaram ficar as pedras, mas os fundeiros a cercaram e a feriram. 

26 Mas, vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra ele, tomou consigo setecentos homens que arrancavam espada, para romperem contra o rei de Edom, porém não puderam. 27 Então, tomou a seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o ofereceu em holocausto sobre o muro; pelo que houve grande indignação em Israel; por isso, retiraram-se dele e voltaram para a sua terra.

Texto da Pedra Moabita

Sou Mesa, filho de Quemós-gade, rei de Moabe, o dibonita. Meu pai reinou trinta anos sobre Moabe e eu reinei depois de meu pai.

E eu construí este santuário para Quemós em Qeriho, um santuário de salvação, pois ele me salvou de todos os agressores e me fez olhar para todos os meus inimigos com desprezo.

Onri foi rei de Israel e oprimiu Moabe durante muitos dias, e Quemós ficou irado com suas agressões. Seu filho o sucedeu, e ele também disse: Eu oprimirei Moabe. Nos meus dias ele disse: Vamos, e eu verei o meu desejo sobre ele e sua casa, e Israel disse: Eu irei destruí-la para sempre. Onri tomou a terra de Madeba e a ocupou em seus dias, e nos dias de seu filho, quarenta anos. E Quemós teve misericórdia disso no meu tempo.

E eu construí Baal-Meon e fiz ali a vala, e construí Quiriataim. E os homens de Gade habitaram no país de Atarote desde os tempos antigos, e o rei de Israel fortificou Atarote.

Ataquei a muralha e a capturei, e matei todos os guerreiros da cidade para o bem de Quemós e Moabe, e retirei dela todo o despojo, e o ofereci a Quemós em Quiriate. E coloquei ali os homens de Siran e os homens de Mocrate.

E Quemós me disse: Vai, toma Nebo de Israel. E eu fui de noite e lutei contra ele desde o raiar do dia até o meio-dia, e eu o tomei. E eu matei todos os sete mil homens, mas não matei as mulheres e donzelas, pois eu as devotei a Astar-Quemós; e tomei dela os vasos de Yahweh, e os ofereci diante de Quemós.

E o rei de Israel fortificou Jaaz, e a ocupou, quando ele fez guerra contra mim, e Quemós o expulsou de diante de mim. E eu tomei de Moabe duzentos homens ao todo, e os coloquei em Jaaz, e tomei para anexá-la para Dibom.

Construí Qeriho, a parede da floresta e a parede da Colina. Eu construí seus portões e construí suas torres.

Eu construí o palácio do rei e fiz as prisões para os criminosos dentro da muralha. E não havia poços no interior da parede em Qeriho. E eu disse a todo o povo: ‘Faça para cada um de vocês um poço em sua casa.’ E eu cavei o fosso para Qeriho com os homens escolhidos de Israel.

Eu construí Aroer e fiz a estrada através do Árnon. Eu tomei Bete-Bamote porque foi destruída. Construí Bezer porque foi abatido pelos homens armados de Daybon, pois Daybon agora era leal; e eu reinei de Bicran, que acrescentei à minha terra. E eu construí Bete-Gamul, e Bete-Diblataim, e Bete Baal-Meon, e coloquei lá os pobres da terra. E quanto a Horonaim, os homens de Edom habitaram nela, na descendência dos antigos.

E Quemós me disse: Desce, faz guerra a Horonaim e toma-o. E eu o ataquei, E eu o peguei, pois Quemós o restaurou em meus dias. Por isso fiz …. … ano … e eu ….

BIBLIOGRAFIA

COS 2.23 / ANET 320–321

Edom

Refere-se a (1) Esaú, irmão de Jacó (Gn 25:3o) e (2) a região do sul do Levante onde seus descendentes habitavam. Mais tarde seria chamados em grego de Idumeia.

Além da Bíblia, são mencionados em documentos egípcios. Aparecem em um lista do faraó egípcio Seti I de c. 1215 aC; na crônica de campanha de Ramsés III (r. 1186–1155 aC). A arqueologia demonstra que na região cresceu as vilas agrícolas e pastoreio seminômade entre os séculos XIII e VIII aC. A nação foi conquistada pelos babilônios no século VI aC.

Nos períodos babilônico e persa os edomitas foram empurrados para o oeste em direção ao sul de Judá por tribos nômades vindas do leste; como os nabateus noo século IV aC. Durante o século II aC, os edomitas foram convertidos à força ao judaísmo pelos asmoneus, fundindo-se com os judeus.

A sabedoria edomita era proverbial (Jr 49:7; Ob 8). No geral, os textos tentativamente identificados como edomitas na Bíblia refletem um pessimismo e resignação às circunstâncias da vida. Esses textos ou fontes incluem a hipótese edomita de Jó; Gn 26; Salmos 88; 89 6-19; Prov 30; 31 1-9, e a transmissão por vias edomitas do material egípcio contido em Sal 104 e Prov 22: 17-2.

A religião edomita era similar aos dos israelitas e outros semitas do sul do levante. Vários registros onomásticos e artefatos arqueológicos atestam os cultos a El, El-Baali e Manat/Manawat, Qos (que talvez seria a divindade nacional de Edom), Shamash, Nabu, Sin, Baal, Sidq, Shalem, Isis, Apis ou Osiris, bem como o digno de nota YWHW. O nome do deus Yaho é atestado pela onomástica e pela óstraca AL 283, a qual menciona um templo, a Casa de Yaho, entre os edomitas.


Zelotas

Os zelotas, em hebraico kanai (קנאי, plural, קנאים, kana’im) e em grego ζηλωτής, seria alguém zeloso em nome de Deus

Os zelotas um movimento político no Judaísmo do Segundo Templo que se rebelavacontra o Império Romano e expulsá-lo pela força das armas. Destacaram-se principalmente durante a Primeira Guerra Judaico-Romana (68- 70). Os zelotes costumam ser considerados defensores da revolta armada e de táticas de guerrilha.

Um dos discípulos de Jesus é chamado de Simão, o Zelota, (Lc 6:15; At 1:13; cf. At 22:3).

Ararate

Ararate, o local onde a arca de Noé pousou após o dilúvio (Gênesis 8:4), é um maciço montanhoso situado na atual Turquia, na região histórica da Armênia. O monte Ararate, com seus dois picos principais (Grande Ararate e Pequeno Ararate), é a montanha mais alta da Turquia e um símbolo nacional da Armênia.

A Bíblia não especifica qual dos picos foi o local de pouso da arca, mas a tradição e a interpretação posterior associaram o evento ao Grande Ararate. A região também é mencionada em 2 Reis 19:37 como o local para onde fugiram os filhos de Senaqueribe após assassinarem seu pai, o rei da Assíria.

Ararate, além de sua importância bíblica, possui um significado cultural e histórico profundo para os armênios, que o consideram um símbolo de sua identidade nacional. A montanha é frequentemente retratada na arte e na literatura armênia, e seu nome está presente em diversos topônimos e instituições do país.

Ver Armênia

Armênia

A Armênia não aparece com esse nome na Bíblia. Porém, a designação de Terra de Ararate, a região montanhosa parece indicar a região nos arredores do Lago Van (leste da Turquia, oeste do Irã, sul da Geórgia e Azerbaijão, o país atual da Armênia).

A Armênia, localizada na região do Cáucaso, na Eurásia, tem uma história longa e rica que remonta aos tempos pré -históricos. Os armênios são considerados uma das civilizações mais antigas do mundo, com uma linguagem e cultura distintas, de origem indoeuropeia.

Em Gn 8:4 a arca pousa nas montanhas de Ararate. Os assassinos de Senaqueribe fugiram de Nínive para lá (2Rs 19:37; Is 37:38). Mais tarde, após o colapso da Assíria, em Jr 51:27-28 Ararate e outras nações do norte são convocadas para atacar a Babilônia.

A primeira menção à Armênia nos registros históricos remonta ao século VI aC e, com o tempo, a região foi governada por vários impérios, incluindo persas, gregos, romanos e bizantinos.

No início do século IV, a Armênia se tornou a primeira nação a adotar o cristianismo como sua religião oficial sob o rei Tiridates III. Esse evento significativo levou ao estabelecimento da Igreja Armênia, que desempenhou um papel crucial na preservação da identidade e cultura armênia ao longo dos séculos de dominação estrangeira.

Durante o período medieval, a Armênia foi dividida em vários estados independentes, incluindo o Reino Bagratídeo e o Reino da Cilícia. Esses estados eram conhecidos por suas ricas tradições culturais e artísticas, incluindo a criação de belos manuscritos iluminados.

No início do século XX, a Armênia sofreu um genocídio nas mãos do Império Otomano, resultando na morte de cerca de 1,5 milhão de armênios. Este evento teve um profundo impacto na história e na cultura armênia e ainda é lembrado hoje como uma tragédia nacional. Em 1991, a Armênia declarou sua independência da União Soviética.

A Igreja Ortodoxa Armênia é uma das denominações cristãs mais antigas do mundo, com raízes que remontam aos primeiros dias do cristianismo. Mantém práticas litúrgicas e artes religiosas distintas. Teologicamente, pertencente às igrejas ortodoxas não-calcedonianas. A Igreja Armênia desempenhou um papel crucial na preservação da identidade e cultura armênia durante séculos de dominação estrangeira e continua sendo uma parte vital da vida armênia atual. Os católicos de todos os armênios, o chefe da Igreja Armênia, são considerados o líder espiritual do povo armênio e desempenha um papel significativo na vida nacional.

A literatura sagrada armênia é um importante testemunho para a crítica textual bíblica.

Há uma igreja católica uniata armênia, especialmente na Diáspora, além de comunidades protestantes armênias desde o século XIX.

A diáspora é ampla, com grandes comunidades na Rússia, Estados Unidos, França, Líbano e outros países.