Rib (gênero textual)

O רִיב rib ou rîb é um gênero textual presente em denunciações proféticas que imita os procedimentos de uma corte de justiça.

Os profetas também pronunciaram maldições por violar os pactos na forma de ações judiciais.  O ofício do profeta apresenta características de uma parte reclamante em pactos violados. Nissinen argumenta que a advocacia surgiu como o ofício político-religioso do profeta na Mesopotâmia, Mari e Antigo Israel.

Abundam os exemplos do rib, tal como Oseias 4; Miqueias 6:1-16; as sete cartas do Apocalipse; Isaías 1:2–7; 5:1-7; 43; Amós 3:1—4:13, dentre outros. Muitos livros e trechos bíblicos que estão estruturados como um processo judicial (Jó, Rute, Naum), o que demonstra um polinização cruzada.

BIBLIOGRAFIA

De Roche, Michael. “Yahweh’s Rîb Against Israel: A Reassessment of the So-Called “Prophetic Lawsuit” in the Preexilic Prophets.” Journal of Biblical Literature 102, no. 4 (1983): 563-574. https://doi.org/10.2307/3260866.

Gemser, Berend. “The rîb-* or controversy-pattern in Hebrew mentality.” Wisdom in Israel and in the ancient Near East. Brill, 1969. 120-137.

Huffmon, Herbert B. “The covenant lawsuit in the prophets.” Journal of Biblical Literature (1959): 285-295.

Kensky, Meira Z. Trying man, trying God: The divine courtroom in early Jewish and Christian literature. Vol. 289. Mohr siebeck, 2010.

Nissinen, Martti, ed. Prophecy in Its Ancient Near Eastern Context: Mesopotamian, Biblical and Arabian Perspectives. SBL Symposium Series 13. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2000.

Roscelino de Compiègne

Roscelino de Compiègne (c. 1050—ca. 1125) foi um filósofo escolástico medieval e um dos fundadores da modernidade.

No debate sobre os universais, Roscelino argumentou que os universais existiriam somente como nomes para serem aplicados pelos sujeitos às coisas (post res), fundando o nominalismo. Roscelino foi acusado de triteísmo. Afinal, dizer que Deus era referido por três res distintas – Pai, Filho e Espírito Santo – seria concluir que não havia uma unidade divina. No entanto, uma consequência inesperada do pensamento de Roscelino foi tirar a autoridade dos místicos e clérigos: o conhecimento não seria restrito a uma pessoa elevada aquela capaz de compreender os universais ou a divindade. Qualquer coisa — desse mundo ou mesmo divino — seria discutível por qualquer um que utilizasse os mesmos termos.

Rolo de Severo

O Rolo de Severo, também conhecido como Códice Severi, trata-se de uma versão proto-massorética da Bíblia Hebraica.

O manuscrito de Severo era um pergaminho perdido da Torá que teria sido levado para Roma pelo Imperador Tito como parte dos despojos após a queda de Jerusalém em 70 DC. Um século e meio depois, o Imperador Severo Alexandre presenteou=lhe para uma sinagoga em Roma.

O manuscrito de Severo continha 33 variantes comparadas com o texto massorético. Essas variantes ão em sua maioria pequenas diferenças devido a variantes na omissão ou adição de palavras, plene e scriptum defeituoso, e o enfraquecimento de guturais. A lista de variantes foi introduzida no século XI no midrash Gênesis Rabah e aparece em três manuscritos medievais. Duas cópias aparecem na Bíblia Farhi, enquanto a terceira está no manuscrito hebraico 31 na Bibliothèque nationale de France em Paris. As quatro versões da lista não são idênticas. Tanto o códice quanto a sinagoga pereceram, mas a lista de 32 passagens na Massorá em que este códice diferia de outros códices foi preservada.

Algumas variantes relevantes são “vestimentas de luz” no lugar de “vestimentas de pele” em Gênesis 3:21 e “vendeu sua espada” no lugar de “vendeu sua primogenitura” em Gênesis 25:33.

No total, as variantes listadas são

  1. Gênesis 1:31.
  2. Gênesis 3:21.
  3. Gênesis 18:21.
  4. Gênesis 24:7.
  5. Gênesis 25:33.
  6. Gênesis 27:2.
  7. Gênesis 27:7.
  8. Gênesis 36:5.
  9. Gênesis 36:10.
  10. Gênesis 36:14.
  11. Gênesis 43:15.
  12. Gênesis 45:8.
  13. Gênesis 46:8.
  14. Gênesis 48:7.
  15. Êxodo 12:37.
  16. Êxodo 19:3.
  17. Êxodo 26:27.
  18. Levítico 4:34.
  19. Levítico 14:10.
  20. Levítico 15:8.
  21. Números 4:3.
  22. Números 15:21.
  23. Números 30:12.
  24. Números 31:12.
  25. Números 36:1.
  26. Deuteronômio 1:26.
  27. Deuteronômio 1:27.
  28. Deuteronômio 3:20.
  29. Deuteronômio 22:6.
  30. Deuteronômio 29:22.
  31. Deuteronômio 29:22.
  32. Deuteronômio 32:26.

Teodorico Pietrocola Rossetti

Teodorico Pietrocola Rossetti ou T. P. Rossetti (1825 – 1883) foi um poeta e ancião das igrejas livres italianas (irmãos). Escreveu vários hinos ainda hoje cantados.

Sobrinho do poeta e patriota Gabriele Rossetti, exilou-se na Inglaterra, onde sua família destacou-se nos ambientes literários e artísticos. Lá aderiu a uma igreja livre de exilados italianos. De volta à Itália em 1857, colaborou estreitamente com o conte Guicciardini. Foi ancião em igrejas de Alessandria e Florença.

As igrejas por eles influenciadas emergiram no movimento das Igrejas dos Irmãos (Chiese dei Fratelli).

Participou da revisão da Bíblia Diodati. Traduziu para o italiano o popular livro infantil Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Escreveu alguns panfletos e livretos doutrinários. Entre eles, destaca-se o Principii della chiesa romana, della chiesa protestante e della chiesa cristiana (1863).

Seu hinário Salmi, inni e canzoni spirituali (Firenze, Fratelli Pellas, 1867) seria utilizado em diversas igrejas e fonte para os principais hinários evangélicos italianos do século XX.

Traduziu do inglês o hino In The Sweet Bye And Bye de Sanford F. Bennett para o italiano como V’e’ una patria piu’ bella (Há uma pátria perfeita 334) e muitos outros.

É de sua autoria a poesia de vários hinos, tais como Gesù volge a noi la voce (“Fazei isto em memória de Mim” 419); Gloria nei cieli altissimi (Louvor nos céus altíssimos 284); Senza Dio (Sem Deus Pai 196).

Recabitas

Os recabitas eram um grupo de pessoas de um clã ou tribo dos queneus que habitavam em tendas e possuíam regras estritas quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, mencionados principalmente em Jeremias 35.

Os recabitas um grupo de pessoas originárias da região de Midiã e associadas aos israelitas. Os recabitas mantiveram uma adesão estrita a um conjunto de regras dadas a eles por seu ancestral Jonadabe, contemporâneo do rei Jeú de Israel no século IX aC.

Os recabitas viviam em tendas e seguiam um estilo de vida nômade. No entanto, com a ameaça da invasão estrangeira, os recabitas buscaram refúgio em Jerusalém.

O profeta Jeremias usou os recabitas como exemplo de fidelidade e obediência a Deus, contrastando-os com os israelitas que se afastaram de Deus e se recusaram a ouvir suas advertências. Em Jeremias 35, Jeremias levou os recabitas ao Templo e ofereceu-lhes vinho, mas eles recusaram, citando o mandamento de seu ancestral Jonadabe de se abster de vinho e sua adesão a seus mandamentos como prova de sua fidelidade.

Em 1 Crônicas 2:55, os recabitas apacerem como escribas da tribo de Judá. No livro de Neemias diz um grupo deles ajudou a consertar o muro de Jerusalém (Neemias 3:14).

Existem várias lendas e tradições de historicidade questionável. Em uma tradição, diz-se que os recabitas foram recompensados por sua fidelidade ao serem autorizados a servir como porteiros no Templo de Jerusalém. Em outra tradição, dizem que eles se tornaram uma classe sacerdotal, servindo como assistentes dos levitas. Na tradição islâmica, os recabitas são conhecidos como Banu Harith e dizem ter sido seguidores do profeta Elias, tendo se estabelecidos em Khaybar. São mencionados em vários textos islâmicos, incluindo o Hadith, que relata uma história na qual o Maomé elogia os recabitas por sua piedade e adesão aos mandamentos de seus ancestrais.

Por volta de 312 a.C., Jerônimo de Cárdia, um general de Alexandre, o Grande, relata sobre um povo na região de Nabateia que não plantava, não construía casas e não bebia nada alcoólico. (Diodoro S. 19, 94)

O rabino Halafta (séculos I-II d.C) seria descendente dos recabitas. A apócrifa História dos Recabitas, desde a antiguidade tardia, detalha a jornada de um monge chamado Zósimo à “Terra dos Recabitas”. Em 1839, o missionário Joseph Wolff disse ter encontrado no Iêmen, perto de Sana’a , um homem que afirmava ser descendente de Jonadabe.

BIBLIOGRAFIA

Karel van der Toorn, “Ritual resistance and self-assertion: the Rechabites in Early Israelite religion”, Pluralism and identity: Studies in ritual behaviour, SHR 67, 1995.