Sinterese

Sinterese, Sinteresia ou sintérese (συντήρησιν) é um termo teológico para descrever um aspecto da consciência de alguém pelo qual se pode julgar o certo do errado e decidir o que constitui uma boa conduta em oposição à sineidese.

Aparece no Comentário sobre Ezequiel de Jerônimo. A sinterese seria um dos poderes da alma e é descrita como a centelha da consciência (scintilla conscientiae). O conceito de Jerônimo foi debatido por Alberto Magno e Tomás de Aquino com bases aristotélicas. Boaventura a considerou como a inclinação natural da vontade para o bem moral.

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Yetzer ha-Ra’

Sursum Corda

O Sursum corda, em latim “Elevai os vossos corações”, é o diálogo de abertura do Prefácio da Oração Eucarística ou Anáfora em várias liturgias cristãs.

O termo e a prática remontam pelo menos ao século III e à Anáfora da Tradição Apostólica. É dirigida pelo celebrante à congregação. A resposta é: ‘Habemus ad Dominum’, tradicionalmente traduzido como ‘Nós os elevamos ao Senhor’

Francisco Suarez

Francisco Suarez (1548-1617), muitas vezes referido como “Doutor Eximius”, foi um teólogo e filósofo jesuíta do final do Renascimento e do início do período barroco.

Suarez, expoenta da Escola de Salamanca, influenciou o desenvolvimento da segunda escolástica. A obra de Suárez marcou uma transição do pensamento escolástico renascentista para o barroco, um marco na filosofia católica.

Seu tratado sistemático de metafísica, intitulado “Disputationes Metaphysicae” (1597) construiu sobre os fundamentos lançados por Aristóteles e Tomás de Aquino. Suárez introduziu várias ideias distintas, incluindo a rejeição da distinção real entre essência e existência, a negação do princípio de individuação pela pura potencialidade da matéria e o conceito de que qualquer entidade é um princípio de individuação em si.

Em sua obra “De Legibus”, Suárez desenvolveu uma teoria volitiva do direito natural. Argumentou que a lei natural representa a Vontade de Deus, enquanto a lei humana reflete a vontade dos humanos. Segundo Suárez, essas duas esferas do direito devem ser harmonizadas para estabelecer a justiça. Assim, seus argumentos de defesa do direito natural alcança inclusive povos não cristãos, como era a questão sobre o direito dos indígenas americanos.

O fundamento da ética estaria na natureza humana, chegando ao ponto de propor que a ordem natural seria válida mesmo na hipotética ausência de Deus.

Apesar de fundamentar-se em Aquino e Aristóteles, pode-se dizer que Suárez fundou sua própria escola filosófica, o Suarismo ou Suarezianismo. Esta escola enfatizou princípios como a individuação pela própria entidade concreta dos seres, uma distinção rationis ratiocinatae entre a essência e a existência dos seres criados e a possibilidade de as substâncias espirituais serem numericamente distintas.

A obra metafísica de Francisco Suárez representou uma síntese do pensamento medieval, incorporando o tomismo, o escotismo e o nominalismo. O legado de Suárez inclui suas contribuições para a metafísica, a teoria do direito natural e a ética.

Sóstenes

Sóstenes, nome derivado talvez de “salvador de sua nação” (Σωσθένης, talvez uma forma de Σωσι-έθνης), era um judeu que residia em Corinto durante o primeiro século aC.

Em Atos 18:12-17, Sóstenes é apresentado como o líder da comunidade judaica em Corinto. Seria um chefe da sinagoga após a conversão de Tito Justo. Ele, junto com outros judeus, acusa o apóstolo Paulo de cultuar a Deus de forma contrária a lei perante o procônsul romano Gálio. No entanto, Gálio rejeita o caso, recusando-se a intervir em questões religiosas. Depois disso, Sóstenes é inexplicavelmente agarrado e espancado por uma multidão. A razão exata do seu ataque e se a multidão era de judeus ou gentios permanecem ambígu. Há teorias que sugerem a insatisfação judaica com a sua incapacidade de levar Paulo a julgamento ou o ressentimento dos gregos em relação a um judeu que causou discórdia na sua cidade.

O nome Sóstenes reaparece na saudação da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios (1 Coríntios 1:1-3) como coautor da carta. Aqui, Sóstenes é referido como “nosso irmão”, o que implica uma conexão cristã. Não está claro se este Sóstenes é a mesma pessoa mencionada em Atos ou se o nome era simplesmente comum na região. Se de fato fosse o mesmo indivíduo, a conversão de Sóstenes ao cristianismo teria ocorrido após os eventos de Atos, possivelmente durante as viagens subsequentes de Paulo. Sua menção no início da epístola indica ter uma autoridade moral entre os destinatários, o que reforça a hipótese de se ser o mesmo Sóstenes que exercia liderança em Atos 18.

Tradições adicionais sugerem que o Sóstenes mencionado em 1 Coríntios 1:1 pode ter sido um dos setenta discípulos de Jesus e mais tarde tornou-se bispo na Igreja de Colofão, localizada na Jônia. No entanto, esses detalhes carecem de confirmação histórica.

Julia Smith

Julia Smith (1793-1886) foi uma biblista e tradutora da Bíblia norteamericana e ativista pelos direitos das mulheres.

Nascida e residente de Glastonbury, Connecticut, Smith foi uma figura pioneira na tradução bíblica. Smith se tornou a primeira mulher na história a traduzir a Bíblia inteira para qualquer idioma.

Educada nos clássicos grego e latino, o interesse de Julia em entender o significado dos nomes próprios nas Escrituras Hebraicas a levou a aprender a língua hebraica. Motivada pelo desapontamento das previsões fracassadas sobre o fim do mundo em 1844, embarcou na ambiciosa tarefa de criar uma tradução literal da Bíblia. Seu trabalho foi publicado em 1876, traduzindo meticulosamente textos hebraicos e gregos e usando o tempo futuro em passagens do Antigo Testamento. Manteve a ordem massorética dos livros do Antigo Testamento e traduziu o Tetragrama com Jehovah. A tradução de Julia trouxe um reconhecimento significativo à causa dos direitos das mulheres.

Após a morte das três irmãs mais velhas, a partir de 1873, Julia e sua irmã mais nova, Abby recusaram a pagar impostos locais sem receber o direito de voto nas assembleias municipais. Repetidamente algumas de suas vacas foram apreendidas e vendidas para pagar impostos atrasados.

BIBLIOGRAFIA

Kathleen L. Housley, The Letter Kills but the Spirit Gives Life: The Smiths, Abolitionts, Suffragists, Bible Translators. Glastonbury, Connecticut, 1993.