Texto tipo Ocidental

O tipo de texto ocidental é uma categoria da crítica textual sobre a transmissão e variação do texto do Novo Testamento. O termo “ocidental” é um tanto enganoso porque evidências deste tipo de texto foram descobertas não apenas nas regiões ocidentais do Império Romano, mas também no Oriente cristão, particularmente na Síria.

Fontes e características

Traduções latinas antigas: As traduções latinas antigas do Novo Testamento, muitas vezes chamadas de Vetus Latina, contêm leituras e variações consistentes com o tipo de texto ocidental.

Traduções Vetus Siríacas: Semelhante ao latim antigo, as traduções Vetus Siríacas do Novo Testamento do grego para o siríaco exibem características ocidentais. Isto indica que o tipo de texto ocidental teve influência além das regiões de língua latina.

Escritores Cristãos Primitivos: Citações e referências nas obras de certos escritores cristãos primitivos nos séculos II e III, como Cipriano, Tertuliano e Irineu, contêm elementos do tipo de texto ocidental.

Papiros Gregos do Egito: Fragmentos dos primeiros papiros gregos descobertos no Egito, incluindo 𝔓29, 𝔓38 e 𝔓48, contêm leituras consistentes com o tipo de texto ocidental.

Codex Sinaiticus: Codex Sinaiticus, um dos primeiros manuscritos gregos completos do Novo Testamento, é considerado como exibindo características ocidentais nos primeiros oito capítulos do Evangelho de João.

O tipo de texto ocidental é caracterizado por vários recursos distintivos, incluindo:

Preferência por Paráfrase: Tende a usar expressões parafrásticas e expande o texto, muitas vezes resultando em variantes mais longas de passagens.

Ausência de certos livros: O tipo de texto ocidental não contém as Epístolas Católicas (Tiago, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João, 3 João e Judas) e o Livro do Apocalipse. Essa ausência coincide com a antilegômena e indica que esses livros podem não ter tido uma tradição textual ocidental.

Variantes mais curtas: Em contraste com sua preferência por leituras mais longas, o tipo de texto ocidental também contém variantes mais curtas excepcionais, conhecidas como “não interpolações ocidentais“. Essas omissões incluem a omissão de uma série de oito frases curtas de versículos do Evangelho de Lucas.

Preconceitos redacionais: Nos materiais paulinos, o tipo de texto ocidental exibe preconceitos redacionais distintos que muitas vezes diminuem o status das mulheres nas congregações dirigidas por Paulo.

A qualidade do tipo de texto ocidental é geralmente considerada inferior a outros tipos de texto, apesar de sua antiguidade. Kurt e Barbara Aland categorizam manuscritos do tipo de texto ocidental como Categoria IV em seu sistema de classificação textual, indicando uma confiabilidade menor em comparação com outros tipos de texto.

Bigtã e Teres

Bigtã, em hebraico בִּגְתָן, בִּגְתָנָא e Teres תֶרֶשׁ ; em grego Gabatha e Tharra (Γαβαθά καi Θαρρα) eram dois servos do rei persa Assuero. Mardoqueu descansava no pátio e ouviu-os conspirando para matar o rei.

Os conspiradores foram enforcados, e o incidente foi registrado nos anais reais. Posteriormente Mardoqueu seria recompensado.

Teorias sobre a Trindade

A doutrina da Trindade é um conceito teológico no cristianismo que busca articular a natureza de Deus como sendo um só ser, mas que se manifesta ou existe como três “pessoas” ou “hipóstases”: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. A formulação dessa doutrina se desenvolveu ao longo de séculos de debates teológicos, exegese bíblica e concílios. Diversas perspectivas tentam explicar (ou rejeitar) o conceito de Trindade. As principais teorias sobre a Trindade são as seguintes.

  1. VISÕES TRITEÍSTAS
  2. VISÕES SUBORDINACIONISTAS
  3. VISÕES MODALISTAS
  4. A TRIUNIDADE ORTODOXA
  5. OUTRAS ABORDAGENS
  6. BIBLIOGRAFIA

VISÕES TRITEÍSTAS

O Triteísmo ensina que a Divindade consiste essencialmente em três deuses separados. Embora seja correto dizer que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, seria errado dizer que essas três pessoas constituem três divindades separadas. O triteísmo era típico da religião da Mesopotâmia, onde o deus supremo era Anu, o deus dos céus; seguido por Enlil, o deus do vento e da agricultura; e Enki (ou Ea), o deus da água e do conhecimento. Na religião hindu, o conceito Trimurti também é triteísta: Brahma o criador, Vishnu o preservador e Shiva o destruidor. O mormonismo sustenta algo semelhante, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três seres separados, mas que são uno em propósito.

Uma analogia antiga era que a natureza divina seria dividida em três partes, análoga a um pedaço de barro cortado em três pedaços.

VISÕES SUBORDINACIONISTAS

O arianismo é uma posição defendida pelo presbítero alexandrino Ário (ca. 256-336). De acordo com o arianismo, o Filho de Deus seria uma criatura feita por Deus do nada há um tempo finito.

O eunomianismo, também conhecidos como anomoanos ou heterousianos, era uma versão extrema de arianismo que acreditava em uma total assimetria dentro da Trindade. Afirmando que somente o Pai possuía o atributo de não gerado (um ser sem origem) enquanto considerava o Filho e o Espírito Santo como seres criados, sendo funcionalmente subordinados. Enfatizavam uma definição precisa da essência de Deus.

O unitarismo sustenta que Deus é apenas uma pessoa divina (o Pai) e nega que Jesus Cristo seja Deus nesse sentido. Há algumas variantes de unitarismo. O unitarismo atual é, em grande, parte um movimento pós-Iluminismo, racionalista, que rejeita a divindade de Cristo e, frequentemente, o sobrenatural. Já o unitarismo histórico da era da Reforma (por exemplo, Fausto Sozzini) era teologicamente mais complexo, embora tenha chegado a conclusões semelhantes.

Frequentemente, o unitarismo é confundido com o socinianismo. Essa visão argumenta que o Pai é o único Deus verdadeiro. O Filho era um homem santo, que Deus criou por meio de uma concepção direta e sobrenatural, antes da qual ele não existia. Ele foi criado para proclamar uma nova lei para a humanidade. Tendo completado esta tarefa, ele ascendeu ao céu, onde se tornou participante da graça divina. O Espírito Santo é meramente uma energia ou poder divino.

As Testemunhas de Jeová ensinam que o Filho é uma criatura, criada antes do cosmos, e o agente por meio do qual Deus criou o cosmos. O Espírito Santo é simplesmente o poder de Deus, o Pai.

No mundo de língua inglesa, o termo unitarismo foi atribuído à cristologia humanitária, a qual sustenta que Jesus somente possuía uma natureza: a humana.

O subordinacionismo é uma doutrina em que o Filho (e às vezes também o Espírito Santo) está subordinado ao Pai. Era típico dos chamados semi-arianos. O Filho é realmente eterno, gerado da essência do Pai: ele não é uma criatura e não nasceu do nada; no entanto, ele é inferior e subordinado ao Pai. Somente o Pai é “Deus” com o artigo definido prefixado ao termo (ho theos). A omissão do artigo para referir-se ao Filho (theos) resulta de ter recebido sua natureza do Pai pela comunicação. O Filho seria semelhante, não igual, essencialmente ao Pai

O subordinacionismo funcional eterno, com outras terminologias concorrentes como subordinação eterna do Filho e relações internas de autoridade e submissão, propõe uma hierarquia dentro da trindade. Embora o Filho seja ontologicamente igual ao Pai, Cristo seria subordinado em função, obedecendo ao Pai na eternidade. É uma doutrina mantida entre os novos calvinistas.

O monarquianismo é uma doutrina que enfatiza Deus como um ser indivisível. Essa doutrina contrasta com o trinitarianismo, que define a Divindade como três hipóstases coeternas, consubstanciais, coimanentes e igualmente divinas. Existem dois tipos, o monarquismo dinâmico e o modalístico.

O adocionismo (ou monarquianismo dinâmico) sustenta que Deus é um ser, acima de tudo, totalmente indivisível e de uma natureza. Sustenta que o Filho não era coterno com o Pai. Assim, a Jesus Cristo foi essencialmente concedido a divindade (adotado) para os planos de Deus e para sua própria vida e obras perfeitas. Diferentes variações do dinamismo sustentam que Jesus foi “adotado” no momento de seu batismo ou de sua ascensão. É a versão subordinacionista do monarquianismo.

VISÕES MODALISTAS

O modalismo (ou monarquianismo modalístico) é a crença de que existe um Deus em substância e pessoa. Assim, seriam o Pai, o Filho e o Espírito Santo três funções ou modos sucessivos desse Deus, mas não pessoas distintas. Nos tempos do Antigo Testamento, Deus apareceu como o Pai. Na encarnação, Ele apareceu como o Filho. E depois da ascensão de Jesus, Ele se manifestou como o Espírito Santo. O modalismo ensina que esses modos são consecutivos, nunca simultâneos. 

O sabelianismo é outra maneira de expressar uma visão modalística de Deus. Sabélio, um sacerdote do século III, propôs uma analogia de que Deus é como um ator usando várias máscaras. Deus usa a máscara do Pai. Esta máscara não é para esconder, mas para revelar como na máscara do Filho e, finalmente, na máscara do Espírito Santo. Mas por trás dessas máscaras está apenas uma pessoa.

O patripassianismo: a consequência aparentemente lógica do modalismo de que, se não há distinção real entre o Pai e o Filho, então o Pai deve ter sofrido na cruz. É um termo usado pejorativamente na teologia ocidental atribuído a muitos teólogos orientais, mas não há um grupo distinto que abrace tal teologia

O unicismo é um conjunto de perspectivas antitrinitárias modernas que negam quaisquer distinções entre as pessoas da Divindade. Jesus é Deus, mas Ele também é o Pai e o Espírito Santo. Em uma ligeira variação do modalismo antigo, os pentecostais unicistas ensinam que Deus é capaz de se manifestar em todos os três “modos” simultaneamente, como no batismo de Jesus (Lucas 3:22).

A TRIUNIDADE ORTODOXA

A Trindade nicena-calcedoniana é um entendimento de que Deus tem uma substância (ousia), mas existe eterna e plenamente como três Pessoas distintas. Este último termo não é igual ao sentido cotidiano, mas como hypostases em grego, personae em latim, ou seja, modos de existência. Algumas questões da Trindade niceana permanecem abertas, como a questão do filioque ou a doutrina da processão do Espírito Santo. Embora a estrutura Niceno-Calcedoniana seja o padrão ortodoxo, os modelos descritos nela (psicológico, social, pericorético, etc.) são interpretações posteriores e constructos teológicos que tentam explicar a doutrina ortodoxa.

Na concepção da ortodoxia oriental, o Espírito procede do Pai somente (ek monou tou Patros), e o papel do Filho é manifestar eternamente o Espírito. Esta é uma diferença fundamental na compreensão da vida interior (Trindade imanente) de Deus.

 Na Antiguidade Tardia, as tradições Oriental (Capadócia) e Ocidental (Agostiniana) conceptualizaram a Trindade de maneiras distintas,

Os pais capadócios (Basílio Magno, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo) frequentemente começam com as Três Pessoas e depois explicam sua unidade. Sua analogia são frequentemente três homens (Pedro, Tiago, João) compartilhando a “natureza humana” universal. A unidade é uma de perichoresis (coinerência mútua) e essência comum.

Já a concepção latina de Agostinho começa com a única substância divina e depois busca entender as Três Pessoas. Sua analogia influente é a Trindade psicológica, onde os Três são comparados à memória, entendimento e vontade da mente (ou amante, amado e amor). Esta abordagem enfatiza a unidade e influenciou a teologia ocidental.

Alguns modelos distinguem entre Trindade econômica e Trindade imanente. Não são pontos de vista concorrentes, mas nuances nas quais um teólogo pode enfatizar.

A Trindade econômica enfatiza as diferentes funções das pessoas divinas. A economia aqui tem a ver com a história da salvação e discute o Pai, o Filho e o Espírito Santo no envio e na missão da salvação.

A Trindade imanente destaca a ação restante dentro de um agente. Assim, a Trindade imanente seria uma discussão dos aspectos eternos, essenciais e ontológicos da Trindade.

Ontologicamente, os modelos mais recentes tratam de duas propostas distintas, a Trindade psicológica e social. Um debate recente na filosofia da religião. Como dito, a visão “latina” (inspirada em Agostinho) prioriza a unidade de Deus, frequentemente vendo as pessoas como relações subsistentes dentro da única substância divina. A visão “social” (inspirada nos capadócios) prioriza as três pessoas como centros distintos de consciência e vontade, unidos em amor.

A Trindade psicológica é um modelo que ensina a unidade e diversidade da Divindade para a unidade e diversidade do ser humano. A unidade do Pai, Filho e Espírito Santo é como a unidade da mente (pensamentos), coração (emoções) e volição (vontade) de uma pessoa

A Trindade social é um modelo que consiste em três pessoas em um relacionamento amoroso, o que reflete um modelo de relacionamento humano. Deus é um ser inerentemente social. A unidade humana aproxima-se da conformidade à imagem da unidade de Deus através da doação de si, da empatia, da adoração de uns pelos outros. Tal amor é uma semelhança ética adequada a Deus, mas está em total contraste com a unidade do ser de Deus.

Outras abordagens salientam algum aspecto das doutrinas trinitárias.

A Trindade pericorética é uma variante do trinitarianismo social. Enfatiza o aspecto dinâmico, dançante (em grego Perichoresis) das pessoas da Trindade em perfeita igualdade e harmonia.

A Trindade como “Relação Absoluta”. Para Barth, a Doutrina da Trindade é a chave para entender a revelação: “Deus revela-Se como o Senhor”. Portanto, Revelador (Pai), Revelação (Filho) e Revelado (Espírito) são três “modos de ser” (Seinsweisen) no único Deus. Isto é frequentemente cautelosamente distinguido do modalismo porque Barth insiste que estes são modos de ser eternos, e não apenas máscaras sucessivas. É uma abordagem única do século XX, centrada na autorrevelação de Deus.

A Divindade comunitária é um modelo baseado na patrística e nos contextos culturais africanos. Proposto por Ogbonnaya, argumenta que Deus que é Um-e-Muitos, ou Três-em-Um, estava organicamente relacionado à comunidade africana e à compreensão familiar da igreja primitiva.

A Trinidade e o Deus Crucificado de Moltmann coloca a cruz no centro da teologia. Deus sofre com a humanidade na crucificação, revelando-se não como um ser distante, mas intimamente envolvido na dor do mundo. Esse “Deus crucificado” desafia a ideia de um Deus onipotente e impassível, enfatizando a solidariedade divina com a criação sofredora. A Trindade seria relacional e social, um modelo para as relações humanas e a justiça social. Este modelo conecta a esperança do reino de Deus, mediante a obra de Cristo e com o Espírito Santo impulsionando a renovação da criação.

A Trindade prática de LaCugna propõe a relacionalidade e a mutualidade dentro da Trindade, rejeitando modelos hierárquicos. LaCugna critica a linguagem dominante acerca da Trindade, muitas vezes patriarcal e excludente, defendendo uma compreensão mais inclusiva que reflita as experiências de mulheres e grupos marginalizados. A Trindade não é apenas um conceito abstrato, mas tem implicações práticas para a vida cristã e a ética, moldando nossa compreensão de comunidade, justiça e amor.

A Trindade da alteridade de Volf manifesta-se para compreender e acolher a “alteridade”. A Trindade, como comunidade de pessoas distintas em relação amorosa, oferece um modelo para superar divisões e construir reconciliação. Volf enfatiza a encarnação de Deus em Jesus Cristo como revelação do amor divino e chamado a abraçar nossa própria existência encarnada. A Trindade está intimamente associada à vida da Igreja, que deve refletir o amor e a unidade divinos em seu testemunho.

A Teoria da identidade relativa é empregada na filosofia analítica, por filósofos como Peter van Inwagen, para tentar dar sentido lógico à Trindade. A teoria sugere que “é Deus” e “é a mesma pessoa que” não são a mesma coisa. Assim, enquanto o Pai é Deus e o Filho é Deus, o Pai não é a mesma pessoa que o Filho. Isso permite que eles sejam numericamente o mesmo Deus, embora pessoalmente distintos, evitando a acusação de contradição lógica.

Para a teóloga católica, Elizabeth Johnson, em She Who Is (1992), argumenta que a linguagem trinitária tradicional (Pai, Filho, Senhor) não é neutra, mas santifica estruturas patriarcais de dominação masculina. Para contrapor isso, emprega a tradição bíblica para recuperar a imagética feminina negligenciada, especialmente a figura de Sofia/Sabedoria (Sophia) – uma personificação divina feminina presente no Antigo Testamento. Johnson propõe entender Jesus Cristo como a Sabedoria de Deus encarnada (Sophia-Sabedoria) e o Espírito Santo em termos sapienciais, reimaginando a Trindade não como uma hierarquia, mas como uma comunidade de iguais (Deus-Sophia, Sophia-Sabedoria e Espírito-Sábio) unida por relações mútuas de amor. Este modelo de Trindade como Aquela que É, ao basear a realidade última na igualdade e reciprocidade, subverte todas as hierarquias humanas, incluindo as de gênero, oferecendo uma base teológica para a libertação e a plena igualdade.

OUTRAS ABORDAGENS

O monoteísmo cristológico é uma articulação recente da divindade de Jesus como igual a Deus, o Pai. Encontra-se nos pensamentos de James D.G. Dunn, que argumenta que o Novo Testamento e os primeiros seguidores de Jesus o consideravam um representante de Deus. Outro estudioso foi Larry W. Hurtado, que reconstruiu as crenças dos primeiros cristãos, argumentando que criam em Jesus como um agente divino que recebe adoração cultual ao lado de Deus. Finalmente, foi argumentado por Richard J. Bauckham, a quem Jesus compartilha da identidade divina de Deus.

O Deus dipolar na teologia do processo é uma alternativa radical que rejeita totalmente o teísmo clássico. Para os pensadores do processo (por exemplo, Charles Hartshorne), Deus é dipolar (tem tanto uma natureza primordial quanto consequente). A Trindade pode ser reinterpretada como três “pessoas” ou aspectos do engajamento de Deus com o mundo, mas rejeita a noção de três pessoas co-eternas e imateriais. Deus está em um relacionamento dinâmico e evolutivo com o mundo.


BIBLIOGRAFIA

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Três e meio anos

O número simbólico três e meio anos ou suas equivalentes: 42 meses, 1.260 dias e “um tempo, tempos e metade de um tempo” reflete símbolos com conotações de períodos de dificuldades, principalmente em textos apocalípticos e proféticos.

Essa estrutura temporal recorre tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, frequentemente representando períodos de provação, julgamento e intervenção divina.

No livro de Reis, a seca declarada por Elias durou 3,5 anos como julgamento divino contra a idolatria de Israel sob o rei Acabe. Esse período de seca simboliza um tempo de provação e arrependimento, culminando na demonstração do poder de Deus no Monte Carmelo e o subsequente fim da seca. Em Números, durante a jornada de 40 anos no deserto, os israelitas fizeram 42 acampamentos antes de entrar na Terra Prometida. Embora não seja explicitamente um período de 3,5 anos, o número 42 está simbolicamente ligado ao tema mais amplo de provação e transição. Em Daniel 7, o “chifre pequeno” oprime o povo de Deus por “um tempo, tempos e metade de um tempo” (3,5 anos). De modo semelhante, Daniel 12:7 refere-se a um período de tribulação com a mesma duração antes do fim da era.

No Apocalipse, a cidade santa é pisada por 42 meses. As duas testemunhas profetizam por 1.260 dias. A mulher (simbolizando Israel ou a Igreja) é protegida no deserto por “um tempo, tempos e metade de um tempo”. A besta exerce autoridade por 42 meses. Essas estruturas temporais representam períodos de tribulação, perseguição e proteção divina, destacando a tensão entre o domínio temporário do mal e o controle soberano de Deus.

O período de 3,5 anos consistentemente simboliza um tempo de provação, seja para indivíduos, nações ou o mundo. Representa um tempo de dificuldades que refina e prepara o povo de Deus para Seus propósitos finais. Em contextos como a seca de Elias, os 3,5 anos servem como uma forma de julgamento divino contra o pecado. No entanto, esse julgamento é sempre temperado pela misericórdia, pois o período termina com restauração e renovação. A natureza finita de 3,5 anos ressalta que o sofrimento e o mal são temporários e estão sob o controle de Deus. Esse tema é particularmente proeminente na literatura apocalíptica, onde o período de tribulação é limitado pela vitória final de Deus. O número 3,5 é metade de sete, um número que simboliza completeza ou perfeição na Bíblia. Como tal, 3,5 representa incompletude ou uma fase de transição, apontando para o eventual cumprimento do plano de Deus.

Stewart (2021) destaca o paralelo entre a seca de 3,5 anos de Elias e a tribulação de 3,5 anos no Apocalipse, sugerindo que ambos os períodos simbolizam o julgamento divino seguido pela restauração. Os 42 acampamentos em Números 33 são vistos como um precursor simbólico dos 42 meses de tribulação, enfatizando o tema de provação e preparação para as promessas de Deus. Essas conexões demonstram como o motivo de 3,5 anos está entrelaçado na estrutura da teologia bíblica, ligando eventos do Antigo Testamento com visões apocalípticas do Novo Testamento.

O número simbólico 3,5 anos (e suas equivalentes) é um motivo recorrente na Bíblia, representando períodos de provação, julgamento e intervenção divina.

Referência

Stewart, Alexander E. Reading the Book of Revelation: Five Principles for Interpretation. Lexham Press, 2021.

Sete Anos de Tribulação

A doutrina dos Sete Anos de Tribulação, central para algumas interpretações da escatologia, especialmente dentro do Dispensacionalismo, postula um período futuro de sete anos caracterizado por intenso sofrimento e caos.

Esta crença se baseia em passagens como Daniel 9:24-27, a profecia das “setenta semanas” e os capítulos 6 a 19 do Apocalipse.

CÁCULO

A metodologia dos adeptos dessa doutrina inclui a ressignificação semântica, uma combinação de conveniência de leituras ora simbólicas, ora literais, de leituras isoladas de textos-provas e reconfiguração dos versos em um arcabouço interpretativo externo aos textos bíblicos.

Partem da premissa que o termo hebraico para “semanas” (shavuim) pode também significar “setes”, levando muitos intérpretes a entender isso como setenta unidades de sete anos, totalizando 490 anos.

Na próxima fase interpretativa, a profecia é dividida em três partes: sete semanas (49 anos), associadas à reconstrução de Jerusalém; sessenta e duas semanas (434 anos), que conduzem à vinda do “Ungido”, interpretado como Jesus; e uma semana (7 anos), vista como um futuro período de tribulação. Daniel 9:27 é central para a doutrina, descrevendo uma figura, frequentemente interpretada como o Anticristo, que faz uma aliança com muitos por “uma semana” (7 anos), mas a quebra na metade, levando à desolação. Isso é interpretado como um futuro período de sete anos, dividido em duas metades de 3,5 anos cada.

Essa interpretação de Daniel é então conectada a várias passagens do Apocalipse que mencionam períodos de tempo que se alinham com a estrutura de sete anos. Apocalipse 11:2-3, por exemplo, menciona 42 meses (3,5 anos) e 1.260 dias (também 3,5 anos, usando um ano profético de 360 dias). Apocalipse 12:6, 14 refere-se a um período de 1.260 dias e “um tempo, tempos e metade de um tempo” (3,5 anos). Apocalipse 13:5 fala da besta tendo autoridade por 42 meses. Essas passagens são interpretadas como descrevendo dois períodos distintos de 3,5 anos cada, totalizando sete anos. A primeira metade é vista como um tempo de relativa paz sob a aliança do Anticristo, enquanto a segunda metade é um tempo de intenso sofrimento e perseguição.

A figura do anticristo como um indivíduo e não um tipo desempenha um papel crucial nessa interpretação. A quebra da aliança em Daniel 9:27 é interpretada como o Anticristo fazendo uma aliança de sete anos com Israel (ou o mundo) e quebrando-a após 3,5 anos, levando à “grande tribulação” (Mateus 24:21). Essa quebra é frequentemente ligada à “abominação da desolação” (Daniel 9:27, Mateus 24:15), vista como um evento futuro em que o Anticristo profana um templo judeu reconstruído.

Dentro da estrutura do Dispensacionalismo, esses números são interpretados literalmente, em vez de simbolicamente. Os dispensacionalistas argumentam que a profecia das “setenta semanas” tem um cumprimento duplo: um cumprimento parcial no passado (por exemplo, a profanação do Templo por Antíoco IV Epifânio em 167 a.C.) e um cumprimento completo no futuro, durante a tribulação de sete anos. O Dispensacionalismo enfatiza um futuro restabelecimento de Israel e um cumprimento literal das profecias do Antigo Testamento, incluindo a tribulação de sete anos.

Finalmente, cálculos matemáticos são empregados para reforçar essa interpretação. Muitos intérpretes usam um “ano profético” de 360 dias para calcular os prazos em Daniel e Apocalipse. Por exemplo, 42 meses multiplicados por 30 dias equivalem a 1.260 dias. 1.260 dias multiplicados por 2 resultam em 2.520 dias, o que equivale a sete anos, usando anos de 360 dias. Os números 3,5, 42 e 1.260 são vistos como simbólicos de um período de provação e teste, derivados da metade de sete.

CRÍTICA

Uma crítica dessa interpretação é ignorar que a profecia das “setenta semanas” em Daniel 9:24-27 tem mais probabilidade de se referir a eventos no período do Segundo Templo, como a profanação por Antíoco IV Epifânio.

Outros textos bíblicos que apresentam uma estrutura escatológica diferente são frequentemente ignorados ou minimizados. Por exemplo, o Discurso do Monte de Jesus (Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21), embora frequentemente interpretado para se adequar ao modelo da tribulação de sete anos, possui interpretações alternativas que não sustentam um período de sete anos.

A doutrina dos Sete Anos de Tribulação impõe uma estrutura preestabelecida ao texto bíblico em vez de derivá-la do próprio texto. A ideia de um período de sete anos, por exemplo, não está explicitamente declarada nem em Apocalipse, nem em Daniel. Contudo, com um processo que envolve consideráveis ​​saltos interpretativos, bastando usar de criatividade.

A doutrina dos Sete Anos de Tribulação é tão válida quanto outros cálculos. Por exemplo, considere os 1.260 dias em Apocalipse 11:3 e 12:6 como anos simbólicos, ligados ao reinado de 1.000 anos de Cristo (Apocalipse 20:4-6). Embora 1.260 dias equivalham a 3,5 anos usando um ano profético de 360 dias, se esses 3,5 anos simbolizarem um período maior, multiplicá-los pelo reinado de 1.000 anos resulta em uma tribulação de 3.500 anos – uma era prolongada de provação preparando para o reino milenar, em vez de um breve evento de sete anos.

Outra interpretação possível seriam que os 490 anos de Daniel 9:24-27 representam um ciclo completo de julgamento e restauração, como os 40 anos de peregrinação no deserto (Números 14:34). Dividindo os 490 anos pelos 40 anos de peregrinação, obtemos 12,25 ciclos. Arredondando para baixo, teríamos 12 gerações de tribulação (12 x 40 = 480 anos), com um restante de 10 anos. Essa interpretação, no entanto, resulta em um período de tribulação de 480 anos.

Outro exercício de pensamento. Podemos considerar os 42 meses de Apocalipse 13:5, período em que a besta tem autoridade, e conectá-los aos 40 dias de provação, como a tentação de Jesus em Mateus 4:1-11. Se tomarmos os 42 meses como uma representação simbólica de provação e os conectarmos aos 40 dias, poderíamos argumentar que a tribulação não dura 7 anos, mas sim 40 dias. Essa interpretação, porém, reduz drasticamente a tribulação para um período extremamente curto.

Esses exemplos demonstram como a combinação de diferentes números bíblicos pode levar a interpretações radicalmente diferentes, desde 40 dias até 3.500 anos. Isso evidencia que a doutrina da tribulação de sete anos é só mais uma dentre inúmeras interpretações possíveis, porém implausíveis, bastanto aplicar métodos descontextualizados às Escrituras.

Outra crítica associada é a ideia de um “arrebatamento” como um sumiço repentino dos crentes que precederia a tribulação. Tal interpretação é um desenvolvimento relativamente recente, popularizado no século XX.

A doutrina dos Sete Anos de Tribulação, tal como é entendida hoje, não fazia parte dos ensinamentos dos primeiros cristãos. Agostinho e Orígenes interpretavam textos apocalípticos simbolicamente ou espiritualmente, não como previsões esquemática de um futuro período de sete anos. Ao longo da história da igreja, houve uma diversidade significativa de crenças escatológicas.

Críticos argumentam que o foco na tribulação de sete anos e em outras especulações sobre o fim dos tempos pode desviar a atenção dos ensinamentos centrais do cristianismo, como o amor, a justiça e o Reino de Deus. Essa ênfase em cronogramas especulativos pode levar a uma negligência dos aspectos éticos e práticos da fé.

Em resumo, a doutrina dos Sete Anos de Tribulação é frequentemente criticada como um exemplo de eisegese, pois se baseia na interpretação seletiva de textos bíblicos, recortes e reconfiguração descontextualizadas, impõe uma estrutura moderna a escritos antigos e carece de apoio da tradição cristã primitiva.

BIBLIOGRAFIA

Broadwater, Billy. Exposing the Fallacies of the Pre-Tribulation Rapture: A Biblical Examination of Christ’s Second Coming. WestBow Press, 2o14.

Kilde, J., and B. Forbes. Rapture, revelation, and the end times: Exploring the Left Behind series. Palgrave Macmillan Limited, 2004.

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