Transignificação

A transignificação é uma tentativa de articular a doutrina católica de transubstanciação em termos de metafísica e semiologia contemporâneas.

Em suma, transfignificação postula que o pão e o vinho não alteram fisicamente sua realidade, mas a transformação ocorre na realidade de significância. Em comum com o memorialismo, considera aspectos simbólicos dos elementos da santa ceia.

Entre seus proponentes, destaca-se Edward Schillebeeckx, mas foi rejeitada por uma encíclica de Paulo VI.

Transubstanciação

Transubstanciação, do latim transubstantiatio e equivalente ao grego μετουσίωσις metousiosis, é a perspectiva da Igreja Católica Romana que na eucaristia (Santa Ceia do Senhor) há a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho na substância do Sangue de Cristo. Contudo, as características exteriores do pão e do vinho permanecem inalteradas.

Como bases bíblicas para tal perspectiva são citados João 6:32-58; Mateus 26:26; Lucas 22:17-23; e 1 Coríntios 11:24-25.

Essa doutrina foi afirmada no Quarto Concílio de Latrão em 1215. Entretanto, durante a Reforma foi criticada. As alternativas protestantes. A crítica se deu principalmente porque fomentava a adoração eucarística como idolatria e um “ressacrifício” contínuo de Jesus Cristo. Os reformadores apontaram que Jesus morreu “uma vez por todas” e não precisa ser sacrificado novamente (Hebreus 10:10; 1 Pedro 3:18). Em razão disso, em 1551, o Concílio de Trento declarou que a doutrina da transubstanciação é um dogma de fé católico romano.

BIBLIOGRAFIA

Igreja Católica Apostólica Romana. Catecismo. Secção 1376.

Targum

Targum (plural targumim ou targuns, em aramaico significa “interpretação” ou “tradução”) são traduções da Bíblia Hebraica ao aramaico feitas na Antiguidade Tardia.

Os targuns talvez sejam, junto da Septuaginta grega, as traduções mais antigas da Bíblia. São provavelmente originárias das traduções orais feitas pelos intérpretes da Lei após o exílio, quando o hebraico se tornava uma língua estrangeira para o povo de Israel (cf. Ne 8:8). Tipicamente, o texto da Escrituras Hebraicas era lido nas sinagogas e seguido por uma interpretação em aramaico. Embora a língua-alvo fosse o aramaico, há indícios que o grego também fosse usado, como as versões de Símaco e Áquila da Septuaginta. Com o tempo, essas traduções orais foram ganhando formas padronizadas e depois registradas por escrito.

Existem targuns para todos os livros da Bíblia Hebraica, exceto Daniel e Esdras-Neemias, os quais foram parcialmente escritos em aramaico.

Os targuns mais conhecidos são:

  • Tg. Onq. Targum de Onkelos do Pentateuco: quase literal, composto durante o século I ou II d.C. na Judeia e revisado na Babilônia.
  • Tg. Neof Targum Neofiti. Manuscrito do século XVI redescoberto na Itália no século XX.
  • Tg. Neb. Targum de Jônatas ben Uziel dos Profetas: composto no século II d.C.
  • Tg. Ps.J. Targum Pseudo-Jônatas fundiu a tradução de Onkelos, os acréscimos dos Targums palestinianos e uma quantidade ainda maior de material próprio. Contém o Pentateuco.
  • Tg. Ket. Targum dos Escritos
  • Tg. sim I Targum Yerusalmi I
  • Tg. sim II Targum Yerusalmi II
  • Frg. Tg. Targum Fragmentado
  • Sam. Tg. Targum Samaritano
  • Sim. Tg. Targum iemenita
  • Tg. Isa Targum de Isaías
  • Tg. Ester I, II Primeiro ou Segundo Targum de Ester
  • Pal. Tgs. Fragmentos dos Targumim Palestinianos (Targum Jerusalém): escrito na Galileia no início do século III dC, tradução literal com consideráveis materiais adicionais.
  • 11QtgJob Targum de Jó da Caverna 11 de Qumran Cave dos Manuscritos do Mar Morto.

Os targumim tendem a parafrasear livremente o texto hebraico, sendo fonte importante para a história da recepção bíblica na Antiguidade Tardia. Uma marca são as leituras alegóricas preferidas aos antropomorfismos para evitar idolatria. Utilizaram versões hebraicas hoje perdidas.

Os Targum Onkelos e Jônatas aparecem nas edições impressas rabínicas da Tanakh (Escrituras Hebraicas ou Antigo Testamento). Ainda são utilizados no culto sinagogal entre judeus iemenitas.

Várias citações no Novo Testamento são do tipo targúmico. Elucida, por exemplo, a cristologia de João, para quem a Palavra (Verbo, Logos) é o Filho de Deus (Jo 1:1-3, 14; 3:16), leitura que ocorre no Targum Neofiti de Gênesis 1:1, com o Filho como o agente de criação. Outros exemplos são 1 Pe 1:10–11; Mt 13:17; Lc 10:24 aparentam citar uma versão do Targum Palestiniano de Gn 49:1, 8–12; Nm 24:3, 15. Mc 4:12 cita uma versão targúmica de Is 6:9,10, similar ao Targum de Jônatas. Mt 7:2 cita algo similar ao Targum de Jerusalém Gn 38:26.

BIBLIOGRAFIA

Flesher, Paul V. M., and Bruce Chilton. The Targums: A Critical Introduction. Waco, TX: Baylor University Press, 2011.

McNamara, Martin. “Targumim.” In The Oxford Encyclopedia of the Books of the Bible. Vol. 2. Edited by M. D. Coogan, 341–356. New York and Oxford: Oxford University Press, 2011.

McNamara, Martin. Targum and New Testament: Collected Essays. Vol. 279. Mohr Siebeck, 2011.

https://www.sefaria.org/texts/Tanakh/Targum

Theodosia Wingfield

Theodosia Wingfield, Viscondessa Powerscourt (1800 – 1836), foi uma escritora evangélica anglicana irlandesa.

Nascida em uma piedosa família anglicana da baixa nobreza, casou-se com o Visconde Powerscourt em 1822, mas o casamento duraria um ano, com a morte do marido.

Ela viajou para Bruxelas e Paris em 1829 e 1830 para conhecer pregadores evangélicos do Avivamento Continental. Wingfield participou das primeiras reuniões da Conferência Profética de Albury em Surrey. Desde o final da década de 1820, adotou e foi uma das propagadoras do pré-milenismo e cria nas manifestações carismáticas.

Contribuía para periódicos evangélicos e editou livros religiosos. Suas 80 cartas foram publicadas e escreveu comentários devocionais acerca de Gn 22, Sl 22 e 23.

Lady Powerscourt foi participante e estimuladora do avivamento evangélico irlandês das décadas de 1820-1830, que ocorria em pequenos grupos. Desse movimento emergiu os Irmãos de Plymouth. A partir de 1832, ela passou a reunir com os Irmãos na assembleia de Aungier Street em Dublim.

As conferências de Powerscourt

Inspirada em Albury, Theodosia organizou suas próprias conferências para interpretação de profecias bíblicas em Powerscourt entre 1830 e 1833. Nelas participaram J. N. Darby, George Muller e B. W. Newton. Edward Irving visitou-a em Powerscourt em setembro de 1830.

Contando com as reuniões de 1830 a 1841, o círculo de Powerscourt dissecou vários temas proféticos. Contudo, as principais foram as Conferências de Powerscourt de 1831, 1832 e 1833 giraram em torno de de temas escatológicos, abordando aspectos críticos relacionados ao fim dos tempos.

A conferência inaugural, realizada de 4 a 7 de outubro de 1831, contou com aproximadamente setenta participantes, incluindo clérigos, leigos e mulheres. Os tópicos abordados incluíam o “fim da criação e da redenção”, o dever dos cristãos para com instituições corruptas e discussões sobre os 1.260 dias de Apocalipse 11:3 e 12:6. As disciplinas visavam compreender a situação do mundo e da Igreja na vinda de Cristo

A segunda conferência, realizada no final de setembro de 1832, abordou diversos assuntos. As discussões se aprofundaram no significado profético das festas de peregrinação judaica, nas bênçãos de Jacó e nas cartas às sete igrejas em Apocalipse 2-3. Surgiram controvérsias sobre questões como o Anticristo pessoal, a aliança com os judeus e a relação entre os livros de Daniel e Apocalipse.

A última grande conferência, realizada no final de setembro de 1833, teve quase 400 participantes. O formato tornou-se mais formal, com palestras e participação reduzida em grupos. Os temas explorados incluíram as diferenças entre a aliança eterna e a aliança do Senhor, a natureza da Igreja Cristã visível e o chamado para sair da Babilônia. John Nelson Darby desempenhou um papel proeminente, defendendo um arrebatamento pré-tribulação e um retorno iminente, moldando seus pontos de vista dispensacionalistas. A conferência marcou um passo crucial na formulação das perspectivas teológicas de Darby.

Temá

Temá, em hebraico תֵּמָא ou תֵּימָא, em arábe é Tayma ou Teima, é uma cidade oásis no noroeste do deserto da Arábia.

Na Idade do Ferro, Temá floresceu. Foi um oásis murado na encruzilhada das principais rotas do incenso. Nessa rota, caravanas viajavam do sul para o leste da Arábia, para o norte para a Síria e para o oeste da Mesopotâmia

Textos mercantis mesopotâmico mencionam Temá em relação a Dedã, Quedar e Sabá, locais que controlavam o comércio de incenso desde o século VIII a.C.

Na Bíblia, Temá é associada a Ismael, filho de Abraão com Agar (Gn 25: 13-15; 1 Cr 1: 29-30). Jó 6:19 fala das famosas “caravanas de Temá”, que às vezes são combinadas com “os mercadores viajantes de Sabá” além de outros versos (Is 21:14; Jr 25:23). Talvez seja a mesma Temã, local incerto e cidade importante para o povo de Edom.

Em 734 aC, Temã passou a pagar tributo ao rei assírio Tiglate-Pileser III. Dois séculos depois, o rei neobabilônico Nabonido saqueou Temá, massacrou sua população e fez dela sua residência por 10 anos antes da queda de Babilônia em 539 aC.

A prosperidade de Temá atingiu o pico no século V a.C, quando se tornou a capital de uma província persa. Em apenas um século depois, o comércio de incenso declinou drasticamente e a cidade perdeu sua relevância comercial. No século I a.C., a cidade estava sob o controle dos nabateus.