Paulo Ayres

Paulo Ayres Mattos (1940-2022) foi um teólogo, professor e bispo metodista brasileiro.

Com formação no Brasil e nos Estados Unidos, voltou ao país na época da ditadura, da qual sofreu repressões. Em 1977 foi eleito bispo. Depois de aposentado continuou a atuar em campos acadêmicos como professor na Faculdade de Teologia (Fateo) e da Faculdade de Teologia Refidim, Joinville, SC. Seu pensamento teológico estava voltado para questões sociais e políticas, combinando a Teologia da Libertação com uma perspectiva wesleyana.

N. T. Wright

Nicholas Thomas Wright (1948) é um biblista britânico do Novo Testamento, popularizador de teologia e bispo anglicano.

Wright escreveu pesquisas sobre Jesus histórico, a teologia paulina e as origens cristãs. Wright enfatiza a salvação como a transformação de Deus em toda a criação.

Melito de Sardes

Melito de Sardes ou Militão de Sardes (?-180 d.C.) foi bispo de Sardes, na Anatólia, e escritor patrístico da era dos apologistas.

Sua obra foi quase toda perdida, mas é citada por Jerônimo (via Tertuliano), Polícrates de Éfeso (citado por Eusébio) Clememente de Alexandria, Orígenes e Eusébio.

Fora os fragmentos, duas obras suas foram redescobertas. Educado na retórica, é possível que teve educação estoica e utilizou suas habilidades para a apologética. Escreveu uma Apologia do Cristianismo para Marco Aurélio. Judeu de nascimento e parte da comunidade judaico-cristã, envolveu-se na discussão da data da Páscoa em seu Peri Pascha. Nessa obra defendia que fosse celebrada a páscoa a 14 de Nisan (Quartodecimanismo), pois a Antiga Aliança teria sido cumprida em Cristo. Aparentemente, seguia uma cronologia joanina e associa Cristo com a tipologia de cordeiro pascal.

Na Apologia a Marco Aurélio, Melito descreve o Cristianismo como uma filosofia que se originou entre os bárbaros, mas floriu sob o Império Romano. Pede ao imperador que repense as acusações contra os cristãos. Reclama da perseguição, com os cristãos abertamente roubados e saqueados por aqueles que se aproveitam das ordenanças imperiais.

A cristologia de Melito enfatiza que Cristo é ao mesmo tempo Deus e um homem perfeito.

Fez a primeira investigação registrada acerca do cânon, sua composição e ordem dos livros. Para tal, viajou às igrejas antigas. Esteve na biblioteca cristã de Cesaria Marítima. Seu cânon do Antigo Testamento é similar ao cânon hebraico, mas sem Ester e talvez incluísse o Livro da Sabedoria. O termo cânon ou cânone para referir-se aos livros aceitos pela Igreja é de sua lavra.

Foi pioneiro na associação entre psicologia e cristianismo, tendo escrito um livro sobre tema, ora perdido.

BIBLIOGRAFIA

Cohick, Lynn H. The Peri Pascha Attributed to Melito of Sardis. Providence: Brown Judaic Studies, 2000.

Stephen Langton

Stephen Langton, arcebispo de Cantuária (falecido em 9 de julho de 1228), notório por seu impacto na elaboração da Magna Carta e de sua proposta de divisão da Bíblia em capítulos.

Langton foi uma figura central na crise da Magna Carta. Sua nomeação para o cargo em 1207, por indicação do Papa Inocêncio III, desencadeou um conflito com o rei João, que se recusava a reconhecê-lo. A Inglaterra foi colocada sob interdito, e o rei, finalmente, cedeu em 1213.

Langton apoiou a oposição baronial contra o rei e aconselhou a utilização do juramento de coroação e da carta de Henrique I como base para suas reivindicações. Em Runnymede, em 1215, atuou como um dos comissários do rei, influenciando cláusulas da Magna Carta que confirmavam as liberdades eclesiásticas.

Mais tarde, Langton apoiou Henrique III e a reemissão da Magna Carta em 1225. Promulgou as constituições eclesiásticas em 1222.

Tinha uma erudição notável. Revisando as divisões em kephaleia e titloi dos manuscritos bíblicos da era carolíngia, propôs uma divisão da Bíblia em capítulos, a qual ganharia aceitação ampla com a imprensa.

BIBLIOGRAFIA

Bataillon, Louis-Jacques, et al., eds. Étienne Langton, prédicateur, bibliste, théologien: Études réunies. Brepols Publishers, 2010.

Clark, Mark J. “Peter Lombard, Stephen Langton, and the School of Paris: The Making of the Twelfth-Century Scholastic Biblical Tradition.” Traditio, vol. 72, 2017, pp. 171-274. JSTOR, http://www.jstor.org/stable/26421461.