Éfeso

Éfeso era cidade portuária e capital da Ásia Menor (Ásia Proconsular) entre Esmirna e Mileto.

Esta cidade jônica foi sede do culto e Templo de Diana (Artemis), um grande templo construído em 550 aC e uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Seu teatro era o maior do mundo, com capacidade para 25.000 espectadores. Chegou a ser quarta maior cidade do império Romano no século I d.C. Era um importante centro comercial, localizado perto de um porto na foz do rio Cayster, em um vale longo e fértil. Hoje, é o sítio arqueológico Ayasuluk Höyük, próximo a Selçuk.

Um grupo de discípulos vivia nessa cidade, discipulados por Apolo, mas depois instruídos por Priscila e Áquila (Atos 18). De acordo com Atos 18:19-21, Paulo navegou de Corinto para Éfeso com Priscila e Áquila, o casal que tinha instruído Apolo na cidade (Atos 18:24-26).

Paulo em sua terceira viagem missionária (Atos 19:1-20:1) permaneceu por mais de dois anos. Nesse período, teve uma grande comoção com a classe dos ourives. Depois, em seu caminho de volta a Jerusalém, Paulo se encontrou com os anciãos de Éfeso em Mileto (Atos 20:16-38). Em 1 Timóteo 1:3, Paulo encarregou Timóteo de permanecer em Éfeso. Seria destinatária da epístola paulina que leva o nome do povo da cidade. Aí iniciou Timóteo seu ministério (1 Timóteo 1:3).

A igreja de Éfeso é a primeira das sete igrejas do Apocalipse (Ap 1:11; 2:1-7).

Depois do período neotestamentário a Igreja de Éfeso teve por muito tempo prominência. Lendas e tradições posteriores dizem que João, o discípulo amado, estabeleceu-se na cidade. Daí teria escrito o evangelho que leva seu nome, teria sido mentor para Policarpo de Esmirna e Papias. Outra tradição tardia identifica Éfeso como local dos últimos anos e da morte de Maria, mãe de Jesus.

A lenda dos sete dormentes foi ambientada em Éfeso (dentre outros locais onde a lenda se repete). A Basília de São João, a casa e a Igreja de Santa Maria também são sítios da tradição cristã da cidade. Foi sede do concílio de Éfeso em 431, quando condenou as doutrinas nestorianas, o chamado de Terceiro Concílio Ecumênico.

Efraim no Deserto

A cidade de Efraim ou Efraim no deserto teria sido uma cidade ou vila na Judeia mencionada somente no Evangelho de João 11:54.

Depois que Jesus ressuscitou Lázaro dos mortos, começou a conspiração para matá-lo. Jesus então se retirou para Efraim com seus discípulos. Eles partiram de lá pouco antes da Páscoa, chegando a Betânia (Jo 12:1).

Seria provavelmente o mesmo lugar que Ofra (Js 18:23), Efrom (2 Cr 13:19), atualmente identificada com a moderna cidade palestina de Taybeh.

Gezer

Localidade bíblica e sítio arqueológico (Tel Gezer) na fronteira do sopé da Judeia e Sefelá. Local estrategicamente perto do cruzamento da Via Maris (a via costeira) com a estrada que leva a Jerusalém, Gezer foi um importante centro cananeu na Idade Média do Bronze (c. 1500 a.C.). É mencionada na Estela de Menerptá, no templo de Karnak, nas cartas de Amarna e possivelmente nos relevos cuneiformes do palácio de Tiglate-Pileser em Nimrud.

Na Bíblia, a cidade aparece nos contexos da conquista de Canaã sob Josué (Js 10:33; Js 21; Jz 1:29) e da luta de Davi com os filisteus (2 Sm 5:25). Salomão recebeu a cidade como dote da filha de Faraó e fortificou-a, junto com Jerusalém, Megido e Hazor (1 Re 9:15-16).

Tel Gezer foi um dos primeiros sítios arqueológicos escavados na Palestina. Inicialmente escavado na década de 1900, os arqueólogos em Gezer identificaram 26 estratos que vão do Calcolítico tardio ao período romano.

Neste sítio, o Calendário de Gezer está entre os mais antigos textos encontrado distintivamente em hebraico. O lugar alto (bamah), um conjunto de dez monolitos, foi identificado como centro cerimonial. A interpretação inicial de que esse centro cerimonial realizava sacrifícios infantis (cf. Gn 22, Jr 32:35; 2 Cr 28: 1-4; Ez 20: 26-29) hoje é rejeitada, mas certamente era um centro de relevância política e cultual.

Arade

A cidade de Arade na borda do deserto do Negebe é mencionada três vezes em conexão com as peregrinação de Israel no deserto e com a conquista de Canaã. Esta cidade-estado com um rei cananeu não foi conquistada pelo povo de Israel (Nm 21:1; 33:40; Js 12:14).

Arade foi inicialmente fundada no Terceiro Milênio, depois de despovoada nos meados da Idade do Bronze até ser refundada no século X aC.

Por sua posição estratégica, Arade passou a ser um entreposto comercial e ponto de guarda de fronteira. Por essa razão, foi construído um forte.

Em Arade foram descobertos quase 200 óstracas de diversos períodos. Notavelmente importante são as óstracas do arquivo de Eliashib, datadas dos séculos VI-VII. As cartas desse destacamento militar atestam um letramento relativamente alto nessa época.

O Arquivo de Eliashib, encontrado em Arade, é uma coleção de óstracos descoberta em um cômodo específico, provavelmente um posto de guarda ou escritório administrativo, dentro da fortaleza judaíta nessa cidade. Datados do final do período monárquico, especificamente das últimas décadas do século VII ou do início do século VI a.C., pouco antes da conquista babilônica de Judá, esses documentos fornecem um vislumbre da vida cotidiana e da administração militar em uma fortaleza de fronteira. O nome Eliashib, filho de Eshiyahu, aparece recorrentemente, sugerindo fortemente que ele era o comandante ou intendente responsável pela fortaleza durante este período crítico. Os textos, escritos em escrita paleo-hebraica, consistem principalmente em correspondência administrativa curta, ordens militares e notas logísticas. Eles detalham a distribuição de suprimentos essenciais como vinho, farinha e azeite para soldados, mensageiros e, notavelmente, para grupos específicos como os Kittiyim, geralmente interpretados como mercenários possivelmente de origem cipriota ou egeia a serviço de Judá. Além das listas de nomes e das instruções de fornecimento, alguns óstracos contêm breves cartas ou memorandos dirigidos a Eliashib ou enviados por ele, tratando de assuntos da guarnição. Este arquivo é de valor inestimável por oferecer evidência direta sobre a administração militar judaíta, a economia local, as práticas de escrita e alfabetização fora da elite de Jerusalém, a composição das forças militares e a situação tensa na fronteira sul de Judá às vésperas de sua queda.

Em Arade havia um templo. Descoberto principalmente pelas expedições lideradas por Yohanan Aharoni a partir da década de 1960, o templo estava situado dentro da cidadela e funcionou aproximadamente entre os séculos IX e finais do VIII ou VII a.C. Sua arquitetura seguia um plano tripartido, reminiscente da descrição bíblica do Templo de Salomão, compreendendo um pátio aberto (ulam) que continha um altar sacrificial construído com pedras brutas, conforme prescrições bíblicas, uma sala principal (hekhal) e um santuário interno elevado, o Santo dos Santos (debir). Notavelmente, o debir não continha uma imagem antropomórfica, mas sim duas estelas de pedra verticais (massebot), uma maior que a outra, flanqueadas por dois pequenos altares de incenso. A presença destas massebot é interpretada como uma forma de culto anicônico, representando a presença divina, e tem gerado debate acadêmico sobre se simbolizavam apenas Yahweh ou Yahweh e uma divindade consorte, como Asherah, refletindo a complexidade da religião judaíta pré-exílica.

Entre as ôstracas encontradas em Arad, incluindo algumas que mencionam a “Casa de Yahweh”, reforçam a identificação do local como um centro de culto judaíta. O templo foi intencionalmente e cuidadosamente desativado – as massebot foram encontradas deitadas e o altar sacrificial coberto –, um ato frequentemente associado às reformas religiosas centralizadoras dos reis Ezequias ou Josias, que visavam confinar o culto sacrificial exclusivamente ao Templo de Jerusalém. Assim, o templo de Arade representa uma evidência arqueológica fundamental tanto da existência de culto oficial fora de Jerusalém quanto da subsequente imposição de medidas de centralização religiosa no reino de Judá.