Paulo

Paulo (Παῦλος), cujo nome significa “pequeno”, também chamado de Saulo (Atos 13:9), é conhecido como o apóstolo dos gentios e foi um dos principais propagadores e articuladores doutrinários da fé cristã durante o século I. Sua vida e missão são amplamente descritas tanto em suas próprias cartas quanto no livro de Atos, que dedica uma parte significativa à sua trajetória.

Paulo nasceu em Tarso, na região da Cilícia (Atos 9:11; 21:39; 22:3), como judeu da tribo de Benjamim (Filipenses 3:5) e cidadão romano (Atos 16:37-38; 22:25-29). Originalmente, era um fariseu zeloso pela tradição judaica e perseguidor dos cristãos (Gálatas 1:13-17; Filipenses 3; Atos 7-9). Contudo, sua vida mudou radicalmente após um encontro com Cristo ressuscitado na estrada para Damasco (Atos 9; 22; 26). A partir desse momento, tornou-se missionário dedicado à evangelização, especialmente entre os gentios, defendendo que estes poderiam receber a graça de Deus em igualdade com os judeus, pela fé em Cristo.

Como missionário, Paulo realizou extensas viagens pelo Mediterrâneo oriental, fundando igrejas e consolidando comunidades cristãs (Atos 7-28). Em suas epístolas, que compõem quase metade do Novo Testamento (treze de vinte e sete livros), abordou temas como a relação entre cristãos judeus e gentios, o papel da lei mosaica, a organização da igreja, a expectativa do retorno iminente de Cristo e a ressurreição dos mortos. Seus textos se tornaram pilares da teologia cristã.

Segundo a tradição, Paulo foi martirizado em Roma após apelar ao imperador, um evento narrado nos últimos capítulos do livro de Atos (Atos 21-28).

2 Pedro

Exortações a uma vida cristã enquanto se espera o glorioso retorno de Cristo.

Um sermão estruturado como uma carta, possui uma introdução (1:1-11); o testamento petrino (1:2-21); falsos mestres (2); o retorno de Cristo (3:1-13); a pureza na espera (3:14-16); e conclui com uma benção ou doxologia (3:17-18).

Possui vários paralelos com a epístola de Judas.

1 Pedro

A imitação a Cristo, meio a sofrimento e perseguição, rumo à glória final.

A epístola de 1 Pedro é apresentado como uma carta atribuída a Simão Pedro, discípulo de Jesus, dirigida às congregações cristãs em várias províncias do Império Romano na Ásia Menor. O título de 1 Pedro aparece durante o processo de canonização para distingui-la de 2 Pedro. A carta ganhou reconhecimento como um escrito cristão no século II, apesar de constar na antilegômena.

A autoria de 1 Pedro tem sido objeto de debate. Com base no próprio texto, há o argumento de que Pedro seja o autor, enquanto outros argumentam que é uma obra pseudônima escrita em nome de Pedro ou por uma vertente petrina. Os argumentos a favor do pseudônimo incluem a descrição do autor de si mesmo como um ancião em vez de especificamente como Pedro, a ausência de menção de experiências pessoais com Jesus, o grego peculiar (cheio de hapax legômena), a dependência na Septuaginta e o conhecimento das cartas paulinas.

A visão majoritária acredita que a carta tenha sido composta perto do final do primeiro século em Roma, considerando-a como “Babilônia” simbolicamente. Aborda a situação dos cristãos sofredores na Ásia Menor e enfatiza sua nova identidade como o povo escolhido de Deus. O autor baseia-se nas formas das cartas paulinas e incorpora tradições hínicas e litúrgicas. A carta encoraja a perseverança fiel diante da perseguição e destaca o sofrimento de Jesus como um exemplo a seguir.

No geral, 1 Pedro reflete o cuidado pastoral para com as comunidades cristãs que enfrentam adversidades e apresenta uma perspectiva positiva sobre sua condição de forasteiros no mundo, vendo seu sofrimento como um dom da graça de Deus.

Epístola de Tiago

A fé no evangelho ocorre de modo embutido nas boas obras para com o próximo.

Epístola destinada a um público cristão geral, sua autoria é creditada a Tiago, o qual é interpretado como o irmão do Senhor e líder da Igreja em Jerusalém.

O historiador Eusébio observou que esta epístola teve lenta aceitação no cânon cristão, apesar do fato de ter um uso regular em muitas igrejas (Hist. Ec. 2.23; 3.25). O Cânon Muratoriano (final do século II) não menciona Tiago, mas a carta foi incluída nos cânones do bispo Atanásio (c. 367 d.C.). Sua canonicidade manteve-se então amplamente estável até a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero a moveu (junto com Hebreus, Judas, e Apocalipse) até o final do Novo Testamento na seção chamada de Antilegômena. Segundo Lutero, faltavam elementos essenciais do evangelho e sua mensagem contrastava com outros escritos do Novo Testamento. Contudo, a epístola de Tiago continuou no cânon luterano.

A homília chamada de Primeiro Clemente (c. 95 d.C) é o primeiro documento a utilizar extensivamente esta epístola. Essas alusões são visíveis ao comparar 1 Clem 30.3; 31.2 e Tg 2:14–26; 1 Clem 29.1; 30.1–5 e Tg 4:1–10.

Seu gênero epistolar segue o padrão de outras cartas do Novo Testamento. A introdução é seguida por vários temas específicos: consistência da palavra e ação (1:22-2:13); fé e obras (2:14-26); moderação no falar (3:1-18); relações com os outros e com Deus (4:1–12); e o julgamento vindouro (4:13-5:9). Conclui (5:10-20) com breves exortações sobre as responsabilidades dos destinatários para com outros membros da congregação.

A epístola de Tiago é recepcionada de forma que não faz jus ao seu valor. Frequentemente é contrastada com Paulo em um debate sobre a justificação ou como reação do cristianismo judaico contra a igreja gentia. Na realidade, há poucos paralelos entre Tg 2:14-26 e os ensinos de Paulo sobre os temas da justificação “pela fé sem as obras” (cf. Rm 3.28). Em comum há o uso de Abraão como exemplo em Rm 4:1-25 e Tg 2:20-24. Ambos veem a fé principalmente como confiança em Deus (Rm 4:5; Tg 1,5-6). Ambos concordam que a fé deva produzir obras na vida de uma pessoa (Rm 2,13; Fp 2,12-13; Tg 2,18). No entanto, nem as questões de justificação, nem as relações entre judeus e gentios dentro da igreja são temas do conteúdo desta epístola como um todo.