Epístola de Diogneto

A Epístola de Diogneto ou Carta a Diogneto é uma apologia anônima cristã primitiva, escrita em grego, provavelmente da metade do século II.

Aparentemente não era conhecida na Antiguidade e Idade Média, visto que não foi citada substancialmente por outros autores. Foi descoberto no século XV em Constantinopla e depois outras cópias apareceram.

Explica quem é o Deus cristão e porque a fé cristã permitia desprezar tanto o mundo e a morte. Contrasta a religião cristã com as religiões dos gregos e judeus.

Argumenta que os cristãos estão encerrados no mundo, mas não pertencem a ele; eles são odiados pelo mundo, mas eles o amam.

Pastor de Hermas

O Pastor de Hermas é uma novela autobiográfica e apocalíptica em linguagem alegórica, parte da literatura cristã do século II. Discorre sobre arrependimento, penitência e perdão de pecados após a conversão e batismo.

Hermas, do qual o pouco que sabemos vem de seu próprio livro, foi um escravo liberto, depois enriqueceu por meios nebulosos, por fim perdeu tudo durante uma perseguição. O Cânon Muratoriano (c. 180) diz que Hermas seria irmão do bispo de Roma, Pio I (?-155). A obra é ambientada em Roma e poderia ter sido composta entre os anos 100 e 160 d.C.

São cinco visões de Hermas. Na quinta visão apareceu um anjo vestido de pastor, daí o nome do livro. Registra 12 mandatos (mandamentos morais) e 10 similitudes (parábolas).

O livro foi lido como “Escrituras” por diversos autores do século II (Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes e Tertuliano). Porém, havia reservas sobre sua canonicidade, conforme atestado por Tertuliano e o Cânon Muratoriano. Jerônimo relata que em sua época o livro não era tão conhecido na Igreja ocidental. Integra o Codex Sinaiticus (século IV) além de manuscritos em grego, latim e etíope e fragmentos em copta, ge’ez, georgiano e persa, este último encontrado em Turfan, na China ocidental.

Jerônimo

Jerônimo (347-420 dC) foi um teólogo e biblista cristão mais conhecido por sua tradução da Bíblia para o latim, conhecida como Vulgata.

Jerônimo nasceu em Stridon, na província romana da Dalmácia, na fronteira da atual Croácia e Eslovênia. Recebeu sua educação liberal em Roma, onde se tornou habilidoso em latim e grego, além de retórico.

Aos vinte e poucos anos, Jerome viajou para o Oriente Médio. Lá viveu como eremita no deserto da Síria por vários anos e estudou hebraico com eruditos judeus. Então viajou para Constantinopla, onde estudou com Gregório Nazianzeno e foi ordenado.

Jerônimo passou o resto de sua vida em Roma e Belém, onde fundou um mosteiro e se dedicou a traduzir e a revisar a Bíblia para o latim, a Vulgata.

Além de seu trabalho de tradução, Jerônimo escreveu extensivamente sobre exegese, teologia e moralidade cristã. Esteve envolvido na controvérsia pelagiana.

Jerônimo sustentava uma visão complexa e, por vezes, ambígua sobre o cânon das Escrituras. Reconhecia os livros do Antigo Testamento conforme o cânon hebraico (os protocanônicos) e listava os 27 livros do Novo Testamento. Em seus escritos, rejeitou explicitamente os livros deuterocanônicos, com exceção de Baruque, mencionado no Prologus Galeatus. Contudo, há momentos em que Jerônimo cita deuterocanônicos como Escritura, como o Livro da Sabedoria em sua Epístola 58 (c. 395). Em 402, negou ter rejeitado os acréscimos deuterocanônicos de Daniel (Apologia Contra Rufino, Livro 2, Cap. 33), e em 407 afirmou que o Concílio de Niceia considerava o livro de Judite como Escritura (Comentário sobre Judite, Prefácio). Essas aparentes contradições revelam uma posição não totalmente resolvida de Jerônimo quanto ao status canônico dos deuterocanônicos, refletindo tensões no período de formação do cânon bíblico.

Gregório de Nissa

Gregório de Nissa, latim Gregorius Nyssenus, (c. 335 — c. 394) foi um autor patrístico e bispo de Nissa, na Capadócia. Durante sua vida foi um defensor da ortodoxia trinitária contra o partido ariano.

Nascido em Cesareia, na Capadócia, Ásia Menor, agora Kayseri, Turquia,
ele é chamado de Padres Capadócios com seu irmão Basílio de Cesaréia e seu amigo Gregório de Nazianzo.

Após um afastamento imposto pelo imperador, manteve-se à frente de sua diocese em Nissa e envolveu-se em questões de amplitude maiores na Igreja.

Em 379 Gregório participou de um concílio em Antioquia e foi enviado em missão às igrejas da Arábia. Nessa missão fez uma visita a Jerusalém. Em 381 participou do Concílio de Constantinopla.

Sua doutrina de salvação deixou várias influências na teologia cristã, como uma analogia de um anzol para a teoria do resgate, o conceito de cooperação (sinergia) e doutrina de reconciliação universal (apokatastasis).