Hititas

Um povo desconhecido, traduzido como heteus ou hititas, é mencionado no Antigo Testamento. A descoberta da Hatti à capital do Império Hitita (Hattusa) ou a toda a região hitita, na Anatólia central revelou uma língua indoeuropeia com escrita cuneiforme. Embora esse império hitita não tenha alcançado o sul do Levante, passou-se a interpretar que fossem os mesmos heteus bíblicos.

Na Tábua das Nações (Gn 10:15; 1 Cr 1:13) Hete é o filho de Canaã e bisneto de Noé, e o ancestral epônimo dos heteus ou hititas. 

Os heteus testemunharam a compra da caverna de Macpela por Abraão de Efrom (Gn 23:6-18). Rebeca aborreceu-se com o casamento de Esaú com uma mulher heteia (Gn 27:46). Ezequiel chama a ascendência de Jerusalém como “teu pai era amorreu e tua mãe heteia” (Ez 16:3, 45).

As Leis hititas são cerca de duzentas leis inscritas em duas tábuas de argila em escrita cuneiforme na língua hitita, no reino hitita (1650-1180 aC).  Há algumas semelhanças com várias leis bíblicas sobre direito de família e moral. A lei 197 diz: “Se um homem agarrar uma mulher nas montanhas, é crime do homem, e ele deve ser morto, mas se ele a agarrar na sua casa, é culpa da mulher. Ofensa: a mulher será condenada à morte”. Cf. Dt 22:22-27. 

Arábia

Na Bíblia, a Arábia — em hebraico עֲרָב, arav; em grego Ἀραβία, Arabia — se refere às regiões habitadas por povos semitas árabes, normalmente os nômades e moradores de vilas em oásis nos desertos da Arábia.

Os árabes são chamados de “povo do Oriente” (Jz 6:3). Eram sociedades pastoralistas, linhageiras e divididas em clãs e tribos, algumas das quais são mencionadas na Bíblia: amalequitas, buzitas, dedanitas, hagaritas, ismaelitas, cadmonitas, quedaritas, queneus, meunitas, midianitas, naamatitas, sabeus e suitas.

No Antigo Testamento, a Arábia é retratada como uma região de reinos e tribos nômades, como os kedaritas, mencionados em Isaías 60:7 e Jeremias 49:28-29, conhecidos por sua habilidade com o arco e flecha (Isaías 21:17) e seu envolvimento no comércio de especiarias e incensos (Ezequiel 27:21).

A influência do reino de Israel se estendia à Arábia, evidenciada pela menção em 1 Reis 10:15 e 2 Crônicas 9:14 de que “reis da Arábia” prestariam tributo a Salomão. Profetas como Isaías (21:13-16) e Jeremias (25:24) proferem oráculos contra a Arábia, prevendo sua destruição. Ezequiel 27:21 retrata a Arábia como parceira comercial de Tiro, evidenciando sua participação nas rotas comerciais da antiguidade.

A Arábia também figura na história de Neemias, que enfrenta oposição de Geshem, o árabe (Neemias 2:19; 6:1-2, 6), durante a reconstrução dos muros de Jerusalém. Geshem, provavelmente um líder tribal ou oficial persa, tenta impedir a obra, acusando os judeus de rebelião. Essa passagem ilustra as tensões entre judeus e seus vizinhos árabes durante o domínio persa.

No Novo Testamento, a única menção explícita à Arábia ocorre em Gálatas 1:17, quando Paulo relata sua ida à Arábia após sua conversão. Em Gálatas 4:25, Paulo menciona o monte Sinai, normalmente associado com a Arábia.

Além das menções de passagens na Bíblia, é provável que os provérbios de Agur e de Lemuel, bem como a história de Jó, tenham origem e sejam ambientadas na Arábia.

Desde a última glaciação a Arábia vem se tornando um dos maiores e mais secos desertos do mundo. Esse processo se intensficou por volta 4000 a.C. levando à migração de povos para áreas mais úmidas no Crescente Fértil, oásis pela península arábica e na região montanhosa do sul, onde são hoje o Iêmem e Omã.

O reino de Dilmun, na região do golfo persa, desenvolveria contemporaneamente à Suméria e à civilização do vale do Indo. No entanto, até cerca de 1000 a.C. quando se disseminou o camelo domesticado, a maior parte desta região não suportava nenhuma população humana significativa. O deserto não permitia nem mesmo manter rotas de comércio.

A partir da Idade do Ferro surgem reinos de Sabá e de Maʿīn no sul e Dedã no norte. Já contemporâneos aos períodos helenista e romano, floresceram os reinos Nabateu e Ghassânida na região norte da península. Na região central destacavam-se cidades entrepostos e centros religiosos como Meca e Medina. A subistência dependia do pastoreio de ovelhas e do comércio incenso, intermediando rotas de caravanas desde as regiões costeiras do Oceano Índico à Crescente Fértil.

A região abrigou povos de culturas e origens diversas. Teorias de que a Arábia seria o berço da cultura semítica ou que reúne todos os árabes a só uma origem étnica hoje são descartadas pela antropologia, arqueologia e estudos genéticos.

A religião árabe variou muito em sua história. O culto do deus ‘il ou ‘ilah (equivalentes ao hebraico El e Eloá) era dominante, mas havia outros deuses em seu panteão. Todavia mais tarde surgiram formas de monoteísmo nativo (hanif), bem como formas de judaísmos e cristianismos, antes do advento do Islã no século VII d.C. Outras divindades incluíam o deus-lua Ilumquh dos sabeus, cuja esposa era a deusa do sol Shamsi, e seu filho era ‘Athtar, a estrela da manhã. Os nabateus possuíam um panteão com Dushara, o deus supremo; Allat, a deusa-mãe; Hadad, o deus da tempestade; Atargatis, a deusa-peixe; e Gad, o deus da sorte. Imagens de suas divindades esculpidas em pedra eram veneradas. Acreditavam que no deserto habitavam vários espíritos ou demônios, os jinn, de onde veio a palavra gênio. Seus rituais religiosos incluíam a circuncisão e peregrinação. Sacrifícios e consulta a oráculos sagrados (como o urim e tumim para os israelitas) eram papéis dos sacerdotes, os kāhin, como no hebraico kōhēn, os quais faziam ofertas de alimentos, animais e incenso em altares de pedra.

Os geógrafos gregos e romanos dividiam a península arábica em três componentes. A Arabia Petrea ficava ao sul da Síria, Sinai e oeste do Jordão, com centro em Petra (a Selá bíblica). A localização da Arabia Deserta (Arabia Eremos em grego) varia: às vezes indicava a região norte do Deserto da Arábia, entre o Eufrates e o Jordão, às vezes era a região central da Pensínula. Já a Arabia Felix (Arabia Eudaimon em grego, uma tradução de El-Iêmen) referia-se à região então verde do sul da Península.

Apesar de as mais antigas inscrições em árabes remontarem do século VIII a.C., somente no período abássida em diante (séc. IX d.C.) os povos da árabia tornaram-se sociedades letradas, ainda com restrições. As escritas mais antigas procedem do sabeu, da qual surgiram o ge’ez da Etiópia, o lihyânico, thamúdico e o safaítico, o nabateu, o cúfico e o árabe clássico — essas últimas derivadas e influenciadas pelo aramaico. As inscrições epigráficas nessas escritas ainda não foram totalmente coletadas e sistematizadas.

Suméria

Os sumérios foram uma civilização no sudeste do atual Iraque, cujo desenvolvimento de centros urbanos ocorreu anos 5.000 e 4.000 e atingiu o pico por volta de 2.000 a.C.

Inicialmente, a civilização suméria formou-se em torno de de templos, os quais eram centros administrativos e comerciais. Dentre elas estavam Kish (Tell el-Oheimir), Kid Nun (Jemdet Nasr), Nippur (Niffer), Lagash (Telloh), Eridu (Abu Shahrain), Shuruppak (Fara), Larsa (Senkere ) e Umma (Jocha), Uruk (Warka), Ur ou Ereque (Tell Muqayyir) — as duas últimas mencionadas na Bíblia.

Deve ser creditado aos sumérios a invenção progressiva da escrita. Passaram de sinais contábeis inscritos em argila para um sistema complexo de escrita chamado cuneiforme. No século XIX sua escrita cuneiforme foi decifrada e a arqueologia dos anos 1910 ao 1930 produziu tais descobertas fascinantes. Na década de 1950, com a publicação desse materal, ficou demonstrado que as raízes da cultura europeia e semítica remontavam à literatura da Idade do Bronze – ao Egito, à Anatólia, à Mesopotâmia e sobretudo da Suméria.

Na Bíblia, a Suméria é chamada de Sinar. Em Gn 10:10, o reino de Nimrode compreende Babel (Babilônia), Ereque (Uruk), Acade e Calné, na terra de Sinar. O rei Anrafel aparece como senhor de Sinar (Gn 14:1,9). Outras menções aparecem em Js 7:21; Is 11:11; Dn 1: 2; e Zc 5:11

Sabeus

Os sabeus (grego antigo Σαβαίοι ou em hebraico סבאים) eram um antigo povo semita do sudoeste da Península Arábica , onde hoje é o Iêmen.

No Antigo Testamento, os sabeus aparecem como negociantes de incenso (Jr 6:20, Isa 60:6, cf. Gn 25:1-6, Joel 4:8). É famosa a visita da Rainha de Sabá a Salomão (1 Reis 10:1-13, 2 Cr 9:1-12). Os sabeus seriam um dos povos que atacaram Jó (Jó 1:15; 6:19).

A civilização de Sabá emergiu na Idade do Ferro. Alguns estudiosos pensam o estado sabeu surgiu por volta de 1200 a.C., enquanto as pesquisas mais recentes apontam para c. 800 a.C. O Império Sabeu durou até 275 d.C., quando foram dominados pelos estados himiaritas, também do Iêmen.

Nos anais dos assírios, os sabeus são mencionados pela primeira vez em 730 aC. Os gregos conheciam os sabeus como comerciantes de incenso e mirra.

A língua comum dos sabeus e himiaritas era o sabaeu, um dialeto do antigo árabe do sul. O antigo árabe do sul foi largamente falado no sudoeste da Península Arábica até o século X, sendo relacionado com as línguas etíopes. É atestado com cerca de 6.000 inscrições. Seus únicos remanescentes contemporâneos são as línguas razihi e faifi faladas no noroeste do Iêmen.