Nicola Baldacci

Nicola Baldacci (1910-2000?) escritor, pacifista e teólogo leigo italiano.

Nascido em Pescara, Nicola Baldacci era um autodidata. Curioso, correspondia com diferentes grupos religiosos, disposto a aprender suas doutrinas. Durante toda sua vida trabalhou como barbeiro.

Aos vinte anos escutou o evangelho por meio de seu irmão Raffaele recém-convertido. Em 1930 converteu-se e foi batizado pelo ancião da Congregazione Cristiana Pentecostale em Pescara.

Casou-se com Rosa di Tinco, crente e membro da Igreja de Ginosa.

No contexto da perseguição contra os crentes na Itália pelo regime fascista, Baldacci tornou-se vítima. Sendo pacifista e por objeção de consciência, recusou-se a servir as Forças Armadas italianas na Segunda Guerra Mundial. Consequente, em 1941 foi condenado a dois anos de prisão. Durante esse período, aprofundou-se na leitura bíblica. Ao todo foram sete anos de prisão e exílio forçado.

Depois da Segunda Guerra Mundial, com a crescente organização da Obra Pentecostal na Itália, Baldacci começou a corresponder com Louis Francescon e aderir à ala não afiliada às Assemblee di Dio in Italia (ADI).

Nos anos 1950, Nicola Baldacci começou a escrever e publicar por conta própria livros e panfletos. Tratava de questões doutrinárias, eclesiológicas, testemunhos e literatura devocional.

As redes de contato e comunhão de Baldacci incluia a Christian Congregation de Chicago, as Congregazioni Cristiane Pentecostali na Itália e a Congregação Cristã no Brasil. Eventualmente, o grupo em Pescara em que ele congregava seria um dos núcleos iniciais da Congregazione Cristiana in Italia.

Em 1969, Baldacci ganhou um prêmio do governo israelense. Foi convidado a conhecer o Estado de Israel, onde voltaria mais uma vez.

BIBLIOGRAFIA

Baldacci, Niccola. Di Verso in Verso Alla Ricerca Della Luce per l’edificazione Del Corpo Di Cristo. Pescara: Giuseppe Fabiani, 1963.

Baldacci, Niccola. Storia Della Mia Prigionia e Del Mio Esilio : Con Altre Poesie Di Vari Soggetti: Tribolazione Di Un Fratello in Cristo. Pescara: Tipolino la Stampa, 1983.

Baldacci, Nicola. L’essenza Della Vita Cristiana. 2nd ed. Pescara: Tipolito Fabiani, 1977.

Baldacci, Niccola. Promemoria Dei Re Del Popolo Ebreo : (Ad Edificazione Dei Cari Lettori). Pescara, 1998.

Baldacci, Nicola, and Rosa Di Tinco. Cari Lettori : Chi Di Voi Unitamente a Noi, Desidera Ritornare All’osservanza Dei Sani Insegnamenti Delle Sante Scritture? Pescara: Tip. Caribaldi e Surricchio, 1956.

Vincenzo Melodia

Vincenzo Melodia (1883-1953) ministro do evangelho, teólogo, educador, pacifista e ativista social italiano.

Melodia nasceu em Vittoria, Sicília tornou-se membro comungante da Igreja Valdense local com sua família em 1897. Estudou na Faculdade Batista de Teologia e tornou-se pastor batista em Altamura, Floridia e Messina antes de se mudar para Livorno, Pisa, Viareggio e, finalmente, os Estados Unidos.

Melodia foi candidato socialista nas eleições de 1918/1919 para conselheiro comunal (vereador) de Messina. Em 1920 reporta, com certa hostilidade, a atividade dos pentecostais na região.

Em 1920, Melodia liderou o estabelecimento de uma igreja batista em S. Piero a Patti com mais de cinquenta membros. Contudo, esquadrões fascistas destruíram o local de culto e feriram muitos visitantes sem intervenção policial. Apesar dos riscos significativos, Melodia desafiou o fascismo e participou dos Congressos Internacionais dos Resistentes à Guerra na Inglaterra, França e Suíça.

Seu irmão Vito Melodia aceitou a fé pentecostal nos meados dos anos 1920. Provavelmente isso refletiu na mudança de atitude por parte de Vincenzo. Escreveu um livro sobre os anabatistas, Pellegrini di un mondo ignoto. Racconto storico-sociale del sec. XVI, refletindo seus interesses sociais e pacifistas, bem como a teologia de igreja livre.

Como o fascismo continuou a monitorá-lo, Melodia se refugiou nos Estados Unidos em 1940 após a prisão de seu filho Giovanni. Seu filhos Giovanni e Davide seriam deportados para o campo de concentração de Dachau, mas sobreviveriam. Fundou e dirigiu “Il Faro”, a publicação oficial das Igrejas Cristãs Italianas da América do Norte. Em Nova Iorque ministrava aulas bíblicas e teológicas em uma instituição criada por ele, a Scuola Teologica Italiana.

Nessa época, publicou um livro, um dos primeiras obras de teologia chancela denominacional, com o título La Chiesa dei primogeniti scritti nei cieli: il popolo dei riscattati all’alba delle sue origini testimonianze della storia e delle Scritture alla Chiesa Apostolica (1943). Publicaria também um Manuale Biblico, um conciso dicionário das Escrituras (1951).

Retornou à Itália em 1951. Visitou e serviu os crentes na Calábria e Sicília. Faleceu em Reggio Calabria, na oração que fazia em um almoço para comemorar seu aniversário.

Hoje, uma praça em Vittoria, Sicília, leva seu nome em homenagem a suas contribuições à igreja valdense e à fé cristã, suas crenças pacifistas e sua resistência contra o fascismo.

Roberto Silvestre Bento

Roberto Silvestre Bento (1940-2021) foi advogado, jurista e teólogo brasileiro.

Nascido em Igarapava, São Paulo, graduou-se em Direito e foi professor da Universidade Federal de Uberlândia. Como advogado, atuou como diretor do Núcleo Juridico do Banco do Brasil em Uberlândia.

Membro da Congregação Cristã no Brasil em Uberlândia, Minas Gerais, Roberto Bento refletiu sobre eclesiologia, teologia ministerial e escatologia, além de temáticas devocionais. Publicou por sua conta quatro livros teológicos e um jurídico.

BIBLIOGRAFIA

https://derlibento.wixsite.com/livrosroberto

Bento, Roberto Silvestre. Cardápio de Reflexões. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre. O Governo Da Igreja. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre. O Resgate Do Cooperador de Jovens e Menores. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre Sequências Escatológicas. Uberlândia, n.d.

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Edith Stein

Edith Stein (1891-1942) foi uma teóloga católica e mártir alemã.

Nascida em uma família judia ortodoxa, a caçula de onze crianças aderiu ao ateísmo na adolescência. Durante a Primeira Guerra Mundial, Stein foi voluntária da Cruz Vermelha. Estudou e doutorou-se em filosofia (a primeira mulher a receber tal doutorado na Alemanha), sob influência de Edmund Husserl, interessando-se pela fenomenologia.

Em 1922 converteu-se a Cristo ao ler Teresa d’Ávila, sendo batizada como católica. Banida da universidade pelos nazistas, entrou para a ordem das Carmelitas Descalças em Colônia. Foi presa nos Países-Baixos pela Gestapo e deportada para o campo de extermínio em Birkenau.

Desenvolveu uma teologia sobre as mulheres, defendendo o direito feminino ao acesso à educação e sua vocação profissional. Sua teologia parte da unidade do ser humano e na diferenciação dos gêneros. À mulher deveria ser garantido seu desenvolvimento humano, feminino e individual. Tomou como modelo a pessoa de Maria.

Stein foi pioneira de uma teologia que considera o judaísmo de Jesus Cristo e da Igreja Primitiva. Denunciou e rejeitou o antissemitismo. Sua teologia da cruz visava a união com Cristo.

Como filósofa, estudou a empatia como um meio de compreender o Outro através de si. Desse modo, a apreensão da realidade ocorre mediante a empatia.

Jonathan Paul

Jonathan Anton Alexander Paul (1853–1931) foi um ministro pentecostal, escritor, teólogo, estudioso da Bíblia e tradutor alemão.

Ao se formar na Universidade de Greifswald pastoreou igrejas luteranas na Pomerânia.

Após uma experiência espiritual, inspirada pelo revivalismo americano e pelo movimento de Keswick, em 1899 Paul começou seu ministério de viagens evangelísticas. Mudou-se para Berlin-Steglitz e tornou-se membro do Gnadauer Verband, um movimento evangélico dentro da Igreja Evangélica na Alemanha. Como evangelista, era um orador requisitado em tendas missionárias e conferências de avivamento.

Em 1896, Paul publicou um livro com o título Ihr weret die Kraft des Heiligen Geistes empfangen [“Sereis revestidos com o poder do Espírito Santo”], alertando contra a falta de plenitude do Espírito em sua época, como também a falta de poder espiritual e dos dons do Espírito.

Em 1906, Jonathan Paul visitou Thomas Ball Barratt em Oslo e tornou-se pentecostal. Em 15 de setembro de 1907, Paul experimentou o falar em línguas, aumentando as críticas contra o movimento pentecostal por parte do movimento evangélico alemão.

Com sua experiência organizacional, em dezembro de 1908 realizou uma conferência pentecostal em Hamburgo. Vieram representantes do movimento pentecostal da Inglaterra, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça. Durante a conferência decidiu-se publicar a revista Pfingstgrüsse, da qual Paul tornou-se editor-chefe. Em consequência, a liderança evangélica alemã condenou o pentecostalismo na Declaração de Berlim em 1909. Em razão disso, Paul ajudou a organizar a Mülheimer Verband Freikirchlich-Evangelischer Gemeinden (Associação Mülheim de Igrejas Livres e Comunidades Evangélicas), em 1914, uma fraternidade que reunia crentes pentecostais dentro das igrejas estatais e das igrejas livres.

Participou de conferências internacionais em Sundeland (Inglaterra) de 1908 e 1914 e Amsterdam em 1921, visando fomentar a comunhão entre pentecostais.

Era um hinista competente, tendo compilado o hinário Pfingst Jubel.

Sendo um biblista erudito, Paul publicou uma nova tradução do Novo Testamento em alemão, Das Neue Testament in der Sprache der Gegenwart (1914).

TEOLOGIA DE JONATHAN PAUL

A teologia de Paul do pentecostalismo alemão de Mülheim destaca-se por enfatizar mais as experiências transformadoras do espírito, sem preocupação de apontar eventos pontuais (novo nascimento, batismo do Espírito Santo, falar em línguas, santificação, etc.). Em contraste com muitos dos pentecostais europeus de sua época, aceitava o batismo infantil e não intencionava formar uma nova denominação, mas operar internamente como um renovo espiritual das denominações protestantes já existentes. Adicionalmente, sua bibliologia reflete a erudição acadêmica evangélica alemã, algo que contrapunha às atitudes do fundamentalismo norteamericano sobre as Escrituras.

O Batismo do Espírito Santo e Fogo consideramos ser a vinda sobre e dentro do Espírito Santo para habitar o crente em Sua plenitude, e é sempre testemunhado pelo fruto do Espírito e a manifestação exterior, para que possamos receber o mesmo dom que os discípulos no Dia de Pentecostes… Não ensinamos que todos os que foram batizados no Espírito Santo, mesmo que falem em línguas, já receberam a plenitude da bênção de Cristo implícita neste Batismo.

Concílio Consultivo Pentecostal Internacional, reunido em Amsterdam em 1912. Entre os signatários A.A. Boddy, Gerrit Polman, T.B. Barratt, Jonathan Paul.

BIBLIOGRAFIA

Giese, Ernest. Jonathan Paul, ein Knecht Jesu Christi Leben und Werk. Missionsbuchhandlung und Verlag, Altdorf bei Nürnberg, 1965.

Simpson, Carl. “Jonathan Paul and the German Pentecostal Movement: The First Seven Years, 1907-1914.” Journal of the European Pentecostal Theological Association 28, no. 2 (January 1, 2008): 169–82.