Roberto Bracco

Roberto Bracco (1915-1983) foi ministro, autor, teólogo e gestor no movimento pentecostal na Itália.

Nascido em Roma, cresceu órfão em disficuldades. Converteu-se aos 17 anos, época quando enfrentou perseguição durante a era fascista, suportando prisões e encarceramentos, mantendo uma dedicação inabalável às suas convicções religiosas.

Na Itália do pós-guerra, tornou-se um líder proeminente, contribuindo para o estabelecimento da Assemblee di Dio na Itália (ADI) e defendendo o reconhecimento legal das igrejas pentecostais. Foi também editor de períodicos.

Seus últimos anos testemunharam conflitos internos dentro da ADI, resultando em sua saída. Organizou a Assemblea Cristiana de Via Anacapri em Roma. Escreveu uma crítica às estruturas organizacionais em seu trabalho final, “La verita vi fa liberi”.

Baquiário

Baquiário (Bachiarius monachus) foi um monge itinerante que viveu entre o final do século IV e possivelmente falecido em 425. Algumas fontes indicam que ele poderia ter sido irlandês e discípulo de São Patrício, embora haja a hipótese de que tenha origem galega. É o primeiro monge conhecido pelo nome na história do cristianismo ocidental.

Junto à monja Egeria, é considerado um dos primeiros monásticos a estabelecer laços religiosos e culturais entre o Ocidente, a África e o Oriente Médio. Sua atuação e correspondência permitiram o intercâmbio de ideias entre essas regiões, num período em que o cristianismo ainda consolidava sua presença e identidade.

Entre as obras atribuídas a Baquiário estão a Epistula ad Ianuarium, também conhecida como De reparatione lapsi, e o Libellus de fide, ambos conservados no tomo XV da España Sagrada do padre Enrique Flórez. A Epistula ad Ianuarium é uma carta teológica onde Baquiário discute a recuperação espiritual daqueles que cometeram erros, um tema de grande importância para a prática ascética e a penitência da época. Já o Libellus de fide é um tratado breve sobre a fé, refletindo sua visão sobre doutrina e vida monástica.

Epístola de Barnabé

A epístola de Barnabé é um tratado escrito do início do século II d.C. sobre como relacionar a vontade de Deus a partir de Cristo e discorre sobre a relação de Deus com os judeus.

Mais tarde falsamente atribuído (pseudoepígrafa) a Barnabé, companheiro de Paulo, emprega uma interpretação alegórica do Antigo Testamento, o qual apontaria para Cristo.

Há um tom antijudaico. As leis mosaicas nunca deveriam ter ser guardadas literalmente. Israel teria perdido sua aliança com Deus porque entendeu mal as leis, cometeu idolatria e ainda a desobedeceu.

A morte de Cristo na cruz teria sido um sacrifício que cumpre um plano traçado no Antigo Testamento. Somente os cristãos entendem o verdadeiro significado das Escrituras, sendo os herdeiros verdadeiros e pretendidos da aliança de Deus. Enfatiza a natureza urgente da tempo presente e a necessidade de os cristãos perseverarem e viverem corretamente para experimentar a salvação.

O autor emprega 1 Enoque, Sabedoria de Salomão, 4 Esdras, além de vários escritos desconhecidos como Escrituras. Aparece como canônico em Clemente de Alexandria e no Codex Sinaiticus.

É provável que tenha sido escrito em Alexandria, entre a destruição e reconstrução de Jerusalém, ou seja, entre 70 e 135 d.C.

BIBLIOGRAFIA

Foster, Paul. “Commentary on the Epistle of Barnabas.” Expository times 134, no. 1 (2022): 21-23. 

Rhodes, James N. “The Two Ways Tradition in the “Epistle of Barnabas”: Revisiting an Old Question.” The Catholic Biblical Quarterly 73, no. 4 (2011): 797-816.

Smith, Julien C.H. “The Epistle of Barnabas and the Two Ways of Teaching Authority.” Vigiliae Christianae 68, no. 5 (2014): 465-97.

G. C. Berkouwer

Gerrit Cornelis Berkouwer, conhecido como G. C. Berkouwer (1903-1996), foi um teólogo reformado holandês de linhagem kuyperiana ou teologia reformacional.

Berkouwer estudou na Vrije Universitet (VU) de Amsterdã e em 1932, apresentou sua tese de doutorado, Fé e Revelação na Teologia Alemã Recente. Posteriormente, fez carreira docente na VU a partir de 1934.

Fez uma série de 18 volumes Estudos em Dogmática (1949-1972), a qual seria uma contribuição monumental para a teologia sistemática. Este trabalho exaustivo explora sistematicamente doutrinas cristãs centrais, integrando cuidadosa análise da Escritura, engajamento com a teologia histórica e diálogo com pensadores contemporâneos.

A estrutura teológica de Berkouwer estava enraizada na tradição reformada, inspirando-se em João Calvino e Abraham Kuyper. Central para sua teologia estavam ênfases na soberania de Deus, na centralidade de Cristo e na relevância duradoura da Escritura para todos os aspectos da vida. Defendia a autoridade funcional das Escrituras em contraste com o inerrantismo norteamericano.

Berkouwer insistia em interpretar todas as doutrinas através da lente de Jesus Cristo. Sustentava que a obra redentora de Cristo na cruz representa a revelação máxima do amor e graça de Deus.

Berkouwer distinguia entre graça especial, que conduz à salvação, e graça comum, que sustenta a criação e restringe o mal. Esta perspectiva matizada ampliou seu engajamento com a sociedade secular e questões culturais. Defendia que a graça de Deus deve levar à santificação e ao engajamento na luta por justiça e paz.

Berkouwer conclamava os cristãos a aplicar sua fé a questões sociais e políticas. Fundamentado em princípios reformados de engajamento social, ele advogava por justiça, paz e dignidade humana. Berkouwer criticava a tendência de alguns conservadores e fundamentalistas de se isolarem do mundo, buscando criar comunidades “puras” e separadas da sociedade. Defendia o engajamento cristão no mundo, buscando transformar a cultura e a sociedade à luz do Evangelho. Argumentava também que o cristão deveria ser aberto ao diálogo com outras religiões, buscando pontos de contato e construindo pontes de entendimento.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Hesiquiana

Hesíquio de Alexandria (?-c.300) foi um exegeta que produziu a Bíblia Hesiquiana, uma recensão da Septuaginta e partes do Novo Testamento (possivelmente, os quatro evangelhos).

Hesíquio teria sido bispo de um lugar no Egito no século III e é confundido com lexicógrafo homônimo.

Esta recensão é mencionada por Jerônimo como obra de Hesíquio com a colaboração de Luciano de Antioquia. Segundo Eusébio (Hist. Ecl.8.13.7), um tal Hesíquio foi martirizado sob Diocleciano com três contemporâneos: Pacômio, Fileas e Teodoro. Os quatro mártires escreveram uma carta datada de 296 d.C. a Melício, bispo cismático de Licópolis, no Alto Egito, repreendendo-o por ordenações irregulares

No século IV as igrejas do Egito e em Alexandria utilizavam a Septuaginta Hesiquiana ao invés da edição de Orígenes. Jerônimo (Praef. in Paral.; Adv. Ruf. 2,27) critica Hesíquio, acusa-o de interpolação em Isaías 58:11 (Comm. em Is. ad. 58, 11) e de falsas adições ao texto bíblico (Praef. em Evang.). O Decretum Gelasianum alude aos “evangelhos que Hesíquio forjou” e chama-os de apócrifos.