Filipos

Filipos, em grego Φίλιπποι, cidade na Macedônia (atual Grécia), onde Paulo plantou sua primeira igreja na Europa (At 16)

Filipos recebeu o nome de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande (356 a.C.). Filipos tornou-se uma colônia romana quando veteranos receberam terras depois da batalha de 42 a.C. da guerra civil entre partidários de Marco Antônio e Otávio contra os partidários do senado no final da república romana. A cidade tinha uma biblioteca e recebia várias encenações de teatro. Isso faz supor que a cidade era relativamente rica. Paulo escreveu sua epístola aos filipenses, além de a cidade ser mencionada. É mencionada em At 16:12; 20:6; Fp 1:1; 1 Ts 2:2.

Hoje é um sítio arqueológico com várias representações artísticas da vida na Antiguidade.

Flávio Josefo

Flávio Josefo historiador judeu helenístico (ca. 37-ca. 100 d.C.).

Membro da elite religiosa e política de Jerusalém, foi um dos comandantes dos revoltosos judeus. Depois de capturado, passou para o lado dos romanos na Primeira Guerra Romano-Judaica.

Adotou o nome da família de seus benfeitores (a dinastia flaviana). Empenhou-se em compilar trabalhos apologéticos e historiográficos para explicar o mundo judeu aos gregos e romanos. Dentre suas obras contam:

  • A Guerra Judaica: um relato da rebelião contra Roma em 66-70 a.C. com informações começando pouco antes do período dos Macabeus;
  • As Antiguidades Judaicas: uma história geral dos hebreus;
  • Contra Apion, uma defesa do judaísmo;
  • Vita: uma autobiografia.

Josefo forneceu inestimáveis informações históricas sobre o judaísmo e seus antecedentes. É a principal fonte para compreender a história dos israelitas de 200 a.C. a 100 d.C. Sua narrativa da rebelião, da qual foi um participante, é parcialmente a de uma testemunha ocular. Também fornece informações primárias sobre os essênios e os fariseus (ele esteve em um momento ou outro associado a ambos), bem como informações sobre os saduceus. Josefo é importante para entender o judaísmo do Segundo Templo e o contexto no qual o cristianismo e o judaísmo rabínico se desenvolveram.

Fermento

O fermento, em hebraico חָמֵץ, chamets; שְׂאֹר, se’or; e em grego ζύμη, zymē, é a substância biológica que faz uma massa crescer.

O fermento era apenas um pedaço de massa fermentada retirada para posterior uso (Mateus 13:33).

O fermento era removido das casas israelitas durante a Festa dos Pães Ázimos, ou pães sem fermento (Êx 12:15, 19; 13:7). Também era vedado o fermento nas ofertas de grãos (cf. Êx 23:18; Lv 2:11).

Figurativamente o fermento era visto como um elemento corruptor, pois “um pouco de fermento leveda toda a massa” (1 Co 5:6; Gl 5:9). Em Mt 16:6 “fermento” refere-se ao ensino ruim comparável ao “Se’or sheba-‘isah” = “o fermento na massa”, correspondendo ao conceito talmúdico de “yetzer ha-ra” (Berakhot 17a), a inclinação congênita para o mal. No entanto, Jesus menciona o fermento uma vez de forma positiva, referindo-se à mudança causada pelo reino dos céus (Mt 13:33).

Filipe, o Tetrarca

Filipe, o Tetrarca (c. 26 aC – 34 dC), às vezes convencionalmente chamado de Herodes Filipe II.

Filho de Herodes, o Grande, e sua quinta esposa, Cleópatra de Jerusalém.

Augusto fez sua própria divisão do reino de Herodes, dando um quarto a Filipe. Ele reinou de 4 aC a 34 dC em Iturea, Gualanitus, Batanea, Traconitis e Aurantis, área no norte da atual Jordânia e no sul da Síria.

Ele era meio-irmão de Herodes Antipas e Herodes Arquelau e não deve ser confundido com Herodes II, a quem também é referido como Herodes Filipe I.

É mencionado em Lucas 3:1.

Filisteus

Os filisteus são parte dos povos do mar que migraram da bacia do Egeu e outras áreas para a costa sul de Canaã no início do século XII a.C. Como retratados na Bíblia, os filisteus viriam ser um dos principais rivais dos israelitas durante a Idade do Ferro.

Restaram poucas inscrições da Filistia. O que sabemos sobre os filisteus deriva de fontes assírias e babilônicas e de narrativas bíblicas, bem como de registros arqueológicos. De sua literatura nada restou e de sua língua somente alguns nomes próprios.

Filistia, o território controlado pelos filisteus, era uma fértil planície costeira do sudeste do Mar Mediterrâneo. Seus limites se estende do “Rio do Egito” até Ecrom. Consistia em cinco cidades ou Pentápolis: Asdode, Asquelom, Gaza, Ecrom e Gate. O território atual compreende a área entre a moderna Tel Aviv e a Faixa de Gaza.

Não se sabe qual seria a organização política dos filisteus. Suas cidades poderiam ter sido independentes ou talvez possuíssem uma organização política maior.

Os filisteus são contados entre as nações que o Senhor deixou em Canaã para testar Israel (Js 13:2-3, Jz 3:1-3).

Detentores da tecnologia do ferro, a potência militar dos filisteus aparecem no ciclo de Sansão (Jz 13-16) e pela guerra em que a Arca foi capturada (1Sm 4-6; Sl 78: 56-66; Jr 7:12-14). O estabelecimento da monarquia com um exército permitiu Saul de alcançar algumas vitórias contra os filisteus (1Sm 13-14), incluindo a luta de Davi contra o gigante Golias (1Sm 17:41-54). Todavia, Davi refugiou-se com o rei filisteu de Gate, Aquis, e tornou-se um de seus vassalos (1Sm 21:1-28:2). A morte de Saul fez com que Davi rompesse sua aliança com os filisteus e lutasse contra eles (2Sm 1:1-2:11; 2Sm 5:17-25; 2Sam 8:1). Embora os filisteus continuassem a resistir à expansão de Israel (2Sm 21: 15-22; 2Sm 23:8-39), já não eram mais uma grande ameaça. O último rei israelita que teve contato com os filisteus foi Ezequias. Em seu reinado entre c.729 e 687 a.C., o reino de Judá realizou campanhas bem-sucedidas contra eles (2Rs 18:8).

Após a destruição de Gate pelo rei arameu Hazael por volta de 830 a.C., as outras quatro cidades continuaram a prosperar. Contudo, a destruição de Gate permitiu que o reino de Judá começasse a se expandir nessa direção. Durante o período neo-assírio (meados do século VIII a meados do século VII a.C.), a Filistia prosperou. Asquelom tornou-se um porto importante e Ecrom tornou-se o maior produtor de azeite do Mediterrâneo oriental.

Na conquista da Filistia pela Babilônia por volta de 604 a.C. todas as cidades restantes foram destruídas e seus habitantes exilados. Terminou, assim, a existência dos filisteus como cultura distinta.

Os filisteus não são aparentados da população cananeia nativa desta região. Por muito tempo se pensou que vieram algum local ainda não identificado no Egeu, Caftor, tendo migrado em massa e repovoado ao longo da planície costeira do sul de Canaã. Dados arqueológicos revelam uma história mais complexa.

A cultura material dos primeiros filisteus indica que as origens dos filisteus são diversas, de várias áreas do Egeu, Chipre, sul da Anatólia e até mesmo dos Bálcãs. Poderiam ser populações levantinas que se deslocaram em massa após a queda da hegemonia hitita (Ben-Dor Evian, 2017). As evidências arqueológicas mostram que a população e a cultura cananeia local coexistiram com os filisteus, sendo eventualmente assimilados.

A cerâmica filisteia é distinta e serve para mapear a mudança da cultura material dos filisteus. A cerâmica do início da Idade do Ferro inclui modelos micênicos feita localmente. Mais tarde na Idade do Ferro a cerâmica filisteia também muda, desenvolvendo seus próprios estilos. O último estágio (utensílios de Asdode), durante a Idade do Ferro IIA, combina formas e decorações filisteias e fenícias.

A alimentação dos filisteus distingue-os de outras culturas cananeias. A maioria, mas não todos, dos sítios arqueológicos filisteus indica uma preferência por carne de porco e cachorro. A cinofagia (consumo de cachorros) parece ter tido também uma função ritual. Os utensílios de cozinha (jarras) e instalações (lareiras) também são diferentes.

BIBLIOGRAFIA
Ben‐Dor Evian, Shirly. “Ramesses III and the ‘Sea‐peoples’: Towards a New Philistine Paradigm.” Oxford Journal of Archaeology 36.3 (2017): 267-285.

Garbini, Giovanni. I filistei: gli antagonisti di Israele. Brescia: Paideia, 2012.

Feldman, Michal; Daniel M. Master; Raffaela A. Bianco; Marta Burri; Philipp W. Stockhammer; Alissa Mittnik; Adam J. Aja; Choongwon Jeong; Johannes Krause. “Ancient DNA sheds light on the genetic origins of early Iron Age Philistines” Science Advances (2019). DOI:10.1126/sciadv.aax0061

Stockhammer, Philipp W. “From hybridity to entanglement, from essentialism to practice.” Archaeological Review from Cambridge 28.1 (2013): 11-28.