Odes de Salomão

As Odes de Salomão são uma antologia de 42 poemas ou hinos. A autoria pseudoepígrafa é atribuída a Salomão, mas se trata de poemas compostos entre a queda de Jerusalém e o final do século II em aramaico ou siríaco.

Provavelmente, foi a mais antiga coletânea de hinos utilizada no culto cristão. Apesar disso, a origem dessa coletânea permanece desconhecida. É possível que seja de origem judaica, cristã, judeu-cristã ou gnóstica. Aparentemente, Inácio de Antioquia (m.110 d.C.) teria citado a obra, o que situa sua origem nos primórdios da era cristã.

Há muitas semelhanças temáticas com a literatura joanina. No entanto, não há menção inequívoca sobre Jesus. Esposa uma teologia do Logos e faz referências abundantes à Sabedoria.

Óstraca de Khirbet Qeiyafa

A óstraca de Khirbet Qeiyafa é um caco e um vazo cerâmico de 15 por 16,5 centímetros com cinco linhas de texto, descoberto durante as escavações em Khirbet Qeiyafa em 2008. A datação é estimada ser do século X a.C.

O texto é importante tanto ser uma atestação do hebraico arcaico quanto por ser uma das primeiras menções possíveis do mandado de proteção ao quádruplo de vulnerabilidade.

Segundo a reconstiuição de Gershon Galil da Universidade de Haifa, a óstraca diz:

1 você não deve fazer [isso], mas adorar [El]
2 Julgue o escravo e a viúva / julgue o órf[ão]
3 [e] o estrangeiro. [pleite para o bebê / implore para o pobre e]
4 a viúva. Reabilite [os pobres] nas mãos do rei
5 Proteja o pobre e o escravo / [apoiar o estrangeiro]

Khirbet Qeiyafa é um sítio arqueológico no local de uma antiga cidade fortaleza diante do Vale de Elá. As ruínas da fortaleza foram descobertas em 2007, perto da cidade de Beit Shemesh, a 30 km de Jerusalém.

Papiros de Oxirrinco

Os Papiros de Oxirrinco ou Oxyrhynchus Papyri é a maior coleção de papiros encontrada. Oriunda do sítio arqueológico de Oxirrinco, próximo à atual cidade de El-Bahnasa na província de Al-Minya, Egito, a aproximadamente 160 quilômetros ao sul de Cairo, na margem esquerda do Bahr Yussef, um braço do Nilo que agora termina no oásis de Fayum.

As ruínas de Oxirrinco foram descobertas e identificadas por Vivant Denon, um dos estudiosos franceses que acompanhou Napoleão Bonaparte na campanha egípcia (1799-1802).

As primeiras escavações foram realizadas em 1897 pelos ingleses Bernard P. Grenfell e Arthur S. Hunt. Suas escavações desenterraram milhares de papiros em um lixão. Os manuscritos datam dos períodos ptolomaico (século III aC) e romano (de 32 aC) mas vão até a conquista muçulmana do Egito em 640 dC.

As descobertas são estudadas até hoje pela Sociedade de Exploração do Egito, com um número substancial de itens agora guardados no Museu Ashmolean, em Oxford.

A maior parte dos papiros foram sido escritos em grego. Alguns textos estão escritos em egípcio (hieróglifo, hierático, demótico) e principalmente copta. Outros estão em latim, árabe, em hebraico, aramaico, siríaco e persa palavi. Cerca de 10% dos papiros são literários. Os outros 90% são papiros documentais, sendo evidências importantes para reconstruir o cotidiano. Desde sua descoberta, cerca de 1% dos papiros foram processados e publicados, ou seja, cerca de 5.000 papiros publicados desde 1898.

Após as escavações iniciais, Oxirrinco atraiu diversas missões italianas e inglesas até a década de 1930, quando os esforços oficiais foram interrompidos por um período de cinquenta anos. Infelizmente, a exploração predatória não parou durante esse período. Saqueadores vasculharam o local e muitas antiguidades desenterradas nesses anos foram identificadas em coleções privadas, universidades e museus. Hoje, o local com o maior número de antiguidades de Oxirrinco é o Museu Nacional de Antiguidades de Leiden, na Holanda.

Entre os literários há obras de Platão, com, a República, Fédon ou o diálogo Górgias; os Elementos de Euclides; peças de Menandro; histórias de Tito Lívio, dentre outros. De especial significância são os papiros relacionados aos judeus e cristãos.

Relevantes para os estudos bíblicos estão os fragmentos dos primeiros Evangelhos não canônicos como Oxirrinco 840 (século III dC) e Oxirrinco 1224 (século IV dC). Outros textos de Oxirrinco preservam partes de Mateus 1 (século III: P2 e P401 ), 11–12 e 19 (século III ao IV: P2384, 2385 ); Marcos 10–11 (séculos V a VI: P3 ); João 1 e 20 (século III: P208); Romanos 1 (século IV: P209); a Primeira Epístola de João (séculos IV a V: P402 ); o Apocalipse de Baruque (capítulos 12–14; século IV ou V: P403 ); o Evangelho de Tomé (século III d.C.: P655 ); O Pastor de Hermas (século III ou IV: P404 ), uma obra de Irineu , (século III: P405 ). Existem muitas partes de outros livros canônicos, bem como muitos hinos, orações e cartas dos primeiros cristãos. Do Antigo Testamento, há partes de Gênesis, Êxodo, Levítico, Josué, Jó, Salmos, Eclesiastes, Amós e Ester.

Óstracos de Samaria

Os óstracos de Samaria, óstraca samaritana ou as óstracas de Samaria são um conjunto de 102 óstracas (63 legíveis) descobertas em 1910 por G.A. Reisner nas escavações de Samaria, capital do Reino de Israel, estando entre os textos mais antigos do Hebraico Arcaico.

Consistem de recibos para lotes de vinho e azeite enviados das aldeias vizinhas para a capital Samaria.

Registram as datas pelo ano de reinado, provalvemente dos reinados de Jeroboão II e Joás, uma geração antes da destruição da cidade pelos assírios em 722 a.C.

Mencionam localidades israelitas não registradas na Bíblia ou pouco atestadas. Por exemplo, Beer, para a qual Jotão fugiu é provavelmente a
Beerim da óstraca de Samaria (Jz 9:21). Também, aparecem nomes de clãs presentes nas listas genealógicas da tribo de Manassés (Êx 26:30-33; Js 17:2-3; 1 Cr 7:14-19).

Atestam um crescimento da alfabetização condizente com surgimento dos profetas literários.

Dez clãs de Manassés se estabeleceram em Canaã e receberam porções de terra (Josué 17:1-13), onde depois viria ser a região de Samaria. Esses clãs eram Abiezer, Asriel, Heleque, Siquém e Semida, filhos de Gileade (Josué 17:1-2); e Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza, filhas de Zelofeade (Josué 17:3-4). Todos os clãs com nomes dos filhos de Gileade, junto com dois dos cinco clãs com nomes das filhas de Zelofeade (Hogl e Noa), aparecem nas óstracas..

As óstracas são documentais. Provavelmente eram borrões de registros antes de sere lançados em outros suportes, como papiros. São registros de tributos enviados das aldeias locais para a capital. Essas provisões enviadas aos funcionários reais possivelmente refletiam um sistema de concessão de terras em detrimento ao regime das herdades atestadas pelas linhagens genealógicas (como na desapropriação e redestribuição das terras de Nabote em 1 Reis 21). Possivelmente atestam tráfico de influência, quando os mais ricos obtinham vantagens como jantar à mesa do rei, mas eram obrigados a fornecer comida para a festa (cf. 2Sm 9:7). Esse acúmulo de poder e riquezas seriam denunciados pelos profetas, como Amós e Oseias.

Registram vários nomes com alusão divina, como Baal ou Yahweh, mas esse último com uma ortografia diferente daquela usada em Judá.

BIBLIOGRAFIA

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Bernardino Ochino

Bernardino Ochino (1487-1564) foi um pregador franciscano e depois reformador italiano.

Notório pregador, tornou-se o geral dos capuchinhos. Encontrou a mensagem do evangelho conforme pregada pelos reformadores no círculo de Juan de Valdés em Nápoles (1536).

Ochino passou a enfatizar o benefício de Cristo em suas pregações. Despertaria suspeitas da Inquisição. Começou a circular um livreto com o título “O Benefício de Cristo Crucificado”, cujas suspeitas de autoria caíram em Ochino.

A0s 56 anos, em 1542, Ochino refugiou-se em Genebra, onde deu início à congregaçãod os exilados em língua italiana. Sendo um reformador sem sectarismo, depois de três anos iniciou um ministério de pregação itinerante, passando por Basileia, Augusburgo, Estrasburgo, Londres, Polônia e Morávia. Faleceria na casa de um anabatista italiano na Morávia.