Partes do texto

Inscriptio, normalmente com a função de identificar o texto, como os títulos. Podem ser repetidos no final do manuscrito, quando recebe o nome de suscriptio.

O incipit, por vezes, faz o papel do inscriptio, sendo as primeiras palavras de um texto, dando-lhe seu título.

O corpo do texto pode estar organizado em colunas, com sinais de leitura, como a cola e commata, bem como aparatos textuais, como óbolo. Na idade média floresceu o uso de glosas e marginálias, as quais são anotações acima ou às margens do texto.

Fórmulas de conclusão do texto são chamados de inclusio.

Colofão é a ficha editorial do copista, com detalhes de quem e onde foi feito a cópia, bem como a data de conclusão.

Esses elementos podem ser textuais quando já fornecidos por seus autores ou paratextuais, acrescentados por copistas ou editores.

Palimpsesto

Um palimpsesto é um manuscrito ou pedaço de material de escrita que foi reutilizado ou apagado, com uma nova escrita sobreposta a um texto anterior.

Como a produção do suporte material era onerosa, um documento podia ser escrito sobre o mesmo suporte duas vezes ou mais, com a escrita anterior ainda visível sob a escrita mais recente.

No campo da crítica do texto bíblico, os palimpsestos são importantes porque podem fornecer evidências de versões anteriores do texto bíblico que podem não existir mais em sua forma original. O texto anterior pode ter sido apagado ou raspado para dar lugar a uma nova escrita, mas ainda pode ser visível ou recuperável por meio de vários métodos.

Um exemplo depalimpsesto para a crítica de textos bíblicos é o Codex Ephraemi Rescriptus. Datado a do século V dC, está guardado na Bibliothèque Nationale em Paris. O manuscrito contém partes do Antigo e do Novo Testamento, mas o texto bíblico foi escrito sobre escritos anteriores das obras de Efrém, o Sírio, daí o nome “Rescriptus”. Através do uso de luz ultravioleta e outras tecnologias, foi possível recuperar parte do texto original de Efrém.

Outro palimpsesto importante para a crítica do texto bíblico é o Palimpsesto de Arquimedes, que data do século X dC e contém obras do matemático grego Arquimedes. O manuscrito foi posteriormente reutilizado no século XIII para escrever um livro de orações cristãs no qual ainda podem ser discernidas partes do texto bíblico. Os estudiosos usaram imagens multiespectrais para recuperar parte do texto apagado de Arquimedes.

Ainda outro exemplo, o Palimpsesto do Sinai é um manuscrito siríaco do século 6 ou 7 dC que contém fragmentos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos cristãos. O texto foi substituído por escrita árabe no século XII, mas os estudiosos conseguiram recuperar parte do texto siríaco original por meio do uso de várias técnicas de imagem.

Papiro Rylands 458

Papyrus Rylands 458 é um manuscrito do Pentateucna versão Septuaginta, talvez o mais antigo.

É um rolo fragmentário e contém Deuteronômio 23:24 (26)–24:3; 25:1–3; 26:12; 26:17–19; 28:31–33; 27:15; 28:2.

Datado de meados do século II aC, talvez sejao mais antigo manuscrito da Septuaginta.

Foi descoberto em 1917 por J. Rendel Harris e publicado em 1936. Está guardado na Biblioteca John Rylands (Gr. P. 458) em Manchester.

Papiro Fuad P266

Pairo Fuad p266 ou Papyrus Fuad, é um fragmento de papiro, encontrado nas bandanas envolvendo uma múmia. Datado do século I a.C., é um dos poucos testemunhos da versão Septuaginta antes da era cristã.

Contém Deuteronômio 31:28-32,6. Apesar de grego, o nome de Deus está na forma do Tetragrama hebraico.

Foi descoberto em 1939 em Fayum, no Egito, onde havia duas sinagogas judias. Pertence ao Instituto de Papirologia do Cairo.

Pirke de-Rabbi Eliezer

O Pirke de-Rabbi Eliezer é uma obra midráshica dos séculos 8 a 10 dC que contém uma coleção de histórias, ensinamentos e interpretações das escrituras e tradições judaicas.

A obra é atribuída ao rabino Eliezer ben Hicarno, um proeminente sábio judeu do século I dC, embora certamente o texto tenha sido escrito bem mais tarde.

O Pirke de-Rabbi Eliezer cobre vários tópicos, incluindo a criação do mundo, a vida de figuras bíblicas como Adão, Noé, Abraão e Moisés e a história do povo judeu. Também inclui discussões sobre lei judaica, ética e teologia. Informa sobre crenças judaicas sobre vida após a morte, anjos e demônios.

A obra é notável pelo uso de linguagem imaginativa e simbólica, bem como pela incorporação de tradições não judaicas, como a mitologia grega e romana, ao pensamento judaico. Valoriza o estudo e a observância da lei e da tradição judaica como meio de se conectar com Deus e alcançar o crescimento espiritual.

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