Teísmo aberto

Doutrina pela qual Deus não controla meticulosamente o universo, nem exaustivamente conhece o futuro. Tampouco sua presciência seria absoluta, infalível ou inevitável.

Teólogos pós-evangelicais americanos nos anos 1990 como Gregory Boyd, John Sanders e Clark Pinnock propuseram a doutrina do teísmo aberto.

De certa forma, seria uma versão cristianizada, buscando suporte bíblico, para as pressuposições do teísmo do processo de Whitehead e do teísmo finito de Bertocci.

BIBLIOGRAFIA
Clark Pinnock et al., The Openness of God. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1994.

Seio de Abraão

A locução estar junto ao “seio de Abraão” é uma metáfora para (a) o eufemismo de “estar com os pais” ou a morte (Gn 15:15; 47:30; Dt 31:16); ou (b) estado intermediário ou final dos justos mortos (Lc 16:22).

No período do Segundo Templo e no Talmud há várias referências ao “Seio de Abraão”. A frase “seio de Abraão, Isaque e Jacó” foi encontrada em papiros de sepultamento (cf. papiro Preisigke Sb 2034: 11) no Egito. Outras menções ocorrem em 4 Macabeus 13:17; Apocalipse de Sofonias 9:2; Mishnah Kiddushin 72b; Midrash Gênesis Rabba 67.

Cânone vicentino

Cânon Vicentino é um triplo teste de catolicidade (universalidade de sã doutrina para o cristianismo) estabelecido pelo autor patrístico Vicente de Lérins (séc. V d.C.). É sumarizado pelo seguinte aforismo:

“Aquilo que é acreditado em toda parte, sempre e por todos”.

Somente as doutrinas e tradições que passarem pelo crivo desse triplo teste de ecumenicidade, antiguidade e consentimento, deveria ser aceito.

Agostinianismo

Agostinianismo ou agostinismo é um sistema teológico iniciado pelo bispo e filósofo norte-africano Agostinho de Hipona (354– 430 d.C.). Depois foi desenvolvido por outros pensadores, afetando profundamente as doutrinas do cristianismo ocidental e a interpretação da Bíblia no Ocidente.

Entre as obras mais importantes de Agostinho estão A Cidade de Deus, Sobre a Doutrina Cristã, Sobre a Trindade, Manual sobre fé, esperança e caridade, Contra os Acadêmicos e suas famosas Confissões.

Dentre as influências recebidas por Agostinho incluem o neoplatonismo, o estoicismo, a retórica e cultura jurídica romana. Seu embate com o maniqueísmo e com os adeptos de Pelágio refinaram seu pensamento. Os anos finais e decadentes do Império Romano do Ocidente também refletem em sua filosofia de história.

DOUTRINA

Doutrina central do agostinianismo é que a natureza do ser humano foi corrompida pela culpa do pecado original, mas quando se crê em Cristo mediante o Evangelho, o ser humano torna-se partícipe de sua Igreja, a qual porta a revelação divina através da história, e pela luz do Espírito Santo (o vínculo do amor de Deus) compreende essa revelação. 

Sumário extendido:

  • Deus ordenou desde a eternidade todas as coisas que deveriam acontecer com vistas à manifestação de sua glória;
  • Deus criou o homem puro e santo, com liberdade de escolha;
  • Neste plano, Adão foi testado, desobedeceu, perdeu sua liberdade e tornou-se escravo do pecado;
  • Toda a humanidade caiu com Adão e é justamente condenada nele à morte eterna, o que é chamado de pecado original;
  • O pecado original causou uma desordem do Eu de tal forma que a razão, a vontade e o desejo não são mais corretamente subordinados um ao outro, tampouco a Deus.
  • Deus, em sua presciência, enviou Cristo para a redenção e oferecer a vida eterna;
  • Cristo, nascido de Maria virgem, não possuía pecado. (Agostinho era adepto do seminalismo e acreditava que as mulheres eram somente um vaso, com o ser humano formando-se a partir do sêmen paterno. Portanto, Cristo não portaria ao pecado original);
  • Mas Deus, em sua misericórdia soberana, elegeu parte dessa massa corrupta para a vida eterna, sem qualquer consideração de mérito, ao que chama graça;
  • Pela graça os eleitos são convertidos, justificados, santificados e aperfeiçoados;
  • Os eleitos formam uma Igreja invisível conhecida somente por Deus;
  • A Igreja visível tem um papel importante na comunicação da graça, especialmente por meio dos sacramentos;
  • Somente pela iluminação divina seria possível compreender as coisas de Deus;
  • O Espírito Santo tem papel indispensável na compreensão das coisas de Deus bem como mover para praticar obras de justiça;
  • O Espírito Santo é o vínculo de amor entre Deus Pai e o Deus Filho. Por ser amor, o Espírito Santo dá a graça de alinhar a razão, a vontade e o desejo para o amor a Deus e ao próximo. Desse modo, todo bem vem de Deus.
  • Enquanto o conselho de Deus é inescrutável, porém justo, o resto da humanidade fica no estado de condenação.
  • Assim, no castigo eterno dos ímpios revela-se a glória de sua justiça.
  • A teodiceia agostiniana busca reconciliar a existência do mal com Deus onipotente e onibenevolente, localizando-se o mal na ausência de Deus.

LEGADO

O agostinianismo praticamente não impactou o cristianismo oriental. Adicionalmente, passou por críticas de vários outros teólogos da tradição cristã ocidental.

O agostinianismo extrapola os confins da teologia e tem ramificações na filosofia. Outros pensadores nessa tradição incluem Boécio, Gregório Magno, Anselmo de Cantuária, Boaventura, Lutero, Calvino, René Descartes, Cornélio Jansênio e Pascal.

Dentre os subsistemas e sistemas teológicos derivados ou baseados no agostinianismo se destacam o sistema penal-sacramental católico romano, a soteriologia forense, o luteranismo, os sistemas reformados e o jansenismo.

BIBLIOGRAFIA

Geerlof, Derek M. “Augustine and Pentecostals: Building a Hermeneutical Bridge between Past and Present Experience in the Psalms.” Pneuma 37.2 (2015): 262-280.

Sete

Sete, em hebraico שֵׁ֑ת; e em grego Σηθ, nome de dois personagens bíblico, com significado incerto

Uma possibilidade é que o nome tenha sido escolhido por sua assonância com o verbo hebraico “shath”, que significa “designar”, sem necessariamente implicar uma relação direta de substituição.

Adicionalmente, pode significar “designado” ou “colocado”, sugerindo que ele foi um substituto para Abel, que foi assassinado por Caim.

  1. Sete, o terceiro filho de Adão e Eva, nascido após a morte de Abel (Gênesis 4:25). É o ancestral de várias linhagens genealógicas bíblicas (Gênesis 5:3, 4; 1 Crônicas 1:1; Lucas 3:38, cf. Eclesiástico 49:16)

De acordo com o Texto Massorético e a versão samaritana da Bíblia, Sete teve um filho chamado Enos quando tinha 105 anos, porém a Septuaginta indica 205 anos para esse evento. Sete viveu até os 912 anos de idade (Gênesis 4:26; 5:6-8).

O nascimento de Sete é apresentado em contraste com a linhagem de Caim, marcada pela violência e depravação. A partir do nascimento de Sete ha o início da prática de invocar o nome de Yahweh (Gênesis 4:26).

2. Filhos de Sete aparece em Números 24:17, em uma passagem obscura onde Balaão se refere a um povo inimigo de Israel. Seria possível corrupção do texto original ou um jogos de palavras que pode conectar os moabitas (o povo inimigo em questão) aos israelitas, descendentes de Sete. Jeremias 48:45 há algo similar, como “filhos do tumulto” (bnei sheth).