Salvação

Salvação, em sentido lato, é o livramento, resgate, remissão, estado de segurança ou de proteção, bem como um estado de sanidade.

No grego é soteria e deriva-se da raiz sozo: livrar, proteger, curar, salvar, sarar, tornar bem, restaurar a integridade. Até o nome “Jesus” significa “Deus [é] Salvação” ou “Deus Salva”.

Nem todas as religiões buscam ou possuem o conceito de salvação. Por essência, o cristianismo é uma religião de salvação. Os ensinos do Novo Testamento referente à salvação resumem-se em que a humanidade é salva do afastamento de Deus, da sua própria culpa e dos poderes demoníacos através da experiência do poder expiatório do Novo Ser em Jesus como o Cristo. Essa nova criatura, então, possui a viva esperaça de glorificação corporativa com Deus na nova criação (novos céus e nova terra) ou reino.

A soteriologia é o ramo da teologia que estuda as doutrinas da salvação.

Biblicamente, a salvação refere-se ser salvo de alguma coisa, dentre elas:

  1. Libertação de escravidão: Refere-se à libertação do povo de Israel do cativeiro no Egito, como registrado em Êxodo 14:30 e 15:2. Salmos 106:21 também relembra essa salvação como um ato de redenção divina. Romanos 6:6-7 relata a libertação do pecado que escraviza.
  2. Salvação do exílio: A salvação é associada ao retorno do povo de Israel do exílio babilônico, como em Isaías 45:17, que apresenta a libertação como um ato de restauração nacional.
  3. Resgate do perigo: Salmos 27:1, 51:12, 65:5 e 69:2 destacam a salvação como livramento de situações perigosas ou ameaçadoras, demonstrando a proteção contínua de Deus.
  4. Salvação do pecado: Nos Evangelhos, a salvação assume um significado espiritual. Em Marcos 2:1-12, Mateus 9:1-8 e Lucas 5:17-26, Jesus perdoa os pecados do paralítico. Em Lucas 7:48-50, Ele perdoa os pecados de uma mulher que unge Seus pés, e em Lucas 23:34, na cruz, Jesus clama por perdão para aqueles que o crucificam. Em João 9:1-12, salva o cego de nascença não só de sua cegueira mas do estigma social do pecado.
  5. Salvação de doenças: Diversos relatos demonstram o poder de Jesus para curar doenças físicas, incluindo a cura do paralítico (Marcos 2:1-12), da mulher com fluxo de sangue (Marcos 5:25-34), do servo do centurião (Mateus 8:5-13) e do leproso (Marcos 1:40-45).
  6. Salvação da morte: Jesus manifesta Seu poder sobre a morte em eventos como a ressurreição da filha de Jairo (Marcos 5:21-43), de Lázaro (João 11:1-44) e do filho da viúva de Naim (Lucas 7:11-17).
  7. Salvação da cegueira: Exemplos incluem a cura do cego de Betsaida (Marcos 8:22-26) e de Bartimeu (Marcos 10:46-52), que ilustram o poder restaurador de Jesus.
  8. Salvação do medo: Jesus traz paz e segurança aos discípulos ao acalmar a tempestade (Marcos 4:35-41) e ao caminhar sobre as águas (Mateus 14:22-33).
  9. Salvação da violência: O ensino de Jesus em Mateus 5:38-48 enfatiza a superação da violência por meio do amor e do perdão. Sua resposta pacífica durante a prisão (Mateus 26:47-56) também demonstra a rejeição à violência. Em João 7:53-8:11, Ele salva uma mulher acusada de adultério.

Miguel Spina

Miguel Spina (1913-1993) foi um ministro do evangelho e industrial brasileiro, pertencente à Congregação Cristã no Brasil.

Filho de imigrantes italianos estabelecidos no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, com seus irmãos montou uma gráfica que veio ser uma das maiores do Brasil.

Aos 28 anos foi ordenado ao ministério de ancião para a Congregação do Brás. No início de seu ministério, liderou a construção de uma enorme casa de oração que viria ser sede administrativa da denominação em São Paulo e centro para reuniões do ministério da Congregação Cristã no Brasil.

Ocupou a função de moderador, presidindo as reuniões anuais do ministério a partir dos anos 1960 até sua morte.

No início dos anos 1950 seus irmãos e sócios liberaram-no de vários compromissos na gráfica para que poderia viajar pelo Brasil e pelo mundo em missões.

Sabeus

Os sabeus (grego antigo Σαβαίοι ou em hebraico סבאים) eram um antigo povo semita do sudoeste da Península Arábica , onde hoje é o Iêmen.

No Antigo Testamento, os sabeus aparecem como negociantes de incenso (Jr 6:20, Isa 60:6, cf. Gn 25:1-6, Joel 4:8). É famosa a visita da Rainha de Sabá a Salomão (1 Reis 10:1-13, 2 Cr 9:1-12). Os sabeus seriam um dos povos que atacaram Jó (Jó 1:15; 6:19).

A civilização de Sabá emergiu na Idade do Ferro. Alguns estudiosos pensam o estado sabeu surgiu por volta de 1200 a.C., enquanto as pesquisas mais recentes apontam para c. 800 a.C. O Império Sabeu durou até 275 d.C., quando foram dominados pelos estados himiaritas, também do Iêmen.

Nos anais dos assírios, os sabeus são mencionados pela primeira vez em 730 aC. Os gregos conheciam os sabeus como comerciantes de incenso e mirra.

A língua comum dos sabeus e himiaritas era o sabaeu, um dialeto do antigo árabe do sul. O antigo árabe do sul foi largamente falado no sudoeste da Península Arábica até o século X, sendo relacionado com as línguas etíopes. É atestado com cerca de 6.000 inscrições. Seus únicos remanescentes contemporâneos são as línguas razihi e faifi faladas no noroeste do Iêmen.

Parabíblica, Literatura

Literatura parabíblica refere-se ao gênero literário de obras que expandem, reformulam ou parafraseiam textos bíblicos.

Similar expansão ou reescrita ocorre na midrash, mas com caráter interpretativo livre. Muito da literatura parabíblica é pseudoepígrafa, atribuíndo sua autoria ou versando sobre personagens célebres da história israelita ou cristã.

  • Apócrifo do Gênesis
  • Livro dos Jubileus
  • Pseudo-Filo

Regeneração

Regeneração sob o termo grego παλιγγενεσία, palingenesia, aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (Mateus 19:28 e Tito 3:5) para referir-se à recriação das coisas no Reino de Deus e ao renascimento espiritual da pessoa. Tematicamente há duas outras alusões à regeneração (re: novamente; generatio: nascimento) como novo nascimento João 3:3-8; 1 Pedro 1:3 (respectivamente gennethe anothen e anagennēsas).

Em Mateus 19:28, Jesus diz a seus discípulos que no novo mundo, “quando o Filho do Homem se assentar em seu trono glorioso”, eles também se sentarão em tronos, julgando as doze tribos de Israel. Ele então diz: “E todo aquele que tiver deixado casas ou irmãos ou irmãs ou pai ou mãe ou filhos ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna. Mas muitos que são os primeiros serão os últimos, e os último primeiro” (Mateus 19:29-30).

Nessa passagem o termo palingenesia descreve o novo mundo proposto por Jesus. Nele, seus seguidores receberão a vida eterna e herdarão o reino de Deus. Este novo mundo inverte radicalmente as hierarquias sociais, em que os que já foram os últimos serão os primeiros e os que já foram os primeiros serão os últimos. Essa linguagem de reversão e renovação enfatiza a natureza transformadora desse novo mundo, no qual tudo será feito novo e velhos padrões e hierarquias serão deixados para trás.

Em Tito 3:5, palingenesia descreve o processo de renascimento espiritual por meio da obra do Espírito Santo. A passagem diz: “Ele nos salvou, não por causa de obras feitas por nós em justiça, mas de acordo com sua própria misericórdia, pela lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5). Aqui, a linguagem de lavagem e renovação enfatiza a ideia de uma transformação radical, na qual velhos padrões e hábitos são eliminados e uma nova vida é abraçada.

O conceito de palingenesia tanto em Mateus 19:28 quanto em Tito 3:5 enfatiza a ideia de renovação espiritual ou renascimento como uma experiência radical e transformadora. Em Mateus 19:28, está ligada à ideia de um novo mundo onde há uma inversão radical das hierarquias sociais, enquanto em Tito 3:5, está ligada ao processo de regeneração e renovação espiritual que ocorre através da obra do Espírito Santo.

Em João 3:3-8 há a conversa entre Jesus e Nicodemos, um fariseu e membro do Sinédrio. Nicodemos possui familiaridade com a Lei e práticas de Israel, mas possui curiosidade de saber sobre Jesus. Contudo, também é temeroso de ser visto associado publicamente com Jesus. Assim vem à noite para conversar e acaba confundido quando descobre a necessidade de renascimento (“nascer novamente” ou “nascer do alto” em grego) a partir da “água” (implicitamente ele, Cristo) e do “Espírito” (o Espírito Santo) para ver e entrar no Reino de Deus.

Já 1 Pedro 1:3 faz parte de uma carta escrita a um grupo de cristãos que enfrentavam perseguição, dispersão e sofrimento. A passagem na saudação introdutória enfatiza “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Segundo a sua grande misericórdia, ele nos fez renascer para uma viva esperança, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1:3). Era normal começar uma carta agradecendo a Deus. Nesse caso, agradece-se o dom da salvação e da nova vida que se tornou possível por meio da ressurreição de Jesus. O”nascer de novo” indica essa transformação associada à “esperança viva, uma experiência contínua de graça e renovação.

Essas passagens indicam que o entendimento no Novo Testamento sobre regeneração ou novo nascimento era algo necessário para a compreensão (ver) e entrar (participar) no Reino de Deus. Isso não seria atingível por simplesmente seguir rituais, filiação a um grupo ou adesão a uma determinada ideia.

Desde o Antigo Testamento, a esperança da regeneração está ligada à fé no Criador. Deus como autor da nova criação regenera pelo poder de sua Palavra e pela obra do seu Espírito.

A passagem de Mateus 19:28 indica escatologicamente a restauração de todas as coisas, inclusive a renovação do indivíduo. Em Tito 3:5 há uma conotação individual. Já em João e 1 Pedro expressam a novidade de vida que o Espírito Santo efetua individualmente.

Em suma, a regeneração é a resposta do Espírito Santo à fé de quem crê no Evangelho. A regeneração, como novo nascimento acarreta uma transformação interior por obra do Espírito Santo, por meio da qual o pecador é feito uma nova criação em Cristo. A partir do novo nascimento há uma transformação afetiva, da mente e do comportamento. Regenerado pelo Espírito e pelo poder do alto, o crente passa viver segundo a vontade de Deus.