John A. T. Robinson

John Arthur Thomas Robinson (1919–1983) biblista, bispo e teólogo anglicano britânico.

Robinson popularizou a teologia de Paul Tillich no livro Honest to God, com estudos acerca do Novo Testamento. Discutiu também a teologia de Dietrich Bonhoeffer e Rudolf Bultmann. Apesar de subscrever uma teologia liberal, mantinha posições conservadoras quanto aos estudos neotestamentário, sobretudo na datação dos livros como anteriores ao ano 70 d.C.

Ressurreição

Ressurreição é voltar a viver corporalmente após a morte. Na Bíblia, o termo refere-se a três situações distintas.

  1. Ressurreição miraculosa de mortos, também chamada de ressuscitamento. Entre eles estão
    • O filho da Viúva de Sarepta – 1 Rs 17:17-24
    • O filho da mulher sunamita – 2 Rs 4:8-37
    • O homem reviveu ao tocar nos ossos de Eliseu – 2 Rs 13:20-21
    • A filha de Jairo – Mc 5:35-43; Mt 9:18-26; Lucas 8:49-56
    • O filho da Viúva de Naim – Lc 7:11-17
    • Lázaro – Jo 11:1-44
    • Tabita (Dorcas) – Atos 9:36-43
    • Êutico – Atos 20:7-12
  2. Ressurreição de Cristo. (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20-21; At 1:22; 2:24, 32-33; Gl 1:4; 2:20, etc.)
  3. Ressurreição quando da volta de Cristo. A crença na ressurreição dos mortos era uma entre as várias perspectivas sobre o mundo vindouro no judaísmo do Segundo Templo. Notavelmente rejeitada pelos saduceus, mas aceita pelos fariseus (cf. Atos 23:6-8). É uma crença e esperança crucial para a fé cristã a ressurreição final (Atos 24:15; 1 Ts 4:16; 1 Cor 15; Jo 5:28-29; Ap 20:4-6).

Quanto à ressurreição, é proveitoso alguns esclarecimentos. Alguns teólogos e algumas vertentes teológicas postulam a existência de duas ressurreições finais. Alguns intérpretes das vertentes condicionalistas e aniquilacionistas postulam a ressurreição somente dos justos. Para alguns teólogos o termo ressuscitar aplica-se somente às pessoas que foram trazidas à vida miraculosamente e depois, supostamente, voltaram a morrer, reservando o termo ressurreição para Cristo e para a restauração final. Outros teólogos invertem os termos de forma exclusiva. Por fim, o conceito de ressurreição não é a mesma coisa que transmigração das almas, reencarnação ou uma existência espiritual incorpórea.

BIBLIOGRAFIA

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Bynum, Caroline Walker. The Resurrection of the Body in Western Christianity, 200-1336. New York: Columbia University Press, 1995.

Carnley, Peter. The Structure of Resurrection Belief. Oxford: Clarendon Press, 1987.

Cullmann, Oscar. Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead?: The Witness of the New Testament. Wipf & Stock, 2000.

Lehtipuu, Outi. Debates over the Resurrection of the Dead: Constructing Early Christian Identity. Oxford Early Christian Studies, 2015.

Mettinger, Tryggve N. D. The Riddle of Resurrection: “Dying and Rising Gods” in the Ancient Near East. Stockholm: Almqvist & Wiksell, 2001.

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Williams, Rowan. Resurrection: Interpreting the Easter gospel. London: DLT, 1982.

Wright, N. T. The Resurrection of the Son of God. London: SPCK, 2003.

Duas ressurreições

As doutrinas de uma e duas ressurreições referem-se a diferentes pontos de vista sobre o momento e a natureza da ressurreição dos mortos, conforme descrito na Bíblia.

Doutrina da Única Ressurreição: afirma que haverá um único evento de ressurreição no qual todos os mortos, justos e injustos, serão ressuscitados simultaneamente.

Adeptos dessa perspectiva citam frequentemente João 5:28-29: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão, os que tiverem feito o bem para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal para a ressurreição do juízo”.

Esta posição é historicamente majoritária. Entre os aderentes estão os sistemas teológicos protestantes tradicionais e o catolicismo romano.

Doutrina das Duas Ressurreições: propõe que haverá duas ressurreições distintas. Há aqueles que creem que uma ressurreição será para os justos (crentes) e outra para os injustos (não crentes). Outra perspectiva é que a primeira ressurreição seja espiritual e a segunda corpórea (Agostinho, Cidade de Deus, 20.7).

Adeptos da perspectiva citam frequentemente Apocalipse 20:4-6: Esta passagem fala de uma “primeira ressurreição” para aqueles que têm parte na “primeira ressurreição” e uma subsequente ressurreição do restante dos mortos após o reinado milenar de Cristo. Outro trecho citado também é 1 Coríntios 15:20-23.

A doutrina das duas ressurreições está principalmente associada a certos ramos do pré-milenismo e do dispensacionalismo.

Na história do pensamento cristão, Orígenes ensinava alguma forma de duas ressurreições. A primeira seria um despertar da alma e (potencialmente) uma existência não corpórea. A segunda envolvia um corpo novo.

O pré-milenismo histórico geralmente localiza a primeira ressurreição na Segunda Vinda de Cristo, com a volta à vida dos justos em Cristo, para reinar com Ele por mil anos. No final desse período, os injustos ressuscitariam para enfrentar o juízo do Grande Trono Branco. Elementos dessa perspectiva aparecem em Orígenes, Justino e Tertuliano, mas somente com Vitorino de Pettau em seu Comentário sobre o Apocalipse (início do século IV) uma discussão substancial sobre as duas ressurreições aparece. Já entre adeptos do pré-milenarismo dispensacionalista há várias nuances.

Essa doutrina ganhou um renovo nas discussões escatólogicas entre evangélicos de língua inglesa do século XIX, especialmente entre milleristas e dispensacionalistas.

BIBLIOGRAFIA

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Edwards, Mark J. “Origen’s two resurrections.” The journal of theological studies 46.2 (1995): 502-518.

Jeffries, Cyrus. The Doctrines of the Two Resurrections, According to the Scriptures of the Old and New Testaments: The First Resurrection was the Second Coming of Christ, at the Destruction of Jerusalem ; when He Set Up the Gospel Kingdom on Earth, and Resurrected Mankind from the Graves of Trespass and Sins. The Second Or Final Resurrection, is that of the Spiritual Body at Death. United States, S.A. Wylie Book and Job Print, Inquirer Office, 1867.

Regra de Granville Sharp

O reformador político, abolicionista e helenista inglês Granville Sharp (1735–1813) em 1798.

Notou o um fenômeno gramatical no grego similar à hendíade. Quando dois substantivos comuns singulares descrevem uma pessoa, sendo unidos por uma conjunção aditiva, possuíndo um artigo definido antes do primeiro substantivo, mas não o segundo, então ambos os substantivos se referem para à mesma pessoa.

A relevância dogmática dessa relação sintática foi encontrar uma alta cristologia em Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1.

1QS – Regra da Comunidade

O manuscrito 1QS ou Regra da Comunidade (anteriormente Manual de Disciplina) é um dos primeiros encontrados nas cavernas do Mar Morto.

Era um documento importante da Comunidade de Qumran, pois instruía nas normas de admissão e pertencimento ao grupo

Possui quatro partes.

Inicia com instruções para a admissão de novos membros e para um festival anual de renovação do pacto.

A segunda parte expõe a doutrina dos dois espíritos: concepção dualista dos espíritos e filhos da luz contra os espíritos das trevas ou filhos da maldade.

Seguem as regras para a ordem da comunidade, incluíndo um catálogo de punições.

Termina com instruções para a oração e um salmo.