Sangue

Sangue, em hebraico דָּם, dam; em grego αἷμα, haima, é dotado de diversos simbolismos e significados na Bíblia, abrangendo vários contextos religiosos, culturais e rituais. Este fluido corporal vital não é apenas um componente físico, mas está profundamente interligado com crenças, rituais e ética.

No Antigo Testamento, o sangue é emblemático da própria vida, conforme retratado em Levítico 17:11, afirmando: “a vida de uma criatura está no sangue”. Aqui o sangue remete à santidade da vida, proibindo o seu consumo e enfatizando a sua sacralidade.

O sangue está intrinsecamente ligado a rituais de sacrifício, servindo como meio de expiação, purificação e consagração. A aspersão de sangue nas cerimônias de sacrifício simboliza a renovação das alianças entre Deus e a humanidade, significando perdão e renovação espiritual.

O sistema sacrificial levítico e de outras passagens do Antigo Testamento, o sangue da vítima era jogado contra o altar como relembrar Deus e os ofertantes da aliança, bem como sobre do peso e o custo de uma vida vivida separada de Deus. Nas ofertas expiatórias o sangue servia como detergente para purificar o santuário do pecado cometido pelo ofertante ou acumulado no local durante os ciclos anuais. O animal não era punido em lugar do ofertante, nem seu sangue substituia sua culpa, nem era ofertado para apaziguar a ira de Deus. Os rituais da Páscoa o sangue dos cordeiros sacrificados marcava as casas dos israelitas, protegendo-os em uma aliança com Deus.

O Novo Testamento vem em destaque sangue de Jesus Cristo. Seu sangue é visto como o símbolo da redenção, do perdão e do estabelecimento de uma nova aliança entre Deus e a humanidade. Através do sangue de Cristo, os crentes são purificados do pecado e recebem a reconciliação espiritual com Deus. O decreto apostólico veda o consumo de sangue

Além do simbolismo religioso, o sangue na Bíblia reflete normas culturais e éticas. A proibição de consumir sangue sublinha o respeito pela vida e a sacralidade da criação. Os rituais que envolvem sangue destacam a intrincada ligação entre os reinos físico e espiritual, onde a purificação e a consagração são alcançadas através de atos simbólicos.

Elizabeth Cady Stanton

Elizabeth Cady Stanton (1815-1902) foi uma sufragista cristã americana. Como ativista dos direitos das mulheres dedicou sua vida a defender a igualdade de gênero.

Nascida em Johnstown, Nova York, Stanton foi criada em uma família cristã devota e frequentou o Troy Female Seminary de Emma Willard. Nessa escola, desenvolveu um compromisso apaixonado pela educação feminina e justiça social.

Apesar de sua campanha pelo abolicionismo, Stanton ainda expressava formas de preconceitos raciais.

As experiências de Stanton como mulher e mãe alimentaram sua defesa dos direitos das mulheres, e ela se tornou uma voz importante no feminismo ocidental. Ao lado de Susan B. Anthony, Stanton co-fundou a Associação Nacional de Sufrágio Feminino e participou da elaboração da Declaração de Sentimentos, que pedia o direito das mulheres ao voto e outros direitos legais e sociais.

Notando viéses contra mulheres nas Bíblias então publicadas, Stanton convindou várias líderes para comentarem as Escrituras sob perspectiva femina. O resultado foi The Woman’s Bible (1895), um comentário que ainda hoje contém reflexões importantes para a exegese.

A formação cristã de Stanton moldou sua crença no valor e dignidade inerentes de cada indivíduo, independentemente de gênero ou outras identidades. Ela viu a opressão das mulheres como uma questão moral e trabalhou incansavelmente para promover os direitos das mulheres por meio de ativismo não violento e engajamento político.

Vale de Sidim

O vale de Sidim,עֵ֖מֶק שִׂדִּים ‘emeq haś-Śiddim, identificado com o “Mar Salgado” em Gênesis 14:3, chamado de “mar da Arabá” em Deuteronômio 3:17, ou m “Mar Morto”. A localização atual é incerta.

É uma localidade mencionada em Gênesis: “E o vale de Sidim estava cheio de poços de betume” (Gênesis 14:3, 8, 10) como cenário da batalha do vale de Sidim, quando Quedorlaomer derrotou os reis de Sodoma e das cidades da planície.

Sefarade

O nome Sefarade (סְפָרַ֑ד) aparece com localização incerta no Livro de Obadias (1:20), referindo-se aos exilados israelitas nesse local.

Desde o início da Idade Média, os targums identificam a Espanha como Sefarad, tal como em hebraico moderno e pelos judeus ibéricos referem-se a si próprios como sefarditas. Outras teorias, baseada em inscrições persas e nos Anais de Sargão II, localizam dois lugares chamados Sparda: um na Média e o outro em Sardis, a antiga capital da Lídia, na Ásia Menor. Há também a hipótese de que Sefarade esteja situado na Líbia.

A Peshitta glosa Sefarade como Espanha. E o Targum Jonathan em Obadias 20 “Espamia”. As consoantes para “Sardis” e “Sefarad” são semelhantes.

BIBLIOGRAFIA

Neiman, David.”Sefarad, the Name of Spain”. Journal of Near Eastern Studies, 22 (1963) 128-132.

Saraiva

Saraiva ou granizo são gotas ou pequenos blocos congelados que precipitam.

Aparece na Bíblia como um sinal do julgamento de Deus. O granizo caiu com fogo como uma das dez pragas do Egito (Êx 9:23). Uma tempestade de grandes pedras de granizo destruiu o exército dos amorreus quando eles fogem do exército de Josué (Js 10:11). Ageu menciona Yahweh destruindo plantações com granizo (Ag 2:17). O Apocalipse também descreve o granizo (às vezes misturado com fogo ou sangue) na ira e do julgamento de Deus (Ap 8: 7; 11:19; 16:21).