Grace Aguilar

Grace Aguilar (1816 – 1847) foi uma escritora e biblista britânica.

Nascida em uma família judia de ascendência portuguesa, Aquilar defendia a formação de escolas para a população pobre, tanto para meninos quanto meninas. Promoveu o estudo do hebraico entre mulheres judias e a ampla leitura das Escrituras em inglês mesmo entre os judeus.

Ao entrar em contato com um rabino e editor americano Isaac Leeser, arranjou para a publicação seu tratado teológico The Spirit of Judaism (1842) como o volume inicial de uma nova série de livros. O manuscrito original foi perdido no mar, mas Aguilar foi capaz de recriá-lo a partir de suas notas.

Em 1845 apareceu As Mulheres de Israel – uma série de retratos delineados de acordo com as Escrituras e Josefo.

Francesco Toppi

Francesco Toppi (1928-2014) foi um ministro, escritor e presidente da Assemblee di Dio in Italia (Assembléias de Deus na Itália), além de deixar contribuições para historiografia do movimento pentecostal italiano.

Francesco Toppi nasceu em Roma, filho de Gioacchino e Gina Gorietti. Criado numa casa modesta perto do Coliseu, seu pai já tinha aceitado o Evangelho, enquanto sua mãe, na ocasião, não havia experimentado a conversão evangélica. Seguindo a fé de sua mãe, Francesco foi batizado na tradição católica romana na vizinha igreja de Sant’Alfonso.

Em 1935, começou a era de perseguição fascista devido à circular “Buffarini-Guidi”, que visava as minorias religiosas. Em 6 de junho de 1943, o jovem Francesco sofreu a prisão de seus pais, avó e outros crentes durante uma batida policial em seu reunião de oração clandestina. Eles passaram vinte e três dias sob custódia.

Já adolescente, um dia Toppi se ajoelhou em sua casa vazia. Com medo e sozinho,  orou pela salvação. Sua conversão, em 16 de dezembro de 1945, marcou o início de sua jornada de fé.

Depois de concluir o ensino médio e obter um diploma em contabilidade, Francesco Toppi optou por continuar seus estudos no Instituto Internacional de Treinamento Bíblico (IBTI), na Inglaterra. O IBTI, localizado em Leamington Spa. Francesco iniciou seus estudos em 1947 e os completou em 1949. Durante esse período, foi batizado no Espírito Santo e recebeu uma profecia que seria usado em sua terra natal. Ainda obteria um diploma em pedagogia pela Universidade La Sapienza em Roma.

O retorno de Francesco Toppi à Itália em 1949 coincidiu com os primeiros esforços organizacionais da Assemblee di Dio na Itália (ADI). Foi inicialmente recebido com ceticismo devido à sua educação teológica formal. No entanto, foi inscrito como ministro em 21 de dezembro de 1949, tornando-se o primeiro ministro em tempo integral totalmente apoiado pela ADI.

Foi enviado para a Calábria para assistir a grupo de crentes. Mais tarde, ministrou na região de Valle Caudina, na província de Benevento. Em 1953, Toppi foi designado para substituir o casal Zizzo em Turim. Essa cidade passava um crescimento significativo devido à migração para o sul da Itália em busca de oportunidades de trabalho, especialmente na indústria automotiva. Entre esses migrantes havia muitos crentes ou recém-convertidos.

Em Torino conheceu Anna Maria Ferretti, uma musicista com quem se casou em 14 de junho de 1959. Tiveram a filha Lucila.

Em 1958 e 1960, Francesco Toppi embarcou em extensas visitas aos Estados Unidos para arrecadar fundos para a construção do edifício do Instituto Bíblico Internacional (IBI). Estas viagens envolveram visitas a 122 igrejas nos Estados Unidos. Firmou as relações de colaboração com Assemblies of God americanas e a Fundação Italiana de Educação Cristã (ICF).

Em 1958, Toppi, ao lado de Roberto Bracco e Umberto N. Gorietti, participou da Conferência Pentecostal Mundial em Toronto. Em seguida, integrou o Comitê Consultivo para a preparação da VI Conferência Pentecostal Mundial marcada para Jerusalém em 1961.

A partir de 1954, Francesco Toppi estabeleceu-se em Roma. Atuou no Instituto Bíblico Italiano (IBI) além de atender a igreja da Via dei Bruzi, que mais tarde se tornou a sede nacional da ADI. Serviu como ministro titular dessa igreja de 1960 até 2007, quando renunciou por questões de saúde e mudou-se para uma cidadezinha aos arredores de Roma. Entre 1977 e 2007 foi presidente da ADI e nessa capacidade assinou em 1986 junto com o presidente da república italiana Bettino Craxi, o acordo (intesa) depois aprovado pelo Parlamento italiano na Lei 22 de novembro 1988, n. 517, reconhecendo a ADI como um ente morale religioso.

Escreveu vários livros de história do movimento pentecostal italiano, sobretudo biografias dos pioneiros. Também faria obras de caráter doutrinário, além de influenciar na redação e interpretação dos pontos de doutrina adotado pela ADI.

BIBLIOGRAFIA

Toppi, Francesco. E Mi Sarete Testimoni. Roma: ADI-Media, 1999.

———. Giacomo Lombardi (1862-1934). Roma: ADI-Media, 1997.

———. Giuseppe P. Beretta (1853-1923): [i pionieri del Risveglio pentecostale italiano. [i pionieri del Risveglio pentecostale italiano. Roma: ADI-Media, 1997.

———. Il Battesimo, Perché? Roma: ADI Media, 2018.

———. Il Vangelo Secondo Giobbe Messaggi Di Evangelizzazione Dal Libro Di Giobbe. Roma: ADI-Media, 2020.

———. Madri in Israele. Roma: ADI-Media, 2003.

———. Massimiliano Tosetto. Roma: ADI-Media, 1998.

———. Michele Palma (1884-1963). Roma: ADI-Media, 1998.

———. Pietro Menconi (1874-1936). Roma: ADI-Media, 1998.

———. Pietro Ottolini. Roma: ADI-Media, 1997.

———. Umberto Gorietti Difensore Della Liberta Di Predicazione Dell’Evangelo. Roma: ADI-Media, 2004.

———. Vincenzo Federico. Roma: ADI-Media, 2006.

———. Guarigione divina. 2. ed. Roma: ADI media, 2015.

———. Michele Nardi: il Moody d’Italia. Roma: ADI-Media, 2002.

Toppi, Francesco, and David Womack. Le Radici Del Movimento Pentecostale. Roma: ADI-Media, 1989.

Toppi, Francescon. Luigi Francescon (1866-1964). Roma: ADI-Media, 1997.

Juan Carlos Ortiz

Juan Carlos Ortiz (1934-2021) foi um ministro do evangelho argentino baseado nos Estados Unidos.

Nascido em Santos Lugars, um subúrbio de Buenos Aires; era o quinto filho de Concepcion Martos, uma costureira, e Hilario Ortiz, engenheiro ferroviário.

Seu pai era alcoólatra e ausente, Juan Carlos foi criado por sua mãe, conhecida como “Doña Mema”. Sua mãe converteu-se à Cristo em uma assembleia dos Irmãos (de Plymouth) e juntou-se à Asamblea Cristiana de Villa Devoto. Juan Carlos Ortiz começou a ensinar a Escola Dominical aos 14 anos e, aos 16 anos começou a pregar, compelido pelo Espírito Santo.

Estudou no Instituto Bíblico Rio de la Plata, um Seminário Teológico de Assembleias do Deus. Em 1954 trabalhou como secretário pessoal do evangelista americano Tommy Hicks que realizava campanhas evangelísticas pelo país. Depois, esteve dois anos como missionário, vivendo com os povos Mataco e Toba no norte da Argentina.

Juan Carlos conheceu Martha Palau, professora, e casaram-se em 1961 em Buenos Aires.

Foi convidado a dirigir a igreja El Tabernaculo de la Fe, uma congregação fruto das atividades de Tommy Hicks no centro de Buenos Aires. Esteve aí entre 1966 a 1977, quando se tornou umas igrejas mais visíveis da Argentina. Em 1969, iniciou um avivamento Buenos Aires, que mais tarde se espalhou pelo mundo, com o ministério de discipulado em pequenos grupos organizados por Juan Carlos.

O movimento de discipulado levou a uma renovação espiritual que seria classificada como um movimento carismático interna de muitas denominações tradicionais. Sem se ater aos usos e costumes ou denominacionalismos dos primeiros pentecostais, Ortiz trabalhou para união e renovação espiritual das igrejas, independente de denominações. Assim, e,m 1974 participou Congresso Internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, na Suíça, organizado por John Stott e Billy Graham, iniciando o movimento da missão integral.

Em 1978, Juan Carlos migrou aos Estados Unidos. Passou a colaborar com o pastor reformado Robert Schuller, dirigente da Crystal Cathedral em Garden Grove, Califórnia. Entre 1989 e 2000, Ortiz dirigiu o ministério espanhol da Crystal Cathedral. Depois, dirigiu a congregação River Church em Anaheim que chegou a ter mais de 7.000 membros.

BIBLIOGRAFIA

Ortiz, Juan Carlos. Discípulo. Betania, 1978.

Ortiz, Juan Carlos; Palau, Martha. From the Jungles to the Cathedrals: the captivating story of Juan Carlos Ortiz. Miami, Florida: Editorial Vida, 2011.

Johann Tobias Beck

J. T. Beck (1804- 1878) foi um teólogo alemão notório por sua posição biblicista, realista e existencial.

Filho de uma família de classe média de Württemberg, estudou na Universidade de Tübingen de 1822 a 1826. Influenciado pelo pietismo radical e por Johann Albrecht Bengel; serviu como ministro em várias paróquias em Württemberg. Em 1836 passou a lecionar Universidade de Basel, mas em 1843 ele voltou para Tübingen.

Críticos dos hegelianos e das posições liberais e conservadoras teológicas de sua época, Beck era expoente de uma escola teológica própria. A Escola de Württemberg contrastava tanto com a escola crítica de Tübingen representada por Ferdinand Christian Baur quanto a escola historicista de F. Delitzsch e C. F. Keil. Para Beck, ambas eram demasiadamente especulativas.

A base para teologia não seria o “conhecimento especulativo” somente “conhecimento para a fé”. Qualquer coisa que não fosse biblicamente fundamentado não se qualifica como verdadeiro conhecimento de Deus. Ao invés de olhas as Escrituras como um objeto a ser examinado em seu contexto do passado histórico, Beck buscou encontrar nela a História de Salvação. Nisso, os eventos e testemunhos humanos que dariam origem ao texto bíblico canônico são irrelevantes à fé, pois o encontro do crente com esse plano divino na história documentada na Bíblia levaria à ação e paradoxos que forçariam a conhecer relacionamente a Deus. A razão humana ou a síntese feita pela Igreja poderiam até produzir ou não conhecimento verdadeiro, mas a exegese espiritual (pneumática) da Bíblia resulta da obra do Espírito Santo. Dessa forma, a teologia sistemática aos moldes da História de Salvação produzirá o conhecimento real de Deus.

Beck antecede muito da teologia dialética. Por exemplo, introduziu Søren Kierkegaard aos alunos em Tübingen e depois Karl Barth veria nele um interlocutor.

BIBLIOGRAFIA

Einleitung in das System der christlichen Lehre (1838, 2a ed. 1870)
Die christliche Lehrwissenschaft nach den biblischen Urkunden (1841)
Umriss der biblischen Seelenlehre (1871)
Christliche Reden (6 band, 1834-1870)
Leitfaden der christlichen Glaubenslehre (1869)
Christliche Liebeslehre (1872)
Erklärung der zwei Briefe Pauli an Timotheus (1879)
Pastorallehren nach Matthäus und der Apostelgeschichte (1880)
Vorlesungen über christliche Ethik (3 band, 1882-83)
Erklärung der Offenbarung Johannes 1–12 (1883)
Erklärung des Briefs an die Römer (1884)
Erklärung der Briefe Petri (1896)

Anselmo

Anselmo da Cantuária (1033-1109) foi filósofo, teólogo e arcebispo medieval.

Anselmo nasceu perto de Aosta, na fronteira da Borgonha com a Lombardia. Aos 23 anos iniciou uma viagem de três anos aparentemente sem rumo até se estabelecer na Normandia em 1059. Entrou para abadia beneditina de Bec, sob direção de Lanfranc, um brilhante professor de dialética.

Mais tarde, Anselmo foi eleito abade de Bec e a transformou em um centro intelectual. Escreveu suas obras Monologion (1075–1076), Proslogion (1077–1078) e seus quatro diálogos filosóficos: De grammatico (c. 1059–1060), De veritate, De libertate arbitrii e De casu diaboli (1080–1086).

Em 1093, Anselmo foi nomeado arcebispo da Cantuária, a sé principal da Inglaterra. Quando Anselmo viajou a Roma em 1097 sem sua permissão, o rei William não permitiu seu retorno à Inglaterra. Depois da morte do rei em 1100, seu sucessor, Henrique I, autorizou o retorno de Anselmo. Mas seria novamente exilado de 1103 a 1107.

Suas obras como arcebispo da Cantuária incluem a Epistola de Incarnatione Verbi (1094), Cur Deus Homo (1095–1098), De conceptu virginali (1099), De processione Spiritus Sancti (1102), a Epistola de sacrifício azymi et fermentati (1106– 1107), De sacramentis ecclesiae (1106–17) e De concordia (1107–8). Anselmo morreu em 21 de abril de 1109.

O pensamento de Anselmo provocou uma grande mudança teológica no ocidente. Na busca da comprensão de Deus como um ser, rompeu com a tradição apofática ao propor examinar a essência divina como um ser.

Seu método é primordialmente lógico-dedutivo. A lógica de Anselmo segue a recepção latina de Aristóteles mediada por Porfírio e Boécio. Subscrevia ao realismo na questão dos universais, argumentando que os gêneros e as espécies não desapareceriam se afastados todas as suas instâncias.

Promoveu assim, o argumento ontológico para a razoabilidade da existência de Deus. Com base nos atributos divinos inferidos a priori e dedutivamente, revisitou a teoria do resgate da expiação. Propôs a doutrina da satisfação para o ato expiatório, pois considerava ímpia a noção de resgate como uma transação comercial paga a Satanás. Assim,argumentava que era necessário que Deus se tornasse humano para satisfazer a justiça divina, maculada pelo pecado original.

A soteriologia forense e a noção de justiça de Anselmo foram concebidas em uma matriz cultural do direito franco-germânico medieval. Por esse motivo, Hasting Rashdall (1919) vê a soteriologia de Anselmo como a atuação de um advogado lombardo em uma corte feudal.

O argumento ontológico de Anselmo foi criticado pelo monge Gaunilo (século XI) com o exercício de pensamento da ilha perfeita. Se alguém imagina uma ilha perfeita, há de existir uma mais perfeita ilha, porém não correponde necessariamente a ilha existente e a imaginada. Nessa linha, Lutero, os reformadores radicais e, mais recentemente, Barth e a teologia não realista rejeitaram muito da teologia dos atributos, especialmente atributos a priori ou não revelados em Jesus Cristo, como categorias lógicas arbitrárias.

O legado de Anselmo é notável na teoria da expiação vicária ou substituição penal desenvolvida por Lutero e Calvino.

BIBLIOGRAFIA

Anselmo. Proslogion.

Anselmo. Cur Deus homo

McGrath, Alister E. Iustitia Dei: a history of the Christian doctrine of justification. Cambridge University Press, 2005.

Rashdall, Hasting. The Idea of Atonement in Christian Theology. Londres: Macmillan, 1919.

Williams, Thomas, “Saint Anselm”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2020 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/win2020/entries/anselm/&gt;.